Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Se eu fosse o Jerry Bruckheimer, adaptava o livro de Carolina ao cinema

 

A minha decisão não foi tomada de ânimo leve. Só comprei o «Eu, Carolina» depois de me terem garantido que não fazia parte dos planos de Eduardo Prado Coelho analisar com detalhe o livro referido no suplemento Mil Folhas.

 

Mal soube isto, meti as mãos à obra e passei pela vergonha de passar com o livro pela caixa da Fnac. Vá lá que não foi caro (9,80 euros).

 

Era indispensável que alguém fizesse uma abordagem séria ao maior sucesso editorial no panorama literário português desde o saudoso Código Da Vinci, de Don Brown.

 

Era fundamental que alguém mergulhasse com conta, peso e medida (ou seja, da maneira como devem ser tirados os centros no futebol) na obra que atirou Margarida Rebelo Pinto para a lista de clientes da 4Nails, visto ter começado a roer furiosamente as unhas.

 

Se o bom do Prado Coelho se escusava a desempenhar esta tarefa,  eu não tinha outro remédio se não assumi-la. Como mais tarde ou mais cedo perceberão (como é óbvio os mais espertos são os que perceberem mais cedo) não sou homem para fugir às minhas responsabilidades.

 

Lido o «Eu, Carolina» ontem à noite à noite, no Alfa, entre Santa Apolónia e Coimbra B, posso desde já garantir-vos que se fosse Jerry Bruckheimer (um velho sonho meu) não teria a menor das dúvidas. Há aqui material para um blockbuster, provavelmente com o titulo «In the heat of the night».

 

O resultado da minha leitura foi o post mais longos da história curta mas gloriosa da blogues do Expresso. Lamento. E para não maçar excessivamente os leitores, resolvi subdividi-lo em partes: 13 Prémios, 25 Perguntas, 16 Personagens e 1 Passatempo.

 

 

13 PRÉMIOS

 

Prémio Daaah...

O livro é dedicado ao Jorge Nuno: «Sem ele este livro não teria sido possível». 

 

Prémio Confissão Despropositada (já sabiamos)

«Apesar de não ter ainda trinta anos, a minha experiência de vida já é longa»

 

Prémio Amor Filial

«A falta que o meu pai me fazia era tanta que cheguei a esperar nas bombas de gasolina só para o ver afixar à porta do restaurante as ementas do dia».

 

Prémio Mulher de Bom Gosto

«A primeira vez que entrei no Calor da Noite foi durante o dia, a casa estava completamente vazia. Fiquei completamente fascinada com o espaço. A decoração era linda, envolvente. sofisticada»

 

Prémio Confissão do Ano

«Confesso que ganhei muito dinheiro trabalhando no Calor da Noite, um bar de alterne»

 

Prémio Voluntariado

«Eu sentia-me uma espécie de conselheira matrimonial, sentia que a minha presença ali  (no Calor da Noite), valia de alguma coisa, era útil»

 

Prémio Atracção Fatal

Quando viu pela primeira vez Pinto da Costa no Calor da Noite, o corpo de Carolina reagiu: «As minhas pernas começaram a tremer, senti um frio no estômago».

 

Prémio Carreira de Sucesso

«Do ponto de vista financeiro, a minha aposta estava a resultar em cheio. Numa semana, no bar, eu facturava tanto como num mês inteiro a trabalhar de hipermercado em hipermercado»

 

Prémio Noiva em Fuga

«Estava em pé (no Calor da Noite), à nossa espera, o senhor Pinto da Costa, que se preparava para me cumprimentar com um beijo na cara, mas eu estendi-lhe a mão, como fazia com os outros clientes. Senti-o constrangido com esta minha atitude e fiz questão de me retirar, no que fui impedida pelo senhor Reinaldo Teles»

 

Prémio Revelação

Pinto Costa começou-a a levar a casa todos os dias... até que «certa noite, ao despedir-se de mim, não me deu um beijo na cara, como era usual, mas um beijo na boca, que me deixou sem palavras, mas segura de que estava a fazer-me a corte».

 

Prémio Combate ao Colestorol

«Como o Jorge Nuno padece de diabetes, tinha imenso cuidado com a sua alimentação que queria saudável, sempre à base de carnes brancas e grelhados. Retirava até o miolo do pão, quando lhe preparava uma sanduiche, para impedir o aumento dos niveis de colestrerol»

 

Prémio Fada do Lar

«Eu cortava-lhe as unhas dos pés, aparava-lhe os pêlos das orelhas, e, qaundo chegava, ao queixar-se  de cansaço, tentava atenuar-lhe fazendo-lhe massagens nas pernas. Dava-me imenso prazer fazer.-lhe esfoliações, que ele achava 'serem coisas próprias de mulheres e de maricas'. E cortava-lhe o cabelo.

 

Prémio Momento Zen

«Quando o Papa me tocou e acariciou a face, parei no tempo, paralisei, perdi o sentido da audição, apenas sentia uma espécie de eo que soava longinquo na minha mente e, para meu desespero, não fui capaz de perceber claramente as palavras que me dirigia»

 

 

QUESTIONÁRIO

 

1. Qual é o segundo nome de Carolina?

 

a) Carolina Vanessa

b) Carolina Sofia

c) Carolina Cláudia

 

2. Qual é o único sítio que Carolina conhece em Lisboa?

 

a) Museu Nacional de Arte Antiga

b) Hotel Altis

c) Elefante Branco

 

3. Que animal Carolina levou para a aula de Geografia?

 

a) um porco espinho

b) um gato

c) uma pulga evadida de um circo de pulgas amestradas

 

4. O que é que a Carolina Salgado e a Luciana Abreu (a popular Floribella) têm em comum:

 

a) joelhos de futebolista, pois ambas jogaram futebol feminino no Coimbrões;

b) terem nascido em Gaia

c) ambas usam cuecas de fio dental roxo

 

5. Como se chama o restaurante do pai de Carolina?

 

a) No Calor da Noite

b) Davilina

c) O Paraíso das Francesinhas 

 

6. A canção que tocava no Calor da Noite no momento do encontro fatal entre Carolina e Jorge Nuno era:

 

a) Summer of 69, de Bryan Adams

b) Brand New Day, de Sting

c) Tengo La Camisa Negra, de Juanes

 

7. Qual é o nome do homem de 40 anos que desgraçou a vida da Carolina?

 

a) Jorge

b) ela não revela

c) Tino de Rãs

 

8. De acordo com Carolina, onde fica o Regalo do Boi?

 

a) na rua Costa Cabral, uns 100 metros adiante do Calor da Noite, para quem vai em direcção ao Marquês

b) no cu da vaca

c) no Cais da Gaia

 

9. Qual foi o primeiro carro de Carolina?

 

a) Ford Fiesta

b) Opel Corsa

c) Mini Clubman branco de 1974

 

10. Qual é o clube do coração do pai de Carolina?

 

a) FC Porto

b) Boavista

c) Candal

 

11. Que peça de roupa era proibida pelo sr Torres, o porteiro do Calor da Noite?

 

a) cuecas de algodão branco

b) calças de ganga

c) collants de rede

 

12. Onde é que a irmã gémea de Carolina pensava que ela estava quando na realidade alternava no Calor da Noite?

 

a) na Revisão do Jornal de Notícias

b) nas bilheteiras do cinema

c) a servir à mesa tripas no Paju, o restaurante da rua Faria Guimarães que está aberto até às quatro da manhã

 

13. Onde é que Carolina e Jorge Nuno dormiram pela primeira vez?

 

a) Ibis, junto à ponte da Arrábida

b) Hostal dos Reis Católicos, em Santiago de Compostela

c) Hotel Altis, em Lisboa

 

14. Que roupa usou Carolina na primeira noite?

 

a) Uma camisola número 99 do Vítor Baía

b) Um pijama azul coberto com pequenos elefanates comprado no Corte Inglês de Vigo

c) Um conjunto completo de lingerie preta, incluindo ligueiro, da Victoria Secret 

 

15 Qual é o prato preferido de Pinto da Costa?

 

a) almôndegas com o molho sueco comprado no Ikea

b) arroz de frango acompanhado de ovos estrelados

c) tripas à moda do Porto

 

16. O que queria dizer Jorge Nuno quando apertava três vezes seguidas a mão de Carolina?

 

a) Acende um cigarro depressa que eu estou quase a largar-me

b) Gosto muito de ti!

c) Cuidado com o que dizes pois pode haver microfones

 

17. Qual é o nome do cão preferido de Pinto da Costa?

 

a) Bobbie

b) Dragão

c) Ken

 

18. Qual o nome do gato preferida de Jorge Nuno?

 

a) Tareco

b) Tucha

c) Barbie

 

19. Qual é a única bebida alcoólica que o presidente portista aprecia?

 

a) champanhe

b) sangria

c) campari

 

20. O que é que lhe acontece depois de beber álcool?

 

a) sofre um ataque de priapismo

b) adormece quase de seguida

c) levanta-se e canta o Hino Nacional de punho erguido

 

21. Qual é o maior sonho de Jorge Nuno?

 

a) voltar a ganhar a Champions

b) ter 101 cockers

c) amantizar-se com Maria José Morgado

 

22. O que fez quando soube que Mourinho ia para o Chelsea?

 

a) ligou ao treinador a insultá-lo

b) tomou um calmante

c) refugiou-se na casa de banho com um ataque aguda de flatulência

 

23. O que é que a mulher de Reinaldo Teles deveria dizer à PJ para explicar a ausência do marido?

 

a) Ainda não voltou do trabalho

b) Não dormiu cá, de certeza que passou a noite com uma amante

c) Quem é o Reinaldo?

 

24. Que petiscos eram oferecidos aos árbitros que visitavam a casa de Carolina e Jorge?

 

a) um cesto de fruta

b) café e chocolatinhos

c) café com leite

 

25. O que é que disse Carolina aos agentes da PJ que lhe revistaram a casa?

 

a) Tenham cuidado que o Jorge pode ter um ataque cardíaco

b) Tenham cuidado porque o meu coelhinho pode ter uma ataque cardíaco e falecer de morte súbita

c) Não façam muito barulho para não incomodar os vizinhos

 

Para facilitar a vida aos leitores a resposta certa é sempre a b)

 

Quem acertou em 20 respostas e não leu o livro está dispensado de o comprar

 

 

PASSATEMPO FAÇA VOCÊ MESMO A LEGENDA

 

Viu a fotografia que encima este blogue?

Faça de conta que é jornalista e faça a legenda para esta foto, a constante da contra-capa do livro, uma feliz composição em que estão presentes uma cesta de fruta e os dois amantes, num ambiente aquático.

 

Recordo que nas vésperas do famoso jogo Estrela da Amadora-FC Porto, Pinto da Costa e António Araújo confirmaram ao telefone o envio de «fruta» ao quarto do árbitro  Jacinto Paixão  - ou, dito de outra maneira, já sinto paixão. Bebendo muita água, a bexiga aperta. E a acusação mais bichosa deste livro é a de foi Pinto da Costa que mandou Carolina Salgado (nada a ver com Ricardo Salgado, do BES) arranjar quem desse uma coça a Bexiga.

 

 

GALERIA DE PERSONAGENS

 

Afonso. O motorista e guarda costas de Pinto da Costa. Levou-a a Vilamoura quando ela entrou em estado de choque, bebeu o seu primeiro whisky e desmaiou, ao ler que Pinto da Costa estava casado com  Filomena. Mais tarde, em Abril do corrente ano, Afonso tê-la-á agredido (à Carolina)

 

Alexandre. Filho de Jorge Nuno e da doutora Manuela. Ficou contente ao saber do caso do pai com Maria Elisa, «visto não suportar a Filomena». Alexandre não gosta da irmã -  «ainda perco a cabeça se os enconto» - e está de relações cortadas com o pai

 

Carolininha. A filha de Carolina Salgado (nada a ver com os Salgados do BES) e do malfeitor anónimo que lhe desgraçou a vida.  «Comia sempre de faca e garfo, o que fascinava  o Jorge», que não raro «dormia com ela aconchegada» (mau...). «Ao ver que a minha filha era o centro das atenções do Jorge, o meu amor por ele crescia mais e mais, sentia que o meu coração estava prestes a rebentar»

 

Doutor Lourenço Pinto. O advogado de Pinto da Costa, tratava-a carinhosamente por «filha» (atendendo à diferença de idades entre ambos bem a podia tratar por neta...) . Não terá ficado satisfeito com o resultado de agressão ao vereador Bexiga: « Oh, minha querida, mas ele ficou a falar!» Carolina defendeu-se: «Mas eles partiram-no todo!». Mas o advogado terá insistido: «Sim, mas ficou a falar!»

 

Doutora Manuela. A primeira esposa de Jorge Nuno que a abandonou por que a Filomena, a sua secretária, se lhe apresentou grávida de Joana

 

Fernando Gomes. Economista, ex-basquetebolista e administrador da SAD do FCP. «Um homem muito reservado, de olhar inteligente»

 

Doutor Póvoas. Carolina considera-o um pombo correio de Maria Elisa. Não gosta dele, acusando-o mesmo de adultério «com uma cantora conhecida da nossa praça».  Acusa-o ainda de lhe ter induzido uma espécie de cura do sono, «que me prostrou até à inconsciência». «Com os remédios que o doutor Póvoas me prescreveu, passei a viver num estado de sonolência, sem vontade de reagir nem a nada nem a ninguém»

 

Fernando Santos. «Um homem bondoso»

 

Filomena. Mãe de Joana e esposa de Jorge Nuno. Segundo Carolina, o seu ex-amante acabou a relação com ela porque a achava «entediante». Segundo Carolina, Filomena enviava-lhe «mensagens horriveis para o telemóvel  e fazia dclarações para a revistas cor de rosa dizendo que ia transformar a minha vida um inferno»

 

Joana. Filha de Jorge Nuno e da sua ex-secretária Filomena. Começou por se dar mal com Carolina, que em 2003 teve um conversa séria com ela, garantindo-lhe que as suas intenções eram honestas, que não queria ocupar o lugar da mãe nem virar o pai contra ela. Mais tarde as coisas azedaram e Carolina deu-lhe dois estalos num restaurante

 

Joaquim Oliveira. Um mãos largas. «Proprietário de um grande império ao nível dos media». «Apresentou-se sempre perante mim como muito culto, humano, bem educado e de diálogo fácil. A sua presença no Calor da Noite era sempre sinónimo de festa de arromba. Como era sempre ele que pagava a despesa, os outros aproveitavam para beber champanhe à vontade sem se preocuparem com os custos» 

 

Maria Elisa. Jornalista da RTP com quem Jorge Nuno (cuja mãe se chamava Maria Elisa) namorou pelo por menos duas vezes. «Não precisando de me provar nada, o Jorge Nuno fez questão de me mostrar fotografias dos dois a passear de barquinho, julgo que em Veneza, e de me ler cartas que a jornalista lhe tinha escrito».

 

Manuel Tavares. Director do Jogo,  «um portista de gema, pessoa da grande categoria intelectual e que estava sempre disposto a 'aturar' as boas e más disposições do Jorge Nuno, visto que eam amigos de longa data.  De todos os jornalistas que conheci, considero o senhor Manuel Tavares  o melhor. Respeitou-me sempre, dizia que me gostava de ver de gravata e guardo também as melhores recordações da sua esposa, senhora de uma verdadeira simpatia e simplicidade, apesar de ter uma educação universitária».

 

Octávio. «Uma pessoa simpática, sociável e divertida, com a qual almocei e jantei variadissimas vezes»

 

Reinaldo Teles. O administrador da SAD do FC Porto era «um cliente habitual» do Calor da Noite e é, segundo Carolina, «uma pessoa muito influente da nossa sociedade»

 

Senhor Armando. O dono do Calor da Noite é, nas palavras da sua ex-empregada, «um homem muito caricato, bem disposto e com um sorriso maroto, que fazia lembrar o Quim Barreiros, se lhe tirarmos o bigode. Embora já não sendo muito jovem, trazia sempre o cabelo pintado de negro e a unhas impecavelmente arranjadas».

 

publicado por Jorge Fiel às 10:58
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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