Terça-feira, 24 de Junho de 2008

A gravata como desbloqueador de conversa

Aí está a mnha gravata “Back in the USSR”

 

Junho já está quase no fim e, contabilizando com rigor, reparo que apenas por duas vezes usei gravata  este mês.

As vezes foram tão poucas que até me lembro da gravata e da circunstância:

1.     Usei a verde alface (domingo constatei que está demasiado trendy pois o Santana Lopes tinha uma igual ao pescoço quando discursou ao congresso dos laranjinhas), para ir almoçar ao Vino Tinto do Campo Pequeno com a Marina Ferreira, presidente da Emel  - strictly business, nem sequer vos passe pela cabeça que aproveitei para  obter inside information  sobre  o modus operandi dos fiscais da Emel;

 

2.     Usei a vermelha com estrelas brancas (da Gant, como já é antiga o nó ficou muito fino) para entrevistar para o Porto Canal o Henrique Lehrfeld, CEO da Hormann Portugal.

Esta fraca frequência de uso da gravata pode indiciar duas coisas.

Uma é que as pessoas realmente importantes, cuja presença obriga ao uso da gravata, deixaram de ter interesse em encontrar-se comigo.

A outra é que a gravata está a ficar fora de moda.

Quero crer que ambas as razões pesam no facto de eu ter usado apenas duas vezes gravata neste mês de Junho. Mas estou em crer que a segunda tem uma influência claramente superior à primeira. E acreditem que não penso e escrevo isto  por precisar de regar a minha auto-estima - uma vez que  continuo a ter em elevada consideração as minhas capacidades profissionais.

Sucede que o fato sem gravata já é uma indumentária perfeitamente adequada a um bom número de almoços e encontros de natureza social ou profissional.

Um dia destes o pessoal das televisões generalistas vai perceber isso e dar razão ao Zé Alberto Carvalho que inovou ao apresentar sem gravata um telejornal de 6ª feira.

Nada em move contra a gravata, um acessório que aprecio e cujo usos permite dar um toque pessoal aos impessoais fatos cinzento antracite e azul ultramarino que fardam a esmagadora maioria dos homens que por dever do oficio tem de ir fardados para o trabalho.

Durante alguns anos usei uma gravata vermelha decorada com submarinos, foices e martelo, e outra iconografia soviética em apresentações de contas dos mais respeitáveis grupos empresariais listados no PSI 20.

Dei-me muito bem com isso. A gravata funcionou como um magnífico desbloqueador de conversa. As pessoas dirigiam-se a mim e lá desenvolviam os seus comentários a propósito. Eu, educadamente, deixava-as falar e no final da converseta desvendava o segredo, virando a gravata do avesso para lhes facultar o acesso a ficha técnica.

Tratava-se de uma gravata de uma série encomendada pela Tie Rack e dedicada a canções dos Beatles – a minha era inspirada no “Back in the USSR” . A propósito,  sinto que devo revelar-vos que a minha filha Mariana ofereceu-me de prenda de anos uma fabulosa caneca inspirada na canção “Yellow Submarine”.

Muito embora, por culpa da minha barriga, já não me caia a direito, a gravata apresenta outras vantagens não negligenciáveis, para além de poder ser um toque de fantasia e um desbloqueador de conversa.

A gravata é de uma enorme utilidade nos dias frios, porque nos aconchega. Podem crer!

Chegado a este ponto, devo declarar que só os homens que teimam em usar colarinhos de tamanho de diâmetro inferior ao do seu pescoço podem dizer que a gravata  “aperta” e é desconfortável. Comprem camisas adequadas e depois venham falar comigo!

O maior inconveniente que detecto na gravata são as nódoas. Se não me ponho a pau, cada vez que uso gravata à mesa tenho de a seguir fazer uma visita ao 5 A Sec.

A maior vantagem que vejo no fato sem gravata é a de nos conferir um look ao mesmo tempo formal e descontraído. O que é magnífico!

Acho que a gravata fica a matar a algumas mulheres, mas isso já é outra história.

 

música: Everybodiy knows, Leonard Cohen
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publicado por Jorge Fiel às 14:31
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37 comentários:
De Tibetana a 24 de Junho de 2008 às 15:07
Olá, engravatado ou não deves ficar bem, não ficas a babar!
Quanto ao uso da gravata, dizem que a moda implica com as largas em demasiado ( que acho terríveis), ou as finas em estilo inglês, (tipo a Dave M Band!.. ínformais).

Quanto às pequenas manchas, a escolha do cardápio deve conter algum erro :)

Simpaticas as tuas gravatinhas! :)
Mas já que se fazem à vista, as camisas estão bem!!!!!! Aquela com um xadrez simples, é a um olhar feminino, muito bonita!
Bom verão, JF.
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:10
Preclara Tibetana

A camisa aos quadrados é muito bonita mas o tecido é pouco amigável, muito rigido até parece estar sempre engomada. Muito duro. Uma pena.

Obrigado pelas suas gentis palavrinhas que ajudam a impedir que o meu ego imite o Titanic.

sempre a considerá-la
De Anónimo a 24 de Junho de 2008 às 18:26
Ou como mais um pendurico a partir de certa idade...
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:11
Preclaro Anónimo

Pois está muito bem noatdo. A gravata não é a única coisa que trazemos ao dependuro.

sempre a considerá-lo
De Pasteleira winegate a 25 de Junho de 2008 às 04:56
Uma gravata poderá sempre ser uma forca improvisada...

OS ALCOÓLICOS DA PASTELEIRA
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:13
Precalro Pasteleira Winegate

Não sei se sabe mas o Governo decidiu financiar a 80% os tratamentos de alccólicos na privada. Se fosse a si aproveitava.

Sempre a considerá-lo
De rijissimo a 25 de Junho de 2008 às 23:19
Uma gravata ficava-te bem era bem apertada no teu pescoço de morcon, meu pre-claro filho de uma puta. Mas tão apertada que nem conseguisses respirar. Cabrão! Gravata era para te apertar até à morte.
ANDRADE, CABRÃO, FILHO DA PUTA! Aina te hei-de foder os cornos, paneleiro de merda.
De Tia Maria a 26 de Junho de 2008 às 01:26
que horror!!!!!!!
Rigissimo!!!!!!??????????????? por favor....... o menino de rijo é que não tem nada........
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:15
Preclara Tia Maria

Se calhar tem razão e o problema do preclaro Rijissimo é ser murcho.

Sempre a considerá-la
De Andesman a 2 de Julho de 2008 às 23:35
Valha-nos S. João! Ó Rijissimo o comentário do amigo é pior que a mais potente descarga eléctrica.
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:18
Preclaro Andesman

Aventa o meu preclaro amigo que o não menos preclaro Rijíssimo ficou murcho após ter submetido a choques eléctricos? É isso?

Sempre a considerá-lo
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:14
Preclaro Rijissimo

Já experimentou o yoga? Pode ser que dê resultado..,

sempre a considerá-lo


De Anónimo a 27 de Junho de 2008 às 09:46
Pois no nosso querido António Nobre a gravata(da) resultava como inibidor de conversa...:-)
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:20
Preclaro Anónimo

Longa vida ao António Nobre onde só andava Só quem queria!

O laranja das batas era muito erótico, não acha?

Sempre a considerá-lo
De Anónimo a 1 de Julho de 2008 às 14:32
o que a tia maria quer está murcho...
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:21
Preclaro Anónimo

Não acredito que o preclaro Rijissimo jogue no outro time...

Acha mesmo que ele e´abichanado?

Sempre a considerá-lo
De clarinha a 1 de Julho de 2008 às 15:42
Mais cedo ou mais tarde na vida, praticamente todos os homens são confrontados com a necessidade de usar uma gravata. Haverá sempre ocasiões em que o protocolo ditará a obrigatoriedade de cumprir algumas formalidades às quais não se poderá fugir e geralmente essas formalidades estão sintetizadas na gravata. Quando finalmente aceitam que será impossível evitar esta formatação social (baile de fim de curso, casamento, entrevista de 1º emprego,etc ), haverá um grave problema a resolver. Aquela tira de tecido parecida com um bacalhau estará ali inerte sem qualquer vislumbre intrinseco de como transformar-se em gravata (ou laço). Para esses momentos de stress é que servem os Pais e algumas Mães particularmente prendadas e/ou experientes. A partir desses primeiros momentos a gravata torna-se um tema desinteressante, salvo se houver verdadeiro instinto de coleccionador e se trouxer, por exemplo, e por sistema uma gravata com a Torre de Pisa depois da competente visita. O género ora azul escura, ora vermelha sangue de boi, ora de riscas demonstra uma origem social média /alta e idade adulta antes do 25 de Abril. O género verde alface, azul celeste, laranja e cor de rosa aponta para o 'novo bimbo' do bloco central.Há porém homens que nos maravilham com a variedade conspícua das suas gravatas e que fogem a qualquer classificação. Lembro-me daquele ilustre, já falecido, da polícia, Dr. Maximiano ... qualquer coisa que não me lembro. Isso sim era um homem com gravatas. Ali estava ele inteiro e genuino . Nesse aspecto a sua gravata 'Back from the USSR ' é promissora. As outras são para deitar ao lixo.
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:26
Preclara Clarinha

A minha alma está parva e o espirito baralhado.

A minha querida e preclara amiga é a eximia na leitura de gravatas - lê nelas como há quem leia nas folhas de chá.

Gostei em oarticular da qualificação da gravata como "inerte" e a imagem do bacalhau.

Só lhe peçp desculpa por não seguir o conselho. Os tempos dificies que vivemos proibem o desperdicio. Não vou deitar as gravatas fora

Sempre a oonsiderá-la
De Peça, com i a 2 de Julho de 2008 às 10:51
Estas postas parecem os livros do Mortadelo y Filemón. Na segunda leitura repara-se em pormenores que escaparam à primeira.
Uma delícia, a referência ao 5 A Sec.
Fez-me até relembrar aquele livro da Enid Blyton: os Sete em Vigo...
De anonimo a 2 de Julho de 2008 às 14:14
E ainda dizem que há crise de leitores. Pois se até as piças lêem!
De Peça, com i a 2 de Julho de 2008 às 18:10
Lêem pra caralho!!!
De anonimo a 3 de Julho de 2008 às 11:54
Relação homossexual, portanto.
De Peça, com i a 3 de Julho de 2008 às 13:51
Caro anónimo, não sei como alcançaste essa conclusão. Mas bem diz o povo que o sapateiro olha para os sapatos...
De todo o modo: cú, de cabeça, sempre que te apeteça!
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:32
Preclaro Peça com i

A sua tolerância é exemplar.

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:31
Preclaor Anónimo

Não me diga que o meu preclaro amigo afinal não é amigo, mas sim amiga e se chama Manuela...

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:29
Precalro Peça com i

Boa resposta. 18 valores numa escala de zero a 20.

Sempre a considerá-lo
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:28
Preclaro Anónimo

Não me diga que ficou perturbado com a visão de uma piça com óculos...

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:27
Preclaro Peça com i

Não sei o que havia de ser de mim sem as palvaras gentis dos meus preclaros amigos. Obrigado.

Sempre a considerá-lo
De clarinha a 3 de Julho de 2008 às 15:25
Como estamos longe dos livros da Enid Blyton (eu pessoalmente preferia os dos cinco)! Como estamos longe das gravatas! Enfim isto está tudo muito mudado.
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:33
Preclara Clarinha

100% de acordo. Os Cinco eram muito melhores que os Sete.

A bem da Nação!
De CRN a 3 de Julho de 2008 às 18:13
http://caparicaredneck.blogspot.com/2008/06/fico-pode-tornar-realidade-assustadora.html
De Jorge Fiel a 18 de Julho de 2008 às 09:33
Preclaro CRN

Saravá Caparica. Tudo rijo? A vida corre-lhe bem?

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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