Sexta-feira, 20 de Março de 2009

É urgente pôr cobro ao abuso das aspas!

Tenho uma pequena declaração a fazer: sou radicalmente contra o abuso das aspas.

Nada me move contra as aspas, contanto que devidamente usadas. Quando cito um parágrafo saboroso de Sete Anos de Mau Sexo (uma obra de referência, assinada por Ana Anes) não só o acondiciono entre aspas, para tornar claro que aquele alinhamento de palavras e ideias não é da minha autoria, como até o coloco em itálico, por via das dúvidas – e a título de advertência aos mais distraídos.

A reputação profissional de Anabela Mota Ribeiro e Clara Pinto Correia brilharia ainda com mais fulgor se elas não se tivessem esquecido das aspas quando citaram partes extensas de textos da Fernanda Câncio e a da New Yorker.

O que eu sou contra o medo das palavras subjacente a títulos como, por exemplo, Sporting “massacrado” em Munique ou Braga vê a Taça UEFA “por um canudo”.

Detesto também as pessoas que levam o seu temor pelas palavras ao ponto de as usarem na oralidade, simulando aspas com os dedos enquanto falam, com o claro e cobarde objectivo de arredondarem uma eventual esquina e ficarem assim com uma desculpa (de mau pagador, digo eu) no caso de serem chamados a prestar contas pelo dito – “desculpe lá, mas quando disse que o senhor era culpado pela crise fiz questão de dizer que o culpado era entre aspas...”.

 

música: Tropecei nas escadas, Entre Aspas
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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2 comentários:
De Abobrinha a 22 de Março de 2009 às 20:27
Guru

Só assino por baixo se estender o uso de aspas ao (ab)uso da palavra "alegado". Sendo que aqui as aspas não foram usadas para outra coisa que delimitar a palavra em questão.
De Jorge Fiel a 24 de Março de 2009 às 17:15
Preclara Abobrinha

Está mais cobertinha de razão que as amendoas da Páscoa de chocolate.

"Alegado" assim, entre aspas, é abjecto, abominável e inqualificável.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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