Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Senti-me tão másculo como o Texas Jack

 

Quando mãos competentes e experimentadas nos administram uma massagem com doses generosas de álcool a 90º na nossa pele facial, acabada de barbear e escanhoar (1), sentimo-nos tão másculos como o Texas Jack no momento de sacar a arma num duelo no velho Faroeste, que vai saldar as contas abertas por uma lamentável desinteligência, ocorrida no balcão do Saloon, com um incorrigível e bêbado assaltante de bancos.

O problema - de que só me apercebi quando estava a concluir, com um relativo sucesso, os meus estudos de História Moderna -  é que o álcool seca uma pele já martirizada por duas passagens de lâmina.

O contacto com o álcool provoca uma ardência quase erótica e liberta um odor bastante mais agradável do que a gasolina de 98 octanas (2), mas tem o efeito pernicioso de secar uma pele tão carente de hidratação como os solos gretados do Tarrafal, em Cabo Verde, após uma terrível seca que dura há 13 anos. 

Mal realizei esta verdade nua e crua, fui experimentando (a medo, confesso) várias loções after shave até ter encontrado a solução que pensei ser o mais adequada à minha personalidade e temperamento.

Fidelizei-me ao Eternity, da Calvin Klein, na dupla versão água de colónia e after shave, e assim vivi, o mais harmoniosamente possível, durante longos e atribulados anos da minha existência.

No entretanto, o aproximar da Terceira Idade – e não totalmente confiante no trabalho desenvolvido pela dupla Vieira da Silva/Fernando Medina na consolidação e viabilização do nosso sistema de Segurança Social – achei por bem começar a cortar nas despesas supérfluas e a usar loções e bálsamo after shave de marcas diversas que herdei do meu primo Fernando depois dele tomado a decisão ecologicamente correcta de usar sempre uma barba do tipo três dias.

Quando acabar o frasco de Tuscany Per Uomo que tenho a uso, sigo para uma bisnaga de 75 ml Boss, da Hugo Boss.

 ………………

(1)  O verbo escanhoar designa uma segunda e perfeccionista passagem da lâmina numa pele já barbeada.

 

(2)  Aceito e acredito que, após ter vivido a experiência de cantar a banda sonora de Cat People, o David Bowie discorde desta minha opinião

 

 

música: Real bad news, Aimee Mann
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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2 comentários:
De Anónima a 2 de Fevereiro de 2009 às 23:39
:)
De Jorge Fiel a 5 de Fevereiro de 2009 às 08:25
Preclara Anónima

:-)

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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