Quarta-feira, 4 de Março de 2009

No meu tempo, não desperdiçávamos uma aberta

A Lavandaria em sintonia com o L'Osservatore Romano

“Gostava que alguns homens – uns já conhecidos outros recém-aparecidos – não se armassem em difíceis (apesar de gostar de brincar ao gato e ao rato) porque os tempos já estão difíceis que cheguem e a vida é um dia e entre o despir e o vestir já só resta metade de uma tarde que tem de ser bem aproveitada, leia-se a dar uso à melhor invenção da história da humanidade: o sexo”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 156

 

Ora aqui temos, descrita nesta sexta fantasia (recordo, a despropósito, que o 6º mandamento nos exorta a não cometermos adultério), um dos piores efeitos secundários da globalização e da igualdade dos sexos: os homens desataram a copiar as mulheres.

No meu tempo (1), o pessoal não desperdiçava qualquer aberta. Não nos fazíamos difíceis. Muito antes pelo contrário. Éramos ainda mais fáceis que a tabuada dos dois. Agora o Mundo parece que está de pernas para o ar. Uma porra, é o que é.

Mesmo correndo o risco de ser adjectivado de porco machista, não posso deixar de ter uma posição severamente critica relativamente ao look andrógino e à perda das características ancestrais de cada um dos personagens naquilo que a autora, numa bela imagem, caracteriza como o jogo do rato e do rato.

A verdade é que me chegam aos ouvidos, cada vez mais frequentemente, espantosos relatos de casos em que os gatos a fugirem desesperadamente de ratos (assim, no masculino, não vamos ajavardar mais do que o indispensável). Ora, convenhamos, esta não é a ordem natural das coisas.

Como se já não bastasse o crescimento galopante da percentagem de homens que se desinteressaram definitivamente das mulheres (2), há ainda a registar que uma outra fatia do universo masculino aceita com gosto e com um sorriso numa linha de lábios bem definida (a condizer com as sobrancelhas bem aparadas e os contornos dos olhos acentuados, à la Quique) que lhes chamem metrossexuais – aparentemente sem temerem que o prefixo evolua de metro para homo.

(continua)

……………………………..

(1)  Adoro começar assim as frases. Se alguém me pagasse era capaz de ter um blogue ou uma coluna em que estas três palavrinhas seriam obrigatoriamente o início. No meu tempo, o açúcar era mais doce,… No meu tempo, a água era mais aquosa… No meu tempo, o ar era mais arejado…

 

(2)  A este propósito, e com a Lavandaria a assumir uma estranha sintonia com L’ Osservatorio Romano, cito o Levítico: “Não te deites com um homem como se fosse uma mulher; é uma abominação: serão mortos irremediavelmente: que o sangue caia sobre eles”.  É de ficamos todos a pensar que se o bom Deus chamou o Moisés para lhe dizer uma barbaridade destas é porque nem gostaria de ouvir falar em casamentos gay  - tanto mais que a maldição proferida é bastante pior que a descrita no título do livro que tem vindo a ser glosado aqui na Lavandaria.

música: Only when you sleeo, The Corrs
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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