Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Uma grossa asneira que teve um final feliz

 

O melhor é contar tudo desde o princípio. Perdi o avião porque estupidamente me convenci que a hora de partida era às 10h05.

Ora essa hora constava efectivamente do plano de voo, mas referia-se à chegada a Frankfurt  do voo LH 4555,  que partia  do  Porto às 6h30 e onde eu tinha comprado quatro lugares.

Ainda estou para saber porque não fui acometido por um ataque cardíaco fulminante no momento em que reparei na minha grossa asneira.

A posteriori, fiquei satisfeito comigo mesmo! Consegui dominar o pânico e iniciar o controlo de danos adoptando a boa e velha atitude pombalina (“cuidar dos vivos e enterrar os mortos”) que reservo para as situações de emergência.

Ainda não eram oito horas da manhã quando telefonei para o balcão da Lufthansa do Sá Carneiro , desabafando os contornos da minha desgraça no ombro, que esperava fosse amigo, da senhora que me atendeu.

Abreviando a sucessão de acontecimentos, esperas angustiadas e desassossegadas incertezas , que decorreram  num ambiente geral marcado pelo dramatismo e a mais aflitiva das impotências, só vos posso dizer que deu para perceber na perfeição como o presidente Carter se sentiu durante a crise dos reféns na embaixada americana de Teerão.

Só que ao contrário deste episódio protagonizado pelo simpático criador de amendoins da Geórgia, a minha história desaguou num “happy ending”.

O relato do ocorrido naquelas quatro horas encerra em si ingredientes suficientes para a confecção de um “thriller” sofrível, mas como me falta o talento e disposição para me aventurar numa empresa dessas, o que agora interessa  é que a história teve um final feliz, graças à providencial intervenção de mão amiga (obrigado Paulo!).

Às 11h55, estávamos os quatro com o cinto de segurança apertado a descolar do Sá Carneiro, com destino a Frankfurt, onde os meus filhos Pedro, 20 anos, e João, oito anos, rubricaram uma das três coisas que fatalmente correm nas nossas vidas: pagar impostos, morrer e fazer uma escala no aeroporto internacional de Frankfurt  de onde às 15h15 (hora  local) voamos até Varsóvia. As férias estavam salvas!

(continua)

 

música: La luna, Belinda Carlisle
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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4 comentários:
De Tibetana a 6 de Outubro de 2008 às 23:45
Já que o preclaro não expressa, com suas palavras, o relato sofrível para o resgate dos reféns, que por acaso deviam ser os ocupantes das 3 poltronas restantes, poderemos "imaginar"!
Afinal o ataque cardíaco fulminante não ocorreu, sem dúvida, porque o JF é treinado por experiências para decidir drásticamente em curto espaço de tempo, of course!
Mas o interessante é imaginar o "olhar" com que foi observado por seus acompanhantes, vamos sugerir..humm
O de 08 anos questiona imediatamente "E agora pai, que vamos fazer? e não estamos em férias? impaciente, e o preclaro responde : "ficas quieto e já.!
O de 20 observa e balança a cabeça e diz "ó pai, desta vez derrapastes, logo tu, o dono do mundo !!! "rsrsrsrsrsrs
O mais eu não sei.. não existem dados suficientes.
Mas o preclaro, lança mão de contactos, do caderninho quadriculado de senhas e telefones secretos e como sempre resolve a situação!
este foi um verdadeiro "A bem da nação"
:D

De Jorge Fiel a 7 de Outubro de 2008 às 11:37
Preclara Tibetana

A sua visão dos acontecimentos é pintada em tons rosa e as suas palavras são demasiado brandas para descrever a reacção dos meus filhos.

Estou em crer que vou perder a eleição para Pai do Ano, apesar de ter ficado com a conta a descoberto para lhes patrocinar umas férias de estalo na Polónia. Os filhos podem ser muito mal agradecidos :-) É só recordar como nós eramos...

Free Tibet!

A bem da Nação!
De Tibetana a 7 de Outubro de 2008 às 11:56
Preclaro JF, eu voto na minha mãe como mãe do século!
Mas para seu consolo, existe uma música da elis regina, que diz assim:
...Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmo e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais....

Bom, com certeza uma edição melhorada :D
De Jorge Fiel a 7 de Outubro de 2008 às 13:12
Preclara Tibetana

Claro que conheço essa canção da Elis! É um das mais estimadas das 1753 que já meti no meu iPod.

Eu adoro a Elis. Sempre que aparece o Casa no Campo eu ponho no máximo!

Free Tibet!

A bem da Nação!

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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