Terça-feira, 3 de Março de 2009

Quem não a ajudaria, numa afliçãozinha?

Quem não ajudaria a Ana?

 

“Gostava de não ter perdido o meu caderninho de ‘urgências’, porque este Verão foi muito parado. Foi caso para dizer fuck me, not the summer!

Sete  anos de mau sexo, Ana Anes, página 156

 

Aos anos 70, o JN mantinha nas suas prestigiadas e garbosas colunas uma rubrica de solidariedade intitulada Todo o Homem é Meu Irmão, que recolhia dinheiro e apoios para pessoas e famílias carenciadas.

Esta rubrica encarnava o melhor do ancestral espírito de solidariedade de uma cidade como o Porto, cujos habitantes devem a sua alcunha ao gesto generoso de terem abastecido de carne as caravelas e naus que dariam novos mundos a conhecer ao Mundo – não se importando de se alimentar com as vísceras dos animais (as famosas tripas).

O espírito portuense de solidariedade, presente no episódio das tripas (no século XV) e da rubrica Todo o Homem é Meu Irmão logrou chegar intacto a este atribulado dealbar do século XXI e espalhou-se por Lisboa, que no exercício do seu vício centralista suga a massa cinzenta nortenha.

Neste contexto, a autora só pode queixar-se de si própria por ter passado um Verão de 2007 muito parado (todos esperamos que o de 2008 tenha sido melhorzinho e que o de 2009 não seja afectado por esta porra da crise).

Numa afliçãozinha, mesmo sem a ajuda do precioso caderninho de urgências, a autora não ficaria descalça, pois estou em crer que não teria a menor dificuldade em escolher, entre os numerosos membros masculinos da CPLPP (Comunidade dos Portuenses em Lisboa a Pensar no Porto), parceiros disponíveis para simpáticas confraternizações.

Bastaria pôr  o dedo no ar que estou certo que logo surgiria uma pequena multidão de portuenses solidários, prontos para ajudar a tornar o seu Verão um tudo nada mais agitado. 

música: What can I do?, The Corrs
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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16 comentários:
De nina a 4 de Março de 2009 às 13:12
Estimado Jorge,

Denoto em si, há já algum tempo, algum cansaço.
Primeiro, porque lhe é vital fazer sentir alguma visibilidade através dos blogues que lha dão mas que tem de alimentar mecânica e forçosamente (o forçadamente é implícito nas anteriores) e depois porque, enfim, on ne sommes pas des jeunes encore...
Desafio-o a escrever por prazer. Terá, no final, falado de tudo o que lhe tiver vindo à cabeça, de uma forma muito mais apetecível à leitura do que estes posts que, usando o mesmo método, nunca chegam a foie-gras . E poderá publicar algumas reflexões engraçadas.
Tem algumas referências, tem um sentido de humor aceitável, tem opiniões (desde que o favoreçam, de algum modo, mas tem-nas).
Eu tenho elegância e, não sendo a Simone de Beauvoir , -a quem muito agradeço o trabalho de campo,- tenho ideias sobre como o mundo gira. Podia resultar numa coisa agradável, expor sem limites que não sejam os da classe (e quanta classe há numa ordinarice requintada) as ideias de um homem de meia idade quanto ao mundo e as de uma mulher, ainda não chegada aos quarenta mas que também gosta do campo e do trabalho em geral. Ofereço apenas provocações e anonimato.
Arranje um blogue, convoque a facção masculina letrada, eu responderei pelas mulheres. Por aquelas que não evidenciem demasiada estupidez, está bem de ver.
Senhoras e senhores, aberta a sessão.
Para já, depois de uma noite em que sobraram inquietações de espírito, muitas perguntas inúteis e uma vaga sensação de ventania a mais em Lisboa- sim, também houve sexo antes de tudo isso- o que se impõe é perguntar: por que é que os homens têm tanta curiosidade em saber quantos parceiros sexuais já teve a mulher com quem estão naquele preciso momento? O que muda isso? Aparte as respostas economicistas óbvias e pouco aplicáveis (produto muito usado é desvalorizado), ponho-me sempre a pensar na razão da pergunta.
Quando lhes pergunto se, com todas as mulheres que tiveram, se preocuparam em adaptar a performance àquilo que achavam serem os requisitos mínimos de cada uma, o espanto é absoluto. Estranho. Eu não falo com o meu padeiro sobre Tolstoi e, definitivamente, não dou uma colherada de fermento ao meu psicanalista.
E estou do lado das mulheres: a variedade e a análise atenta acaba quase sempre numa boa escolha. Já esta ânsia de atentar apenas na quantidade, coisa muito masculina, é irritante.
A psicologia explica que as crianças também preferem ter 10 bolachinhas pequeninas a ter uma grande mas com o mesmo peso. É que é só uma, que maçada... Ainda não perceberam que sabe exactamente ao mesmo.

Um beijinho, Jorge.
Nunca fui azeda consigo mas hoje condescendo, depois de uma fabulosa noite em que nenhum dos dois adormeceu com o outro.
De Erro ortográfico a 4 de Março de 2009 às 16:47
"...on ne sommes pas de jeunes encore..."
Esta entra para os anais (sem vaselina).
Nem o camarada Solares diria melhor!
Fantabulástico!!!
Por aqui me fico (ou, como se diz em francês, "et avec ceprendant je me merde ici, et je vais faire quebrar cascalho com as beiças do cu").
Fiquei tão incomodado que vou beber une chambre de l'eau des pierres...
De anónima a 4 de Março de 2009 às 19:43
Erro ortográfico,
significa então que nunca reflectiu sobre este simples pormenor??
paspalho tu! e agora ? melhor uma vodka!
Leio sem muita convicção os parágrafos do tal livro, as respostas do JF tornam-se até plausíveis quando em defesa da "honra masculina."
No entanto, quanto à A2..... ou em realidade o sector masculino está de mal a pior, como a economia, ou a "menina" escolheu mal os parceiros...
valei-me...................................;)
e por sete anos de mau sexo? devem surgir mais?! ou o lucro e dividendos da editora tomam a direcção certa, Victória Secrets ou aparelhos consonantes com a tal "urgência"!


De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:53
Preclara Anónima

Pois é minha preclara amiga, começo a desconfiar que anda por aí muita miséria escondida.

A bem da Nação!
De nina a 4 de Março de 2009 às 22:26
Erro,

Muito Roland Barthes , déjas , encores e pronomes e ainda uma série de parvoíces nonsense de uma personagem literária conhecida pelas frases plenas de gaffes (como você), que não tem mesmo de conhecer. Ou apenas um gozo muito grande, como o que sinto agora.

Uma pena. Mas a pobreza de espírito não tem muita graça. E anime-se, homem. Há outras coisas na vida para além de mim. Eu já percebi que, para além de si, há pessoas inteligentes.
Beijinhos!
De Bison Ravi a 5 de Março de 2009 às 11:43
Prezada viúva do defunto:

Rendo-me à evidência.

A menina ressuma inteligência.

E ademais é suficientemente inteligente para ser modesta.

Minh'alma está obcónica.

Quando vier ao Porto terei todo o prazer em obsequiá-la com champanhe (de cascata).

Beijos
De nina a 5 de Março de 2009 às 14:25
Meu caro (perco-me agora e isto é hilariante. Um monólogo a quantas vozes???),

já andava desconfiado? Pois. One in a million girl ... Mas, ai, deixe-me lá usar de modéstia, que me acrescenta valor à elegância.

Olhe que ainda não enlutei, tenha lá cuidado com as fontes! Nem sei bem se o farei (enlutar enquanto ritual, que o resto, é certo como o destino, acontecerá. A menos que me atropelem já agora). Mas a realidade é que o facto prático ainda não se deu. Esperam-se os últimos exalos ...
Eu, ir ao Porto?! Nem por casamento. E ponderarei se me vale a pena por funerais.

Ficamos assim pendentes do destino. E do que eu decidir dele depois.

Beijinhos, da pré-viúva
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:59
Preclara Nina

Assim como assim, um casamento é um funeral muito mais divertido e alegre do que um funeral-funeral!

A bem da Nação!
De Anónima a 5 de Março de 2009 às 20:39
Pois, pelo sim pelo não, quanto a tal "viúva", há um filho a tomar o lugar do pai !!! ;)
De Bison Ravi a 6 de Março de 2009 às 11:17
Pois eu não sabia que o Raimundo era filho do defunto.
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 17:02
Preclaro Bison Ravi

Mau! De que Raimundo estamos a falar?

Será do Raimundo que é filho do Afonso que é motorista do gerente de caixa - ou, se preferirem, o engenheiro máximo?

A bem da Nação!

De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 17:00
Preclara Anónima

Está a falar da viúva Cliquot?

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:58
Preclaro Bison Ravi

Está prometer champanhe-champanhe ou no momento da verdade fica-se por um Vértice ou Murganheira (ambos muito aceitaveis, aliás...)?

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:56
Preclara Nina

Uma categoria! Começa a citar o homem que morreu a atropelar um táxi e acaba a chamar asno ao Erro.
Cuidado consigo!

A bem da Nação!

PS. Ah, esquecie-me de lhe dar razão no diagnóstico do cansaço e na queixa de que nunca chego ao foie gras (mas devo acrescentar que não estou obcecado com isso)
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:51
Preclaro Erro Ortográfico

Durante muitos anos encomendei sempre Castelo, com uma rodela de limão, porque gosto das águas com muito gás. Mas nos útlimos tempos tenho-me convertido à Água das Pedras.

A bem da Nação
De Jorge Fiel a 7 de Março de 2009 às 16:49
Preclara Nina

Eu sei que o conselho é bem intencionado mas parece-me um tudo nada esquisito recomendar a quem vive de escrever que escreva por prazer.

Mal acomparada é quase recomendar a uma prostituta que tenha prazer no que faz com a clientela. Não acha?

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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