Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Um bocado de vida real em Queensway

O serviço postal em Inglaterra foi privatizado, o que explica várias coisas, como o facto das estações do Post Office serem muito mais rafeiras do que as nossas (do ponto de vista gráfico e estético) mas com um atendimento muito mais rápido e eficaz.

Entrei no Post Office de Queensway animado do propósito de comprar selos e fui logo atendido, não sendo necessário munir-me previamente de um número numa maquineta coscuvilheira que quer saber ao que vamos e nos penaliza se escolhermos a opção Atendimento Geral.

“E para Inglaterra? Tem a certeza de que não quer selos para Inglaterra?”, perguntou num misto de esperança e gentileza o jovem cavalheiro que me atendeu, após eu ter solicitado cinco selos para postais ilustrados destinados aos States e oito para a Europa.

Em Queensway há de tudo, incluindo uma farmácia da Boots, pegada ao Post Office, onde entrei para adquirir uma caixa de aspirinas, tarefa aparentemente simples mas que foi dificultada pela largueza da oferta. Havia todo o tipo de aspirina (menos as da Bayer, o que não ajudou na escolha) desde os 16 p. até caixas com preço marcado superior a três libras. Optei pela marca da casa: uma dúzia de pastilhas por 39 p.

O shopping center Whiteley, reconhecível ao longe pela sua elegante cúpula, é uma das atracções de Queensway. Considerado o mais antigo centro comercial do Mundo (em 2011 comemora o seu centenário), o Whiteley foi alvo de recente remodelação e tem um ar chique, com lojas bonitas e modernas – uma Muji onde adquirir canetas verde escuro (que não havia na Muji de Covent Garden), uma perfumaria que estava a fazer saldos violentos (onde as meninas arejaram os Visa) e uma livraria que oferecia livros ao desbarato por estar em liquidação. Como mais tarde tive ocasião de confirmar, em Londres a vida não está de feição para as livrarias.

Queensway, início da tarde de 5 Dezembro 2009

música: Immigrant song, Led Zeppelin
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

S-P=X, sendo que X > Y

Aquela velha história dos chineses usarem o mesmo ideograma para representarcrise e oportunidade aplica-se como uma luva às consequências do thatcherismo nas vidas de raparigas portuguesas – como a Eunice (nome fictício), que foi minha senhoria durante uma semana algures em meados dos anos 90 -  que foram para Londres trabalhar au pair e que por aqui ancoraram depois de se terem casado com gregos, madeirenses ou espanhóis.

A fúria privatizadora do thatcherismo obrigou as nossas compatriotas a adquirirem a preço de saldo as casas (basements floors em Porchester Gardens, nas imediações de Queensway, ou andares em projects para os lados de Regent’s Park), ainda para mais com um seguro jeitoso a acautelar a hipótese de serem lançadas para o desemprego.

A Eunice e restantes moças fizeram aquilo que o Guterres tinha dificuldade em fazer e concluíram que era um disparate acabado continuarem empregadas, pois teriam mais dinheiro no bolso e tempo para gozarem a vidinha se fossem despedidas, uma vez que o seguro pagava a prestação do mortgage.

Dito por outras palavras, fizeram as contas e espreitaram uma enorme janela de oportunidade.  S (salário) – P (prestação do crédito a habitação) = X, sendo que X era menor que Y (subsidio de desemprego). Como agravante podiam engordar o Y alugando as casas ao dias ou à semana a turistas, recolhendo-se durante esse período em casa de outras amigas ex-au pair.       

Além de merecer a minha admiração pela sua simplicidade desarmante este esquema permitia aos turistas beneficiar de alojamento barato em Londres, com o conforto de poder fazer refeições em casa  - o que além de cómodo induz poupanças suplementares. Tenho muita pena de ter perdido o contacto deste rede. Se, por acaso, alguma preclara ou preclaro souber do paradeiro destas moças, terá provado que o mundo é efectivamente pequeno – e pode fazer-me o favor de me enviar as respectivas coordenadas delas.

Queensway, início da tarde de 5 Dezembro 2009

música: Black dog, Led Zeppelin
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

A Eunice foi de mini-saia ao concerto dos Osibisa em Crystal Palace onde se fartou de fumar erva

O Pub Alfred, na esquina de Queensway com Porchester Gardens

Nos idos de 1975, Londres e um trabalho au pair eram uma Meca para as raparigas da Europa do Sul. Eunice e uma data de portuguesas espreitaram esta oportunidade para bazarem de casa dos pais e mudarem de ares. Tudo leva a crer que fizeram bem.

Vieram para Londres, instalaram-se em casas de famílias da classe média com um estatuto misto de hóspedes e de criadas, mas com tarefas aligeiradas, que compreendiam na maior parte das vezes baby sitting mas podiam também alargar-se às limpezas, sem exclusão garantida das casas de banho.

Nas folgas e restantes tempos livres, as moçoilas viveram os restos da libertinagem hippie dos anos 60. Usaram collants de todas as cores do arco íris debaixo de mini-saias muito mini (Longa vida à Mary Quant, a humanidade deve-te muito, minha adorável tarada!). Fumaram erva em concertos dos Osibisa em Crystal Palace. Roçaram quase até ao ponto de constituírem família a dançar ao som de Lola (Kinks) ou Nights in White Satin (Moody Blues) em discotecas do Soho. Roubaram roupa nas lojas de Carnaby Street. E, finalmente, deixaram de ser au pair, casaram-se com gregos, madeirenses ou espanhóis que conheceram após terem bebido a terceira pint de Red Watney (uma bitter que já não se fabrica), foram viver para casas municipais (basement floors perto de Queensway ou andares em projects perto do London Zoo), arranjaram trabalho, divorciaram-se (umas a tempo, ou seja antes de terem filhos, outras nem por isso) e recomeçaram a vida na altura em que a família Thatcher se mudou para o 10 de Downing Street.

Queensway, fim da manhã de 5 Dezembro 2009

música: Stairway to heaven, Led Zeppelin
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Onde se fala de raparigas nórdicas au pair, de pele leitosa, pernas longas, mamas firmes com bicos XL

Entrada da estação de metro Bayswater, em Queensway

Estive uma vez aboletado num basement floor, localizado nas imediações de Queensway, e gostei muito do local. Para começar a acessibilidade é óptima, já que a rua está servida com duas estações de metro (Queensway, da Central Line, e  Bayswater, das Circle e District Line). Depois fica junto a Bayswater, onde estão sempre a passar autocarros. E do outro lado da rua fica o Hyde Park.  Do ponto de vista geo-estratégico, é difícil pedir melhor.

Acredito que o Palácio de Buckingham ofereça um nível de conforto consideravelmente superior à cave da Eunice (nome suposto), uma portuguesa emigrada em Londres que arredondava o subsídio de desemprego alugando o seu próprio apartamento à semana ou ao dia.

O problema é que para comprar a Bola, jantar moussaka, comprar shampoo Head & Shoulders no Boots, ou meter uma carta no correio, a rainha Isabel ou o princípe Carlos têm de se meter num carro ou incomodar os serviçais, enquanto eu, instalado no basement floor da Eunice, tinha tudo isso a uma walking distance, em Queensway.

Perdi o contacto da Eunice e tenho pena, porque ela fazia parte de um esquema bem agradável, que vou tentar resumir. Pouco depois do 25 de Abril, uma data de raparigas adolescentes, que tinham acabado o liceu e andavam com as hormonas aos saltos, aproveitaram os ventos de liberdade que assolaram os lares portugueses para, com a bênção paterna viajarem a Londres, e trabalharem au pair.

O trabalho au pair ainda existe se bem que presumo esteja em vias de extinção. Nenhuma mulher inglesa (e a Inglaterra era o centro de gravidade do Mundo au pair), amatronada após ter dado à luz vários rebentos, está, nos tempos que correm, disposta a sofrer dentro de portas a concorrência desleal de uma saudável e desinibida adolescente nórdica, a tentar o marido com a sua pele leitosa, pernas longas isentas de celulite e mamas firmes com bicos XL.

Queensway, fim da manhã de 5 Dezembro 2009

música: Whola lotta love, Led Zeppelin
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

De como a Queensway demonstra a tese de que Londres é a cidade mais cosmopolita do mundo

Visto e revisto o mercado de Portobello, apanhámos o autocarro e fomos até Queensway, que, com toda a certeza, está ainda mais diferente do que o dia da noite do tempo em que ganhou direito ao nome por ser um dos locais preferidos de passeio da rainha.

Se por daqueles acasos funestos em que a vida é fértil, a Vitória, esse velho estafermo, ressuscitasse, dava-lhe logo uma travadinha e ia outra vez desta para melhor ao ver no que se transformou Queensway, uma rua que serve de demonstração da tese de que Londres é, provavelmente a cidade mais cosmopolita do Mundo – e desde já advirto que o uso do advérbio de modo é tão só um exercício de prudência (normal num gajo que já dobrou o cabo dos 50) aliado a uma tentativa de piscadela de olhos de cumplicidade e citação da frase do mais célebre e bem conseguido anúncio da Carlsberg.

Queensway, com as suas lojas e restaurantes de árabes, marroquinos, gregos, chineses, indianos, paquistaneses and so on é o melting pot propriamente dito.

Não é impossível que neste preciso momento tenham a seguinte interrogação a agitar as vossas gentis e preciosas cabecinhas.: “Este tipo está aqui a dizer que Londres é, provavelmente,  a cidade mais cosmopolita do Mundo. E Nova Iorque? Será que ele se esqueceu de Nova Iorque?”.

Ao que eu respondo: Não, não me esqueci de Nova Iorque. Só que em Nova Iorque vigora um cosmopolitismo em regime de apartheid.

Os chineses estão em Chinatown e em toda a parte, como Deus Nosso Senhor; os italianos sabe-se lá por onde andam (se não os descobrir pode sempre ver, de enfiada, no DVD a saga Godfather, que fica a ganhar) porque Little Italy foi vítima de uma espécie de Anchluss cometido pelos cidadãos oriundos da People Republic of China; o essencial dos judeus já há muito trocaram as enxovias do Lower East Side pelas salas climatizadas das administrações dos bancos de negócio de Wall Street; os pretos prosseguem o êxodo para Norte do paralelo formado pela rua 120; os hispânicos estão acantonados no Bronx, os coreanos em Little Korea e com enclaves/embaixadas do tipo Gibraltar espalhadas por todos os boroughs que assumem a forma de lojas de conveniência que vendem tudo 24 horas por dia e sete dias por semana; as churrascarias brasileiras de rodízio moram na 46 St, enganadoramente baptizada Little Portugal; os tugas e brazucas atravessaram o rio e partilham a Ferry St em Newark (pronunciar nuâque)  -  e assim sucessivamente.

Em contraste com esta compartimentada organização norte americana, em Londres é tudo ao monte e fé em Deus. Queensway é a demonstração desta minha tese.

Queensway, fim da manhã de 5 Dezembro 2009

música: Good times bad times, Led Zeppelin
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

A Alice é sexy e põe-me a cabeça a andar à roda

 

A Alice’s é, sem sombra de dúvidas, a mais sexy de todas as lojas da longa Portobello Road. É, por isso, aquela em que eu mais facilmente poderia perder a cabeça, pondo a arejar de forma excessiva e libertina o meu Visa Universo, se não se desse o caso de o facto de estar a viajar na Ryanair me impedir de entrar em órbita.

Esta reflexão leva-me um pouco mais longe (mas ainda dentro dos limites de Notting Hill), ou seja a concluir que a política ultra restritiva de transporte de bagagem e definida pela low cost irlandesa tem o efeito secundário e benéfico de temperar (para não dizer mesmo travar) as nossas despesas em viagem.

Irlandês, Michael O’Leary também podia ser escocês devido ao curioso efeito dissuasor do consumismo das draconianas regras que regem o transportes de bagagem na sua companhia aérea.

Já agora, e de qualquer maneira, recomendo a toda a gente - independentemente do sexo, obediência sexual ou clubística, opinião sobre a Manuela Moura Guedes ou companhia aérea em que viajou  -uma visita à Alice’s, uma loja onde está disponível todo o tipo de tralha que apetece logo levar para casa e que tem uma especialização em belíssimos trabalhos em madeira, muitos deles em relevo, de tamanho variado.

Em tempos idos comprei na Alice’s a placa de madeira  publicitária à cerveja Courage que fecha este post e está num canto de uma parede da minha cozinha. Se quiser decorar um pub com motivos english style, não perca tempo –a Alice’s é a Meca, o sítio certo para ir.

 

Alice’s

www.alicesportobello.co.uk

Portobello, manhã de 5 Dezembro 2009

música: To share our love. The Moody Blues
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Como um porco a assar aqueceu a minha alma portuguesa numa manhã fria em Portobello Road

Os espanhóis têm a paelha e as tapas. Os italianos têm as pizzas e as pastas. Os alemães têm as salsichas, as chucrutes e a cerveja. Os franceses têm os queijos, os vinhos, os patés  - e a marca registada do bom gosto. Os belgas têm as moules e as frites. Os americanos têm os hamburgers. Os mexicanos têm os tacos e nachos. OS chineses têm o pato à Pequim, o chao min e o chop suey. Os gregos têm as mussakas, os souvlakis e os iogurtes.  Os brasileiros têm o churrasco, a feijoada e os bobós (sim, nunca esquecer esses, que se bem feitos, podem-nos transportar até ao céu).

E nós, portugueses, temos um série de coisas deliciosas, como a febra de porco, o bolinho de bacalhau  e o pastel de nata  (só para citar três exemplos) e nunca tirámos o devido partido disso para estabelecer elevadas  credenciais, a nível internacional, para a cozinha portuguesa.

Com excepção do Nando – que seja ele quem for já mereceu mil  vezes mais do que a Leonor Pinhão (só para citar um exemplo entre milhares de idiotas que poluem a lista de agraciados com as nossas ordens honoríficas), receber uma condecoração no 10 de Junho, pelos serviços prestados ao frango no churrasco, com  muito piri piri -  não conheço nenhum cadeia de restauração com visibilidade internacional que divulgue  e torne acessível aos palatos estrangeiros os mais valorosos produtos da nossa gastronomia.

Vem este lamento a propósito do calorzinho que aqueceu a minha alma quando, a meio do nosso passeio de sábado de manhã por Portobello, deparamos com o imenso sucesso que dois nossos compatriotas estavam a fazer, alimentando condignamente os turistas esfomeados.

No back office, mas à vista de toda a gente, o pai (tirando obviamente partido de não haver ASAE em Inglaterra) desmontava alegremente um porco que rodava a assar, cortando fêveras que a filha, no front office, acondicionava dentro de um pão, com salada (alface e tomate), e vendia, acompanhadas de suculentos side dishes já preparados - como rissóis, bolinhos de bacalhau e o incontornável pastel de nata.

Portobello, manhã de 5 Dezembro 2009

música: If not for you, Bob Dylan
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Excuse me, sorry, how much does it cost?

Não tem que saber. Sábado de manhã em Londres é sinónimo de Portobello. O tempo ajudava, pois ameaçava chover, mas a ameaça não se concretizava.

Andar à superfície, de autocarro, é melhor do que de metro, mas resolvemos não complicar uma viagem que seria mais rápida e simples se feita debaixo de terra. Quando as coisas parecem complicadas, o metro simplifica. Tube para Notting Hill. Apanhamos em Aldgate a District Line (verde) e mudamos em South Kensington para a Circle (amarela).

Portobello é um mercado muito simpático, apesar de implicar passarmos a manhã aos encontrões, a evitar perdermo-nos uns dos outros (éramos quatro, duas meninas e dois rapazes) e a repetir três frases: “excuse me”, “sorry” e “how much does it cost?” .

Começamos laboriosa e metodicamente a preencher a nossa lista de prendas de Natal: Uma bola de cabedal para treinar boxe (Funano) , uma lupa com um cabo bem bonito (Titi), uma camisola Drogba do Chelsea (Rapaz) e uma  t shirt dos Simpson (Pedro).

Demos ainda uma espreitadela à recomendável Books for Cooks, uma livraria especializada em gastronomia que em foi recomendada pela chef Mafalda Pinto Leite que já trabalhou aqui quando viveu em Londres.

O conceito da Book for Cooks é aliar a teoria à prática. Ao fundo da livraria há uma cozinha e umas duas ou três mesas, onde diariamente se podem apreciar o resultado final de receitas de um dos livros à venda.

Se não se desse o caso de ter armazenadas no saco as sandes de fiambre e de rosbife, confeccionadas ao pequeno almoço, certamente teria provado o goulash e empada  que eram o prato do dia nesta livraria que fica numa perpendicular de Portobello (4 Blenheim Crescent).  

Portobello, manhã de 5 Dezembro 2009

música: Window, Fiona Apple
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Quem vai ao mar avia-se em terra

Aspecto das sandes antes de marcharem para a lancheira

Apesar de não estar incluído no preço, experimentamos o pequeno almoço no hotel e ficamos fregueses.

Por 6,75 libras por cabeça garantíamos não só um abundante e variado breakfast inglês, mas também víveres para aguentar durante o resto do dia, pois os tempos não estão para brincadeiras e temos de viver de acordo com as estritas e draconianas regras que regulam uma economia de guerra. Quem vai ao mar, avia-se em terra.

O formato tipo que adoptei foi consumir ao pequeno almoço, no local,  enquanto folheava o Independent (disponível gratuitamente nas suas duas versões tablóide e broadsheet), croissants (um ou dois), bastantes copos de sumo de laranja e iogurtes  (um ou dois), sepultados com várias canecas de café tipo americano (duas ou três) e um café expresso, a título de cereja em cima do bolo.

Mas antes de me entregar ao prazer de deglutir sem pressas este pequeno almoço copioso,  entregava-me ao trabalho de confeccionar sandes (normalmente quatro, duas de fiambre do tipo dinamarquês e duas de rosbife), envolvidas em guardanapos e guardadas no saco, para ir consumindo ao longo do dia, juntamente com as maçãs  - daquelas muito verdes e um pouco ácidas, que agora não me lembro do  nome (são aquelas que os Beatles usaram para logo da sua etiqueta Apple) -  rapinadas do cesto de fruta do bufete (dias houve em que também marcharam bananas, devo confessar) .

Estou mesmo convencido de que a ideia subjacente aos pequenos almoços bufete nos hotéis para pelintras (ou seja de três estrelas para baixo) é mesmo essa – a de abastecer a freguesia para o resto do dia.

East End, pequeno almoço de sábado, 5 Dezembro 2009

música: Red red red, Fiona Apple
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Nunca acreditei em trezes no Totobola, no vigésimo premiado ou no jackpot do Euromilhões

 Aspecto da mesa do quarto 444 ao final do primeiro dia

Gosto muito daquela frase que nos lembra que o único sítio onde o sucesso aparece antes do trabalho é no dicionário. Como agravante é verdadeira. Nunca acreditei em trezes no Tobolola, no vigésimo premiado ou no jackpot do Euromilhões.

Ao longo da vida paguei sempre com chatices e trabalho a esmagadora maioria das coisas boas de que usufrui. É por isso que também gosto muito da mais célebre das frases proferidas pelo palmelão Octávio: “Trabalho muito trabalho”.

Vem este elogio do trabalho a propósito de que umas boas férias numa cidade  exigem o trabalho metódico de todos os dias, ao acordar, planear cuidadosamente o que se vai fazer, escolhendo rotas, verificando horários, confirmando as informações nos guias.

Para esta viagem usei uma edição antiga do guia DK (que ainda não inclui referências à Tate Modern, ao Pepino da Swiss Re e ao Testículo de Vidro, que fica do outro lado do rio e é usado pelos serviços da câmara, presidida pelo Mayor Boris) e uma mais moderna do Time Out, complementada pelos panfletos que vou reunindo por todos os escritórios de turismo onde passo.

Munido de óculos de leitura, começo o dia por volta das sete am, anotando em folhas A4 dobradas os percursos a seguir, bem como um detalhado plano de transportes. Além destas notas de naveação, post it amarelos judiciosamente intitulados e espalhados pelos guias permitem a consulta sempre que for necessário obter informações mais pormenorizados sobre uma igreja, pub, rua, estação ou monumento.

Nunca se esqueçam: a eficiência é a mãe da produtividade.   

East End, nascer do dia, sábado 5 Dezembro 2009

música: Choice in the matter, Aimee Mann
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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