Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

A irresístivel ascensão da vodka

 

Há toda uma vasta série de questões relacionadas com a geografia e história que levaram a que os polacos se dêem mal com os russos (e vice-versa), sendo que uma das mais relevantes é o contencioso sobre a paternidade da invenção da vodka, que é firmemente reivindicada por ambos os países.

Ao longo dos tempos, a vodka deixou de ser uma coisa que não me dizia nada para passar a ocupar um lugar cimeiro no meu pódio de preferências no capítulo das bebidas brancas – uma categoria onde curiosamente alberga uma paleta de cores suficiente para compôr um arco íris.

Nunca fui grande fã de gin, bebida que enjoei em definitivo, estando para mim absolutamente fora de questão encomendar um gin tónico.

Já não digo que não (antes pelo contrário) a um vodka tónico para arredondar um fim de uma tarde quente de Verão e funcionar como uma placa giratória para um agradável jantar ao ar livre.

Durante o período de consolidação da jovem democracia portuguesa tornei-me regular consumidor de uísques diversos, errando ocasionalmente entre o Highland Clan (nas semanas de maior aperto financeiro) e o William Lawson (quando havia alguma folga) e os irlandeses Jameson Bushmills, passando pelos tradicionais scotches Famouse Grouse, JB, Cutty Sark e Johnnie Walker (quando os meus bolsos já tinham algum fundo).

Maltes é que só mesmo quando as empresas achavam por bem exteriorizar o ser espírito natalício enviando lá para o jornal, a meu cuidado, umas botelhas de Cardhu, Glenfiddich, ou até mesmo de Glenrothes (the top of the tops).

Os tempos, as vontades e os hábitos mudam, eu e a democracia portuguesa fomos amadurecendo em conjunto, deixamos de ser jovens e o uísque desapareceu dos meus copos.

Observei durante alguns anos uma rigorosa Lei Seca, de onde emergi para o consumo monotemático de vinhos (nas suas variantes branco, rosé, tinto e champanhe).

Bebidas brancas sé em ocasiões muito especiais, mas mesmo muito especiais, como o Ano Novo chinês, o aniversário do menino Jesus (o de Praga) ou do professor Cavaco, ou as noites de Lua Cheia – para citar apenas quatro exemplos.

Após o meu Ramadão, o pódio das minhas bebidas alcoólicas ficou ordenado da seguinte maneira:

1º Vodka

2º Jack Daniels (e outros bourbons como Fours Roses e Wild Turkey)

3º Cognacs, armagnacs e aguardentes velhas.

 

(continua)

 

música: Father and son, Cat Stevens
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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13 comentários:
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2008 às 21:18
Bom tema para abrir Dezembro! Aquece!! Apesar de direccionado para fricções russo-polacas...

Mas, pronto. Há mais 30 dias para lhe dar continuidade...

"Quer'-se" dizer, continuidade à coisa, mas mais na perspectiva portuguesa, que também tem hálito forte: "olhaide" a Bagaceira Velha, "vêde" a 1920, ou todas as aguardentes saídas dos alambiques de cada distrito (sem excesso de peso do Norte, sobretudo dos Minhos Verdes, porque no Centro e no Sul também se destila), e por aí fora até chegar à água-pé e à jeropiga.

Foi só uma ideia...

Cumps
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:10
Preclaro Anónimo

Nos anos a seguir ao 25 de Abril, em que uma boa refeição era obrigatoriamente sepultada com um alcool forte, eu tinha o hábito de pedir 1920 - ou, em dias de festa, a Ponte de Amarante.

A bem da Nação!
De joana a 2 de Dezembro de 2008 às 11:32
Chega de polónia! Por favor, embarque novamente e visite um novo País....
Já não se aguenta esta polacada ..
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:12
Preclara Joana

A minha preclara amiga está tão cobertinha de razão que eu até tenho medo que apanhe uma hérnia.

Mas há esperança. Segunda feira vai ser um novo dia e a Lavandaria voltará a ser uma sopa minestrone de temas.

A bem da Nação!
De Tibetana a 2 de Dezembro de 2008 às 16:00
Olá JF, resfriadissima, só uma vodka!
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:13
Preclara Tibetana

Citando o papa João Paulo II, "as ideias propõem-se, não se impõem".

A bem da Nação!
De Biriades Cartagulio a 2 de Dezembro de 2008 às 16:30
muito boa essa stoli, já ouvi falar numa de rótulo negro q nunca a vi em lado nenhum, mas disseram-me ser melhor ainda.
De clarinha a 2 de Dezembro de 2008 às 17:03
Viu aquele (continua) sádico por baixo do texto?
Se esta história polaca continuar o tempo suficiente e você tiver um espírito estóico para a acompanhar, o nosso Jorge Fiel vai acabar por descobrir a vodka 'black label' e dar-nos indicações precisas sobre como chegar à loja polaca que a vende. Também se não for para isso não sei para que é tanta treta.
De Biriades Cartagulio a 2 de Dezembro de 2008 às 21:49
Vi, pois
rs rs rs
nada que incomode muito até porque nem desgosto desta saga polonesa, mas ok também é verdade…já lá vão umas semanitas :-)
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:21
Preclaro Biriades

Em primeiro lugar, permita-me que o trate assim, com esta informalidade, omitindo o apelido.

Em segundo lugar a boa nova. A partir de 2ª feira, muda o disco.

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:18
Preclara Clarinha

Acho que às vodkas talvez se possa aplicar a interrogação levantada por Orson Welles a propósito das mamas:

Se quem viu um par de mamas viu-as a todas, quem viu todas afinal só viu um par de mamas?

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 5 de Dezembro de 2008 às 19:16
Preclaro Biriades Cartagulio

Pois acho que nunca acedi a esse estádio das vodka black label.

Acho que são as que foram submetidasa mais uma ou duas destilações, o que lhes assegura uma maior limpidez no sabor.

A bem da Nação!
De paulo sousa a 9 de Maio de 2015 às 20:23
Uma maravilha, o William Lawson 12 Anos (http://www.wivini.com/index.php/william-lawson-12-anos.html) e até nem está caro, na Garrafeira Online Wivini (http://www.wivini.com)

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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