Sábado, 27 de Setembro de 2008

É melhor ter duas pedras na vesícula do que uma no sapato

 

Sempre tive uma atitude tolerante relativamente ao prazo de validade dos alimentos. Para mim, um iogurte só está fora de prazo quando a tampa está abaulada, ameaçando rebentar a qualquer momento.

 

Por isso, quando acordei a meio da noite com uma desagradável sensação de enfartamento, atribuí logo as culpas daquele meu lamentável estado uns tomates secos ao sol que tinha consumido ao jantar e estavam num frasco aberto no meu frigorífico há largas semanas.

 

Como não tinha posição para estar na cama, ou sentado a ler ou a ver televisão, optei por andar. Fui e vim de S. João do Estoril a Cascais a pé, pelo paredão à beira mar. O passeio é muito bonito mas não derrotou a má disposição.  

 

Com o passar dos dias, e uma dieta forçada, os sintomas foram aliviando, mas não completamente. Até que no fim de semana, no Porto, tive a sorte de encontrar, em casa do meu primo Fernando, o meu amigo Rui Ponce Leão, provavelmente o médico mais adequado para tratar de mim já que antes de se dedicar à Medicina do Trabalho se especializou em Medicina Legal.

 

 O Rui foi rápido no diagnóstico. Ilibou imediatamente os tomates secos ao sol. Qual intoxicação alimentar, qual carapuça! Eu padecia era de uma vulgar crise na vesícula. Receitou-me dois medicamentos milagrosos, que me devolveram o bem estar. Mas, pelo sim pelo não (quando se tratar da saúde de amigos e clientes, o Rui prefere usar cinto e suspensórios), aconselhou-me a fazer uma ecografia à vesícula.

 

Apesar da indisposição ter passado, eu portei-me relativamente bem. Quatro meses depois lá fui à Cuf da Infante Santo fazer o exame, que revelou a presença, hostil, de duas pedras na minha vesícula.

 

Mal soube da existência das pedras, o meu amigo e cirurgião Eurico Castro Alves logo se prontificou a extrai-las, o que vai acontecer mais mês menos mês. De todo este episódio, retiro duas conclusões:

 

a)  Quem tem amigos médicos não morre sem cuidados;

 

b)  É melhor ter duas pedras na vesícula do que uma no sapato.

 

 

Nota:

Esta história teve um final feliz. Já fui aliviado das pedras na vesícula

 

música: Só gosto de ti, Heróis do Mar
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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4 comentários:
De Tibetana a 27 de Setembro de 2008 às 20:35
Olá JF, eis um sábado meio sem "graça", mas esta história já passada foi sensacional, claro que a foto da vesícula caiu bem, a única falta poderíamos apontar
seria a foto do famoso avental hospitalar.
Mas pedras no sapato são terríveis (mesmo em metáforas), acontece, mas as pedras também torcem o tornozelo o que nos faz gastar precioso tempo em fisioterapias!
O tratamento em partes de ICE, e nunca acredito que o ultrasom regenere qualquer articulação, sou uma descrente isso sim!
:)

De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2008 às 16:10
Preclara Tibetana

Tem toda a razão. É preciso ter muito cuidado com o pescoço. Dá tanto jeito que acho que nunca imaginamos a falta que ele nos pode fazer.

A bem da Nação!
De Zé Piscas a 28 de Setembro de 2008 às 11:10
Caríssimo Jorge:
É o que eu digo, ultimamente o meu Caro Amigo só fala de doenças. Deixemos isso para os médicos, os enfermeiros e os cangalheiros, que são quem mais lucra com as doenças dos outros.
Fale-nos de outras coisas menos más, que a vida também tem coisas menos más que a doença.
Olhe, por exemplo fale-nos sobre o Benfica-Sporting de ontem, fale-nos daquela bronca das casa da Câmara de Lisboa, fale-nos do debate do Obama com o Mccain.
Mas, fale-nos disso (ou de outros assuntos que não sejam doenças) antes das 9 da noite. É que a essa hora vem o Marcelo diz a última palavra sobre tudo o que mexe à superfície da Terra (e, claro, sobre o que não mexe, também).
Quanto à vodka, olhe que não! Só tinto, habitualmente.
Branco, muito raramente e só em ocasiões muito especiais. Outros álcoois, nunca! Que quer? São manias!
Um abraço e até à proxima.
De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2008 às 16:12
Preclaro Piscas

No corrente momento, a minha bebiba alcólica de eleição é o espumante (vulgo champanhe).

Consumo com alguma frequência vinho branco, reservo o tinto para alturas e pratos especiais.

Das bebidas brancas, a minha queda actual vai para o vodka)

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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