Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Longa vida ao 69!

 

Não ficaria de bem comigo se concluísse estes diários parisienses sem deixar aqui lavrado um sentido agradecimento aos valiosos serviços prestados pelo autocarro da linha 69 durante os cinco dias que durou esta nossa estadia em Paris.

Não houve um dia sequer que fosse em que não embarcássemos a bordo deste fiel companheiro, que atravessa Paris, desde Gambetta (junto ao Père Lachaise), até ao Champs Mars (ali ao lado da Torre Eiffel), passando pela Bastille, Louvre, Hotel de Ville, Saint Germains, Invalides e por aí adiante.

Tenho também apreço pelas linhas 29 (que escala o Pompidou, a Bolsa e Ópera até se deter na Gare St. Lazare) e pelo 96 (que vai até à Gare Montparnasse), alternativas honestas de divertimento, mas não hesito um segundo antes de afirmar que o melhor de todos é o 69. É por essas e por outras que ergo a minha voz e desejo uma longa vida ao 69!  Merci beaucoup 69!

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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Domingo, 9 de Agosto de 2009

O elogio do 69

Nas primeiras incursões a uma grande capital, é natural que o turista use a rede de metro como bengala que o ajuda a desembrulhar-se pela cidade.

O recurso à rede de autocarros, de mais difícil navegação, é algo a que só nos aventuramos quando nos sentimos à vontade nessa cidade – não digo como em nossa casa, mas pelo menos como se estivéssemos de visita a um amigo onde vamos com alguma frequência.

Da última vez que fomos a Londres, já andamos mais nos famosos  doubledeckers vermelhos do que de metro.

Andar de autocarro é uma forma superior de transporte, por duas principais ordens de razões.

Primo, o autocarro poupa-nos as enormes e labirínticas estiradas subterrâneas que fazemos desde que descemos as escadas da estação de metro até que finalmente conseguimos chegar ao cais de embarque.

Secondo, a bordo de um autocarro não só descansamos (principalmente se conseguimos arranjar um lugar sentado…) como ainda por cima vemos a cidade de uma perspectiva mais elevada que o nível da rua. E quando estamos de férias, o único grande inconveniente de andar de autocarro (os engarrafamentos) até pode tornar-se uma vantagem.

Antes do jantar de 6ª feira embarcamos, na Bastilha, no autocarro 69, que nos levou até à base da Torre Eiffel, no Champs de Mars, fazendo um interessante percurso, de aproximadamente meia hora, com passagens pelo Hotel de Ville, Louvre (impressionante como o motorista conseguiu passar pelas estreitas arcadas junto ao Carroussel que dão acesso ao perímetro onde Pei plantou as suas pirâmides) e Invalides.

Após dez minutos de paragem, aproveitados para olharmos embasbacados para a torre Eiffel iluminada, empreendemos a viagem de regresso. O 69 é uma experiência feliz. A repetir, com gosto.

publicado por Jorge Fiel às 00:08
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

Como a prática do 69 demonstra que a unanimidade nem sempre é consensual

 

O pessoal da lavandaria é danado para a brincadeira (nada que eu já não soubesse) e após ter lido o meu discurso cartesiano sobre o broche tem-me incitado a ir mais longe, até ao minete, passando pelo clássico e unânime (mas não consensual) 69.

 

É claro que eu entendo perfeitamente as razões subjacentes a este incitamento ao aprofundamento de temas badalhocos.

 

Resguardados atrás de nicks imaginativos (às vezes nem tanto, mas o que é que se há-de fazer?), as preclaras e os preclaros são uma espécie de não-pessoas que se divertem à ganância a descobrir até onde posso ir na trilha da javardice – e no seu íntimo estão convencidos de que eu posso ir muito longe.

 

Na verdade, eu não só posso ir mais longe (presumo que já dei provas disso) como sinto que devo ir (mais longe).

 

Acabo de aterrar numa redacção nova, a do Diário de Notícias, muito naturalmente constituída por gente curiosa (uma virtude profissional) e por isso interessada em reunir rapidamente o máximo de informações sobre o recém chegado (eu).

 

A minha chegada ao DN coincidiu com a publicação do «post» sobre o broche, que se tornou um êxito instantâneo junto dos meus novos colegas. Ganhei assim uma sólida reputação de tarado que tenho, a todo o custo, de preservar.

 

Desiludam-se os que esperavam de mim uma apologia do 69. Nada disso. Mantenho relativamente a essa prática uma certa distância crítica, que procurarei fundamentar.

 

No mundo moderno, o romantismo do gesto não se compadece com a absoluta necessidade de nunca dispersarmos a nossa atenção e nos focarmos no que estamos a fazer.

 

Ora o 69 é uma prática radicalmente contrária à focalização. Ou bem que uma pessoa se concentra a chupar a outra como deve ser (e desenganem-se os ignorantes que acham que basta usar a língua como um S. Bernardo para dar satisfação á parceira e praticar um cunnilingus competente) ou bem que tira todo o partido do facto de estar ali a ser chupado, como um principe.

 

Preconizo, por isso, que o 6 seja separado do 9 e as que ambas as coisas sejam feitas de forma sequencial e não simultânea.

 

Há quem defenda que o 69 mais não é do que uma deriva romântica do igualitarismo de índole marxista-leninista, mas o Luciano (que como sabem é o meu guru nestas matérias) desmente vigorosamente essa pista,

 

Garante o Luciano que o bom do Lenine sempre se recusou a fazer 69 com a Nadezhda Krupskaya, argumentando que essa prática era «uma miserável invenção do capitalismo» (cito Luciano citando Lenine).

 

O 69 é uma daquelas práticas que prova a imensa sabedoria do meu amigo (e ex-colega) Valdemar Cruz que percebeu antes de todos nós que, cito, «a unanimidade nem sempre é consensual».

 

Resumindo e baralhando. O 69 é unânime, mas não consensual. Do meu ponto de vista, não é sexo puro e duro mas antes uma delicadeza, um gesto cavalheiresco em tudo similar a levantarmo-nos quando chega uma senhora à mesa - ou abrir-lhe a porta do carro.

 

música: In the hour, Melanie
publicado por Jorge Fiel às 16:03
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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