Quinta-feira, 4 de Agosto de 2011

Fui declarado inimigo público do 19º mais poderoso

 

Ė oficial. Fui declarado inimigo público do 19º mais poderoso do nosso país, que é José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) de acordo com o ranking de 2011, elaborado pelo Jornal de Negócios.

Como não tenho segredos para as preclaras e os preclaros, vou imediatamente por-vos ao corrente de como tudo aconteceu.

Há coisa de um meia dúzia de anos, andava eu a editar a Economia do Expresso, quando um dia,  sensivelmente a meio da tarde, o meu colega Pedro Lima desembarcou na Redacção do jornal, em Paço de Arcos, vindo de Lisboa, onde tinha estava na apresentação de resultados do BESI.

Perguntado sobre como tinha corrido o serviço, esclareceu-me que perante o espanto de todos os jornalistas presentes, Ricciardi, no final do encontro, tinha de uma forma bastante descontraído revelado pormenores acerca das negociações em curso da compra à PT do grupo Lusomundo pelo grupo de Joaquim Oliveira.

Anotei a informação com uma Muji roxa (0,5mm) no meu caderno de notas Clairefontaine quadriculado (9x14 cm, 192 págs., papel 90 gr/m²). E quinta feira, quando se tratou de escolher as figuras para os altos e baixos do caderno salmão do Expresso (sim, no entretanto  mudou não só de cor como também de carácter) resolvi por Ricciardi a descer.

Justifiquei a distinção pelo facto dele "revelado a sensibilidade de um rinoceronte anestesiado" ao não guardar toda a reserva devida a propósito de um negócio em que o seu banco estava envolvido e recomendei-lhe que, se queria continuar a falar pelos cotovelos, devia deixar de ser banqueiro de investimentos e dedicar-se à stand up comedy.

A ideia que presidiu à escolha da expressão "revelou a sensibilidade de um rinoceronte anestesiado" não foi a de ofender o cavalheiro (contra quem nada me move) mas tão só a de exercer a minha mania de ser criativo e assim fugir à imagem vulgar e estafada do "actuou como um elefante numa loja de porcelanas".

Na sua edição de ontem, a propósito da publicação de mais um tomo do seu ranking dos mais poderosos, o Jornal de Negócios (grupo Cofina), dirigido por Pedro Santos Guerreiro (ele e Lucy Kellaway são os dois cronistas imperdíveis na área económica), achou por bem recordar este episódio, a carta que Ricciardi enviou a Balsemão a propósito da minha pequena nota, bem como uma série de acontecimentos infelizes que se seguiram e tiveram o condão de turvar as relações entre os grupos Impresa e Espírito Santo, que felizmente já estão recompostas e com saúde para dar e vender (assim presumo)-

Recebi com um misto de orgulho e receio estas lembrança e referência que os meus preclaros amigos Pedro Santos Guerreiro e Fernando Sobral acharam por bem fazer.

Orgulho porque não é um qualquer borra botas que é elevado à categoria de inimigo de estimação do 19º mais poderoso de Portugal.

Receio porque não me parece que seja bom para o meu presente e futuro profissional ser apontado como inimigo de um poderoso em ascensão (entre o ano passado e este, Ricciardi escalou cinco lugares neste temível Tourmalet do Negócios).

Um receio elevado ao quadrado (para não escrever mesma ao cubo) pelo facto do meu patrão, Joaquim Oliveira, figurar na lista dos amigos de Ricciardi.

Posto isto, resta-me esperar que para me compensar do provável e eventual badwill desta distinção me metam, nem que seja a martelo (ou seja como penetra) na lista de amigos de um dos 18 poderosos que ainda estão por divulgar.

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publicado por Jorge Fiel às 12:05
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Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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