Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Falhei uma vez mais a compra da Cruz de Guerra de Operações no Exterior na La Monnaie de Paris

Vagabundeávamos pelo Quai Conti, ao início da tarde da 3ª feira, 11 de Agosto, ainda antes do almoço (o petit dejeuner tinha sido tardio e caro) quando decidi emprestar uma dimensão pessoal à célebre afirmação de Kal Marx, no seminal 18 de Brumário de Luís Bonaparte, de que a História se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa (comédia, nalgumas traduções).

Aqui há uns anos, passeando sozinho por estas bandas, tropecei na boutique de La Monnaie de Paris e deixei-me encantar pela colorida profusão de condecorações e distinções militares disponibilizadas pela República Francesa, ao ponto de decidir adquirir uma, para usar em ocasiões mais ou menos informais (será que o concerto comemorativo de mais um aniversário da Metro do Porto na Casa da Música seria adequado?) no meu blazer azul escuro.

Como estava com tempo, fui rigoroso na escolha da condecoração usando o bom e velho critério da relação qualidade/preço, até me decidir por uma bem bonita e bastante em conta (abaixo dos 20 euros apesar de casar aparato e dignidade): uma Cruz de Guerra de Operações no Exterior, que poderia ter distinguido por exemplo, a minha heróica participação, ao lado das tropas francesas,  inglesas e israelitas, na Guerra do Suez (acho um pormenor irrelevante o detalhe de eu apenas ter quatro meses de idade quando a dita guerra deflagrou).

Aguardei pacientemente pela minha vez,  indiquei a Cruz que desejava, obtendo a resposta educada bien sûr monsieur, acompanhada do pedido singelo da exibição, se não fosse maçada, da documentação que me habilitava a usar a referida condecoração.

Passei uma vergonha,  o que valeu é que estou muito habituado a este tipo de encrencas e por isso rapidamente desandei, murmurando em minha defesa a estúpida alegação de que não fazia ideia de que era mesmo necessário ter sido oficialmente agraciado com a condecoração para poder comprar uma.

Pois este mês, decidi repetir esta tragédia, sob a forma de comédia, projecto que abortou porque esbarrei na porta fechada da boutique de La Monnaie de Paris (encerra em Agosto) quando me interrogava se o meu francês aguentava uma argumentação baseada no facto de ter sido major de um batalhão de paraquedistas na Guerra do Kosovo – e da documentação ter sido roubada de minha casa.

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Domingo, 30 de Agosto de 2009

Flanando pelo boulevard Saint Germain

Decididos a não pagar a portagem de duas horas de espera para entrar no Musée d’Orsay, mantivemos o sangue frio e, reunidos a bordo do autocarro da linha 69, rapidamente decidimos que o Plano B adequado ao início da tarde do último dia da nossa estadia em Paris (3ª feira, 11.08.09) seria flanar um bocado pelo boulevard Saint Germain – e agimos em conformidade desembarcando logo no arrêt seguinte: Solférino-Bellechase.

Boa decisão! O tempo estava primaveril - apesar de ser Verão, as condições metereológicas de que beneficiamos nesta estadia de cinco dias foram excelentes, oscilando entre o primaveril e o outonal. As esplanadas estavam cheias de gente. Nada a objectar, portanto.

No quarteirão mais chaud do boulevard, aqueles 100 metros de passeio em que se acotovelam as livrarias L’Ecume des Pages e La Hune e os cafés Flore e Deux Magots (com a boa da brasserie Lipp a espreitar convidativa, do outro lado da rua) achei que tinha chegado a hora de pagar o meu tributo à cultura francófona.

Na L’Ecume des Pages investi 10, 60 euros na compra da biografia do belga Simenon, de Pierre Assouline (col. Folio, ed. Gallimard, 1059 páginas).

Na La Hune adquiri, por seis eurinhos apenas, uma edição de bolso de  Les Chiens et Les Loups, a última obra publicada em vida pela russa Iréne Némirovsky (n. 1903, Kiev, f. 1942, Auschwitz), de quem ainda  (lamentavelmente) não li a Suite Française.

A minha ideia inicial era comprar David Golder, o seu primeiro livro cuja temática é adequada a estes tempos desgraçados pela ganância dos banqueiros (a Irène sabia do que escrevia, porque o pai e o marido eram ambos banqueiros), mas esse não estava disponível.

música: Mudar, Alexandre Garrett
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Sábado, 29 de Agosto de 2009

Fila de acesso ao Museu d'Orsay dava tantas voltas que até parecia um intestino (o grosso e o delgado)

Rever o retrato do dr Gauchet, o quarto de Van Gogh em Arles, e a igreja de Anvers-sur-Oise vale uma espera, estóica e militante, de duas horas para um tipo se munir de um bilhete de entrada no Musée d’Orsay?

A resposta a esta pergunta não é simples, porque se está a falar daquele que é o meu (e não só) museu favorito, predilecto e preferido de Paris - em particular da sala 35 onde estão expostos mais de uma dúzia de Van Goghs.

Papado o pequeno almoço (caro e tardio) de 3ªfeira, 11.08.09, no Relais de L’Hotel de Ville, voltamos a embarcar no bom e velho autocarro da linha 69 tendo como destino o Musée d’Orsay, instalado no edifício da estação ferroviária construída para a Exposição Universal de 1900 – e, por isso, a primeira obra de um museu que alberga arte (em especial pintura) do período 1848-1914.

A ideia era um raide sobre a sala Van Gogh, uma expedição de um hora, hora e meia no máximo, que muito provavelmente atingiria as duas horas pois estou em crer que não resistiria a uma dar espreitadela à mesa de cozinha e jogadores de cartas do Cezanne, que estão na sala ao lado, e levava fisgado pastar a vista do Canal de Saint-Martin, do Sisley, que está na sala 41 (ver foto).

A ideia era boa, mas ficou no tinteiro. A bicha de acesso dava tantas voltas que até parecia um intestino, o que nos desmoralizou instantaneamente, ao ponto de não chegarmos a desembarcar do 69 no arrêt Musée d’Orsay.

É evidente que a colecção do museu vale uma espera de duas horas, mas naquele dia de regresso à Pátria estávamos curtos de tempo – e apesar do museu de Orsay valer bem a espera de duas horas (e até uma missa) é 999.999 vezes preferível aplicar esse tempo no interior do museu, a admirar o que está nas paredes, do que no exterior, a ouvir a conversa das pessoas que estão próximas de nós na bicha.

O bilhete custa oito euros, o que até nem é muito se atendermos a que o pequeno almoço rafeiro no Relais de L’Hotel de Ville custou onze euros por cabeça. Estou em crer que o cartão de Press também funciona no Musée d’Orsay, mas se não funcionar é na boa que dou os oito euros. O problema é a espera.

Para desatar este nó, creio ter achado a estratégica correcta, que testarei na próxima visita a Paris. Ir à bilheteira do museu meia hora antes do encerramento (que é às 18h00, com a excepção das 5ª, em que só fecha às 21h45), quando de certeza já não há bicha - e usar o bilhete no dia seguinte. Um Ovo de Colombo, não acham?

música: Asas, GNR
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Reflexão motivada pelo pequeno almoço sobre as consequências funestas da passagem do meio dia

O meio dia divide cientifica e legalmente a manhã da tarde, mas pode ter consequências bem mais funestas do que a passagem do “Bom dia” para a “Boa tarde”, como eu tive oportunidade de comprovar no final do pequeno almoço (tardio) de terça-feira, dia 11 de Agosto de 2009, último dia da expedição a Paris, que aqui tem sido narrada com algum detalhe (porventura excessivo, mas não podia ser de outra maneira porque, como sabem todos os que me conhecem, eu também sou excessivo).

Saímos à pressa do hotel, depois de feitas e arrumadas as malas, e resolvemos ir ver a exposição do Eiffel em jejum – uma decisão absolutamente desprovida de qualquer motivação de índole religiosa, sublinhe-se a propósito.

Com os nossos conhecimentos dilatados, sentamo-nos na primeira esplanada que nos apareceu pela frente, pertencente ao café adequadamente (por motivos de ordem geográfica) denominado Relais de L’Hôtel de Ville, após o que encetamos com o empregado (o cavalheiro com ar levemente doentio que aparece na fotografia – seria gripe A?) as conversações tendentes a alimentar o nosso estômago - pois o espírito esse já tinha recebido alimento farto, gratuito e de qualidade.

Explicamos ao que íamos, declarando-nos satisfeitos com um croissant, um sumo e um café (por boca). O empregado respondeu perguntando-nos se não estaríamos interessados na formule. Indaguei se a opção  formule seria economicamente vantajosa para nós, ele disse, que sim, vai daí pedi a formule com croissant , jus de pamplemousse (toranja) - e o expressô mais aprés, un peu plus tard.

O senhor francês da fotografia esclareceu-me que o jus de pamplemousse caia fora do âmbito da formule, que só contemplava jus de orange – ao qual eu prontamente me rendi, para não causar mais problemas.

O empregado foi para dentro e voltou com a informação de que os croissants tinham acabado, mas que em alternativa, mantendo-nos ao estrito abrigo da formule, podia trazer-nos pão com manteiga – alternativa ao qual logo me rendi, sem pestanejar, para não introduzir mais areia na engrenagem que não estava muito oleada.

No seu segundo regresso, o empregado não trouxe o ambicionado pequeno almoço (tardio), mas antes uma informação horária com severas implicações inflacionistas (estou em crer que o seu compatriota Trichet o tramaria se fosse posto ao corrente deste grave episódio). Como tinha acabado de passar do meio dia (o que confirmei), deixara de ser possível servir-nos a formule – se queríamos o encomendado teria de ser à peça. Voltei a acenar a bandeira branca, precisando apenas que, uma vez que deixava de estar ao abrigo da formule então que viesse daí o sumo de toranja.

Moral desta história. Um pequeno almoço que, na versão formule, teria custado oito euros (o que já de si não é barato) ficou por 11 euros por cabeça. 

Estou muito sinceramente arrependido de não ter protestado, invocando como argumento que a hora a ter em conta pela gerência  do Relais de L’Hotel de Ville deveria ser a do início do pedido do pequeno almoço e não a do final das negociações. Mas fico-me por aqui. Assim como assim, não me parece que se justifique ajudar a entupir o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos com mais um recurso.

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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Sete coisas que aprendi sobre Gustave Eiffel

Estivemos uma boa meia hora à espera na fila, mas não nos queixamos. Valeu a pena - apesar de estarmos com a barriga vazia.

Como a entrada era gratuita, e a Mairie de Paris gosta de assegurar que as pessoas têm espaço para saborear as mostras que promove, havia bicha para entrar na exposição Gustave Eiffel, le magicien du fer, patente até amanhã no Hotel de Ville.

Feitas as malas (e arrumadas num cacifo do Ibis Bastille), iniciamos o nosso último dia em Paris com uma viagem a bordo do autocarro da linha 69 até ao Hotel de Ville, animados pelo firme objectivo de ficarmos a saber mais sobre Eiffel, numa exposição que começava por ser atractiva logo no titulo (le magicien du fer) e acabou por se revelar sexy em tudo.

Fiquei a saber uma data de coisas novas, algumas das quais passo a inventariar despreocupadamente em beneficio dos leitores desprevenidos que por razões que, estou certo, lamentarão para todo o sempre, acabaram por dar uma olhada a este blogue:

1.     Ao contrário do que eu pensava anteriormente, a mostarda não é a maior criação de Dijon, título que deverá pertencer a Gustave Eiffel, aí nascido a 15 de Dezembro de 1832;

 

2.    A elegantérrima ponte Maria Pia pode muito bem ser a segunda obra mais importante de Eiffel. Além dos planos, fotografias e textos sobre a sua construção ocuparem parte importante da exposição, é afirmado, preto no branco, que o engenheiro alcançou a notoriedade internacional com a ponte ferroviária do Porto (1876);

 

3.    A estrutura metálica interna da Estátua da Liberdade é da autoria de Eiffel;

 

4.    Barcelona, sede da Exposição Universal de 1888, recusou o projecto de Eiffel de construir na Catalunha a torre que viria a tornar-se o ícone de Paris;

 

5.    A inteligência parisiense da época, capitaneada por Guy de Maupassant, lançou um violento manifesto contra a Tour Eiffel, preconizando a sua demolição. O pelotão dos críticos integrava ainda gente como Alexandre Dumas, Charles Gounod e Charles Garnier;

 

6.     Gustave Eiffel esteve directamente envolvido no escândalo da falência da sociedade construtora do canal do Panamá,  ao ponto do Governo francês ter decidir retirar-lhe a Legião de Honra;

 

7.     No final da vida, o audacioso Eiffel propôs-se construir um túnel ferroviário subaquático no canal de Mancha, ligando a França a Inglaterra. O túnel não seria subterrâneo, antes repousaria sobre o leito do canal. Os planos e cálculos detalhados deste projecto integram a exposição. Esta ideia arrojada não saiu do papel, por que ele não conseguiu convencer investidores e governos de que o material aguentaria a pressão e o desgaste provocados pelas águas.

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Onde se usa uma situação real para demonstrar a justeza do meu pó aos transbordos em Châtelet

Não sei se já vos disse, mas tenho algum pó à operação subterrânea de mudança de linha na estação Châtelet. Tanto pó que estou sempre disposto a fazer tudo ao meu alcance para evitar ter de a fazer.

A noite em Paris estava boa, era a última (espero sempre que não a derradeira), pelo que quando chegamos à entrada para o metro St-Michel, os nossos caminhos bifurcaram-se.

O Funano, a Titi e a meninas, que estavam com pressa pois não queriam dormir a correr e tinham de acordar de madrugada para irem apanhar o avião a Charles de Gaulle, optaram por ir no metro da linha 7 até Châtelet, onde mudariam para a linha 1, direcção Château de Vincennes, que os levaria até à Bastille.

Nós, como tinhamos tempo (o voo de regresso era só ao início da noite) e odiamos os transbordos em Châtelet, optámos por lento passeio romântico.

Ao atravessar a pont Saint Michel, detivemo-nos a ver os bateaux mouche a passar (sem nunca ceder à tentação de cuspir de cima), jurámos que da próxima vez iríamos ver a vista ao último andar de La Samaritaine, apreciámos o edifício da Conciergerie, admirando calmamente a agulha da Saint Chapelle e andámos até ao acesso ao cais da linha 1 do metro em Châtelet.

Passado um bom meio minuto apóstermos desembarcado na plataforma, qual não foi a nossa surpresa ao vermos chegar o Funano,  a Titi e as meninas, que, enquanto nós nos passeávamos preguiçosamente sob o céu de Paris,  esperavam pelo metro em St- Michel e afadigaram-se na ingrata tarefa do transbordo subterrâneo em Châtelet.

Já perceberam porque é que tenho pó aos transbordos em Châtelet?

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

A experiência de ostras e caranguejo no Le Bar à Huitres não foi boa nem má - antes pelo contrário

As pessoas começam por comer com os olhos, mas depois utilizam outros sentidos, além da visão, e foi precisamente aí que a porca (neste caso, o caranguejo) começou a torcer o rabo, durante o nosso último jantar (o de 2ª feira dia 10) desta expedição a Paris.

Forte e positivamente influenciados pela subida qualidade da meia dúzia de ostras nº 6 consumidas na véspera ao jantar, na brasserie Terminus Nord, decidimos reincidir na experiência ostras e escolher o Le Bar  à Huitres da rue Saint Jacques (junto à esquina com o boulevard Saint Germain) para nos confortar na hora da pré-despedida.

À partida, tudo conspirava no sentido de ser um casting acertadíssimo. A começar pela especialização logo reivindicada com orgulho no nome (Le Bar à Huitres, com a assinatura de Restaurant de Haute Mer), a continuar pela localização (do outro lado da rua fica a livraria onde me abasteço de BDs) e a acabar na beleza das caixas de ostras e mariscos em gelo e limão, expostas no exterior, onde um rapazola se afadigava no duro trabalho de abrir as ostras com a faca apropriada (a mais engraçada de todo o mostruário de cutelaria, na minha opinião que, como sabem, não é modesta).

Acresce que na minha memória estava alojada a recordação de uma bela refeição de ostras ocorrida neste restaurante.

Claramente influenciado pelo espectáculo em curso da mesa ao lado, onde um jovem casal se debatia com um aparatoso prato de ostras e mariscos diversos, não descansei enquanto não identifiquei a sua ficha técnica e arranjei um parceiro para o partilhar.

Tratava-se do Grand Plateau e a troco de 66 euros prometia, entre outras coisas, meia dúzia de mexilhões espanhóis, 11 ostras nº 5, cinco nº 4, duas amêijoas gigantes, um data de búzios e caramujos, um monte de pequenos camarões da costa, com um enorme caranguejo, partido em dois, a fazer de cereja no topo deste bolo.

As ostras revelaram-se à altura dos acontecimentos. Não há nada a dizer dos mexilhões, das amêijoas ou até mesmo dos búzios. O consumo dos caramujos exigia tanta mão-de-obra que logo desisti da empresa. Os camarões da costa - parecidos com os de Espinho apenas no tamanho já se apresentavam com uma tez cinzenta, nada saudável – estavam impraticáveis. E o caranguejo, bom, o caranguejo, valha-nos Deus, esse estava absolutamente intragável!

Ou seja, feitas as contas em consciência, só um espírito realmente indulgente poderia atribuir uma notação superior a 11,5 (numa escala de zero a 20) a este Grand Plateau, que impressionou o olhar mas desiludiu o paladar (iludido pela plasticidade da visão).

E deve dizer-se que, no cômputo final, a simpatia do chefe de sala, que nos dispensou algumas frases em português  correcto (está casado com uma portuguesa do Pombal) anulou o facto negativo do restaurante não ter cerveja de pressão – alegando em sua defesa que a clientela não goste de acompanhar mariscos com cerveja, mas sim com vinho branco ou champanhe. Triste desculpa, que contornamos esvaziando um número não negligenciável de garrafas verdes da Carlsberg.

Feito o balanço do jantar no Le Bar à Huitres há que dizer, com toda a frontalidade, que prometeu mais do que deu, e que a experiência nem foi nem boa, nem má – antes pelo contrário.

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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Acabar a tarde a chapinhar voluptuosamente com os pés no laguinho dos jardins do Palais Royal

Antes da viagem, tive de tomar duas decisões difíceis, ambas com impacto na bagagem,  que foi constituída por dois items:

a)   Um trolley preto com rodinhas, de material soft sintético, da marca de equipamento desportivo Wilson (adquirido por 19,99 USD no 21 Century, em Nova Iorque, numa altura em que este outlet ainda ficava em frente às Twins), destinado ao porão;

 

b)   Um saco de ombro preto, a imitar couro, oferecido pela Aldo (quando, imediatamente antes de desembarcar em Portugal,  esta cadeia canadiana me levou a ver em Londres dois exemplares – um em Covent Garden, outra em Oxford Street - das suas lojas de sapatos e acessórios), destinado a servir como bagagem de mão (transportando o meu portátil LG e documentos de viagem), durante o voo, e a albergar, durante a estadia, livros, óculos escuros, máquina fotográfica, binóculos, pensos rápidos, aspirinas etc.

A primeira decisão difícil prendeu-se com a política de guias e outros auxiliares de viagem. Após uma madura reflexão - e o exaustivo trabalho de copiar para posts it amarelos indicações, que podiam revelar-se ser úteis, dos guias Louis Vuitton e Lonely Planet, bem como da pasta de recortes de jornais e revistas referentes a Paris, decidi levar comigo apenas o bom e velho DK/American Express.

A segunda decisão cabeluda prendeu-se com a política de calçado. Hesitei muito e durante algum tempo entre os Crocs e umas Nike velhas, já com uma pequena fenda no couro, localizada mesmo em cima da linha de unha do dedo grande do pé direito, mas com provas dadas em extensas caminhadas.

Os Crocs, ultra-confortáveis no dia a dia, ainda não tinham sido testados em condições extremas mas apresentavam sobre as Nike a enorme vantagem de dispensarem o transporte de meia dúzia de pares de peúgas (um par por dia mais um suplente).

Foi a poupança de espaço e as preocupações ambientais que em levaram a arriscar os Croc em detrimento das Nike.

A prática de cinco dias a andar em Paris como se não houvesse amanhã, acabou por confirmar a justeza destes prós e a revelar alguns contras, como o facto de ter de tomar banho antes de me deitar, pois chegava ao fim do dia com os pés tão pretos e imundos como os de um sem abrigo.

Ou seja, do ponto de vista estritamente ambiental, o que poupei em lavagem de meias dúzia de pares de meias, em Portugal, gastei em consumo suplementar de sabão e água morna em Paris.

Para minimizar os danos decorrentes para o Planeta, resolvi que o duche nocturno substituía o matinal, ou seja não funcionava em regime de acumulação.

Pode parecer em bocado porco, mas a verdade é que o aforismo Em Roma Sê Romano traduzido para francês diz-se: Em Paris Não Abuses dos Duches.

O uso intensivo dos Crocs provocou, nos dois últimos dias, o aparecimento de duas pequenas (e levemente incómodas) bolhas/calos, com disposição absolutamente simétrica, no lado exterior de cada calcanhar, muito provavelmente derivadas de uma fricção imprevista do pé no material.

Mas mesmo que estas bolas/calos não tivessem surgido, penso que retiraria o mesmo prazer voluptuoso de, ao fim da tarde de segunda feira, dia 10, ter passado uma boa horinha sentado na borda do laguinho do jardim do Palais Royal, com os pés nus a arrefecerem e a chapinharem na água, enquanto dava duas de cavaco com o Afonso e mirava o chafariz (ver foto).

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Domingo, 23 de Agosto de 2009

Deu-nos um repente e fomos ver a Gioconda

O Louvre é um museu tão grande que até assusta.

Nas nossas deambulações de meio da tarde de 2ª feira, dia 10, passamos por lá perto e decidimos aproveitar para dar uma saltada à loja da Nature & Découvertes do Carrousel du Louvre, com o subido objectivo (que veio a ser concretizado com êxito)  de adquirir um bonito bule chinês para a Titi, que tinha feito anos há mais de um mês e ainda não tinha sido recompensada por nós com um merecido presente.

Foi nessa altura que nos deu um repente.

Para minha surpresa, apesar de ser 2ª feira o museu estava aberto (fecha às terças, tal como o Pompidou). Assim como quem não quer a coisa, confirmei que os cartões de Press asseguravam entrada gratuita. Verifiquei as horas, eram 17h00, em ponto (mais minuto, menos minuto) e as salas fechavam dentro de meia hora. Zás!

Decidimos na hora, que depois de termos visitado a igreja de St Sulpice, a componente Código Da Vinci desta excursão a Paris exigia um raide sobre a Virgem dos Rochedos e a Gioconda. E sem bem o pensamos melhor o fizemos, numa incursão relâmpago na ala Denon em que só nos detivemos em frente às duas pinturas de Leonardo, que Dan Brown usou na intriga do seu best seller.

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Sábado, 22 de Agosto de 2009

De como um tipo como eu, contaminado pela ética produtivista, andou a flanar um bom par de horas

Devemos ao Charles Baudelaire a feliz invenção da palavra “flanar”, que viu pela primeira vez a luz do dia no Sobre a Modernidade.

Flaneur é o sujeito que flana, um tipo dotado de uma imensa ociosidade e que dispõe de uma tarde, de uma manhã, de um dia inteiro ou até, sabe-se lá, de uma semana completa, para flanar, ou seja para andar sem destino, vagabundear pelas ruas de uma cidade sem um objectivo, plano ou propósito previamente definidos, para além de pastar, de uma forma indolente, o que se vai passando à sua volta.

Do ponto de vista de consumo de uma cidade, eu estou nos antípodas do flaneur, já que antes de sair à rua preparo o mais cuidadosamente possível os passeios que vou dar, com o auxílio de guias turísticos, artigos de jornais e revistas, post it amarelos e mapas da cidade, metro e autocarros.

Não sou amigo de deixar as coisas ao sabor do improviso e imprevisto, o que faz de mim uma espécie de farejador profissional de cidades, animado pelo desejo de ver tudo, isto é claramente contaminado pelo excesso de ética produtivista.

Para o início de tarde de 2ª feira dia 10, tinha planeado flanarmos pelo Parc Monceau (sim, porque o flanar também pode ser programado, ou, se preferirem controlado e domesticado, tal como os cães que passeamos à trela), mas acabei por ceder à tentação de errar sem destino pelos boulevards.

Metemo-nos no metro, desembarcamos na Opéra, e andamos por aí a dar água sem caneco pela Paris de Haussmann, Madeleine, rue St Honoré, place Vendôme, place des Victoires, Bolsa, rue de la Paix. A flanar à séria, portanto.

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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