Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Apaixonei-me pela Bona, a meio da ul. Kanonicza

 

Estava guardado para o fim o melhor bocado. Nas minhas deambulações matinais, a meio da Kanonicza (provavelmente a mais bela rua de Cracóvia), tropecei numa livraria assinalada por um bonito letreiro e com uma fachada atraente, decorada por um estante em baixo relevo e de apreciáveis dimensões (ver foto).

Entrei e deu-se o célebre coup de foudre. Foi um caso série de amor à primeira vista porque aquela pequena livraria (com uma apreciável oferta em línguas  inglesa, alemã e espanhola) chamada Bona, com um também pequeno mas encantador café lá atrás, ao fundo.

Resisti à tentação de me sentar, encomendar um café (e, quem sabe?, uma fatia de uma tarte que estava com um aspecto delicioso e eu com a idade estou a ficar um bocado guloso, deve ser para ver se consigo ficar diabético) e deixar-me ficar a ronronar naquele ambiente morno e acolhedor.

Não. Não me podia distrair. Tinha de cumprir o trajecto do passeio laboriosamente desenhado cerca de uma hora atrás, à mesa do TriBeCa Coffee. Da maneira esquinada e perigosa como o mundo está, uma pessoa nem nas férias ou momentos livres pode fraquejar. Primeiro, a devoção. Só depois de podermos arvorar um sorriso de satisfação pelo dever cumprido é que nos podemos deixar embalar no colo lúbrico da diversão.

Apressei o passeio delineado, de modo poder por um ponto final de categoria à viagem,  gozando uns bons 45 minutos no café Bona.  A coisa ia dando para o torto.

Fiquei bastante desapontado ao ver todas as mesas ocupadas, quando voltei ao café/livraria Bona (mais ou menos a meio da Kanonicza, do lado esquerdo quem sobe, não tomei nota do número exacto e eles tinham os cartões esgotados), passavam poucos minutos das 15h30.

Não desisti. Deixei-me ficar à espera que uma mesa vagasse, o que não tardou acontecer, recompensando a minha paciência e perseverança, duas qualidades que nunca será demais elogiar (auto-elogiar, no caso).

Que mais hei-de dizer? Foi muito bom. Tudo. O café (seis zlotys), a música, a empregada (ainda hoje me arrependo de não ter tido lata de lhe pedir a referência do CD que estava a tocar), o ambiente.

Eu sei que temos a tendência a sobrevalorizar o mais recente. É por isso que um caso ocorrido no final do ano tem muito mais probabilidades de ser eleito pelos jornalistas como Acontecimento do Ano do que um outro, de importância idêntica ou superior, que teve lugar no início do ano. Mas, mesmo correndo o risco de estar a sofrer dessa desfocagem, dou 18,5 valor, numa escala de zero a 20, ao Bona. Se pudesse, importava aquele ambiente todo para o Porto.

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publicado por Jorge Fiel às 19:48
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Uma folha A4 dobrada em 48 quadradinhos

 

Segunda, 24,  o dia de regresso, era mais curto (às 16h30 tinha boleia do meu primo Fernando para o aeroporto) e por isso tinha de ser devidamente aproveitado (para não dizer espremido), pelo que passava pouco das oito da manhã quando montei quartel general numa mesa do TriBeCa Coffee -  que tal como o Europeijska fica no correr ocidental da Rinek Glówny, só que na outra  ponta, no  Palac Pod Baranami, palácio celebrizado por acolher há mais de meio século um famoso cabaret.

Não me posso queixar. Foi produtivo. Em menos de uma hora, com o auxilio do guias DK e InYour Pocket de Cracóvia, planeei numa folha A4 branca, cuidadosamente dobrada para criar 48 quadradinhos, bem sucedidas incursões aos bairros de Okol, Stradom, Kazimiez, Wesola, Piasek  e Nowy Swiat.

O TriBeCa funciona em regime de self service, cobra seis zlotyz (um pouco menos de euro e meio) pelo expresso (o preço sobe para oito zlotys se for duplo) e divide-se em duas salas. Eu instalei-me na maior, ampla e muito bem iluminada. Apesar de ainda ser cedo, com grande pena minha as três mesas sobrelevadas estavam ocupadas por gente que tinha todo o aspecto de estar na firme disposição de criar raízes no local.

Gostei do ambiente, clean, muito moderno, arejado e despojado, diria mesmo de inspiração norte-americana – a legislação laboral flexível não foi a única coisa que os polacos foram beber ao outro lado do Atlântico.

A banda sonora era agradável, jazz por intérpretes locais, creio que Anna Maria Jopek (cuja recomendo). Nota 14, numa escala de zero a 20, para um TriBeCa Coffee que não desperta paixões mas também não compromete.

 

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publicado por Jorge Fiel às 19:42
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

O café do Europeijska não travou a galopada do sono

 

Presumindo que não vale a pena pôr mais na carta para salientar a subida importância dos cafés (estabelecimento e bebida) no bem estar e conforto do viajante, passo a relatar circunstanciadamente as três experiências de café que vivi durante o fim de semana alargado que passei em Cracóvia.

Logo na 6ª feira, instalei-me no Europeijska, após um opíparo almoço de sopa de peixe e carpaccio, acompanhado por um copo de Malbec, no Szara da Rynek Glówny,  e de um breve passeio pela Stare Miasto (centro histórico), dado com o duplo objectivo de desentorpecer e de evitar o entorpecimento do espírito.

A ideia era pegar nos mapas e guias, que transportava no meu messenger bag (se calhar é melhor começar a referir-me a ele por saco de carteiro, numa tradução livre para português), e planificar a minha estada  -  nunca mais escreverei estadia, pois da última vez que usei esta palavra levei um valente puxão de orelhas de uma professora minha amiga.  

O sono e o ambiente (uma penumbra simultaneamente pesada e acolhedora) do Europeijska conspiraram para me frustrar os meus planos, atirando-me para os domínios de Morfeu.

Chegado aqui, devo recordar que pernoitara na porta 21 do aeroporto de Frankfurt, ou seja tinha no lombo uma noite dormida à pressa.

O café (8 zlotys, um pouco menos de dois euros) não travou a galopada do sono. Como não conseguia estruturar o programa para a short break polaca, preferi levantar âncora e ir dar água sem caneco vagabundeando pela Stare Miasto, para não correr o risco de arranhar  com os meus roncos (sim, eu ressono) a elegante e elaboradamente sofisticada atmosfera do Europeijska.

Fica guardada para a próxima a experiência de saborear com calma o ambiente clássico e muito Europa Central deste café decorado com objectos de época (como gramofones, sabe-se lá se alemães), instalado rés-do-chão do Palac Krysztorofy, no lado ocidental da Rynek Glówny, uma das mais belas praças do mundo – é tão bonita que às vezes até arrepia.

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publicado por Jorge Fiel às 19:34
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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