Domingo, 5 de Outubro de 2008

Uma pequena deriva a propósito de uma reflexão de travesseiro chapadamente estúpida e idiota

Quando à noite apaguei a luz da mesinha cabeceira do quarto 216 do Ibis Centrum de Varsóvia, dei por mim a pensar que aquele 6 de Setembro de 2008 tinha sido daqueles dias em que mais valia eu não ter saído de casa.

Pouco antes da oito da manhã, com as malas feitas e a família pronta a zarpar para o aeroporto Sá Carneiro, reparei que por causa de um estúpido erro meu tínhamos acabado de perder o avião que nos levaria até Frankfurt, a primeira etapa de uma viagem que tinha Varsóvia como primeiro destino final.

Nesse momento, fiquei tal e qual o camarada Guterres após o camarada Sampaio ter sucumbido á segunda maioria absoluta de Cavaco, ou seja (e passo a citar) “em estado de choque”. (1)

Pela manhã, eu perdi um avião. A cair da tarde, o meu filho João, oito anos, perdeu a Nintendo (que custara uns 200 euros há coisa de dois meses, no Media Markt do Porto Gran Plaza), que viajava dentro de uma pequena mochila Nike que ele deixou esquecida no banco de trás do táxi, que por 60 zlotys nos trouxe do aeroporto Fryderika Chopinha até ao 162 da Al. Solidarnosci.

É nestas duas perdas sucessivas – uma que podia ter comprometido as férias (a do avião) e a outra que irremediavelmente reduziu a qualidade da nossa estadia em terras polacas (a da Nintendo), na justa medida em elevou os níveis e períodos de impaciência do João -  que se filia o pensamento de que naquele aziago primeiro sábado de Setembro mais valia não ter saído de casa.

Infelizmente, esta reflexão de travesseiro peca pela mais absoluta falta de originalidade a que se deve somar -  “É fazer as contas”, como diria o camarada Guterres  (1) -  o fcato de encerrar em si níveis de idiotice tão tóxicos como os desgraçados activos que originaram a actual crise financeira internacional.

Como é bom de ver, se não tivesse saído de casa nesse dia não estaria na noite de 6 de Setembro a produzir pensamentos estúpidos num quarto relativamente barato (289 zlotys por noite, o quarto duplo, m mas sem pequeno almoço) de hotel em Varsóvia . Estaria antes esparramado no sofá preto de estética anos 50 ( comprado na Tribo)  da sala do apartamento onde habito na Pasteleira, em frente ao LCD Samsung (um pouco menos de 500 euros no Media Markt de Gaia) a ver séries nos Fox – o que seria infinitamente menos cosmopolita e não serviria de inspiração para a corrente e infindável série de “posts” polacos  aqui na Lavandaria. (2)

Como diria o camarada Guterres,”é a vida!”

(continua)

 

……………………………………………………..

(1)  A expressão “estado de choque” é uma das três essenciais que constituem o legado guterrista ao pais. As outras são o “é fazer as contas” e o “é a vida!” , que traduz magistralmente em palavras o gesto de baixar os braços.

 

(2)  Será que ouvi agora alguma preclara ou preclaro a dizer que na verdade eu teria feito melhor em não sair de casa, pois assim o povo da lavandaria seria poupado a este autêntico massacre de “posts” polacos (e, atenção, a procissão ainda vai no adro, se calhar o melhor é voltarem apenas em Novembro e a medo, a ver se já passou…)

 

 

 

 

música: Where the streets have no name, U2
publicado por Jorge Fiel às 19:08
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6 comentários:
De Tibetana a 6 de Outubro de 2008 às 01:51
Por mim, Não!
Continue, por favor!!
1- Ora, explico, seus caros amigos devem tecer considerações de que estes posts não correspondem aos temas em que deliram a ler..< é a vida!>
2-Como o preclaro está calmo, todos devem "entrar em estado de choque!"
3- quanto ao post, para preencher os minutos de impaciência do hiperativo (saudável, lógico) filhote de 8 anos, penso, que resumiu-se o passeio a "fazer as contas" ....
ora, minha humilde opinião, é a de que qualquer pai é "criativo"para sair de situações de urgência.
Afinal não era inverno e o preclaro não possibilitou o congelamento do garoto !



De Jorge Fiel a 7 de Outubro de 2008 às 11:31
Preclara Tibetana

Ora aqui está um comentário sintonizado com o texto. A minha preclara amiga é a delícia com que sonha qualquer bloguista amador. Já encarou a hipótese de abraçar (acho este verbo o máximo!) a carreira de comentadora profissional? :-)

Free Tibet!

A bem da Nação!

PS Estou a ver se consigo circunscrever esta série polaca a um máximo de 15 a 20 posts para não ficar aqui a falar sozinho. Não quero abusar tanto da paciência da minha preclara amiga.
De Tibetana a 7 de Outubro de 2008 às 12:03
Mas, JF ? estás a sugerir , que eu sou inconveniente? desculpe, caso reflita assim , mas vou continuar a responder, caso não goste não comento, combinado?
afinal como fala o JF , é de borla !! (não sei muito o que significa e espero que signifique o que aparenta ser !!!!

Nunca estive na Polônia e assim estou a ganhar dicas para este país! :)
Se bem que é estranho, o povo da lavandaria desaparecer..(não apreciam viagens, só futebol, ou então quando o preclaro achincalha algo , que passa a ser um "valei-me..."
ahaha!

De Tibetana a 7 de Outubro de 2008 às 12:52
:(
pelo visto para bloguistas profissionais, eu devo ser um desastre!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
De Jorge Fiel a 7 de Outubro de 2008 às 13:16
Preclara Tibetana

Saiba que acho muita piada à palavra Desastre! Soa muito bem.

Free Tibet!

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 7 de Outubro de 2008 às 13:15
Preclara Tibetana

Por amor de Deus. A minha preclara amiga é das coisas mais convenientes que há neste mundo perigoso, assolado por uma grave crise financeira, o choque de civilizações e pelo pobre saldo da minha conta bancária!

Mi casa es tu casa!

Free Tibet!

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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