Sábado, 3 de Janeiro de 2009

A importância fulcral da tampa da sanita

Muitas preclaras e preclaros olham com um indisfarçável desdém a corrente série de posts que ostentam a casa de banho como denominador comum.

Umas e uns guardam de Conrado o mais profundo silêncio, expressando assim o profundo desprezo que esta matéria lhes merece.

Outras e outros manifestam saudades do célebre e ainda recente Massacre Polaco (1), expressando assim, por contraste e comparação, o completo desconforto que esta temática lhes provoca.

Podem ter razão, mas acho que estão a negligenciar os efeitos preversos que pequenas e aparentemente inócuas ocorrências do dia a dia (muitas delas tendo a casa da banho como centro de gravidade) podem ter no futuro da humanidade.

Quando assassinou o arquiduque Francisco Fernando e a sua patroa (a arquiduquesa Sofia Chatek) em Sarajevo, a 28 de Junho de 1914, o jovem estudante nacionalista sérvio Gravilo Princip não fazia a mínima ideia que estava a atear um conflito em que iriam morrer 20 milhões de pessoas, mergulharia o Velho Continente em quatro anos de guerra sangrenta e redesenharia o mapa da Europa.

Quando depois de se aliviarem das suas necessidades fisiológicas de carácter líquido, alguns dos preclaros frequentadores da Lavandaria teimam em deixar a tampa da sanita levantada não fazem a mínima ideia das consequências a que se estão a expor com este seu acto impensado e distraído – e apenas aparentemente gratuito.

As mulheres detestam a fria sensação de contacto entre as suas nádegas e a a cerâmica das sanitas, que experimentam quando se sentam distraidamente num trono cujas bordas estão desprotegidas, porque o seu fofo se esqueceu, uma vez mais, de baixar a tampa da sanita, depois de ter feito chichi.

 ………………..

(1) Para efeitos da Lavandaria, Massacre Polaco é a expressão que designa o período de terror e trevas aqui vivido no último trimestre de 2008, com a publicação consecutiva de 69 posts relacionados com a minha estadia de dez dias na Polónia ocorrida no início de Setembro.

Nada a ver, portanto, com o cruel assassinato de 20 mil militares polacos, pelo Exército Vermelho, em Março de 1940, na floresta de Katyn, um acto hediondo e vergonhoso ocorrido na sequência do pacto Hitler/Estaline, retratado no filme Katyn pelo oscarizado realizador polaco Andrzej Wajda (cujo pai foi uma das vítimas de massacre).

 

música: Lost my faith, Seal
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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De Nívea Samovar a 4 de Janeiro de 2009 às 00:24
Bom Ano Novo, Preclaro Jorge!

Vai uma alma à pátria passar o santo natal e, quando chega, já nem consegue visualizar todos os posts dedicados ao novo tema... Ainda por cima sente-se esta alma logo visada nos dois primeiros parágrafos, quando certamente nem sequer fez parte da chusma a que o autor se refere! Chiça que fiquei logo chateada em enfiar a carapuça. Só consegui ler este, de facto. Dos outros (visíveis) só apreciei as imagens que são bem bonitas, diga-se de passagem. Fiquei a magicar que terá o Beaubourg a ver com o assunto, porque é que te enganaste na frase da My Fair Lady the rain in spain stays maiiiiiiiinly IN theeeeeee plain ). Desculpa mas cantei isto vezes sem conta na adolescência :-))). Também aquela imagem de um belo quarto de banho antigo me fez lembrar um que tive quando vivi numa quinta, no Minho, com banheira antiga de pés trabalhados, torneiras à maneira e chuveiro em arco... Nessa (casa de banho) havia um nicho onde estava a sanita! Era tão engraçado!! Subias um degrau e ficavas, de facto, num trono!, como tu lhe costumas chamar :-) Dentro do mesmo espaço mas escondidinho de quem nele entrasse! Que saudades... aí não havia eflúvios que resistissem porque as correntes de ar eram tamanhas... À distância , não percebo como tomava banho todos os dias, em pleno inverno.
Apraz-me dizer-te que uma das alegrias presentes quando chego à tua Naçom é reencontrar-me com os tais BIDÉS! Até os cumprimento e tudo. Que objectos mais raros, já nem sei lidar bem com eles... os gestos já não encaixam!
Quanto às tampas das sanitas, bom, isso já é tique meu: baixo todas as que vejo, metodicamente, em todo o sítio por onde passo. Mas confesso que não percebi se chamas tampa ao redondel que impede o frio da cerâmica ou à tampa mesmo! aquela que fecha TUDO. Eheh ... é essa que eu baixo PARTOUT , mesmo que tenha de lavar as mãos a seguir. Quanto ao lavar as mãos antes ou depois de fazer chichi, bem... se és adepto da circuncisão hás-de saber também como é higiénico ter um baldinho de água à mão para lavar SEMPRE os órgãos conspurcados...
Se continuares a escolher tão bem as imagens, podes crer que continuas a ter uma preclara leitora, mesmo que leia na diagonal.

Que 2009 te traga o complexo da casa de banho dos teus sonhos!


De Jorge Fiel a 4 de Janeiro de 2009 às 11:03
Preclara Nivea Samovar

Um estupendo 2009 também pa ti!

Indo por partes. É possível ler todos os posts, na diagonal ou na tranversal - que, na minha opinião (que como sabes não é modesta), é sempre melhor do que a diagonal pois esta posição exige muito das costas e nós não estamos a ir para novos:-) - clicando no mês, na secção Arquivo, aqui ao lado.

Noto pouco envolvimento da freguesia desta Lavandaria no debate dos assuntos concernetes à casa de banho, o que explica a amargura que pode transparecer no primeiro parágrafo deste post.

Por isso, já decidi que o próximo tema a ser escapelizado aqui na Lavandaria será mais popular: o sexo, puro e duro (na verdade o sexo quer-se duro, não é?), o que exigirá muito de mim na selecção das imagens :-). Estou em crer vou ajarvardar um bom bocado.

Vou já corrigir a citação do My Fair Lady, mudar o ON pelo IN . Imperdoável (nada a ver com o Clint
Eastwood...).

Se leres até ao fim o post ilustrado pelo Beaubourg perceberás a escolha desta foto. É uma recompensa pelo esforço. Mas se não estiveres com pachorra para isso, diz que eu explico-te aqui nos comentários.

As correntes de ar são tramadas. Um perigo. Ando com pingo no nariz porque a caixilharia da janela que está aqui ao meu lado, no escritório, tem uma folga enorme.

O bidé é um tema que não posso esquecer esta série. Obrigado pela lembrança.

Eu chamo tampa da sanita ao redondel. Redondel da sanita é uma designação muito obtusa, pouco adequada à (baixa) qualidade literária da Lavandaria. Não achas?

Estive com o Luís Miguel que me disse ia estar com a Mouta. Fiquei cheio de inveja. O Zé Tó voltou a sre pai.
Quando vens à pátria estacionas no Porto? Se sim avisa para pormos a escrita em dia (catch up, como diam os americanos, uma expressão que soa da mesma maneira que ketchup - que eu não gosto, prefiro mostarda nas batatas fritas).

um beijo

A bem da Nação!
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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