Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

As minhas contribuições para um Mundo perfeito Parte III subidas e descidas

 

A existência de subidas – estou a referir-me, por exemplo, à subida para o Alto da Graça, em Lisboa, ou à da rua 31 de Janeiro, no Porto (para já não falar da Rampa da Escola Normal!)  - é uma das coisas que mais me faz desconfiar seriamente de que Deus não existe.

 

Se Deus existisse - parece-me - o Mundo seria mais perfeito e por isso não teria subidas. Apenas descidas.

 

Não quero com isto defender um Mundo plano, como pretende o título do «best seller» do nosso preclaro amigo e guru Tomas Friedman, que tenho a certeza absoluta seria um frequentador assíduo da lavandaria caso dominasse a língua de Camões o que, lamentavelmente não acontece, apesar de estar disponível no mercado um curso audiovisual da Berlitz para a aprendizagem do português em nove semanas e meia (presumo que na companhia da Soraia Chaves).

 

Lisboa perderia todo o encanto sensual sem as suas sete colinas, se fosse tão rasa, tão rasa que saísse ao pai, como Amesterdão.

 

O que eu preconizo é um Mundo com descidas mas sem subidas, um objectivo que acredito estar fora do alcance da mão e cérebro humanos.

 

O Homem foi capaz de inventar a roda, o telemóvel, a penicilina e o formidável conceito de férias pagas. Muito provavelmente descobrirá a cura contra o cancro e como evitar a queda do cabelo e parar o envelhecimento.

 

Mas acho que está muito para além da capacidade das nossas célulazinhas cinzentas solucionar a equação da inevitabilidade de que o que se desce agora se subirá depois - e vice versa.

 

Penso que esta inevitabilidade é o prolongamento topográfico do dostoeivskiano principio do castigo que pune o crime e, ainda, uma outra possibilidade de declinação prática do sábio provérbio anglo-saxónico «no pain no gain», que poderá ser liberalmente vertido para a nossa língua com o seguinte enunciado: a única coisa que cai do céu é a chuva, se queres dinheiro ou engatar uma gaja tens de te atirar para o chão (sinónimo de «te esforçares seriamente») para o conseguir.

 

Só uma mão divina poderia substituir todos os elevadores da Bica ou da Glória, ou funiculares de Guindais desta vida, na urgente e premente tarefa de exterminar as íngremes subidas que tornam mais difícil e penosa a nossa passagem por este Mundo.

música: Spinning wheel, Blood Sweat & Tears
publicado por Jorge Fiel às 13:03
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61 comentários:
De Com tranquilidade a 15 de Janeiro de 2008 às 13:22
Caro JF

E o mais complicado é que há quem tenha que "subir na vida por uma corda" encontrando sempre um "amigo" que, "carinhosamente" lhe dá um pontapé na mão.

Comparadas com esta "subida" as outras são mero exercício.
De Jorge Fiel a 15 de Janeiro de 2008 às 13:29
Preclaro Com Tranquilidade

A pulhice humana não tem limites.

Sei perfeitamente do que fala.

A Bem da Nação!
De Bicudinha a 15 de Janeiro de 2008 às 14:05
Preclaro!
Neste caso, nao posso dizer q m pareça c menina da foto, ou começo a fugir à verdade...
fiquei foi sem perceber se prefere as loiras ou as morenas? a temperatura já sei, li o post!
a parte do apixonar, até concordo, se for em sentido metafísico, ou seja, é quase impossivel nao nos apaixonarmos (nem que seja apenas um cadito!) por almas q nos conseguem quase sempre fazer rir!! é o caso...;)
e depois...há ainda esta capacidade que tem de esconder opiniões brilhantes nas entrelinhas...tipo, quando fala de subidas!
lamento nao poder participar de igual para igual... rsrsrs...
de qq modo, coragem...há sempre alguém q nos ajuda nas subidas...as torna divertidas...e nos faz vontade de subir...e subir...e subir!

adorei q m tivesse esclarecido sobre origem da minha sósia...já confidenciei que adoro esse tom didáctico que tem para cmg?! ;)

beijinhos...
De Jorge Fiel a 15 de Janeiro de 2008 às 14:49
Preclara Bicudinha

Adoro tentar ser didático. Deve ter a ver com o facto de nunca ter sido professor e de ter o sonho secreto (bem, agora já deixou de ser secreto) de dar aulas de jornalismo.

Esta moça, que se chama Paulette e é desenhada também por um francês (G Pichard - As Aventuras de Paulette», de Wolinski e Pichard, Editorial Presença) é um boazona.

Mama farta, cheia de curvas, olhos grandes, ar libidinosa - cheira a cama e respira (e transpira) a sexo.

A de ontem era virginal. Apetecia namorá-la, fazer-lhes festinhas na cara, segredar-lhe nomes ternos, andar de mão dada com ela nas margens do Sena.

Gosto das duas! Gostarmos de carne não quer dizer que não apreciemos peixe.

A bem da Nação!
De Bicudinha a 15 de Janeiro de 2008 às 15:01
Prometo que regresso aos bancos da escola...
Meu caro, concretize esse sonho de dar aulas de jornalismo e volto a tirar um curso. Cursos de Jornalismo nunca sao em demasia no nosso CV... ;)
Depois da descrição que fez da Paulette...bem... já me consigo reconnhecer (nao visualmente) em alguns aspectos!
e ainda quer goste das duas... tem que ter uma prefrerência...ainda que ao de leve...
P.S. - O guru anda procura de emprego...eu de tantas vezes que cá venho, ainda perco o meu... mas quem sabe não seria esse o prologo de uma linda história...
aguardo expectante desenvolvimentos! ;P
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:03
Preclara Bicudinha

Veja lá no que se mete... :-)

Preserve bem o seu emprego!

A bem da Nação
De Bicudinha a 16 de Janeiro de 2008 às 15:19
Guru:
Tal como a maioria dos homens... decepcionou-me!!
Tanto tempo à espera de uma resposta palpitante e...sai-se com esta?! Bahhhh....
Inspire-se! a bem da nação... :)
De Jorge Fiel a 17 de Janeiro de 2008 às 17:58
Preclara Bicufinha

Eu na realidade, por de trás de todo este paleio, não passo de um rapaz tímido e desinspirado.

A bem da Nação!
De Gelamonite 33 a 15 de Janeiro de 2008 às 14:06
Caro Jorge Fiel,

Só a dias descobri esta verdadeira pérola que é o seu blog, no entanto já não consigo passar um dia sem cá vir, que continue assim por muito tempo e felicidades para o seu autor.
De Jorge Fiel a 15 de Janeiro de 2008 às 14:42
Preclaro/a Gelamonite

Pérola é uma palavra muito bonita. Fiquei com o rabo a dar a dar mal a li :-)

Pois seja muito bem vindo/a a esta lavandaria!

A Bem da Nação!
De BOCAS a 15 de Janeiro de 2008 às 16:01
Caro Jorge Fiel,

Ainda não o entendi !!! Porque quer só descidas ???
Pois olhe, quero lá saber das subidas, mesmo a Rampa da Escola Normal !!! , para chegar à Paulete (Boazona), até subo a pulso a Torre Eiffel !!!!!
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:05
Preclaro Bocas

Subir a pulso a Torre Eiffel parece-me um esforço desmesurado receber a Paulette como prémio.

A Bem da Nação!
De Abobrinha a 15 de Janeiro de 2008 às 18:35
Guru

Isto está muito fraco! Olhe que fazer comentários a este seu post está difícil, que ele está muito fraquinho! Só uma mente simples consegue javardar com um tema destes.

Por isso remeto-o para o meu post sobre o verdadeiro post da Simone de Beauvoir. Tem à escolha o "unplugged" e o que sofreu uma operação de marketing. Ao contrário de muita gente do jet set, a intervenção deixou este último igual ou mesmo melhor que o original.

Gostei sim do seu post na bússola. Estou a ver que lhe ficou o gosto (salvo seja) pelas cagadeiras do tempo da Faculdade! Também tenho um post acerca disso (mais ou menos), mas tem que perder 3 minutos da sua vida.

Quer-me parecer que vai ter que ler o meu blogue de fio a pavio (comentários inlcuídos) para se inspirar.
É que isto está mesmo mau! O pior é que EU vou ter que ler o meu meu blogue para me inspirar: ando pouco inspirada!

Mas estou a considerar um post sobre as vantagens dos homens casados.
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:07
Chérie Abobrinha

O que eu quero é semear discórdias e provocar desordens. Sou um agitador!

A Bem da Nação!
De Abobrinha a 17 de Janeiro de 2008 às 09:04
Guru

Precisamente por respeito a esse seu lado agitador que eu tanto conheço e aprecio é que o estou a incentivar a "deslargar" este tipo de comentários pseudo-intelectualoides e/ou filosofoides (mmm... esta palavra tem muito potencial!) e se dedique aos verdadeiros. Depois pode alternar (excelente palavra) com estes.

Azar do carago, ando com falta de tempo para o provocar. Não sei com o que é que ando ocupada ultimamente, mas ando! É mau! E bom ao mesmo tempo.

O meu blogue é menos participado que este, mas ando a fazer colecção de trolls. E não, não são bonecos: são agitadores. Estou a arranjar maneira de responder a um deles neste momento. Pode ser pouco participado o meu blogue, mas é mais divertido e não tem tontinhas apaixonadas (o que é uma pena, porque o tema "fufas" está muito em baixo. Murcho até).

z74ea55
De Jorge Fiel a 17 de Janeiro de 2008 às 18:01
Chérie Abobrinha

Murcho é uma palavra horrível. Há um novo colunista do Público com esse apelido.

Fiqui um tudo nada deprimido com o último filme do Woody Allen.

Vou seguir o seu conselho e alternar. Entre mamas e contribuições para um Mundo perfeito!

A bem da Nação!
De Abobrinha a 15 de Janeiro de 2008 às 18:39
Guru

Esta gaja da ilustração está a chorar ou é desastrada com a maquilhagem? Ou está a acabar de acordar? É que toda a gente sabe que não se dorme com maquilhagem (nem com lentes de contacto).

Ou seja, pode ser "sex on legs", mas é burra que nem um cepo! Independentemente disso, não é só descidas...
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:08
Chérie Abobrinha

Não diga mal da Paulette, que é uma moça abastada...

A Bem da Nação!
De farfalho, o maltês a 15 de Janeiro de 2008 às 20:51
Como disse anteriormente este fiel é um infeliz.

E pelo motivo que referi na altura.

Falta de kekar há mais de um ano.

Basta reparar no que colocou na "boca" da boneca BD,
que ilustra a peça.
--------------------------

É pá, pede ao pintelho que te ensine.
ahahahahahahahahahahahahah
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:12
Preclaro Farfalho

Cito-lho falecido presidente Mao:

«Nós somos marxistas e o marxismo ensina-nos que, para abordar um problema, é necessário não partir de definições abstractas, mas sim de factos objectivos, e determinar a nossa orientação, a nossa poliica e os nossos métodos, na base da análise dos factos»

Veja lá se aprende alguma coisa comigo e om o velho Mao. Ele já morreu e eu não duro sempre.

A Bem da Nação!
De farfalho, o maltês a 16 de Janeiro de 2008 às 20:39
ahahahaha
oh infeliz,
andas de mao a Piao.

De Jorge Fiel a 17 de Janeiro de 2008 às 18:02
Preclaro Farfalho

Só lhe desejo que não leh aconteça o mesmo que ao Lin Piao.

A Bem da Nação!
De Abobrinha a 15 de Janeiro de 2008 às 23:13
Guru

Então? Ainda não mudou de post? Que seca! A boa vida está-lhe a fazer mal! Olhe que se vai viver de filosofia bem que morre à fome! Uma dietinha ainda vá que não vá, mas morrer à fome não é regime! Mas depois pense... comida indiana... comida japonesa... .... mmmm... comece a produzir, homem!
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:13
Chérie Abobrinha

Take it easy!

A Bem da Nação!
De Abobrinha a 16 de Janeiro de 2008 às 00:12
Guru

Lembrei-me dos Lusíadas:

"Oulá Veloso amigo
Aquele outeiro é milhor de decer que de subir!"

(ou assim uma coisa)

Ou seja, o que o preclaro escreve faz-me lembrar um monstro da literatura nacional. O que faz de si... o Adamastor! Não, estou a brincar: reconheço em si a mestria da lígua portuguesa, a capacidade de transformar um qualquer assunto numa história que vale a pena ser contada e lida com um humor que lhe é muito peculiar e característico e que torna a sua escrita tão reconhecível que quase é desnecessário assinar. Como qualquer grande mestre da literatura... mas em doses comestíveis de génio!

Pronto, estava a precisar de uma bajulaçãzinha, não estava? Despache-se com posts em condições antes que eu mude de ideias.

P.S. Eu não volto a bancos de escola nenhuns por si nem por mais ninguém (eu excluída, como valorozação pessoa, e jornalismo não está nos meus horizontes), mas se estiver a pensar em convidar-me para almoçar (e pagar), já é outra história. Mas aí prefiro uma cadeira.

s72qqqz
De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:14
Chérie Abobrinha

Nunca tenha medo de exagerar na bajulação. Os destinatários nunca reparam no exagero.

A Bem da Nação!
De Tia Maria a 16 de Janeiro de 2008 às 01:30
Querido JF,

Depois de tanto post ler, e preclaros `a mistura, quero lhe dizer que estou perdida com a sua lavandaria....
Todos os dias ao pq almoço entre o sumo de laranja e o pão integral com queijo tigre (que não tem hidratos de carbono) acompanhado de café com leite, sem açucar nem tabaco, espero 20m religiosamente e por norma leio os jornais on-line.
ultimamente, puxo...do meu ultimo favorito....e siga para a lavandaria....(não no sentido literal, obviamente q vou para a SUA lavandaria....)e só depois é que vem o resto..
O dia começa pois consigo!!! você imaginava?



De Jorge Fiel a 16 de Janeiro de 2008 às 15:17
Preclara Tia Maria

Correndo o risco de parecer vaidoso, devo dizer-lhe que há piores maneiras de começar um dia.

Não se esqueça de se espreguiçar com competência antes de sair da cama.

Vou ter de fazer um «post» sobre pequenos almoços.

A Bem da Nação!
De Tia Maria a 16 de Janeiro de 2008 às 01:32
Querido JF,

Depois de tanto post ler, e preclaros `a mistura, quero lhe dizer que estou perdida com a sua lavandaria....
Todos os dias ao pq almoço entre o sumo de laranja e o pão integral com queijo tigre (que não tem hidratos de carbono) acompanhado de café com leite, sem açucar nem tabaco, espero 20m religiosamente e por norma leio os jornais on-line.
ultimamente, puxo...do meu ultimo favorito....e siga para a lavandaria....(não no sentido literal, obviamente q vou para a SUA lavandaria....)e só depois é que vem o resto..
O dia começa pois consigo!!! você imaginava?



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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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