Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

A enganadora expressão "água vai" e a séria eventualidade de sofrer com o despejar do penico

As casas de banho nasceram no exterior e o movimento urbano de as acomodar no interior dos apartamentos desencadeou protestos de cariz higienista.

À época, as cidades não estavam equipadas com modernas redes de esgotos e como toda a gente sabe as fossas sépticas entopem (às vezes até transbordam, o que é uma enorme chatice) e carecem de uma manutenção regular.

Acresce que a democratização do autoclismo é uma revolução relativamente recente. As casas de banho onde nos aliviávamos “à caçador” não estavam apetrechadas com esse moderno mecanismo.

Quando eu era miúdo, a minha mesinha de cabeceira continha um compartimento especialmente concebido para albergar um penico.

O uso do penico, agora restrito à hora do cocó dos bebés (por vias da desproporção gritante entre o diâmetro das sanitas e dos rabinhos deles),  era generalizado a gente de todas as idades e condições na época em que as casas de banho moravam no exterior das casas.

Se o pessoal acordava durante a noite com vontade de satisfazer as suas necessidades fisiológicas de carácter líquido (ou até mesmo sólido, imaginem!) tinha o penico à mão (na mesinha de cabeceira ou debaixo da cama) que lhe poupava o incómodo de ter de sair de casa para se aliviar.

Depois, pela manhã, o penico era esvaziado, nem sempre da melhor maneira.

A enganadora expressão “água vai” ficou do tempo em que servia de aviso ao pessoal que seguia na rua para a iminência de despejo de líquidos – que nem sempre eram apenas água. Podia muito bem tratar-se do despejar do penico.

 

música: Throwing it all away, Genesis
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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