Domingo, 24 de Junho de 2007

O Guia American Express da OPA do Berardo sobre o Benfica

 

Sentindo que há muitas almas benfiquistas baralhadas com o verdadeiro significado e real alcance da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo meu bom e dilecto amigo Joe Berardo sobre o seu clube, achei que era meu dever imperioso contribuir para a iluminação de seis milhões de espíritos.

 

Aqui no grupo Impresa é assim. Apesar de sermos totalmente privados, temos o sentido do serviço público, sendo que cada um dos seus milhares de colaboradores ajuda à sua maneira.

 

Num nível praticamente estratosférico, o meu colega Francisco Penim faz serviço público disponibilizando a sublime telenovela Floribella a uma audiência estimada de uns milhões de portugueses.

 

Eu, no meu nível, infinitamente mais baixo que o do fabuloso Penim, também me esforço por fazer serviço público. È o que tento fazer aqui neste cantinho quase clandestino da lavandaria, a plataforma que a direcção do Expresso, na sua infinita sabedoria e bondade, considerou ser o mais apropriado para eu exprimir as minhas ganas de fazer serviço público.

 

Depois de ter dado o meu modesto (sim, têm razão, não foi nada modesto, mas o que é que querem?, sai-me sempre esta…) contributo para acabar de vez com a praga da secura vaginal, de ter estimulado o debate sobre as vantagens de usar boxers versus slips, e de explicar porque é que os homens portugueses são obcecados pelo sexo anal, chegou a altura de entrar em domínios insondáveis, como a esquina onde o dinheiro (economia) e a paixão (desporto) se encontram.

 

Antes de tudo, não posso deixar de elogiar Berardo pela bela e emocionante semana que nos proporcionou. Os episódios e desenvolvimentos da OPA sobre o Benfica têm-se revelado tão excitantes como uma viagem na montanha russa.

 

Conheci Joe num corredor de um tribunal de Lisboa. Não foi um conhecimento ocasional. Ele estava lá como protagonista de um processo em que eu era arguido (o estranho vocábulo técnico que substitui o uso do tradicional e mais directo vocábulo «réu») e ele me acusava de uma data de patifarias. Tratava-se de uma sequela judicial de uma feroz divergência que o opôs a Francisco Balsemão no tempo em que ambos conviveram no capital da Sic.

 

O advogado fixou em 100 mil euros (coisa pouca…) o montante que eu devia pagar a Berardo para o ressarcir das graves ofensas que os meus escritos tinham feito à sua honra. O caso resolveu-se com meia dúzia de minutos de conversa no corredor do tribunal, enquanto esperávamos pela chamada do juiz. O Joe desistiu do processo. Foi o princípio de uma bela amizade, selada  umas semanas depois por um brinde com espumante Loridos num tarde quente de Verão, numa varanda da Quinta da Bacalhôa.

 

Tornei-me um admirador de Joe, que manteve a chama da nossa amizade acesa nunca se esquecendo de telefonar a dar-me em primeira mão as novidades das suas aventuras no mundo dos negócios durante os cerca de dois anos e meio em que fui (com enorme prejuízo para este prestigiado jornal) o editor da Economia do Expresso.

 

Gosto de Joe, de quem sou amigo. Agora que já sabem isto e estão habilitados a olhar com desconfiança os elogios ditirâmbicos que lhe vou fazer, devo dizer que a sua OPA sobre o Benfica é um raio de sol que aquece as nossas alminhas, depois da massacre a que fomos submetidos durante os últimos 15 meses com a maçada das OPA do Sonae sobre a PT e do BCP sobre o BPI.

 

Esta OPA é muito mais divertida do que anteriores. Não há comparação. E o meritório é que se trata de um divertimento de cariz erótico.  È como uma relação sexual quase perfeita em que os dois intervenientes (o que queca e o que é quecado) estão a ter prazer.

 

O Joe está a divertir-se à brava e o resto do pessoal também está a passar um bom bocado. Resta saber se, no final, ambas as partes se explicam ao mesmo tempo (o que configuraria um orgasmo simultâneo), mas isso já é outra história.

 

Como portista eu sei que sou suspeito. Mas, caramba, preclaros benquistas da lavandaria, o vosso clube andava tão animado como o cemitério dos Prazeres à meia noite. Desde que o Berardo lançou a OPA tem sido uma festa pegada e anda tudo num virote. Gude!

 

Depois de ter arriscado, com sucesso, centenas de milhões na PT (onde é um dos maiores accionistas, com 4%, uma posição avaliada em 300 milhões de euros) e de ter adquirido no BCP um pacote de acções no valor de 540 milhões (o que o habilitou a dizer do Jardim Gonçalves coisas que nem o Maomé se atreveu a dizer sobre o toucinho), o meu amigo Joe achou que era chegado o tempo da diversão. Do «show time».

 

O Benfica regressou aos bons velhos tempos do circo, de que nos falou em tempos o sábio Artur Jorge. E isso está a ser conseguido por Joe gastando «peanuts» e sem risco. Divertimento para todos, grátis, de borla, é muito bom. E para Berardo, depois de ter ganho 200 milhões de euros no último ano com os seus investimentos em empresas cotadas, esta OPA sobre o Benfica até serve para desenjoar.

 

Os 31,5 milhões de euros que Joe ofereceu inicialmente por 60% do Benfica equivalem ao dinheiro que o Manchester United pagou pelos passes do Anderson e do Nani (é certo que os dois juntos perfazem mais ou menos a idade que o Rui Costa).

 

Os 44,6 milhões de euros que a CMVM obrigou Berardo a oferecer por 85% do Benfica equivalem aos 50 milhões em que está avaliado apenas um dos quadro da sua colecção (Judy Garland, de Andy Warhol) e são menos de metade que o milionário russo Alexander Gaydamak teve de desembolsar pelo Portsmouth.

 

Ora, meus amigos, não há comparação possível entre o Benfica, 3º classificado na Liga portuguesa  - e o maior clube do Mundo, com seis milhões de adeptos, 168 mil sócios (que lhe garantem uma linha no Guiness) e 50 mil accionistas - e o Portsmouth, 9º classificado na Liga Inglesa, que apenas dispõe de duas vantagens comparativas sobre o glorioso SLB: usa camisolas azuis e arranjou uma maneira engenhosa de não pagar o balúrdio que o Benfica pedia pelo passe do Manuel Fernandes.

 

Alguém aí é capaz de apontar no mapa de Inglaterra onde fica Portsmouth?

 

Como agravante, o Joe está a fazer data de favores, mais concretamente onze, não só ao Benfica (cinco) como também a si próprio (três) , à classe jornalística  em geral (três), e em particular aos jornalistas desportivos e aos impagáveis colaboradores do Inimigo Público.

 

Vamos por parte, e examinemos com pormenor a lista dos onze favores.

 

Cinco favores relevantes à gloriosa nação benfiquista

 

. Há ainda muito bom benfiquista que ainda não percebeu que neste episódio Rui Costa/Lar da Terceira Idade o Berardo e o Orelhas estão feitos um com o outro.

 

O Joe está a ajudar a empurrar o Rui Costa pela borda fora, chamando a atenção de toda a gente para a provecta idade do jogador, desmontando a sua tentativa de rentabilizar em sucessivos prolongamentos de contrato o seu alegado benfiquismo e dizendo dele coisas que Luís Filipe Vieira gostaria de dizer mas não pode porque é presidente.

 

Berardo e Orelhas estão a reeditar o jogo da dupla policia bom/polícia mau. É o que é;

 

. A colaboração entre os dois para facilitar uma limpeza de balneário do Benfica vai continuar. Na próxima semana, Joe Berardo, quando questionado por uma jornalista do Jornal de Negócios sobre se a equipa do Benfica é fraca, responderá:

 

«Não é fraca. É uma sucursal do Centro e Reabilitação do Alcoitão. O Mantorras diz que não é aleijado. Então porque é que manca e não consegue correr mais do que cinco minutos seguidos? Então, fuck him»;

 

. Berardo vai também ajudar Luís Filipe Vieira na sua vã tentativa de equilibrar as finanças do glorioso SLB criando um incidente que permita a venda do passe de Petit sem incorrer na ira dos adeptos. Dentro de duas semanas, Joe Berardo, quando questionado por uma jornalista do Record sobre se a equipa do Benfica é fraca , responderá:

 

«Não é fraca. É um canil. O Petit diz que joga limpo e nunca magoa os adversários. Então porque é que toda a gente, incluindo os seus colegas no balneário do Benfica, o tratam por pitbull e estão sempre a perguntar-lhe se tem a vacina contra a raiva em dia? Então, «fuck him»;

 

. Os favores não se circunscrevem à gestão do plantel, estendendo-se ao comportamento bolsista das acções do Benfica.

 

Como todos devem estar lembrados, antes de intervenção de Berardo, a cotação das acções do clube estavam em queda livre. Em poucas sessões perderam quase 40% dos seu valor, apesar de se transaccionarem quantidades ridiculas.

 

Com a OPA, Berardo inverteu a queda. As acções subiram e começaram a ser negociar em grandes quantidades. Para o Benfica a OPA é muito melhor e infinitamente mais barata do que celebrar um contrato de liquidez com uma qualquer instituição financeira;

 

. Last, but not the least, Berardo está neste defeso a prestar um serviço inestimável aos benfiquistas ao inibir os dirigentes do clube de efectuarem de compras e vendas de jogadores de elevado montante.

 

Estes negócios terão de ser previamente autorizados pelo presidente da CMVM, que apresenta sobre Luís Filipe Vieira a vantagem de se inteligente e prudente.

 

Sobre José Veiga, Carlos Tavares (com quem tive ontem à noite o prazer de cavaquear enquanto comíamos umas sardinhas assadas na magnifica varanda da sede da Anje, antes de irmos para a festa do S. João) apresenta a vantagem de ser benfiquista.

 

Pode ser que esta decisão tomada «in extremis» pela CMVM, permita ao Benfica recuar na oferta de nove milhões de euros por 80% do passe de Cardozo.

 

Esta aquisição, que a concretizar-se seria a mais cara contratação de sempre de um estrangeiro no futebol português, incide sobre um avançado paraguaio.

 

Ora, não sei se sabem, à noite, a baia de Copacabana, no Rio de Janeiro, está subdividida em três zonas: a da prostitutas, a dos gay e a das paraguaias. A das paraguaias é como, na sua imensa sabedoria, os brasileiros chamam à zona dos travestis. No Brasil, as imitações são «made in Paraguai». Daí o sinónimo.

 

Esta dura lição já foi aprendida por Paulo Bento. O Sporting pagou um monte de massa para trazer de Itália o Carlos Paredes, convencido, na sua admirável inocência, que estavam a contratar o mesmo jogador que tinha brilhado há uns anos com a camisola do FC Porto.

 

Foram enganados. Receberam em troca uma imitação, com barbas e óculos, que nem sequer ao banco vai. Muito parecido, praticamente igual, mas, depois de analisado ao perto, uma imitação. Um paraguaio.

 

 

Três favores a si próprio

 

. Para além de se estar a divertir à ganância com esta OPA, o Joe está a usá-la como uma gigantesca campanha totalmente gratuita de Relações Públicas, que atrai a atenção de toda a gente sobre si e a para a grande inauguração do Museu Berardo, agendada para amanhã;

 

. Esta semana, Berardo conseguiu a proeza de aparecer mais vezes que Sócrates nos jornais e televisões (em absoluto, mas também na RTP, o que é um feito que com toda a certeza será registado no Guinness Book).

 

O primeiro ministro ficou com um bocado de inveja, mas racionalizou e disse ao Augusto Santos Silva para estar quieto e não rosnar com os responsáveis da RTP, porque a OPA de Berardo distrai as atenções do recuo na Ota, das gaffes do Lino (meteste o Pinho no bolso pequenino das calças - parabéns Mário!) e dos processos judiciais sobre o professor bloguer que levantou a questão da sua alegada licenciatura)

 

. Vai daí uma aposta em como o Joe ainda vai ganhar uns dinheiros com este seu envolvimento no Benfica?

 

Três favores aos jornalistas

 

. Os três diários desportivos têm matéria noticiosa verdadeira para confeccionarem as suas primeiras páginas, atenuando a sua dependência relativamente aos boatos e rumores sobre fantasiosas contratações de jogadores (Pato no Benfica! Deixem-me rir, ahahahahah) com que são intoxicados nesta época por interesseiros e mentirosos empresários e dirigentes da bola;

 

. os jornalistas desportivos estão a receber uma fantástica e proveitosa formação sobre as regras e modo de funcionamento do mercado de capitais, o que não só enriquece a sua bagagem de conhecimentos como ainda lhes alarga os horizontes no mercado de trabalho. Mais tarde ou mais cedo podem aspirar a transferirem-se de um dos três diários desportivos para a redacção de um dos três diários económicos;

 

. Imagine-se por um momento jornalista do Inimigo Público (não é mau; além de beneficiarem de uma enorme alegria no trabalho ainda por cima ganham bem e têm prestigio). E agora leia algumas das frases proferidas esta semana pelo Berardo:

 

«Só quero ajudar o meu clube»

 

«Em vez de comprar um quadro, resolvi ajudar o clube do meu coração»

 

«Não sou um homem de caridade»

 

«Acham que eu percebo se um jogador joga bem ou mal? Não tenho talento para isso»

 

«A equipa do Benfica não é fraca. È um lar de Terceira Idade. O Rui Costa diz que gosta muito do Benfica. Então porque é que não jogou lá quando tinha 25 anos? Então, «fuck him»»

 

«Afinal, até Deus teve três enganos: pôs chuva a cair no mar. a lua durante o dia e mamas nos homens»

 

«Se fosse eu, não vendia» (a 3,5 euros, o preço oferecido pelo ele próprio aos 50 mil accionistas do Benfica)

 

«Se me perguntassem: Você quer comprar tudo a cinco euros? Comprava. De olhos fechados» (apesar disso limitou-se a oferecer 3,5 euros por acção)

 

Se fosse jornalista do Inimigo, não ficaria a amar o meu amigo Joe?  Desde os saudosos tempos de Santana Lopes que não havia tanta e tão boa matéria prima aí à solta.

 

 

Uma proposta séria e honesta feita por um sócio do Porto (eu) e outro sócio do Porto (o Orelhas)

 

Independentemente do desfecho desta operação, há uma coisa incontornável. Joe passou a integrar a iconografia benfiquista. Daí, que desinteressadamente, sugira aos altos responsáveis do Glorioso SLB que tirem partido deste facto para enriquecerem os espectáculos que fornecem aos adeptos na Luz.

 

O meu amigo Luís Paixão Martins (por sinal sportinguista) que é um dos maiores especialistas vivos nesta matéria, foi ver o último Benfica-Porto e identificou dois momentos sublimes do espectáculo:

 

, o Momento Águia, quando a Vitória sobrevoa as bancadas preenchidas com adeptos do Glorioso SLB a cantarem o Ser Benfiquista.

 

O Momento Mantorras, quando o estádio se levanta, explodindo como um vulcão, quando o Fernando Santos dá ordem ao manco avançado angolano para despir a camisola do fato de treino e começar o aquecimento.

 

A OPA do Berardo permite acrescentar um terceiro momento, bem colocado no tempo (o Momento Águia dá-se antes do jogo se iniciar e o Momento Mantorras ocorre por norma a 10/15 minutos do fim). Estou a falar do Momento Berardo.

 

Basta convencer o Joe a dar, em passo de corrida. uma volta ao campo, durante o intervalo, com os braços erguidos e os dedos de ambas as mãos a fazerem o V de vitória, tal como ele fez magistralmente à saída da assembleia do BCP no Palácio da Bolsa.

 

Por todas estas razões acho que todos, nós, independentemente da nossa preferência clubística, devemos estar gratos a Joe Berardo pelo belos e divertidos momentos que nos tem proporcionado.

 

E aqui, a partir desta modesta (é mesmo modesta, não acham?, está no 6º esquerdo, a contar do princípio e só aparece destacada na «home page» do Expresso quando o Rei faz anos) dirijo um apelo aos mais altos responsáveis do Benfica que concedam  uma distinção – uma Águia de Ouro, por exemplo – ao meu amigo Joe, em sinal de agradecimento dos serviços relevantes que ele está a prestar à causa benfiquista.

 

PS.  As preclaras e os preclaros que tiverem a subida pachorrra de lerem tudo até aqui são recompensados deste hercúleo e inútil esforço obtendo a resposta à judiciosa questão:

 

«O que é que a American Express tem a ver com isto?»

 

Pouco. Apenas duas pequenas coisas.

 

A American Express patrocina os mais bonitos e detalhados guias de viagens (os da Dorling Kindersley) publicados no nosso país pela Civilização.

 

Há coisa de um ano, o meu amigo Joe deu a cara e imagem na campanha de publicidade da American Express. Trata-se, por tanto de uma piscadela de olho.

 

 

Querer é poder e o Público pode e quer muito

 

O Público é o vencedor incontestado do prémio Roupa para Lavar para a melhor primeira página da semana por, na edição de 6ª feira, dia 22, ter conseguido o importante feito e fabulosa proeza de conjugar os verbos «poder» e «querer» no titulo principal da capa e de voltar a usar o verbo «poder» no segundo titulo.

 

Não sei se já vos disse, mas eu «quero» ter um banco com o meu nome (Banco Fiel até um nome jeitoso, não acham?!) mas «posso» não ter dinheiro para isso para isso e o Banco de Portugal «pode» opor-se a este meu projecto.

 

Maia adiante, na página 37 (Desporto) desta edição de coleccionador, volta a declinar o verbo poder: «Vukcevic pode estar na agenda do Sporting e FC Porto». Soberbo! De ir às lágrimas.

 

Como o povo da lavandaria sabe, é possível confeccionar milhões de excitantes títulos verdadeiros recorrendo aos verbos amigos «querer» e «poder». É só puxarem por essas cabecinhas e exercitarem a vossas célulazinhas cinzentas. ‘Bora aí!

 

publicado por Jorge Fiel às 07:50
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Nunca se deve desperdiçar uma oportunidade de aparecer na televisão

Nunca se deve desperdiçar uma oportunidade de aparecer na televisão e de saltar para a espinha de uma gaja. Este é o primeiro mandamento que orienta e vida de um meu colega e amigo R.

 

Compreendo perfeitamente o que ele quer dizer e já agora aproveito para esclarecer que os dois momentos da recomendação devem ser observados separadamente. Ou seja, o R. não preconiza que o acto de saltar para a espinha seja transmitido televisivamente.

 

A máxima do R. é justa, correcta, oportuna e até mobilizadora, mas não é necessariamente de aplicação universal.

 

Eu, por exemplo, compreendo a suma importância da prática intensiva destes dois actos (aparecer na televisão e amar a próxima), absolutamente essenciais para a humanidade neste dealbar do século XXI, mas não me sinto pessoalmente obrigado a adoptar o alfa e ómega da vida do R.

 

No particular da televisão, reduzo ao mínimo as minhas aparições por duas razões poderosas:

 

a)     Ter uma boa imagem televisiva é fundamental e eu sei perfeitamente que não a tenho. A única diferença que me separa da imagem do Shrek é que ele é verde e eu não (já agora, tentando ser indulgente comigo, saliento uma outra diferença: as minhas orelhas são ligeiramente mais pequenas e com um fromato mais próximo do usual);

b)    Não sei o que se passa com os meus colegas, mas sempre que me convidam para ir à televisão é para aparecer de borla e fora de horas. As 22h00 horas de uma quinta feira são um belo horário para estar deitado no sofá em casa a ver o Boston Legal, na Fox, e a beberricar chá Roiboos frio - não para estar num estúdio manhoso e fora de mão a responder a perguntas idiotas sobre porque é que as curvas das taxas de desemprego do INE e do IEFP teimam em seguir em direcções opostas.

 

No que concerne à surpreendente atitude de não aproveitar todas as oportunidades para ter sexo, abreviando de razões (ao fim e ao cabo isto é uma lavandaria, não é um divã nem um confessionário) devo dizer que cheguei àquela idade em que me parece que devo fazer jus ao meu apelido.

 

Vem todo este arrazoado a propósito da notícia mais importante da semana, que, ao contrário do que as preclaras e preclaros podem pensar, não foi protagonizada nem pelo Berardo, nem pelo Mário Lino, nem pela Maria José Morgado mas sim pelo senador italiano Gustavo Selva.

 

Incomodado com o trânsito infernal (a maior parte das ruas do centro de Roma estavam entupidas e cortadas ao trânsito por causa de uma manifestação contra a visita de Bush a Itália) que o ia impedir de chegar a horas a um programa de televisão, em directo, para que tinha sido convidado a participar, o senador Selva teve uma ideia brilhante.

 

Qual foi a ideia brilhante? Simulou um ataque cardíaco e chamou uma ambulância que após alguns percalços (ele insistia em não ir para o hospital mas antes para uma morada que ele alegava ser ao do seu cardiologista e que na realidade era a do estúdio de televisão) e logrou chegar a tenpo ao programa.

 

Este episódio é um pedacinho de ouro que ilustra data de coisas, a saber:

 

1.     Ser por natureza trampolineiro é essencial para alguém ter sucesso na carreira política. Não foi por acaso que o Gustavo Selva chegou a senador;

 

2.     O R. está cobertinho de razão quando diz que não se deve desperdiçar uma oportunidade para aparecer na televisão;

 

3.     A verdade não é um empecilho suficientemente importante e forte para atrapalhar um político de concretizar um objectivo;

 

4.     A lata dos políticos é incomensurável. É, pelo menos, maior que a Via Láctea. Outra explicação não encontro para o facto do senador Selva se ter gabado no programa de televisão da vigarice que usou para chegar a horas ao programa.

 

 

 

TELEVISÃO

RTP1 quer ter circo de borla

 

Não posso deixar de elogiar o apurado sentido de negócio demonstrado pelos responsáveis da RTP . Não é por acaso que as contas da empresa pública de televisão se estão a endireitar. Almerindo contaminou a empresa com um cultura de rigor e poupança a que não se deve regatear elogios.

 

Vejam só que agora a maneira engenhosa como se resolveram aproveitar a oportunidade aberta pelas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa. Convidaram todos os candidatos para um debate a 12 no programa Prós e Contras, da Fátima Campos Ferreira.

 

Espertos. Não gastam um tostão em «cachets» e conseguem oferecer circo (tourada, se preferirem) aos telespectadores. Uma excelente ideia para consolidar as audiências agora que se vão ver privados durante três meses dos momentos de humor que eram assegurados pels Gatos.

 

Parabéns RTP pela ideia magistral. Só tenho raiva de não ter sido eu a tê-la.

 

POLÍTICA 

Blogosfera, rumor, boato, jornalistas

A propósito do curioso e clássico movimento de confundir a mensagem com o mensageiro de que está a ser vitima o bloguista de Portugal Profundo, não posso deixa de citar um pedacinho de ouro dito por Sócrates na célebre entrevista de 11 de Abril à RTP1, em que tentou (em vão) pôr uma pedra em cima do lamentável dossiê da sua alegada licenciatura:

 

«Tudo isto nasce como todas as blasfémias; blogosfera, rumor, boato, jornalistas».

 

Formidável a simplicidade desarmante usada pelo primeiro ministro para desmontar o funcionamento do eixo do mal: blogosfera, rumor, boato, jornalistas.

 

Extraordinário como Sócrates e a sua apaniguada DREN Margarida Moreira estão a conseguir manter em cima da mesa da opinião pública, em lume brando, a questão da maneira como o primeiro ministro obteve o seu diploma de licenciatura. Parabéns (merecidos)  a todos!

 

O MUNDO ESTÁ PERIGOSO

Does anybody really know what time is it?

O Mundo está perigoso, mas como é óbvio há sempre alguns locais mais perigosos do que outros.

 

Caracas é sem sombra de dúvida o lugar mais perigoso para portugueses equipados com  sofisticados aparelhos electrónicos. Foi na capital da Venezuela que Marcelo Rebelo de Sousa perdeu (ou terá alguém feito perdê-lo?) o seu telemóvel e que Francisco José Viegas se viu aliviado do seu computador portátil.

 

Já Tirana está sob observação. Os Media norte-americanos teimam em dizer que Bush fiou sem o relógio quando cumprimentava a multidão que o saudava durante a recente visita à Albânia. E em defesa da tese do roubo do relógio presidencial, as televisões difundiram imagens do antes (com relógio) e depois (sem relógio).

 

Fonte oficiais da Casa Branca negam o roubo. Dizem que a meio da bacalhauzada, Bush tirou o relógio e guardou-o no bolso.

 

As autoridades de Tirana albanesas têm uma versão ligeiramente diferente. Dizem que o relógio foi encontardo por um agente ed segurança albanês que o entregou a Laura Bush.

 

Afinal o que aconteceu ao relógio presidencial? Como judiciosamente perguntaram os Chicago Transit Authority numa das suas mais geniais canções: «Does anybody really know what time is it?»

 

LINGUA

A Teoria da Sintaxe Caduca de Greenspan 

 

A mais valiosa revelação da semana foi produzida por Alan Greenspan durante uma entrevista concedida à sua mulher (a jornalista Andrea Mitchell) durante a feira do livro norte-americana.

 

O ex-czar da Reserva Federal estava na Book Expo América a apresentar o seu livro The Age of Turbulence.

 

Interrogado pela mulher porque é que sempre que ia ao Congresso testemunhar dava sempre respostas opacas e difíceis de compreender, Greenspan explicou que isso era propositado e se tratava da aplicação da teoria da «Sintaxe Caduca» por ele inventada.

 

  • «Há certas respostas, na importa de que maneira é que as articulamos, que têm efeitos no mercado. Por isso arranjei uma discurso complicadíssimo, a que chamava a «sintaxe caduca» de maneira a que o senador ou congressita que tivesse colocado a pergunta ficasse convencido que eu estava a dizer alguma coisa muito profunda e pensasse que eu lhe tinha respondido à pergunta».
publicado por Jorge Fiel às 11:55
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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