Terça-feira, 4 de Março de 2008

Discurso cartesiano sobre o broche

O broche é um tema fracturante na minha comunidade de amigos, que se dividem em dois partidos – os que o encaram como um fim em si e os que reduzem o seu papel a uma espécie de auge dos preliminares, a transição para a queca, - ou, dito por outras palavras, o último patamar das hostilidades antes da penetração.

O meu amigo Luciano (1) diz que isso é ao mesmo tempo verdade e um falso problema, uma vez que todas as alturas são boas para ser chupado e quem disser o contrário ou está a complicar ou a armar-se.

Eu acredito no Luciano, que é o meu líder espiritual em matérias de sexo, uma vez que o seu imenso saber neste domínio é camoniano – de experiência feito.

Senhor de uma mente cartesiana e amigo da conceptualização, Luciano divide o broche nas seguintes categorias:

a)     O broche de aquecimento, praticado no âmbito dos preliminares e por isso não levado até às suas últimas consequências, uma vez que o homem, depois de se explicar, observa um período refractário (cuja duração pode oscilar entre 20 minutos e um ano) antes de voltar a estar operacional (o Luciano garantiu-me que essa das duas sem tirar fora é um reles mito urbano);

 

b)    O broche completo, que só termina com a ejaculação.

Há imensas variantes desta última modalidade, sendo que a  mais culta é o broche literário. Nesta categoria, o homem tira partido do facto de ser o único da parelha que não está com a boca cheia e lê em voz alta excertos dos melhores clássicos da literatura erótica, como a Filosofia na Alcova, do bom e velho Marquês de Sade.

Depois, há ainda uma mão cheia de possibilidades relativamente ao local onde deve ser depositado o sémen. Os mais populares são:

a)     A boca, destino popularizado pelo clássico do porno «Garganta Funda», protagonizado pela inesquecível e falecida Linda Lovelace;

 

b)    A cara, solução de recurso para os mais aflitos, em virtude da proximidade geográfica da boca, mas uma hipótese que no caso do gajo ser fedorento pode inviabilizar posteriores manifestações de carinho;

 

c)     As mamas e a barriga, opções honestas e que apresentam a incrível vantagem de não prejudicarem a ocorrência de ternos e apaixonados beijos na boca.  

Os puristas defendem que no verdadeiro broche, o esperma deve ser depositado na boca e engolido. O que levanta uma questão que poderei abordar posteriormente e em separado, sobre a maneira como a nossa alimentação influencia o sabor do esperma.

Os moderados aceitam que o esperma seja depositado na boca mas não engolido, podendo assim ser usado para tentativas de brincadeiras como fazer bolas tipo chiclete.

O Luciano garante que existe um número não negligenciável de mulheres que prefere o broche puro e duro (sendo que esta característica se deve também alargar ao órgão sexual masculino) à clássica queca, acrescentando que isso não tem nada a ver com a «patetada do orgasmo na garganta» (cito sic as palavras dele).

Conta o Luciano que teve uma namorada, que por razões de conveniência designaremos por Laura, que era absolutamente doida por uma modalidade de broche absolutamente radical – o broche em movimento.

Quando os dois iam almoçar ou jantar fora, era certo e sabido que mal o Luciano engatava a primeira, a Laura lhe abria a carcela e começava laboriosamente a chupá-lo com a mestria de uma catedrática do broche.

Felizmente, o meu amigo orgulha-se de ter concluído mais de um ano de intenso namoro com a Laura com uma taxa de sinistralidade zero – ou seja sem sofrer qualquer espécie de acidente rodoviário.

Apenas recenseia um percalço. Um dia, depois de se ter explicado, a coisa deve ter ido para o goto da Laura, a miúda engasgou-se à séria e vomitou tudo (sempre que o tudo incluía o arroz de polvo malandro) nas calças do Laura, que tiveram de ir direitinhas para a máquina de lavar  - ele teve vergonha de as levar à 5 a Sec.

 …………………………………………

(1)  Bem, como presumo que sabem, o Luciano efectivamente não se chama Luciano, eu é que lhe arranjei esta falsa identidade para evitar que ele se chateie comigo e deixe de ser meu amigo

 

música: Sexual healing, Marvin Gaye
publicado por Jorge Fiel às 19:26
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52 comentários:
De Laranjada Ovarense a 4 de Março de 2008 às 20:37
Sendo que a cuspir é amor, engolir é verdadeiro amor e gargarejar é exibicionismo ...
De Jorge Fiel a 5 de Março de 2008 às 06:50
Preclaro Laranjada Ovarense

Muito bem comentado. Os meus parabéns. V~e-se logo que o meu precalor amigo é uma laranja sumarenta.

A bem da Nação!
De CRN a 4 de Março de 2008 às 20:45
Ora bem, relativamente ao bóbó, tenho a dizer y digo:

O Bóbó, aceita-se sempre que a vontade apareça ou se alguma amiga o propoe (sempre solidário para repartir).
De acordo com o Luciano, ilustrado camarada, os lugares devem ser esses mesmos, todos.
No relativo ao momento, cada qual com as suas peculiaridades e contrariamente à opiniao do assessor, como preliminar está bem mas o auge da satisfaçao é justamente depois da tal queca, devemos considerar que para tal devemos acompanharnos de uma dedicada amiga.
De CRN a 4 de Março de 2008 às 20:51
Camarada Fiel,

Antes que a coisa passe, boa sorte no novo projecto.
De Jorge Fiel a 5 de Março de 2008 às 06:54
Preclaro Caparica

Obrigado, meu amigo. Obrigado!

A Bem da Nação!
De Jorge Fiel a 5 de Março de 2008 às 06:53
Preclaro Caparica

Ora aí está uma opinião prenhe de bom senso.

Obrigado por ter chamado a atneção para o sinónimo de broche (bobó) que por preocupante esquecimento (será Alzheimer) me esqueci de referir no post.

A bem da Nação!
De Abobrinha a 5 de Março de 2008 às 10:10
Guru

Não entendo! E a parte da retribuição? Nunca abordou essa parte! É injusto e não creio que seja Alzheimer! É só o ponto de vista dos gajos!

Tenho-me baldado a este blogue e à Bússola, mas ontem li os seus últimos posts. Poderosos como sempre!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:29
Chérie Abobrinha

Eu próprio me tenho baldado um bocadinho já que tenho vivido um pouco aos solavancos por causa da minha vida profissional.

Presumo que a minha preclara amiga quando fala de retribuição está falar do cunilingus, ou, se preferir uma linguagem mais chã, do minete.

Estou certo que mais tarde ou mais cedo essa temática será aqui equacionada.

A bem da Nação!
De farfalho, o maltês a 5 de Março de 2008 às 17:16
Paneleragem dum cabrão.

Há muitos 'gays' no Norte

Uma sondagem recente acerca de atitudes comportamentais, concluiu que, afinal, os homens do Porto são, na sua maioria, homossexuais...

À pergunta: 'O senhor importa-se que eu lhe meta o dedo no cu ? '
Mais de 92% da amostra respondeu:
'Metes mas é o caralho... '
++++++++++++

Broches?
Só das maninhas bossas...
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:31
Preclaro Farfalho

O meu amigo se não existisse tinha de ser inventado.

Essa graçola do dedo no cu não é nova mas não deixa de ter graça por ser um pouco recessa.

A bem da Nação!
De Porthos a 6 de Março de 2008 às 13:04
Caro Jorge,

Os meus parabéns, já não lia um post com tanto interesse há muito tempo!!!

Gostei da abordagem clara e concisa da temâtica em causa, gostaria no entanto de ter dados concretos sobre o que elas pensam da coisa!

De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:34
Preclaro Porthos

Muito obrigado pelas palavars gentis. Eu bem me esforce por conferir alguma cientificidade à abordagem desta matéria :-)

A minha ideia é que hé mulherse que o fazem por gosto e outras que o fazem um pouco por obrigação, para agradar aos queridos. A vida é mesmo assim...

A bem da Nação!
De Zé da Póvoa a 6 de Março de 2008 às 14:14
Caríssimo,
Acho que esta peça merecia uma referência à famosa Madalena do Bonjardim, autência "linha de fabrico" de broches.
Quem, como o meu amigo, viveu no Porto, em plena juventude, na década de 70, de certeza que uma ou outra vez passou por lá. Era inevitável.
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:38
Preclaro Zé da Póvoa

Muito obrigado, meu amigo, por ter evocado aqui essa personagem mítica do Porto que era a Madalena dos Broches, presumo que contemporânea do Carlinhos da Sé, o larilas mais notório da cidade.

Não os cheguei a conhecer pessoalmente mas tenho muita pena.

Acho que quer a Madalena dos Broches quer o Carlinhos da Sé são merecdeorse da publicação de perfsi biográficas para que as suas vida e obra sejam do conhecimento das gerações vindouras!


A bem da Nação!
De João S. a 4 de Abril de 2011 às 18:36
Caro Jorge,

Permita-me só uma correcção quase insignificante: tanto quanto me lembro, a famosa Madalena da Rua do Bonjardim era conhecida como «Madalena do Broche» e não «Madalena dos Broches». Dir-me-á o amigo que os broches são como os cestos e que, assim, quem faz um broche faz um cento. Será. Porém, a memória da Madalena obriga-nos ao rigor. E não é, de todo, o mesmo ser a Madalena «dos Broches» ou «do Broche». Porque - diz quem a conheceu, o que também não foi o meu caso - a mulher era mesmo «a» artista maior nesta modalidade. Comparável apenas, quiçá, a outra grande referência desta arte, a igualmente célebre e saudosa Marreca de Monsanto...
De Jorge Fiel a 18 de Abril de 2011 às 12:55
Preclaro João S.

Agradeço-lhe do fundo do meu coração a sua precisão. Madalena do Broche é bem mais distinto que Madalena dos Broches. Uma questão de singularidade, direi.

Muito obrigado também pela referência à incontornável Marreca de Monsanto.

A bem da Nação!
De Fitac a 6 de Março de 2008 às 14:32
Como membro do FITAC (Federação Internacional dos Trombeiros e Artes Correlativas) - não confundir com o FITOC (Fed. Int, dos Tromb. e Ofícios Correlativos) - aguardo posta sobre a nobre arte da trombada e sobre as delícias do 69.
Agardecido!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:40
Preclaro Fitac

Antes membro da FITAC do que da FHMFEP (Frente dos Homossexuais, mulheres frigidas e ejaculadores precoces).

Tenho um opinião diferente do preclaro sobre o 69 que espero ter oportunidade de explanar com detalhe aqui na lavandaria ainda este mês.

A Bem da Nação!
De MagisterDixit a 6 de Março de 2008 às 16:15
Esse Luciano é um verdadeiro gangster. Lucky Luciano...
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:41
Preclaro Magisterdixit

O meu amigo falou e disser. O Luciano é mesmo terrível! Que ninguém se meta à sua frente.

A bem da Nação!
De Anónimo a 7 de Março de 2008 às 12:47
JES foi hoje ao Diário de Coimbra FM 101.7 anunciar que se recandidata. Jogou ao ataque. Deu forte nos caloteiros das quotas. Rematou com um novo director geral. Mandou recados ao empresário de Dame. Enviou indirectas a Santos. Quer continuar a ter Paciência. Diz que é o bom da fita. Prometeu que tem uma cereja para dar aos sócios… e a Charlotte já a descobriu. Quer provar?
WWW.OSEXOEACIDADE.WORDPRESS.COM
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:42
Preclaro Anónimo

Muito em conta o meu amigo.

A bem da Naçãio!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:43
Preclaro Anónimo

O que eu queria escrever era : «Muito me conta o meu amigo»

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:43
Preclaro Anónimo

O que eu queria escrever era : «Muito me conta o meu amigo»

A bem da Nação!
De Anónimo a 8 de Março de 2008 às 21:57
Com que então o amigo Fiel vai para o DN e não dizia nada?1!
De Joachim Olive Oil a 9 de Março de 2008 às 18:57
Chiça! Se assim é, quem é que eu hei-de meter no JN?...
De Alphonse Camóne a 9 de Março de 2008 às 19:05
Ora, patrão, um passo de cada vez, tenho uma lista de espera muito grande e o patrão vai ter de desapertar os cordões à bolsa...
De Johnny Marciano a 9 de Março de 2008 às 19:09
Camóne, Camóne, eu é que sou o presidente da junta. Abaixo de si, patrão, estou pronto para ser o seu caddie na Penha Longa!
De Manolo El Tavarez a 9 de Março de 2008 às 19:13
Marciano, deixa-te ficar quietinho, porque cá em cima eu é que sou o presidente da junta, carago! Isto aqui não é para mouros, excepto o patrão que não é bem mouro, embora esteja aí por baixo apenas por ser o homem com ó muito mais grandes que os nossos ós todos juntos, porque é um grande patrão!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:51
Preclaro Manolo El Tavarez

Si vis pacem, para bellum.

A Bem da Nação!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:50
Preclaro Johnny Marciano

Sic transit gloria mundi.

A bem da Nação!

De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:48
Preclaro Alphonse Camóne

In hoc signo vinces.

A Bem da Nação!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:46
Preclaro Joachim Olive Oil

Deus ex machina.

A Bem da Nação!
De Joe Milk Pair a 12 de Março de 2008 às 20:13
Fugit irreparabile tempus.
De Jorge Fiel a 14 de Março de 2008 às 08:22
Preclaro Joe Mil Pair

Alea jacta est.

A Bem da Nação!
De Jorge Fiel a 12 de Março de 2008 às 19:45
Preclaro Anónimo

Cogito, ergo sum.

A bem da Nação

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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