Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

O bom e o verdadeiro motivo da espertalhona

Hoje ao almoço, no McDonalds da Boavista, ouvi uma miúda adolescente armar-se em esperta perante as suas coleguinhas e explicar-lhes que usa sempre o truque de pedir o hamburger sem pickles para a sandes vir quente - acrescentando que no Burger King pede sem tomate, pela mesma razão.

Lembrei-me logo daquela frase do JP Morgan, esse velho e sábio macaco, sobre haver dois motivos para todos os nossos actos: o bom e o verdadeiro.

No caso da adolescente espertalhona, a sandes feita na hora é o bom motivo – o verdadeiro motivo é ela não gostar nem de pickles nem de tomate. Penso eu de que…

música: La vie en rose, Edith Piaf
publicado por Jorge Fiel às 17:20
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Um rasgado elogio aos urinóis da McDonald's

Não ficaria de bem com a minha consciência se não deixasse aqui lavrado um rasgado elogio público à extraordinária performance dos novos urinóis da McDonald’s – não valem tanto como a Fountain do Duchamp, mas também são readymade.

Estava eu, descontraidamente, a começar a aliviar-me quando, subitamente, uma mensagem se iluminou no topo do urinol, informando-me que aquele moderno equipamento permite uma poupança de 150 mil litros de água por ano, apresentada como equivalente ao consumo anual de uma família de quatro pessoas.

Como o McDonald’s que fica em frente de minha casa tem a casa de banho dos homens apetrechada com dois urinóis verdes (além de brancos), isso eleva do restaurante para 300 mil litros/ano. Brutal!

Após a venturosa invenção do M e as novas fardas assinadas pela Katty Xiomara, a cadeia que vende as melhores batatas fritas do Mundo continua a surpreender-nos e a inovar – agora também no domínio dos urinóis.

Se não se desse o caso do único elevador que serve o meu apartamento estar avariado há quase 48 horas (e eu desconhecer e absoluto se ele voltará a dar sinais de vida), posso garantir-vos que passaria a satisfazer as minhas necessidades fisiológicas de carácter líquido, em regime de exclusividade, no McDonald’s. Para poupar água, que é um bem escasso no sistema solar.

música: Licence to kill, Gladys Knight
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Chuto calórico contra o desânimo no McDonald's da esquina da Solidarinosci com a Jana Pawla II

 

O triplo sentimento de perda  (avião, tarde e Nintendo)  que se apoderou de nós à chegada ao hotel,  não foi suficiente para nos demover de uma primeira expedição de reconhecimento a Varsóvia, cidade que a Isabel, o Pedro e o João visitavam pela primeira vez (em termos absolutos) e onde eu estava pela primeira vez desde a última vez que lá tinha ido, em Janeiro de 2006.

Tratou-se de uma expedição nocturna e de natureza integralmente pedestre que decorreu num ambiente geral de funeral pela perda da Nintendo do João –  que chorou tão copiosamente como a polémica Madalena, expressando assim o seu arrependimento pelo esquecimento, bem como o luto por um brinquedo novo de dois meses pelo qual ainda estava perdidamente apaixonado.

Apesar de planos, os dois quilómetros e meio (talvez até mesmo três….)  da Al. Solidarinosci que separam  o Ibis Centrum da Stare Miasto (Cidade velha) revelaram-se longos e fatigantes demais para a nossa disposição e pernas.

Na esquina com a Jana Pawla II (acho que nunca me irei habituar ao abichanamento que os polacos fazem dos nomes), fizemos um “stop over” no McDonald’s onde combatemos o desânimo com doses generosas de batatas fritas (excessivamente salgadas) , Coke Zero (1) e hamburgers gordurosos.

O “chuto” calórico administrado no McDonald’s  foi barato e razovelmente eficaz. O que conjugado com a noite abafada (a frase “Tomaramos nós ter tido uma noite assim tão quente nos 15 dias que passamos no Zavial” recolheu o consenso)  acabou por  fazer o ânimo geral regressar a terreno positivo.

Quando visitou Varsóvia no final da Segunda Guerra Mundial o general Einsenhower produziu o seguinte comentário: “Vi muitas cidades destruídas, mas em nenhum outro lugar me foi dado a ver uma tal cenário de destruição”.

Mais de 60 anos depois deste comentário, ficamos de bem com a Humanidade ao vagabundear à noite pela Rynek (praça)  da Stare Miasto e pelas ruas que a circundam, com as bonitas fachadas coloridas e decoradas (Europa Central “style”)  que até parecem estão ali de pé desde o século XVII.

A noite quente estava muito agradável , com as esplanadas da praça cheias de gente animada a deitar abaixo copos generosos de cerveja, e as ruas muito iluminadas e cheias de gente com pouca roupa, confirmando-se assim imensa justeza da lei de que o mercúrio dos termómetros e o comprimento das saias variam em sentido inverso.

Antes de empreendermos o regresso (pedestre) ao Ibis, ainda estacionamos numa esplanada na Plac Zamkowy, a beberricar Zywiec (popular marca de cerveja polaca do grupo Heineken) enquanto pastávamos a paisagem, onde se destacam a coluna encimada pela estátua de Segismundo  (nome que nunca atribuiria a um filho meu!) e o belo Castelo Real, que, como quase tudo o resto que existe Varsóvia, foi destruído e reconstruído pelo menos umas três ou quatro vezes.

O retorno foi penoso. Um mal nunca vem só. E neste caso, juntou-se um quarto mal aos três males que já tínhamos sofrido –as All Stars (falsas) do João revelaram-se desajustadas a grandes caminhadas com tempo quente.

A idiota reflexão de travesseiro que já vos revelei, não foi o meu único pensamento antes de mergulhar nos braços de Morfeu. Adormeci a repetir o mantra “Amanhã é outro dia”.

 

…………………………..

(1)  Mais tarde, não deixarei de expressar, em termos vigorosos, aqui na Lavandaria, a minha completa e total oposição ao facto da Coca Cola Company estar a aplicar secretamente uma política criminosa de “Solução Final”, exterminando a Coke Light para promover em seu lugar a ariana Coke Zero. Ainda esta semana constatei na Casa das Sandes do Península que na bica dos refrigerantes a Zero tinha substituído a Light.

 

 

 

 

música: Under the bridge, Red Hot Chili Peppers
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Tudo o que eu penso sobre a batata

 

 

 

Correspondendo à sábia deliberação da ONU de proclamar 2008 como o Ano Internacional da Batata, dedico ao precioso tubérculo o primeiro «post» deste novo ano.

 

Desde já vos informo que não tenho uma relação privilegiada com a batata. No que concerne aos acompanhamentos mais tradicionais, valorizo arroz e batata no mesmo pé de igualdade.

 

Para ser sincero (aliás sou-o quase sempre e tenho perdido muito com isso), nos tempos mais recentes prefiro acompanhar a refeição com uma pasta ou tão só com pão.

 

Sou doido por pão e a Padaria Ribeiro enche-me as medidas neste particular, ao disponibilizar uma oferta muito variada de pão: chapatas, de azeite, prokorn, milho, centeio, mistura, com passas, e por aí adiante.

 

Ainda no capítulo dos acompanhamentos - e circunscrevo-me aos farináceos (ou seja excluindo verduras, como os grelos salteados, que é o mais sexy e saboroso de todos os acompanhamentos existentes à face da Terra) – confesso-vos que tenho uma especial predilecção pela castanha, feijão (preferencialmente o preto e o frade, mas o manteiga também marcha bem) e até o sempre injustiçado grão de bico.

 

A castanha, que detinha a primazia no nosso país antes de ser destronada na centúria de Quinhentos pela novel batata importada da América, fica a matar a acompanhar um assado de carne no forno ou uns rojões.

 

A sofisticação da oferta do retalho no nosso país permite-nos comprar o tipo de batata mais adequada à maneira como o tubérculo vai ser cozinhado.

 

Há, assim, batata para cozer, para assar e para fritar. Indo por partes, com organização e método, passo a confiar-vos os comentários que me merecem estas três grandes categorias.

 

 

Batata cozida

 

Há quatro pratos em que eu como batatas cozidas com agrado. A saber, a acompanhar raclete, bacalhau ou polvo (com molho verde) cozidos, e atum grelhado (com molho de cebolada).

 

Os restos de batata cozida têm um aproveitamento que eu classifico de razoável: as batatas alouradas na frigideira.

 

 

Batata frita

 

Muito valorizadas por mim na infância e adolescência, as batatas fritas têm vindo a perder importância na minha dieta alimentar à medida que a idade avança.

 

Tenho para mim que as batatas fritas do McDonald’s são as rainhas da sua categoria. São realmente muito boas, mas evito-as por razões de saúde – os fritos são, no geral, prejudiciais para o colesterol e o sal é um veneno para um hipertenso como eu sou.

 

Como observador atento do fenómeno do consumo de batata no nosso maravilhoso país, devo notar com preocupação que a batata frita às rodelas têm vindo a perder, de uma forma que não hesito em classificar como alarmante, quota de mercado relativamente às batatas fritas aos palitos.

 

A batata palha vai muito bem com rosbife.

 

 

Batata assada

 

Como já vos confessei, prefiro a castanha à batata assada. Mas estou disposto a abrir uma excepção quando estamos na presença daquela batatinha muito pequena, creio que a nova, que pode ser deliciosa.

 

 

Puré e gnocci

 

Não posso encerrar este meu pronunciamento sobre a batata sem manifestar o meu mais vivo repúdio relativamente ao puré de batata (uma forma bastarda de consumir batata) e conceder o meu beneficio da dúvida relativamente ao gnocci – pode ser um petisco com fios de parmesão, ralado na hora, a derreter em cima.

 

Dou pró concluída a minha participação na iniciativa 2008 Ano Internacional da Batata, promovida pelas Nações Unidas, com uma pequena lista.

 

O meu quadro preferido sobre o tema batatas

 

Os comedores de batatas, de Van Gogh

 

 

A minha frase romântica preferida sobre batatas

 

O meu coração palpita como uma batata frita.

 

 

A mais sábia frase sobre batatas

 

A lógica é uma batata.

música: Casa no Campo, Elis Regina
publicado por Jorge Fiel às 16:10
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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