Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Critica ao regimento prisional: Doze quecas em três horas é uma proeza que não está ao alcance de toda a gente

Agora está tudo muito regulamentado. Um preso já sabe com o que conta quando vai dentro. É como na tropa com as NEP. Deixou de ser à balda. Passou a haver regras.

É sempre melhor haver regras, apesar do perigo da regulamentação ser um tudonada ser excessiva. Para poder iniciar, na estrita observância da legalidade, uma greve de fome, preso dietista tem preencher previamente um formulário e aguardar o seu diferimento superior.

Pior é com as quecas. Apesar de ser reconhecido, em tese, o direito ao sexo da população prisional, o regimento limita o seu exercício de uma maneira que qualifico de muito pouco democrática.

Para começar, o/a preso/a tem de estar casado/a com a visita ou, em alternativa, demonstrar que mantém com ela uma relação estável, o que obriga logo a 12 meses a seco, pois a prova tem de ser feita durante um ano de visitas e correspondência regulares.

Esta parte do articulado parece-me de carácter nitidamente fascista já que não só priva  o/a detido/a do direito inalienável à facadinha no matrimónio e/ou à aventura ocasional como, ainda por cima, o deixa-o nas mãos de um parceiro/a sem coração que após 364 dias de visitinhas e cartinhas pode ameaçar romper a relação.

Depois há a periodicidade. Uma vez por mês. Muito pouco. Lembro que o reputado Wilhelm Reich (discípulo de Freud), na sua obra seminal Combate Sexual da Juventude, estipulava as três quecas por semana como o mínimo para um estilo de vida saudável.

Claro que os presos terão doravante à sua disposição três horas regulamentares para darem conta do recado, o que lhes até lhes permite optar pelo sexo tântrico ou por várias quecas sucessivas – mas só estará ao alcance de grandes atletas a façanha de cumprir em 180 minutos as 12 quecas mensais prescritas pelo bom e escrupuloso dr Reich.

O facto de ser aconselhada a marcação para dias úteis das sessões de sexo constitui, a meu ver, um inadmissível ataque ao livre exercício da queca prisional por parte do pessoal que ainda não está no desemprego.

Já a componente logística – o/a parceira tem de trazer os lençóis de casa e levá-los para lavar; a prisão fornece preservativos e produtos para a limpeza das instalações no final das hostilidades   - não me merece reparo de maior.

Em jeito de conclusão, saúdo o esforço de regulamentação, mas critico duramente os excessos burocráticos e a severidade do disposto, pelo que recomendo a aplicação urgente e imediata do Simplex ao novo regime da vida nas prisões.

música: I want to hold your hand, Beatles
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publicado por Jorge Fiel às 20:09
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Cabinas telefónicas que, na realidade, são urinóis?

Tripledeckers em Londres? Taxistas cegos que exigem aos passageiros que sejam os seus olhos e ouvidos, avisando-os quando devem travar, parar ou virar à direita? O malévolo malfeitor Olrik instalado no nº 10 de Downing Street e noivo da jovem rainha Isabel? Urinóis que, na verdade, são cabinas telefónicas (e vice-versa)? Winston Churchill na pele de um oposicionista cujas acções espectaculares são reivindicadas por um auto-intitulado Justiceiro Britânico?

Este é o sinistro e aterrador cenário da capital inglesa, no início dos anos 50, com que Philip e Francis se deparam em “Le Piège Machiavelique”, o impagável 2º tomo do pastiche da dupla Veys/Barral às memoráveis aventuras de Blake e Mortimer, saídas da imaginação e da mão de EP Jacobs.

Esta aventura, que acabo de ler em pré-publicação no L’Immanquable (uma nova revista de BD franco-belga que recomendo vivamente), é uma piscadela de olhos à “Armadilha Diabólica” onde Blake e Mortimer viajam verticalmente no tempo.  

Neste bem humorado pastiche, Philip e Francis viajam horizontalmente. Não andam para trás e para a frente no tempo. Visitam antes um mundo paralelo, uma espécie de bifurcação do nosso, habitado pelas mesmas pessoas, mas com papéis e hábitos diferentes.

Uma leitura que me pôs a sonhar com a hipótese de viver num mundo, paralelo ou futuro, em que o poder da imaginação desse lugar à imaginação no poder!

música: À l'envers, Louise Attaque
publicado por Jorge Fiel às 19:49
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Dentro do prazo de validade mas já fora da garantia

 

“Ainda está no prazo de validade, mas já não está dentro da garantia”. Foi a melhor resposta que ouvi na semana passada – e logo em stereo.

Já algum tempo que o passe do Metro de Lisboa me andava a deixar ficar mal, não abrindo as portas à primeira (e não raro nem à segunda, nem a terceira, nem à quarta), transformando-me numa espécie de íman involuntário do desagradado dos passageiros apressados, obrigados a fazerem fila atrás de mim.

Quarta feira, por volta da hora do almoço, no Rato, tive a sorte de apanhar uma menina fardada no cubículo do Metro e dei-lhe para a mão o meu passe e contei-lhe as minhas desgraças (não todas, apenas as relacionadas com a deficiência daquele cartão). 

 “Ainda está no prazo de validade, mas já não está dentro da garantia”, respondeu-me ela depois de ter examinado atentamente o meu passe Lisboa Viva e antes de me recomendar que fosse à Avenida ou ao Campo Pequeno, pois nessas estações arranjavam-me um passe novo de um dia para o outro.

“Ainda está no prazo de validade, mas já não está dentro da garantia”, disse-me o jovem cavalheiro do balcão do Metro do Campo Pequeno (resolvi manter-me na linha amarela) depois de lhe ter apresentado o meu passe e antes de me dar o formulário para pedir um novo.

Não foi preciso entregar nova fotografia (se bem que talvez eu tivesse alguma vantagem nisso…) apenas pagar 12 euros – presumo que o custo do cartão já não estar na garantia, apesar de ainda estar dentro do prazo de validade.

Foi assim que, na semana passada, dei o meu modesto contributo para atenuar o monstruoso défice da Carris e fiquei a pensar se aquela resposta do prazo da validade e da garantia do cartão Lisboa por acaso também não se aplicará a mim...

música: The gathering, Kathryn Tickell
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publicado por Jorge Fiel às 12:42
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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