Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Quem tem boca vai a Roma

 

 

“E nós, levadas da breca, fazemos o nosso papel, para os pobres coitados (Nota: os homens sem jeito para o minete) não ficarem cheios de complexos (de vez em quando, algumas tomam coragem e dizem: ‘querido não te importas de fazer assim ou assado?’, coisa rara, enfim). Depois há cerca de 10% que têm jeito prà coisa, um potencial elevado para fazer um minete-colibri: bate as asinhas e truca! Acerta no alvo, sem grandes lambidelas nem aparato. Finalmente vêm os abençoados 10% que são um misto dos anteriores mas que já leram os livros da especialidade e fazem os minetes de oiro. São os chamados Meninos de Oiro. Coisa rara nos dias que correm”.

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 136

 

Com esta citação encerro, por assim dizer com chave de oiro, o capítulo dedicado ao minete nesta Enciclopédia Sexual, em fascículos mas pouco ilustrada, da Lavandaria.

Que eu tenha reparado ainda ninguém se queixou em voz alta da quantidade de posts dedicadas a este tema, mas de qualquer maneira eu explico-me.

Demorei-me propositadamente no minete, para calar eventuais acusações de sexismo à Lavandaria,  concedendo-lhe o mesmo tempo de antena que foi dedicado ao broche.

Fornecida esta explicação, acho que a autora torna claro que a chave para o bom minete reside numa estreita e sã cooperação entre as partes.

Se faz parte da maioria silenciosa dos 80% que não são Meninos de Oiro e não nasceram predestinados para a coisa, o caminho está no treino e na conversa. É a falar que as pessoas se entendem.

Se não é naturalmente dotado para o minete deve solicitar instruções pormenorizadas à sua parceira, que deve orientar a sua actividade exactamente com o mesmo detalhe, serenidade, profissionalismo e paixão com que os controladores aéreas orientam os aviões nas sempre delicadas manobras de aproximação à pista.

Como diz o povo, na sua imensa sabedoria, quem tem boca vai a Roma.

música: Caravan of love, Housemartins
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Tudo se resume a uma questão de má lingua

 

“E todos eles convencidos que são ‘os maiores’ nesta lide particular (o minete). Burros! Ora, da mesma forma que nós, grandes falsas, esperneamos, dizemos ’ Ahhhh! Sim! Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!’ e fazemos gestos tipo canal 18 a fingir um orgasmo, o mesmo fazemos quando nos estão a meter a cara entre as pernas. Assumindo uma posição tipo drª  Ruth  - é o que me chama a minha editora, a minha querida Joana Petiz -  arrisco dizer que 80% dos homens fazem um minete como um São Bernardo a lamber as vítimas perdidas na neve. Lambe, lambe, lambe…sem saber porquê, para onde e porque raio lambe”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 136

 

Como as preclaras e preclaros mais atentos já devem ter reparado, desapareceram as imagens da revista Gina e das BD Clic, de Manara, e História de O, de Crepax, que ilustravam  a esmagadora maioria dos posts desta Enciclopédia Ilustrada do Sexo, que tenho vindo a publicar em fascículos, com uma regularidade impressionante e o sacrifício de partes não negligenciáveis do meu tempo livre e reputação.

A enciclopédia deixou de ser profusamente ilustrada porque essas fotos (as que se evaporaram) estavam alojadas no Flickr (um serviço do Yahoo, um motor de busca que ainda consegue ser mais decrépito do que eu), de que fui excluído, presumo que por indecência, por uma alma gémea do procurador de Torres Vedras que emergiu do anonimato este Carnaval.

O que se me oferece dizer é que estou profundamente convencido que o responsável pela essa minha exclusão é ainda mais incompetente a fazer minetes que o São Bernardo referido pela autora (numa imagem poderosíssima, sublinhe-se!), chucha no polegar às escondidas e censuraria, por pornografia, o mais famoso quadro do Courbet.

Apesar disso, o reino dos Céus será dele – e de todos os outros pobres de espírito bem aventurados.

Simbolicamente atiro-lhe um tomate podre a ele - e um ovo (também podre) ao yahoo. Se preferirem, pode ser ao contrário. E faço minhas as palavras do Einstein.

Ao fim e ao cabo, tudo se resume a uma questão de má língua.

Pedindo desculpa a todas as preclaras e preclaros pelo tom algo avinagrado deste post, paro por aqui e vou fazer horas para o jogo do Porto lendo mais umas páginas do emocionante Criado Secreto do Daniel Silva.

música: Paciência, João Pedro Pais e Mafalda Veiga
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

É com muita prática que se apanha o jeito!

Para o minete ser de qualidade não é obrigatório a beneficiária pôr-se em posições tão acrobáticas como esta em que Ghitta (in Mamas de Sonho, Gina nº 187) se colocou para ser passada a pano por Kenneth, o infeliz que contratou os seus serviços para ver se se animava depois de perdido o emprego como vendedor, estampado o carro que não tinha ainda acabado de pagar e saber que a sua mulher lhe pôs os cornos e fugiu com o seu melhor amigo 

 

“Nós o que queríamos mesmo era homens que soubessem fazer um minete comme il faut. Eu explico: estas almas penadas vieram ao mundo com um gene que lhes meteu automaticamente na cabeça que fazer um bom minete é um dado adquirido. Pois aqui vai uma pequena notícia: não é !!! E o mais giro é que, perguntando aos desgraçados dos meus amigos, ex’s e afins (logo o leque é grande e a probabilidade de acertar é quase como a da EuroSondagem), todos eles acham que fazem o minete! Extraordinário”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 137

 

Ora aqui temos uma lição de humildade de que nós, homens, na generalidade, estávamos mesmo a precisar.

Como ninguém nasce ensinado, é de uma enorme soberba pensarmos que desembarcamos neste mundo, trazidos da Paris no bico de uma cegonha, já a saber como administrar um minete com competência e eficácia!

A autora está carregadinha de razão quando diz que fazer um bom minete não é um dado adquirido. Não é – acrescentaria eu – um dom inato.

Todos nós tivemos de aprender a ler, a escrever (enfim, alguns!), a nadar, a andar de bicicleta (nem todos), a conduzir um carro e a evitar sermos apanhado pelo balão da Brigada de Trânsito com mais álcool do que seria desejável na corrente sanguínea.

Como a arte de fazer um bom minete não é ensinada nas escolas (creio que a reduzida carga horária das aulas de Educação Sexual impediu esta operação de constar do programa)  resta a todos os preclaros tornarem-se autodidactas.

Como nos ensinou o velho presidente Mao, é da prática de onde vêm as ideias justas. Ao que eu acrescento: é com muita prática que se apanha o jeito para um bom minete.

Trabalho, muito trabalho, como recomenda o palmelão Octávio. Muito treino em casa, com a querida, é o único caminho para a excelência.

Para o caso de ainda não ter consciência disso, o único dicionário é o único sítio do mundo onde o sucesso aparece antes do trabalho.

 

música: A thousand kisses deep, Leonard Cohen
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

Como a prática do 69 demonstra que a unanimidade nem sempre é consensual

 

O pessoal da lavandaria é danado para a brincadeira (nada que eu já não soubesse) e após ter lido o meu discurso cartesiano sobre o broche tem-me incitado a ir mais longe, até ao minete, passando pelo clássico e unânime (mas não consensual) 69.

 

É claro que eu entendo perfeitamente as razões subjacentes a este incitamento ao aprofundamento de temas badalhocos.

 

Resguardados atrás de nicks imaginativos (às vezes nem tanto, mas o que é que se há-de fazer?), as preclaras e os preclaros são uma espécie de não-pessoas que se divertem à ganância a descobrir até onde posso ir na trilha da javardice – e no seu íntimo estão convencidos de que eu posso ir muito longe.

 

Na verdade, eu não só posso ir mais longe (presumo que já dei provas disso) como sinto que devo ir (mais longe).

 

Acabo de aterrar numa redacção nova, a do Diário de Notícias, muito naturalmente constituída por gente curiosa (uma virtude profissional) e por isso interessada em reunir rapidamente o máximo de informações sobre o recém chegado (eu).

 

A minha chegada ao DN coincidiu com a publicação do «post» sobre o broche, que se tornou um êxito instantâneo junto dos meus novos colegas. Ganhei assim uma sólida reputação de tarado que tenho, a todo o custo, de preservar.

 

Desiludam-se os que esperavam de mim uma apologia do 69. Nada disso. Mantenho relativamente a essa prática uma certa distância crítica, que procurarei fundamentar.

 

No mundo moderno, o romantismo do gesto não se compadece com a absoluta necessidade de nunca dispersarmos a nossa atenção e nos focarmos no que estamos a fazer.

 

Ora o 69 é uma prática radicalmente contrária à focalização. Ou bem que uma pessoa se concentra a chupar a outra como deve ser (e desenganem-se os ignorantes que acham que basta usar a língua como um S. Bernardo para dar satisfação á parceira e praticar um cunnilingus competente) ou bem que tira todo o partido do facto de estar ali a ser chupado, como um principe.

 

Preconizo, por isso, que o 6 seja separado do 9 e as que ambas as coisas sejam feitas de forma sequencial e não simultânea.

 

Há quem defenda que o 69 mais não é do que uma deriva romântica do igualitarismo de índole marxista-leninista, mas o Luciano (que como sabem é o meu guru nestas matérias) desmente vigorosamente essa pista,

 

Garante o Luciano que o bom do Lenine sempre se recusou a fazer 69 com a Nadezhda Krupskaya, argumentando que essa prática era «uma miserável invenção do capitalismo» (cito Luciano citando Lenine).

 

O 69 é uma daquelas práticas que prova a imensa sabedoria do meu amigo (e ex-colega) Valdemar Cruz que percebeu antes de todos nós que, cito, «a unanimidade nem sempre é consensual».

 

Resumindo e baralhando. O 69 é unânime, mas não consensual. Do meu ponto de vista, não é sexo puro e duro mas antes uma delicadeza, um gesto cavalheiresco em tudo similar a levantarmo-nos quando chega uma senhora à mesa - ou abrir-lhe a porta do carro.

 

música: In the hour, Melanie
publicado por Jorge Fiel às 16:03
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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