Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Todos devemos disciplinar os intestinos

 

No geral, tenho uma ideia moderadamente favorável do estado geral médio da limpeza das casas de banho públicas.

Mas acho que dada a importância que este melindroso assunto tem para o desenvolvimento económico e social do nosso país justificar-se-ia plenamente que o Sapo disponibilizasse um rating das casas de banho públicas portuguesas, elaborado com base nas avaliações feitas in loco pelo pessoal da blogosfera.  Vou ter de mandar um mail à Maria João com esta sugestão!

Voltando à vaca fria. Nos centros comerciais, cafés e restaurantes que frequento, verifico com agrado a frequente existência de um folha de ponto afixada na porta onde se dá conta dos horário das limpezas.

A frequência das limpezas é tão satisfatória, que já por várias vezes aconteceu que por essa razão me foi vedado o acesso a uma casa de banho em momentos de grande aflição, quando a minha bexiga ameaçava explodir por estar a exceder claramente a capacidade de armazenamento para que foi desenhada.

Apesar disso, tenho uma enorme relutância em sentar-me numa sanita estranha e pública – mesmo quando se trata da do meu local de trabalho.

Só o faço em casos de absoluta emergência (motivados quase exclusivamente por arreliadoras diarreias) - e mesmo assim muito contrariado.

Sou da opinião que a disciplina que devemos impor aos pequenos actos rotineiros do nosso quotidiano se deve estender ao funcionamento dos intestinos.

Uma das rotinas do acordar, a cumprir antes do banho, deverá ser o sentar-se descontraidamente no trono, arrumando com esta questão para o resto do dia.

Se temos horas certas para acordar, almoçar, começar a trabalhar, ver o episódio semanal do Boston Legal, não descortino razão para não reservar uma hora do dia para proceder à evacuação dos detritos sólidos.

E apesar de ser uma pessoa tolerante, devo confessar que não aceito argumentações libertárias que contrariem este meu posicionamento favorável à imposição de um horário rígido aos nossos próprios intestinos.

 

música: One, U2
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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6 comentários:
De eppursimuove a 17 de Dezembro de 2008 às 20:03
De um modo geral, a limpeza das casas de banho públicas tem vindo a melhorar, também sou dessa opinião.

Ao contrário de si, não me vejo constrangido em evacuar no local de trabalho. Talvez porque tenho a sorte de no piso do edifício Sonaecom onde trabalho a maior parte dos colaboradores - como eles gostam agora de chamar - são mulheres, o que torna ainda menos usual a utilização dos lavabos masculinos e por conseguinte a higiene mantém-se mais efectiva e duradoura. Não obstante a frequência da limpeza diária ser a mesma da das senhoras, podendo apenas constituir diferença o grau de esforço aplicado nessa mesma limpeza entre os aposentos femininos e masculinos.

Em suma, sempre fui algo descomplexado na utilização da sanita fora de portas, embora não esconda que apenas sou capaz de ler a Visão da semana quando me encontro no meu território. O único inconveniente da leitura aquando de tais alívios é o formigueiro nas pernas.

E o Fiel, tem por hábito ler nestas condições? Que leituras recomenda? Não sei se esta temática estava já alinhavada para um dos próximos posts...
De Jorge Fiel a 21 de Dezembro de 2008 às 08:17
Preclaro Eppursimuove

Apesar de não serem supervisionadas pela CMVM, estou certo que as sanitas de todas as empresas do PSI 20 devem ser de uma higiene irrepreensível.

Nunca me inibiria de me sentar numa sanita da Sonaecom ou da EDP - ou até da própria CMVM. Já quanto ao Banco de Portugal já pensaria duas vezes. Aquilo cheira um bocado mal para aquelas bandas.

Trabalhar num local maioritariamente habitado por mulheres tem as suas vantagens, contanto que um tipo se acautele relativamente ao contágio de certos hábitos.

A magna e candente questão das leituras na casa de banho será dissecada aqui na Lavandaria, ainda antes do Natal.

Mas temo não ter resposta para essa questão do formigueiro nas pernas.

Se o formigueiro fosse noutra parte da sua anatomia, atendendo à quantidade de mulherse que tem como companheiras de trabalho (quantidade gera sempre qualidade), era capaz de ousar encontrar uma resposta. Agora nas pernas, não estou mesmo a ver o que possa ser...

A bem da Nação!
De Anónimo a 17 de Dezembro de 2008 às 21:33
Preocupante!!

Porquê?
Porque depois do Fernando Lima ter espreitado este último post, deixou o Abílio numa inquietação. O que foi ainda pior, porque despoletou a última crise política (a que ainda não chegou às manchetes do DN).
Conta-se tudo (ou melhor, quase tudo) em poucas linhas. Não passaram três segundos de ter vindo aqui ao Lavandaria e Lima já estava a ligar ao Abílio: «Tá lá? Ouve cá, o Sapo podia meter-se nisso? Não percebes? A Lavandaria ameaça que o Sapo vai fazer um ranking sobre o asseio da Coisa Pública assinado só, repito, só, por bloguistas. Que te parece?»
Como bom transmontano, ex-líder escuteiro, batido na causa política juvenil e estudantil, ágil comunicador da escola da holding que veio da equipa ex-FdoAmaral, muito ensinado pelas escolas Nabo, Barão e EugénioD'Almeida, além do caseiro convívio com a milenar tradição indiana, o inquirido respondeu a Lima com um sumário: «Pois... não sei!» e a ligação caiu (como se estivesse a conduzir e entrasse numa zona sem cobertura na TMN.
Foi assim que um simples post começou uma enorme vaga de inquietação política gravitada ao mais alto nível da Coisa Pública. Donde se retira a lição que não se deve deixar a meio uma conversa com um açoriano.

(Continua)

Bem Haja
De Jorge Fiel a 21 de Dezembro de 2008 às 08:28
Preclaro Anónimo

Estou a comemorar o meu décimo aniversário como cliente TMN e não tenho razão de queixa do serviço.

Se quer que lhe diga, meu preclaro amigo, já nem me lembro da última vez que me caiu uma chamada (deve ter sido no Alfa Pendular, mas já há mais de um ano).

Preocupante? Bem eu próprio acho preocupante se o Palácio de Belém anda preocupado com a minha sugestão do estabelecimento aqui no Sapo de um ranking das casas de banho públicas.

Ele há os Estatuto dos Açores, o Código do Trabalho, a violência doméstica, dossiers que, no meu entender (que não é modesto) terão prioridade sobre o referido ranking.

Não sabia que o Abílio tinha sido dos escuteiros, mas parece-me ser aquele tipo de pessoa que todos os dias dá um nó no lenço.

Sobre o assunto propriamente dito, estive por várias vezes na sede da PT, em Picoas, mas que me lembre nunca recori às casas de banho, que estou em crer serão imaculadas - devem estar sempre tão limpas que até se poderia comer lá.

Nunca estive no Palácio de Belém, mas era capaz de por as mãos no fogo pelo asseio das suas casas de banho.

a bem da Nação!
De Peça, com i a 19 de Dezembro de 2008 às 09:54
Se há coisa que não faço (e faz-me confusão que alguém o faça) é alapar a peida em cagatórios públicos (considerando público tudo o que não é em exclusivo meu).
Os seus tempos de aspirante não lhe incutiram o hábito de, em casa alheia, cagar à caçador?
Para que não fique a pairar (para isso já bastam os olores, mais ou menos putrefactos) que neste país não passamos da mediania de conforto obratório, deixe que lhe diga que as cagadeiras da Gulbenkian são excelentes.
Para além do prazer só por si advindo do facto de se estar cagar em/para Lisboa
Quanto à disciplina temporal intestinal, o Compadre (aprovêto e cago - MIA) era menino para cumprir o horário rígido, atenta a pontualidade de postagem do Preclaro JF...
Cumprimentos
De Jorge Fiel a 21 de Dezembro de 2008 às 08:33
Preclaro Peça, com i

Esta semana visitei as casas de banho do Porto Palácio Hotel e de Serralves (a localizada junto ao auditório) e só posso dizer maravilhas delas.

Até recolhi imagens na do hotel do Belmiro, que usarei nesta série de posts (em Serralvez abstive-me de usar a máquina porque estava lá gente e o meu gesto podia ser mal interpretado).

Da próxima vez que for a Lisboa, não me esquecerei de inspeccionar as casas de banho da Gulbenkian.

A pontualidade é um must!

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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