Sábado, 10 de Janeiro de 2009

"Ela também caga!", exclamou o poeta

Nunca fui muito de poesia. A minha sensibilidade é idêntica à capacidade de audição de surdo, o que ajuda a explicar porque é que este nobre género literário não é o meu favorito.

Para terem uma ideia mais aproximada da minha absoluta falta de sensibilidade, bastará dizer que nunca compreendi porque é que os poetas teimam em desperdiçar papel, não aproveitando para escrever até ao fim nas linhas, o que não é muito ecológico, no meu entender (que, como sabem, não é modesto).

Não quer isto significar que eu tenha desistido em absoluto da poesia. Não. Com alguma frequência, procedo a um esforço sobrehumano de mobilização das minhas celulazinhas cinzentas para tentar compreender os poetas e educar o meu pobre espírito.

Numa dessas cruzadas episódicas tropecei num poema em que os apaixonados protestos de amor de Álvaro Feijó conhecem um inesperado anti climax quando ele inadvertidamente a surpreende no trono - a cagar.

Este inesperado balde de água fria cortou a paixão. “Ela também caga!”, exclamou o poeta, que arrebatado pelos românticos e intensos transportes da paixão nunca tinha dimensionado, no seu consciente, que a sua amada não podia armazenar para todo o sempre, no interior do seu formoso corpo, os desperdícios gerados pela função digestiva.

A inesperada visão da amada a cagar teve o condão de catapultar de regresso à terra o poeta pinga amores – e foi o definitivo ponto de viragem na sua relação com a mulher amada.

A verdade nua, crua e mal cheirosa é essa. Todas as mulheres cagam – a não ser quando têm o intestino preso por uma arreliadora prisão de ventre.

E, excepção feita a mentes muito doentes (ele há gente para tudo!), ver uma mulher a limpar o rabo não é uma visão excitante e afrodisíaca.

Daqui concluo que o acto de defecar deve integrar o núcleo mais privado da nossa intimidade.

 

música: A white shade of pale, Procol Harum
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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10 comentários:
De anonima a 11 de Janeiro de 2009 às 00:31
Não entendo como se gasta papel , digo tempo, a escrever assuntos tão obvios!
Afinal, nascemos tão perto da merda quanto do chichi!
No nariz existem melecas, nos ouvidos ceras e os gases fazem parte do ar, que o preclaro respira.
espero o fim da série!
PS-os escultores sabiam bem esculpir os equipamentos, pois!
De Poema a 11 de Janeiro de 2009 às 01:12
Dedicado ao preclaro JF

Como um pássaro no fio,
como um bêbado num coral da meia-noite.
Eu tenho tentado
do meu jeito
ser livre.

Como uma minhoca num anzol,
como um cavaleiro de algum livro ultrapassado
Eu tenho salvo todas as minhas rédeas por vós.

E se eu, se eu tenho sido desagradável
Eu espero que você deixe passar
E se eu, se eu tenho sido falso
Eu espero que você saiba que eu nunca fui com você

Como um bebê natimorto,
como um animal com seu chifre
Eu tenho atacado todos os que se aproximaram mim.
Mas eu juro por esta música
e por tudo o que eu tenho feito de errado
Eu vou recompensar a todos vós.
Eu vi um mendigo apoiado numa muleta de madeira,
ele me falou: "Você não tem que pedir por mais."


Abaixo a série, a bem da nação!
De Jorge Fiel a 11 de Janeiro de 2009 às 16:42
Preclaro Poema

Poema com poema se paga.

Aí vai um que apanhei numa parede de uma carruagem do metro de Paris.

"Il y avait en toi
um chemin
qui me fit voyager

Tu etais distance."

Bonito, não é?

Abaixo a série!

Vivam as casa de banho!

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 11 de Janeiro de 2009 às 16:39
Preclara Anónima

A minha preclara amiga está tão cheia de razão que até temo arranje uma hérnia nas costas, o que, convenhamos, seria uma enorme chatice.

É a minha completa falta de talento que me empurra para estes assuntos de latrina.

Muito gostaria eu de ter uma opinião fundamentada sobre questões como o calendário eleitoral deste ano, o terminal de contentores de Alcântara ou até mesmo uma versão comparada e critica dos planos anti-crise do Governo Sócrates e da Comissão Europeia.

O problema é que não consigo, por absoluta falta de utensilagem intelectual, pronunciar-me sobre essas matérias - e por isso falo destas coisas menores.

Sobre a cera dos ouvidos ainda não dissertei. Mas já produzi teoria sobre as regras a observar na limpeza do salão - curioso que chame melecas aos burriés ou, se preferir, macacos.

Esta série dedicada às casa de banho terminará um dia - muito provavelmente dará lugar a uma enciclopédia ilustrada sobre sexo.

A bem da Nação!
De Abobrinha a 11 de Janeiro de 2009 às 17:41
Guru

"Esta série dedicada às casa de banho terminará um dia - muito provavelmente dará lugar a uma enciclopédia ilustrada sobre sexo."

E o modelo vai ser quem? O próprio? HAHA!

OK, pronto, eu mudo de assunto.

Bem, não posso dizer que o assunto que escolheu depois do infame massacre polaco seja do meu agrado, mas em contrapartida tenho apreciado a sua arte de bem escrever (porque você escrevem bem de carago) na Bússola, que parece estar limitada à sua contribuição. E, parecendo que não, é o seu trabalho num reputado jornal de pouca circulação acima do Mondego que lhe dá de comer. E, parecendo que não, você tem que comer!

Por isso vou-o lendo, com esperança que mude de assunto. Porque este (por assim dizer)... já cheira mal!
De Jorge Fiel a 18 de Janeiro de 2009 às 17:33
Preclara Abobrinha

Calma. Não há esse perigo. As ilustrações da enciclopédia serão extraídas das páginas mais XXXX disponiveis na Net.

Fico a babar-me com os elogios da chérie à escrita, mas temo informá-la que o ciclo das casas de banho ainda não deve finar-se este mês.

A coisa está para durar um bocado mais. É vida, como diria o camarada Guterres.

A bem da Nação!
De Anonima a 12 de Janeiro de 2009 às 18:56

sorry
De Jorge Fiel a 18 de Janeiro de 2009 às 17:27
Preclara Anónima

Não tem nada de pedir desculpa. O que é preciso é ser feliz!

A bem da Nação!
De Anónimo a 12 de Janeiro de 2009 às 00:02
E usa sapatos vermelhos. Será que tem sotaque... ou pronúncia latino-americana?







Bem Haja, sempre com muita força
De Jorge Fiel a 18 de Janeiro de 2009 às 17:29
Preclaro Anónimo

Trata-se de uma pin up. Americana, mas do Norte.

Sobre os sapatos vermelhos, o que se me oferece dizer é que tanto podem ser um chique como um choque. Depende tudo da utente.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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