Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Gostava de ter sido um dos bravos do Mindelo

Como eu gostava de ter sido um dos bravos que a 9 de Julho de 1832 desembarcaram no Mindelo e acompanharam D. Pedro IV até ao Porto, onde o exército libertador esteve durante mais de um ano cercado pela tropa realista, leal a D. Miguel, o rei absolutista e usurpador.

O cerco do Porto (Julho 1832-Agosto 1833) é uma das mais belas e gloriosas histórias da minha cidade, que em tributo à sua heróica resistência, conquistou o direito a inscrever no seu brasão o qualificativo de “mui nobre, invicta e sempre leal”, concedido por D. Pedro IV de Portugal – ou D. Pedro I do Brasil.

Nascido no ano da Revolução Francesa (1789), o Rei Soldado foi, no século XIX,  um misto, avant la lettre, de Amílcar Cabral e Che Guevara.

É difícil não simpatizar com um rei anti-colonialista que ao proclamar a independência do Brasil (dando o célebre grito do Ipiranga) prescindiu do trono de Portugal.

É difícil não simpatizar com um imperador que mostrou o desapego ao poder ao abdicar da coroa brasileira, nove anos depois de ter ser aclamado, para assumir o comando do exército que libertou o país do jugo absolutista que o seu irmão Miguel queria impor, faltando ao que lhe tinha prometido.

Apesar de ter faltado tudo na cidade, durante os longos e perigoso 13 meses que durou o cerco, eu gostaria muito de ter estado a lutar pela liberdade e os outros ideais liberais, de arma na mão, ao lado de Alexandre Herculano, Joaquim António de Aguiar ou Almeida Garrett (quem sabe teria ganho o direito a entrar para a toponímia e ser nome de uma avenida ou de um praça!).

Apesar de correr o risco de encontrar a morte, por tifo, cólera ou na ponta de uma bala realista, eu adoraria ter participado na corajosa defesa da Serra do Pilar, comandada pelo general Torres, e de ter estado sob as ordens do marechal Saldanha na batalha que rechaçou uma incursão realista no lugar que, em homenagem à bravura dos defensores do Porto, se viria a chamar a rua do Heroísmo.

Ao cabo de um ano, com o apoio da população tripeira, os 12 mil soldados do exército libertador (o contingente dos bravos do Mindelo foi engrossado pelos voluntários, à época conhecidos por “polacos”) aguentaram sitiados as ofensivas dos 60 mil soldados realistas e lograram romper o cerco e partir à conquista de Lisboa.

D. Pedro jamais esqueceu o vibrante apoio das gentes do Porto. Para lhes agradecer, usou o gesto sem precedentes de deixar o seu coração em testamento à cidade.

Após a sua morte prematura em 1834, com apenas 36 anos, a viúva cumpriu-lhe a vontade e entregou ao Porto o coração de D. Pedro, que está guardado na igreja da Lapa  - e é um das mais preciosas e simbólicas relíquias que a cidade alberga.

PS. Ontem apeteceu-me fazer gazeta e em vez de escrever este post estive a ver cinco episódios seguidos da série Studio 60 (a advogada Mary, com QI de 210, parece-me muito mais queridinha que a Harriet e mais picante que a Jordan, que é sem dúvida muito bonita mas parece-me um tudo nada pãozinho sem sal). Acho que após seis meses a postar todos os dias, ininterruptamente, ganhei o direito a ter os fins de semana livres J

música: Leaving on a jet plane, Peter Paul and Mary
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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8 comentários:
De Tibetana a 13 de Abril de 2009 às 21:34
Preclaro JF, bem vindo!
salve Pedro IV,

:D
De Jorge Fiel a 26 de Abril de 2009 às 09:28
Preclata Tibetana

Salve S. Pedro IV de Portugal!

Salve D. Pedro I do Brasil!

A bem da Nação!
De ad a 14 de Abril de 2009 às 03:07
grande punheta.
De Jorge Fiel a 26 de Abril de 2009 às 09:29
Preclaro ad

Se o meu preclaro amigo o escreve e é um dos maiores especialistas vivos nas práticas onanistas, quem sou eu para o contestar?

A bem da Nação!
De Ulisses Adirt a 14 de Abril de 2009 às 16:07
Q máximo. É assim q alguns de vcs veem o D. Pedro aí desse lado do Atlântico. Adorei.

Abraços.
Ulisses (brasileiro).

De Jorge Fiel a 26 de Abril de 2009 às 09:30
Preclaro Ulisses

O regresso a Itaca é sempre muito duro. Só ser reconhecido pelo cão... :-)

A bem da Nação!
De eppursimuove a 22 de Abril de 2009 às 16:04
Studio 60 é uma excelente série. Só é pena não haver uma segunda temporada. A Jordan é de facto um pãozinho sem sal mas como pelos vistos agora isso até está na moda, eu não me importava nada de dizer que gostava de ser seu namorado.
De Jorge Fiel a 26 de Abril de 2009 às 09:32
Preclaro Eppursimuove

Não há 2ª temporada? Ou ainda não há 2ª temporada?

Quanto à Jordan tem razão. As minhas criticas lembram o estão verdes não prestam da raposa da fábula do Lafontaine.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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