Domingo, 30 de Novembro de 2008

Dez dias na Polónia sem ver uma única joaninha

As verdades têm de ser escritas. Mas antes uma declaração prévia. Não duvido por um instante que seja que a Biedronka (cadeia polaca de supermercados controlada pelo grupo Jerónimo Martins) tenha 1300 lojas na Polónia e seja a líder da distribuição alimentar neste grande e promissor país da Europa Central.

Durante dez preenchidos dias percorri, por terra e ar (falhei o mar, fica para outra vez uma visita a Gdansk), a Polónia.

Vistoriei Varsóvia. Viajei de comboio até Cracóvia. Fui a Nowa Hutta. Demorei-me um dia entre Auschwitz e Birkenau. Inspeccionei Wroclaw. E durante todo este périplo (1)  não vi uma única joaninha (Biedronka em polaco quer dizer joaninha, como já se devem ter apercebido se olharam para a fotografia).

À mingua de Biedronkas, restringe o meu reconhecimento na área de supermercados a duas cadeias locais, a Jubilat e a Alma.

A Jubilat tem uma loja de alguma envergadura que é vizinha do Ibis onde estive aboletado e revelou-se uma cadeia de categoria média, do tipo Jumbo ou Continente, onde se vai às compras não pelo prazer de esperar ser surpreendido pelas prateleiras, mas tão só para repor as faltas de shampoo anti-caspa. Leite meio gordo, liquido amarelo para a louça, papel higiénico ou maçãs gala royal. Mais do mesmo, portanto.

Já o Alma é outra loiça. Apesar da iluminação intimista, tipo pube, que não tenho certeza seja a mais adequada à função (uma vez que os objectos da tentação são inanimados  - e não grupos de boazonas de minisaia já um bocado bebidas e com ar de quem está numa despedida de solteira), está claramente na categoria superior dos supermercados delicatessen, como o El Corte Inglês ou até mesmo o mítico Dean & Deluca.

O Alma não esgota o segmento superior na oferta de mercearia fina em Cracóvia, patamar onde é obrigatório incluir a Kredens (que em polaco quer dizer aparador) .

A Kredens não é generalista como a Alma (de quem recentemente passu a ser propriedade), concentrando a sua oferta em produtos de marca própria, embalado e rotulados de maneira a se tornarem irresistíveis para serem transformadas em prendas (2), se levarmos em conta a relação preço/aspecto.

A gama da Kredens é limitada a conservas alimentares (compotas, bolachas, bolos, frutas, salgados), mostardas, salsichas, chás e uma variada gama de frascos de vodka com todo o tipo, possível e imaginário, de aromas e sabores.

 

(continua)

…………………………..

(1) Cansativo para todos, em particular para os frequentadores assíduos desta Lavandaria

 

(2)  E os sacanas dos donos da Kredens sabem perfeitamente disso e para capitalizarem este nicho do seu negócio. Têm um balcão estrategicamente colocado junto às salas de embarque, na zona de partidas internacionais do aeroporto de Cracóvia, destinado a caçar os zlotys que sobraram na carteira dos turistas, em geral – e os euros dos turistas distraídos, em particular que se esqueceram de comprar uma lembrançazinha da Polónia para a futura sogra.

 

música: Wish you were here, Pink Floyd
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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14 comentários:
De Fernando Pires a 1 de Dezembro de 2008 às 01:14
Viva!

A explicação para não encontrar Biedronkas não está muito longe. Durante a minha estadia na Polónia sempre me apercebi que as Joaninhas não eram muito acariciadas pelos locais (não irei falar da exploração a que os empregados foram ou são sujeitos). Cedo dei conta que os supermercados Biedronka estão na Polónia como o Lidl está para Portugal (não tenho nada contra o Lidl e adoro aquelas bolachinhas de manteiga que eles têm).
Quero com isto dizer que as referidas Biedronkas são lojas extremamente desorganizadas, sem prateleiras, preços abaixo da média e muito mais fáceis de encontrar em zonas 'menos nobres' das cidades, bairros mais pobres e vizinhanças menos agradáveis. Acabei por confirmar esta realidade depois de ler diversos blogs de 'portulacos' que ansiavam encontrar o 'cheiro' português nos supermercados do sr. JM. Curiosamente é extremamente complicado encontrar produtos portugueses para além de umas garrafinhas de vinho do porto marca Pingo Doce.

Um bem haja!
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 09:59
Preclaro Fernando Pires

Pois eu até simpatizo com o Lidl, cadeia que frequento.

Nunca provei as bolachinhas de manteiga (estou a ver que vou ter de lhes dar uma oportunidade) mas sou fã dos iougurtes (em particular dos com pedaços e sabor de maracujá) e compro lá regularmenet não só commoditties, mas também o mozarella fresco e lulas à sevilhana congeladas, entre outras coisas.

O Lidl costumava ter uns bifes de atum congelado com uma excelente relação qualidade/preço, mas deixarem de aparecer há um par de meses. lamentavelmente.

Quando vou ao Lidl levo um saco azul do Ikea para trazer as compras e já me habituei a viver com o ambiente de acampamento em que vivem as mercadorias.

Mas segundo diz o meu preclaro amigo, as Biedronkas ainda são mais à balda. Hmmmm.

A bem da Nação!
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2008 às 02:22
Admito que seja possível...

Sempre sóbrio?

Cumps

(Grande Jorge, tu é que a sabes toda!)
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 10:01
Preclaro Anónimo

Bem, eu sou mais do género extrovertido do que introvertido.

Só tenho pena de que o meu preclaro não tenha razão no seu benévolo parêntesis final: eu não sei da missa nem a metade!

A bem da Nação!
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2008 às 02:33
O comentário anterior foi o da Hora Mágica.

Tenho cá para mim toda uma mística própria com números, mas só quando feitos de tempo.

Redobrado Abraço, oh Jorge

(Vê lá se bisas a do Mini, com a elegângia do travão de mão estrategicamente controlado muito pertinho de um caixote... é que vale a pena dar uso aos carros!!)
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 10:06
Preclaro Anónimo

Pois, lá está, cada um tem a sua hora mágina.

A do meu preclaro amigo é as 2h22. A minha é as 18h08. Todos diferntes todos igauis.

A bem da Nação!

PS. O Mini foi á inspecção, precisa de um par de pneus novos e de recuperar de uma amolgadela feia que lhe finfligiram quando ele estava estacionado em paz e sossego. Espero que a pancada do conserto não me debilite ainda mais as minhas pobres finanças... Senão qualquer dia vou fazer um post a dizer que tenho risco sistémico, pelo que melhor é ser intervencionado (ou seja salvo com o dinheiro dos contribuintes) como o BPN, o BPP ou o sectro automóvel.
De Anónimo a 1 de Dezembro de 2008 às 02:35
Desculpa lá, dizia-te, «elegância».

Golpe de vista...
De Abobrinha a 1 de Dezembro de 2008 às 17:02
Guru

Por favor... acabe com o pesadelo do périplo polaco! Não há pachorra, homem! Isto é pior que o "Pearl Harbour" ataque kamikaze/filme: o primeiro demorou 10 minutos e o segundo 2 horas e tal. Sendo que o segundo deu para perder quase mais dinheiro que o primeiro, embora o saldo em número de vidas tenha sido mais favorável (pelo menos é o que dizem, porque eu não juro que alguns espectadores não tenham sucumbido à vergonha de ir ver o filme).

Mas que seca!
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 10:07
Preclara Abobrinha

Esta quaes, chérie, está quase. Domingo, Dia do Senhor, é o Koniec (fim em polaco). Demos graças ao Senhor!

A bem da Nação!
De Tibetana a 2 de Dezembro de 2008 às 16:15
Aaaaattchimmmmmmmmmmmmmmmmm
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 10:08
Preclara Tibetana

Santinho!

A bem da Nação!
De geraldo geraldes a 3 de Dezembro de 2008 às 17:52
Bom, no centro de Varsóvia é de facto dificil encontrar uma Biedronka. Cracóvia, que conheço melhor, também não tem nenhuma no centro. Você estava no bom caminho quando fugiu do centro em direcção à Nowa Huta, mas helas, falhou. Agora em Wroclaw, há se não estou em erro, uma loja no terminal de autocarros, que fica ao lado da estação de comboios. Aí já não houve desculpa:)
Quando visitei a Polónia pela primeira vez, fiz questão de ir a uma Biedronka, e o método foi simples. Entrar num tram e seguir se necessário até ao fim de uma linha. Não falhou, indo para os suburbios das grandes cidades, parecem cogumelos, lá escondidos no emaranhado de prédios.
De Jorge Fiel a 6 de Dezembro de 2008 às 10:15
Preclaro Geraldo Geraldes

Por sugestão de um comentador anónimo daqui da Lavandaria foi parar ao seu blogue DivinaPolonia que achei não só bastanta porreiro, como até recomendável.

Adicionei-o aos meus favoritos e planeio investir lá algum tempo. E dar uma vista de olhos nos outros blogues sobre a Polónia que o meu preclaro amigo lista lá.

Fiquei curioso sobre a Polónia devido às férias que lá passei e que estão na origem deste massacre de posts que está a incomodar quase toda a gente :-)

Pois estive só cinco horas em Wroclaw e fui de carro. Falhei por isso o terminal de autocarros e comboios. Adorei a praça central e o passeio que dei pela marginal, internando-me depois na ilha. Ainda deu para ir à loja do museu e ao panorama. Espero poder regressar lá com tempo. pareceu-me uma cidade fantástica.

A bem da Nação!
De Anónimo a 6 de Dezembro de 2008 às 14:05
Sugiro um abaixo assinado que recaude verbas para assistência técnica ao Mini, ou então a pura colecta de todos os Minis que por aí ainda circulam cujos proprietários não queiram continuar a sustentar e que seriam entregues ao meu Preclaro Caro, como Fiel depositário desse património que, a Bem da Nação, seria mantido em várias zonas do país (i.e., OGMA, oficinas da Lusoponte, parque da Carris e dos STCP, Centros de Manutenção da Regionais da CP, e ainda pelas diversas rodoviárias espalhadas pelos Concelhos deste nosso Portuga), que o meu Preclaro Caro passaria a gerir, a seu belo prazer e que deveriam constituir sustento futuro que impedisse a eclosão do seu potencial risco sistémico, em Prol do Contribuinte, do Progresso da Indústria e da Convergência do País em relação à média da Europa.

Long Live The Mini!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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