Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Algumas reflexões a propósito do Eros Bendato

A escultura Eros Bendato, do polaco Igor Mitoraj, acrescentou, em 2005, um formidável toque de requinte contemporâneo à Rynek Glówny de Cracóvia.

Contrastando com o fedor a mijo e merda de cavalo que mora no lado oposto da praça, neste canto, junto à Torre sobrevivente da Câmara Municipal, esta escultura de grandes dimensões (3m70 por 2m25) exala um perfume de modernidade.

Já estou arrependido de não ter tirado uma fotografia ao lado desta cabeça (de lado) de Eros, que efectivamente não está vendada .

A venda descaiu o que está bem, até porque se é verdade é que há momentos em que o sentido vista é dispensável (o tacto e o odor podem ser poderosos, se bem usados), a verdade é que não é por acaso é que nestas coisas do erotismo há uma disciplina chamada “voyeurismo” – e, aqui cá para nós, acho que quase toda a gente tem no curriculum algumas oftálmicas.

Ou seja, para saber que ver também é bom, não é preciso ter lido ou visto o Ensaio sobre a Cegueira, do camarada Saramago (que está a comemorar o 10º aniversário do desgosto de Lobo Antunes), uma parábola que a associação dos cegos norte-americanos teimou em não perceber – mas, como é claro, nestas coisas o pior cego é sempre aquele que não quer ver.

Gostei de ver o Eros Bendato da mesma maneira que gostei de subir ao alto da Torre da Câmara, de onde se usufruir de uma vista apreciável da praça, apenas limitada pelo facto de estarem disponíveis apenas quatro janelas de de reduzida dimensão – ou seja, nada panorâmicas.

De reduzida dimensão, mas muito pitoresca, é também a minúscula igreja de Santo Adalberto, com que dei de caras quando abordei a Rynek vindo da Grodzka.

De grande dimensão (a vida é feira de contrastes….) é o Mercado dos Tecidos, o belíssimo edifício renascentista que divide a praça em dois espaços.

O Mercado dos Tecidos é do um edifício rectangular, do tipo risca ao meio, com dois pisos, sendo que o primeiro está ocupado por uma secção do Museu Nacional, actualmente em obras e por isso fechada ao público.

No interior do rés-do-chão há uma galeria de lojas que lembra o Grande Bazar de Istambul, mas em ponto pequeno e com muito menos barafunda.

No exterior, as arcadas albergam algumas lojas e cafés. Fiquei arrependido de não me ter instalado a escrever um postal ilustrado à minha filha Mariana à mesa do café outrora foi frequentado por Lenine.  

Mas fiquem sossegados que os dois arrependimentos aqui manifestados são de pequena monta e facilmente reparáveis num posterior (e eventual) visita a Cracóvia.

(continua)

 

música: I was made for loving you, Kiss
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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10 comentários:
De Compadre a 7 de Novembro de 2008 às 18:18
Lembrãa o Grand Bazarii???

Ó compadrii Jorge nã tá comparandoo o cu com a fêra de Castro?

Se continuarii assiim, lá tenhoo de abririi o WC!
De Jorge Fiel a 11 de Novembro de 2008 às 07:43
Preclaro Compadre

O meu preclaro amigo é muito exigente. Eu tenho boa boca. Tanto gosto de caviar como de sardinha de conserva.

A bem da Nação!
De Dúvida a 7 de Novembro de 2008 às 21:38
3m70 por 2m25 ?

Só a cabeça, e o resto???
De Jorge Fiel a 11 de Novembro de 2008 às 07:44
Preclaro Duvida

Poi o resto há-de ser proporcional, não acha, meu preclaro amigo?

Ou será que ficou na dúvida sobre se o resto existe ou não?

A bem da Nação!
De Observador a 8 de Novembro de 2008 às 08:00
Então JF levou um par de coices do "cavalo"???

Malas à porta e as nalgas em sangue.

Essas nalgas devem estar uma desgraça... está tudo contra si, até o cavalo!
De Jorge Fiel a 11 de Novembro de 2008 às 07:46
Preclaro Observador

Sabe o que se me oferece dizer-lhe? Pois aí vai:

O xadrez joga-se com 32 peças num tabuleiro com 64 quadrados, tudo a preto e branco.

A bem da Nação!
De Tibetana a 10 de Novembro de 2008 às 13:28
Só agora foi possível reler com calma, a tal escultura é realmente interessante.
O ensaio sobre a cegueira está muito bem.
Convenhamos de que além das diferenças entre as pessoas, há formas diversas de entender modos de "olhar"e o "ver".
De Anónimo a 10 de Novembro de 2008 às 13:53
Acredito que já comentei que tanto o amor pode ser cego, como a justiça se faz de cega!!! rsrsrsrsrsr
Outra estorieta sobre as vendas na visão!
De Jorge Fiel a 11 de Novembro de 2008 às 07:50
Preclaro Anónimo

Pois olhe que o amor pode ser muito mais pernicioso que a cegueira. Se mal interpretado, ou deslocado, mata mais que o veneno, o automóvel e o cancro do pulmão juntos.

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 11 de Novembro de 2008 às 07:48
Preclara Tibetana

A escultura é espectacular. O tema é recorrente. As manas Flores, de Estremoz, fazem, em barro, um Amor é Cego que eu aprecio muito.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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