Terça-feira, 17 de Março de 2009

Nova Iorque é mais importante que um orgasmo

 

“Posso morrer porque amei e fui amada. Gostei de homens, de mulheres, de velhas (de velhos não), de bebés, de bichos, de plantas, de casas, de filmes, de concertos, de quadros, de teorias, de jogos, de pastéis de natas, de jesuítas, de russos, de hamburgers, de Paris e de Londres. Nunca fui a Nova York e gostava de ir, mas não me importo de morrer sem ter ido. Também nunca tive um orgasmo. Não me arrependo de nada. É claro que Nova York não se compara a um orgasmo. Um orgasmo é muito mais importante”

De “Irmã Barata, Irmã Batata”, de Adília Lopes

É verdade. Cá estou eu outra vez a viver à custa de uma gaja – desta vez de Adília Lopes, que, tudo leva a crer, possui uma experiência sexual bastante menos diversificada e reduzida do que a minha anterior musa (soi disant..) Ana Anes, a genial autora de Sete Anos de Mau Sexo, uma obra de referência que esteve algumas semanas em cartaz aqui na Lavandaria (e que, aviso desde já, ainda pode voltar sob a forma de mais um ou dois passatempos).

Devo à Pública ter-me apresentado a Adília Lopes, uma poeta (prefiro poeta a poetisa, espero não me levem a mal a liberdade) em que me iniciei no formato prosa, por via de crónicas deliciosas em que ela trinchava as grandes/pequenas coisas do nosso dia a dia.

A propósito, e entre parêntesis, lanço daqui a terrível maldição de sete anos de mau sexo por cima do/a editor/a da Pública que descontinuou (o verbo “descontinuar” é bem mais sexy que o “acabar”) a colaboração da Adília, privando-nos do acesso às suas peripécias e opiniões.

Voltando à vaca fria, neste caso o maravilhoso texto que abre este post, quer declarar a minha felicidade por a autora escrever (e, estou certo, sentir) a frase “não me arrependo de nada”.

Detesto arrependidos. Abomino frases que começam "se eu soubesse o que sei hoje…”. Pois se eu soubesse na passada sexta feira dia 13 o que sei hoje estaria milionário porque tinha ganho o Euromihões. Adília tem razão ao gritar em português o que a Edith Piaf cantou em francês, “Non, je ne regrette rien”!

Posto isto, quero manifestar uma pequena discordância, que se desculpa por a Adília estar a comparar duas coisas que não conhece (Nova Iorque e um orgasmo).

Pronunciando-me com o saber de experiência feito, parece-me que se a Adilia tivesse atravessado a pé a ponte de Brookliyn não escreveria com tanta certeza que um orgasmo é muito mais importante que Nova Iorque.

música: Não há estrelas no céu, Rui Veloso
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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9 comentários:
De clarinha a 18 de Março de 2009 às 16:46
Cai neve em Nova York
Ádilia nunca veio a este País!
Faz-me falta um orgasmo
Pra me sentir feliz

Vou até ali à esquina
De Sunset Boulevard
Com tanta neve cá fora
Alguém há-de querer quecar

(Letra minha, música de José Cid. Ok, ok, mas depois do Hitler o nível baixou definitivamente)
De Jorge Fiel a 20 de Março de 2009 às 18:55
Preclara Clarinha

Tudo certo, talvez com a pequena excepção de Sunset Blvd ser em Los Angeles, cidade onde não é habitual nevar. Tirando isso...

A bem da Nação!
De Anónimo a 18 de Março de 2009 às 19:27
Se calhar, a diferença de opiniões fica a dever-se ao facto de a poeta comparar Nova Iorque com o orgasmo feminino (mesmo que apenas com o recurso à experiência alheia) e o meu Amigo o fazer com o masculino. A.F.S.
De Jorge Fiel a 20 de Março de 2009 às 18:56
Preclaro AFS

Pode ser. Bem visto. Pode mesmo ser isso...

A bem da Nação!
De Abobrinha a 19 de Março de 2009 às 22:22
Guru

Vi o texto e pareceu-me ler que a Adília Lopes nunca tinha tido um orgasmo. O pior é que li segunda e terceira vez e continuei a entender o mesmo. Fui eu que interpretei mal, não fui? E daí... "nunca tive um orgasmo" tem mais que uma interpretação ou quer dizer isso mesmo?

Ora bem, eu até fui a Nova Iorque mas não passei a pé a ponte de Brooklin (mas vi essa cena no filme "Sexo e a cidade"). Mas já passei mais que uma vez a ponte D. Luís a pé! Isso conta como a Nova Iorque dos parolos? Afinal, uma ponte é uma ponte!

No caso de eu ter interpretado bem a parte de a Adília Lopes não ter tido nunca um orgasmo, tenho que discordar de si: tendo que escolher entre uma e outra, eu escolheria as duas. Se bem que talvez não em simultâneo.

Entretanto, dentro da temática "orgasmo", tenho a partilhar consigo um pedacinho de ouro que deixei no meu tasco: "Como mulher frígida não tinha futuro: não sabe fingir!". Curiosamente isto foi dito a respeito de um homem!
De Jorge Fiel a 20 de Março de 2009 às 18:59
Preclara Abobrinha

Tem razão. Não está a exagerar. Essa da mulher frigida não saber fingir é um pedacinho de ouro.

Sobre as pontes, o que se me oferece dizer é que a ponte de Brooklyn é consideravelmente mais extensa que a Luiz I - e que não estava a sugerir ao pessoal que fosse tentar ter orgasmos para o meio da ponte. Isso seria tolo!

A bem da Nação!
De Veruska a 22 de Março de 2009 às 15:49
Conheço ambos e só posso dizer que em acumulação são fantásticos. :)
De Jorge Fiel a 31 de Março de 2009 às 17:53
Preclara Veruska

Não posso estar mais de acordo! :-)

A bem da Nação
De HOTEIS BARATOS VIAGENS E CRUZEIROS a 14 de Maio de 2009 às 06:28
Muito humor que existe por aqui :-)
Parabens pelo blog .
E força ai na maionese .
Abraços

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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