Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

A sorte que eu tive em não ter sido esmagado pelo helicóptero do MoMa

 

A tragédia rondou o quarto 916 do Days Inn, um hotel barato na 94th St com a Broadway. Relato das primeiras horas numa Nova Iorque gelada e coberta de neve. Onde se conta com bastante cópia de pormenores (exagerada mesmo!) como logrei sobreviver a um aquecedor assassino que assobiava e borbulhava ao mesmo tempo, acordando vivo e por isso habilitado a passar a sexta feira com a cabeça toda enfiada num gorro preto que comprei por cinco dólares numa loja de Times Square.

 

Uma manhã vivida debaixo de terra, em Brooklyn, no New York City Transit Museum. E duas sandes de pastrami (uma, boa mas cara, no Katz, outra a puxar para o fracote mas barata, num Subway da Broadway, no Upper West Side) a porem entre parentesis o resto do dia.

 

Voltei ao sobreviver ao fim da tarde quando entrei no MoMa sem que o helicóptero verde suspenso do tecto se tivesse despenhado em cima de mim. O helicóptero nunca caiu mas, nunca se sabe, com o que pode acontecer com o Bin Laden aí a solta. Há sempre uma primeira vez para tudo. Antes do 9/11 (11 de Setembro é a tradução portuguesa de nine eleven) ninguém imaginou que terroristas iam desviar aviões comerciais e atirá-los contra as Twins.

 

Superado mais este obstáculo, pude enfim dirigir-me ao quarto andar e estacionar em frente a Flag, de Jasper Johns (na foto). 

 

 

5ª FEIRA 15 FEVEREIRO

De como sobrevivi no Days Inn da rua 94 a um aquecedor homicida que assobiava e borbulhava - tudo ao mesmo tempo

 

 

A viagem de Las Vegas até Nova Iorque até nem correu mal. Durou menos uma hora do no trajecto de Oeste para Este. Cinco e horas e meia à ida e quatro horas e meia no regresso. Não consegui lugar na «emergency row». O avião estava cheio e por isso também não arranjei um lugar no corredor.

 

Por pouco nem à janela conseguia lugar. A menina do «check in» da Continental olhou para mim com aauele ar «oh, see, how lucky you are!» quando me anunciou que eu tinha sido bafejado com o último «window seat». A partir de agora só os hediondos «midlle seats»

 

O lugar à janela deu-me para ter uma ideia aproximada da paisagem  do Grand Canyon, pois o céu estava limpo. mas não demorou muito a começar a dormir. Passei a maior parte das quatro horas e meia que durou o voo nos braços de Morfeu (expressão simpática e semi-culta que uso para contornar a mais que provável eventualidade de ter ressonado). Acordei com o frio que passava pelas frinchas da janela para o meu braço e pescoço. Temi o pior. Mas felizmente foi um frio sem consequências.

 

Como de costume, revelei-me excessivamente previdente ao trazer os bolsos cheios com a New Yorker (edição especial de aniversário) e um livro do Grisham. A chegada foi menos venturosa do que a viagem. O voo CO 1069  até chegou mais ou menos dentro da hora,. O problema é que o horário era mau.

 

Não é bom chegar de noite a uma cidade, principalmente se se trata de uma cidade onde não temos casa - o que, para mim, é o caso de Nova Iorque. A minha mala demorou uma eternidade até aparecer, devido ao que os altifalantes qualificaram como «jam». Estava tudo convocado para o tapete 6 do Aeroporto Internacional Liberty de Newark quando de repente  fomos solicitados a transferir-nos para o tapete 2. onde a seca apenas foi mitigada pela emoção do último periodo do jogo da NBA entre os Lakers e os Clevand Cavaliers que passava num ecrã e estou em crer foi ganho pelos Cavs (estava a torcer por eles). Quando a Samsonite resolveu aparecer faltava menos de um minuto para acabar e eles estavam com seis pontos de vantagem.

 

O balcão de Ground Transportation do Terminal C estava fechado. Como não havia ninguém para me explicar se aquela hora (1h30 a.m. locais, mais três horas que Las Vegas, menos cinco que Lisboa) havia uma alternativa ao táxi , arremeti contra a neve e o frio e apanhei um táxi. 51 dólares pela viagem, mais oito pelas portagens, mais cinco de gorjeta. Não foi bom.

 

O Days Inn, da 94 th St com a Broadway, onde passei quatro noites (preço 339,46 euros, taxas incluidas, reservado pela Internet no Hotel-and-Discounts.com) já conheceu melhores dias. O ano passado, por exemplo, quando eu o Rui Zink estivemos aqui hospedados num «stop over» no regresso de Atlanta, o hotel apresentou-se muito mais acolhedor. Este ano está em obras. Ora não é preciso ser um Einstein para perceber que não é bom estar hospedado num hotel em obras.

 

O átrio está meio desfeito. A alcatifa tem pior aspecto e o ar ainda mais gasto do que as matronas do Roma, de Fellini. O elevador é tão espaçoso como a dispensa de uma apartamento de sétima categoria. Chegado ao 9º andar, o caminho para o quarto 916 não está assinalado. O número do quarto está escrito à mão, a marcador vermelho. O comando da televisão não funcionava. E pareceu-me que o quarto cheirava a gás, o que é preocupante porque devido a uma má formação congénita sou meio surdo do nariz (uma das narinas não funciona) pelo que um cheiro tem de ser mesmo intenso para eu o sentir..  

 

Há um aparelhómetro barulhento ligado à parede que me pareceu ser um aquecedor a gás com uma óbvia fuga. Temi morrer gaseado durante o sono.  Desliguei o truque e ele calou-se. Comecei a morrer de frio, o que confirmava que o aparelho com aspecto homicida existia (também) para aquecer. Voltei a ligá-lo e regressou um barulho estranhíssimo. O truque assobia e borbulha ao mesmo tempo. É infernal. Aterrador. Acabei por me habituar e adormeci. Acordei no dia seguinte, por volta das 9h20. Vivo. O que era muito bom sinal, pois, como toda a gente sabe, os mortos nunca acordam.

 

 

6ª FEIRA 16 FEVEREIRO

O romper da bela aurora com o Starbucks da esquina cheio

Ao acordar sou sempre mais optimista do que à noite. Há uma canção, penso que dos Trovante (ou será da Brigada Victor Jara?), que fala do «romper da bela aurora». Eu estou plenamente de acordo com a visão sorridente e optimista subjacente a esta frase.

 

Estou convicto de que não partilho o quarto 916 do Days Inn com ratos ou baratas ou qualquer outro tipo de animais clandestinos que, como são ininputáveis, não contribuem para o pagamento da diária. Satisfeito por ser um sobrevivente, decidi apenas apresentar queixa na recepção da inutilidade do «remote control» (prontamente reequipado com pilhas novas). Estava perfeitamente resignado a passar as três noites seguidas num são e alegre convívio com o aquecedor barulhento, mas não assassino. Fui para o frio.

 

A neve é muito bonita nos filmes e vista ao longe. Nas ruas das cidades é uma verdadeira imundicie que só nos atrapalha a vida.

 

A primeira contrariedade do dia surgiu logo ali ao dobrar da esquina. O Starbucks da rua 93, onde eu ia tomar o pequeno almoço, estava esgotado, com as mesas todas ocupadas. E era ali que eu pensava  instalar-me calmamente a planear o dia. Tinha de arranjar um plano B.

 

Contrariado, meti-me no metro. Linhas 1, 2 ou 3 (vermelhas), estação da 96 th St, com uma entrada equidistante uns 50 metros do Starbucks lotado (nesta estadia nunca cheguei a conseguir arranjar lá uma mesa). Comecei logo a meter-me em despesas. 24 USD pelo Metrocard que dá para sete dias. Eu só is estar quatro mas mesmo assim compensava. O Metrocard diário custa sete USD. E a viagem individual fica a dois USD. Eu fiz muito mais que uma dúzia de 12 viagens nesta estadia. Fiz para aí umas 30, fazendo as contas por alto. Foi bom negócio.

 

Para os primeiros preparos fui até Times Square. O frio é tanto que me decidi a comprar um gorro. Não foi a primeira vez que tomei esta decisão. Em Janeiro do ano passado, em Varsóvia, quando os 20 graus negativos não me impediram de ir passear (às vezes arrependo-me das opções que tomo; o frio era tanto que entrava pelor baixo nas calças e ia directamente aos tomatinhos que ficaram enregelados, mas, sosseguem, não se registaram danos irreversiveis no material) mas obrigaram-me a comprar um barrete vermelho a dizer Poslka. Parecia o Kumba Iala, mas a puxar um pouco mais para o ridículo pois quando regressei dei-o ao meu filho João (que tem apenas seis anos) e servia-lhe perfeitamente.

 

Comprei por cinco dólares um gorro, preto, discreto, grande e quentinho (e sem dizeres do estilo «I love NY» com aquele coraçãozinho piroso a substituir o verbo). Outro bom investimento, já que conservo ambas as orelhas.

 

Dei uma vista de olhos na maior loja da Toys ' r ' Us do Mundo (voltarei cá no último dia para comprar alguns produtos de merchandising do Sponge Bob para levar para o João). Também entrei na mega-store da Virgin. Os  americanos estão a reagir à quebra irreversível da indústria discográfica. A maior parte dos CD estão a dez dólares, ou seja sete euros.  Depois fui ao Information Center da Time Sq, onde decidi que iria passar o resto da manhã no New York Transit Museum que fica numa estação desactivada, em Brooklyn.

 

Entrar no Transit Museum sem pagar os cinco dólares é que «no way». O cavalheiro da bilheteira não quis saber do facto de eu ser jornalista e estar habilitado a documentar esse estado através da civilizada e discreta exibição de um cartão que grita PRESS assim mesmo, a letras maiusculas (vá lá que não se armou em esperto e se pôs a pressionar o cartão com o dedo). Entrar sem pagar só com «clearence» das Relações Públicas.

 

Valeu os cinco dólares. Para além de ter as diferentes gerações de carruagens usadas desde que o metro de Nova Iorque foi inaugurado no dealbar do século XX, documentada através de seis mil objectos, pequenos textos, filmes e fotografias a grande epopeia da construção do maior metro do Mundo (660 milhas de linhas, 496 estações, 17 túneis debaixo de água) e de como ele foi o vector estruturador do crescimento da grande metrópole.

 

New York Transit Museum

Esquina da Boerum Place com a Schermerhorn Street

Brooklyn Heights

Metro :  2, 3, 4 e 5 para Borough Hall

3ª a 6ª, 10h00-16h00

Sábado e domingo: 12h00-17h00

 

O almoço, muito tardio, foi no Katz na esquina da Houston Street com a Ludlow. A sandes de pastrami continua fabulosa. É um privilégio estar no mesmo sítio onde a Meg Ryan simulou aquele fantástico orgasmo. A sandes e uma Katz Ale ficaram por 20,20 USD. Não é de borla. o Katz anda a meter a unha.

 

Como o frio favorece a cultura passei o resto da tarde no MoMa. Nas sextas à tarde, entre as quatro e as oito, a entrada é livre, pelo que não tive de recorrer ao uso do cartão de imprensa. Um segundo Não no mesmo dia deixar-me-ia traumatizado. Consagrei a maior parte do meu tempo aos americanos do século XX, em particular ao Edward Hopper, Jackson Pollock e Jasper Johns.

 

Tentei, sem sucesso, beber uma cerveja no Old Mc Sorleys, na East Village. Era sexta feira, início de noite, não havia uma só cadeira livre e o caminho para o balcão estava mais atulhado que o metro em hora de ponta. Desisti. Estacionei num dos dois Starbucks (café grande, 2.20 USD) de Astor Place a planear o dia seguinte.

 

Por volta das nove e meia da noite recolhi à rua 94. Antes de ir fazer companhia ao aquecedor barulhento, mas afinal pacífico, do «room» 916, comi uma sandes de pastrami (a segunda do dia, e consideravelmente pior que a primeira) no Subway e bebi uma Diet Coke - tudo por oito dólares -, enquanto engordurava as páginas da New Yorker ao ler um magnifico artigo (muito critico, completamente de de esquerda) sobre a série de televisão 24.

 

publicado por Jorge Fiel às 10:47
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Como fazer um figurão no regresso de Las Vegas gastando apenas 3.98 dólares (mais taxas)

 

A minha vida é um livro aberto. Por isso, na hora da despedida de Las Vegas, deixo aqui aos meus amigos três boas sugestões para prendas baratas, mas de grande efeito, para trazerem para familiares, amigos e conhecidos, se um dia se sentirem tentados a visitar a capital do pecado.

 

Este gesto, de factura larga, pode acarretar-me sérios problemas pessoais. Apesar do carácter praticamente anónimo e clandestino deste blogue, não estou livre deste «post» ser lido por pessoas a quem eu trouxe algumas das prendas aqui descritas - e que elas fiquem muito aborrecidas ao tomarem conhecimento das rídiculas somas que eu gastei com elas.

 

Não importa. Acho que com esta atitude provo de forma inequivoca que a Roupa para Lavar presta um serviço público superior ao praticado pela Sic com a exibição da Floribella.

 

Ora vamos lá á sugestões:

 

a) Baralho de cartas: 99 cêntimos

 

As cartas usadas nos casinos são posteriormente vendidas um pouco por todo o lado a um preço bastante competitivo;

 

b) Fichas: um dólar

 

Há imitações das fichas usadas nos casinos. Mas não há nada que chegue à «real thing». Na minha opinião as fichas mais bonitas são as do Bellagio. Por um dólar obtem, legalmente, uma ficha de um dólar. Tão simples quanto isto;

 

c) Dados viciados: 1.99 USD

 

Em qualquer loja de recordações pode adquirir dois dados rigorosamente iguais aos dos casinos que se atiram e dão sempre 11 ou 7, que me parecem ser os números mágicos do jogo (ainda não consegui perceber as regras, se alguém sabe faça o favor de mas explicar, que eu agradeço..).  Isso é conseguido pelo facto de um dos dados ostentar o 5 em todas as faces, enquanto o outro tem duas hipóteses: 6 ou 2.

 

 

5ª FEIRA 15 FEVEREIRO

All my bags are packed I'm ready to go

 

Não é exactamente um momento perfeito, mas anda lá perto. São dez da manhã. O tempo está bestial. O Fevereiro de Las Vegas equivale aos nossos melhores dias de Primavera. Estou sentado na esplanada do Starbucks do Golden Nugget a beber um copo enorme («venti size», maior que o «tall» e o «grande») de «coffee of the day», que garantem ser da Etiópia.

 

O Starbucks é assim. Levam-nos 3.07 USD por um copo de café (2.85 a mercadoria mais 0.22 de taxas para o Estado de Nevada) mas deixam-nos de bem com a nossa consciência, pois vendem café de Timor e da Etiópia, o New York Times e CDs da Joni Mitchell e da Maggie Gyllenhaal. O Starbucks é um filho bastardo do fabuloso poema America, de Gingsberg («America, quando serás digna do teu milhão de trotskistas?»). O Festival de Sundance é um filho legítimo pois não tem fins lucrativos - não é um «rip off» (uma roubalheira) como o Starbucks.

 

Apesar de tudo, eu não acho o Starbucks caro. Depende. Se se compra o café para levar e beber na rua é mesmo uma roubalheira. Mas se se encara o preço do café como algo que inclui, para além so preço da bebida, o aluguer da mesa, que vamos ocupar pelo menos durante três horas, a ler American Express de Las Vegas, a pôr o email em dia (apagando todos os mails que nos prometem emagrecer enquanto dormimos, «enlarge your penis» ou que oferecem Viagra e Cialis a preços de saldo), pastar a paisagem, dar explicações de francês, ou galar a mãe ainda um pouco gorda mas mesmo assim apetitosa e sequiosa de atenção que empurra cadenciadamente o «side car» com um bebé de peito metido lá dentro (é claramente a mão que embala o berço...), bem, se se trata disto, então o preço pode não ser assim tão caro...

 

Passei o meu último dia em las Vegas na «Downtown», que exala um ar deliciosamente decadente e tem na Fremont Street, uma rua coberta, o seu centro de gravidade.

 

A Baixa, que também responde pelo nome de Glitter Gulch, atrai criaturas ainda mais bizarras do que a sua irmã (muito) mais nova, a Strip, reluzente e sem rugas nem cheiro a mofo.

 

Bebi um café na esplanada do Starbucks do Golden Nugget, a admirar a bela fachada do Binion's, o casino-hotel fundado em 1951 por Benny Binion, jogador de Dlaas e contrabandista, que recebe ainda hoje em dia alguns dos mais excicitantes torneios mundiais de poker.

 

A Fremont Street estava cheia pelo som de «Clocks», dos Coldplay, «Born in the USA», de Bruce Springsteen, e «With you or without you» dos U2, enquanto eu, sentado na esplanada do Starbucks do Golden Nugget, tentava decidir se estava ou não a viver um momento perfeito.

 

Almocei  por sete dólares uma sandes de pastrami e uma Bud Lite no Golden Gate, o herdeiro do Sal Sagev (Las Vegas escrita ao contrário) o primeiro casino de Las Vegas, que faz questão de ainda vender a 99 centims o seu «shrimp coctail» (se bem que disponibilize a versão «big» a uns mais actuais 2.99 USD).

 

Espiolhei as casa de penhores (Pawn) sem arranjar coragem para compra o ouro consumido pela voragem do jogo.

 

Adorei passear-me pelo interior da fantástica Main Station, a estação de caminho de ferro do século XIX que foi reconvertida no mais charmoso dos hotéis-casino da cidade.

 

Depois voltei ao Luxor. «All my bags are packed, I'm ready to go», como cantaram os Peter, Paul & Mary. Dei um dólar de gorjeta para resgatar a Samsonite cinzenta que comprei por cem dólares, em Seul, há quatro anos. Apanhei o Shuttle que me levou por 5.50 USD ao aeroporto (à chegada «tipei» o motorista com um dólar). E apanhei o voo da Continental para Nova Iorque.

A chave do meu quarto no Luxor
publicado por Jorge Fiel às 00:41
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Uma empregada de mesa chamada Sugar que é a rainha do karaoke

 

Neste momento já não tenho dúvidas. A frase «só visto, porque contado ninguém acredita» foi inventada por uma pessoa que foi a Las Vegas e precisava de relatar aos amigos a experiência.

 

Em mais nenhuma outra cidade do Mundo se pode estar no mesmo dia em Veneza, Nova Iorque e Paris. Ou jogar «caribeann poker» a menos dez metros de distância de um leão. Ou ser servido à mesa por uma empregada chamada Sugar que imita na perfeição Petula Clark em «Downtown».

 

Estou obviamente a falar-vos de uma cidade em que de meia em meia hora há um casamento - e um divórcio a cada 45 minutos. «At the end of the day», o balanço é positivo. Viva Las Vegas! 

 

 

3ª FEIRA 13 FEVEREIRO

Passar a tarde com os descendentes de Leo, o leão da MGM

 

Passei a manhã a ver montras nas estreitas ruas de Veneza, com os canais (350 metros deles) a serem permanentemente sulcados por gôndolas manobradas por incansáveis bardos com as camisolas às riscas. Almocei pizza num restaurante na Praça de S. Marcos. O fantástico de tudo isto é que nunca na minha vida pus os pés em Veneza. Fui apenas uma única vez a Itália (o que, eu sei, é lamentável) e não sai de Roma. Estava no Venetian, o hotel-casino ( ou será mais correcto escrever casino-hotel?) de Las Vegas que recria o ambiente da Sereníssima.

 

A seguir ao almoço apreciei os belos frescos (emoldurados a ouro, esta gente não brinca!) do tecto, os mármores, o magnífico desenho das carpetes, e dei uma saltada ao Guggenheim Hermitage, onde estava uma exposição de fotografias de Robert Mapplethorpe e de gravuras maneiristas. O matrimónio era atraente mas deu-me para a fonice e achei o preço da entrada excessivo (15 USD) pelo que me fiquei pela loja do museu. Mais depressa daria os 15 dólares para ver a exposição de fotogarfias do Ansel Adams que está no Bellagio e tem o título genérico America.

 

Não demorei mais de 15 minutos a viajar de Veneza até Nova Iorque, o casino-hotel (ou será mais adequado escrever hotel-casino?) que cometeu a fantástica proeza de reunir num só quarteirão a Estátua da Liberdade, o Empire State Building, a ponte de Brooklyn,  Chrysler Building e a famosa montanha russa Cyclone, de Coney Island, imortalizada por Woody Allen.

 

Em Las Vegas é assim mesmo. Uma pessoa tão depressa está em Nova Iorque, como resolve atravessar a Strip por uma passagem superior e entra no MGM Grand, o hotel-casino (vamos fixar-nos nesta formulação) que tem como principal atracção gratuita a sua colónia de leões - que convivem numa imensa sala com as roletas, as mesas de pano verde e as slot machines.

 

Juram que todos os leões, mais de 20, são todos eles descendentes do Leo, o famoso leão da Metro Goldwyn Meyer. Nesta visita aprendi uma data de coisas sobre leões. Que dormem entre 18 a 20 horas por dia. Que apenas passam 15 semanas na barriga da mãe (nós demoramo-nos por lá 39 semanas, em média). Que quando estão satisfeitos rosnam hummmm e purrrrrr - e esfregam a cabeça uns nos outros. Que o rugido deles se ouve a sete quilómetros de distância (ou seja na outra ponta da Strip).

 

Quem olha para os leões pensa logo na Roma antiga, onde os cristãos eram atirados às feras. Por isso, recuei no tempo até à Antiguidade Clássica. Fui jantar na esplanada do The Palms, no Caesers Palace, com vista para a Fontana de Trevi. Escolhi um Filet Migon de 14 onças, «rare», empurrado por dois copos de Marques de Riscal tinto. 45 USD.

 

 

4ª FEIRA 14 FEVEREIRO

Um bailado aquático com mil repuxos ao som de Pavarotti

 

Ernesto, o motorista preto do Strip Trollye, é senhor de um repertório de piadas bastante satisfatório. Quando aproveitava uma paragem no «Strip Loop» para se ausentar (presumivelmente para um xixi ou um cigarro) declarava à volta, com um ar divertido: «I'm black. And I'm back!».

 

Sempre que um casal se preparava para entrar no autocarro, com a senhora à frente como é dos livros, ele anunciava: «'Morning M'dam. Today we have a special. You don't pay. Your husband pays the double». E assim que terminava a risota regulamentar, atirava um «Happy Valentine!» (era o Dia dos Namorados) e oferecia à senhora um candy».

 

O motorista é um cromo, que sabe adoçar as longas paragens nos engarrafamentos ficcionando histórias sobre as suas quatro ex-mulheres que, diz ele, andam a dar a volta ao Mundo à custa dele, que anda a dar voltas à Strip para lhes pagar a ensão de alimentos - após o que fazia o inevitável trocadilho («alimoney» e «all the money»). Em Vegas, até os motoristas de autocarro têm de ter uma costela de «entertainers».

 

Almocei uma sanduiche de »turkey breast», com «swiss cheddar» derretido, acompanhada por «onion rings» e uma Bud lite, no Lucky's Café, o «diner» do Stratosphere. A empregada chamava-se Sugar e cantava como uma rainha. Um dos requisitos para arranjar emprego neste «diner» é ter talento para o canto, já que nos intervalos de servir à mesa os empregados passeiam-se pela sala, de microfone na mão, interpretando em karaoke grandes êxitos da pop e do rock.

 

Depois subi à torre do Stratosphere, o ponto mais alto de Las Vegas, onde se desfruta de uma formidável panorâmica da extensão da cidade que foi plantada no meio do deserto. De cortar a respiração era não só a vista mas também as diversões do tipo feira popular instaladas lá em cima, a 275 metros de altura.  A mais espectacular de todas era uma carruagem idêntica às da montanha russa que era lançada a alta velocidade, em plano inclinado, para o abismo, imobilizando-se depois, abruptamente, no vazio, seguindo-se um ligeiro deslizar que arranca o último grito das gargantas aterrorizadas dos imprudentes que se dispuserem a pagar para correrem o risco de sofrer um ataque cardíaco. Só de ver, a brincadeira metia medo.

 

O hotel-casino Alladinn (onde as Mil e uma Noites são o tema) oferece uma diversão bem menos radical e mais em conta (é de borla). Trata-se de um tempestade tropical que se realiza todas as horas certas num cruzamento da Desert Passage, talvez a galeria comercial mais interessante da cidade (há lá uma loja que vende, a 35 dólares, T Shirts de um verde magnífico, acompanhados de um certificado garantindo que a cor foi obtida com tinta proveniente da destruição de notas de dólar postas fora da circulação!). O céu pintado no tecto da galeria começa ficar mais escuro, depois é iluminado pelos raios, ouve-se o barulho da tempestade lindissimo, e por fim chove. Mas chove mesmo! É espectacular.

 

Nao menos espectacular foi deliciar-me com o bailado aquático proporcionado pelos mil repuxos do lago do Bellagio, com a água a ser lançada a mais de 70 metros de altura e tendo Pavarotti como banda sonora.  Vi os repuxos aquáticos confortavelmente instalado numa esplanada do Paris, na base da Torre Eiffel, a beberricar uma Miller Lite (5 USD).

 

A noite continuou sob o signo da água. Fui ver ao teatro do Bellagio (uma sala copiada da Ópera de Paris) o mega-produção O (ler ô, de eau, água em francês) do Cirque du Soleil, que se desenrola no mais fabuloso palco que já vi em toda a minha vida, com sete elevadores hidráulicos que fazem baixar e elevar o nível da água, proporcionando saltos e acrobacias para as quais não existem no meu vocabulário adjectivos adequados para os qualificar. O preço da entrada correspondia plenamente à categoria do espectáculo e faltam-me também as palavras para o caracterizar.

publicado por Jorge Fiel às 16:37
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Duas norueguesas com enormes seios e um encontro com Deus no aeroporto Liberty, em Newark

 

Não joguei em Las Vegas porque recebi um sinal divino nesse sentido quando desembarquei em território norte-americano, por volta das duas da tarde (hora de Nova Iorque) de domingo, dia 11 de Fevereiro.

 

Presumo que sabem, senão ficam a saber, que a cerimónia da verificação dos passaportes nos Estados Unidos é das coisas mais chatas, demoradas e humilhantes a que um viajante pode ser submetido.

Como se já não bastasse termos sido obrigados a preencher aquele questionário idiota na tira de papel verde do Department of Homeland Security, em que temos de jurar que nunca estivemos envolvidos em actividades de espionagem, sabotagem, terrorismo ou genocídio, nem metidos, entre 1933 e 1945, nas perseguições movidas pela Alemanha nazi ou seus aliados e, ainda, garantir por fim que não queremos entrar nos Estados Unidos para «perpretar actividades criminosas ou imorais».

 

Um antigo colega meu do Expresso que não tinha sido avisado do protocolo, respondeu mal quando lhe perguntaram qual era o motivo da visita. O desgraçado ousou responder que ia em trabalho. Perguntaram-lhe então pelo visto de trabalho, que ele obviamente não tinha. Foi logo encarcerado numa sala e repatriado no voo seguinte da TAP. Chorou como um desalmado durante o tempo em que esteve preso. Quando voltou teve a lata de descrever no jornal esta sua triste desventura. A última vez que soube dele integrava o «staff» de um ministério do Governo Sócrates...

 

Os agentes da US Costums and Border Protection são rudes e mal educados com toda a gente (dou-lhes o desconto de terem sido treinados e instruídos para adoptarem essa atitude), excepção feita às duas jovem norueguesas que estavam à minha frente na fila, possuidoras de um «look» ultra saudável e tão bem apetrechadas que estou certo que nunca lhes passará pela cabeça submeterem-se a operação plástica para aumentarem as mamas.   

 

Há uma maneira simples e infalível de apurar qual é a fila mais rápida. É sempre aquela em que eu não estou.

 

Quando cheguei ao controlo do passaportes em Newark julguei que o meu azar tradicional tinha acabado. Descobri que uma das seis filas em actividade tinha consideravelmente menos gente que as outras. Quase metade. Esgueirei-me muito sorrateiro para ela, convencido que desta vez não seria o último a passar na alfândega. Doce engano.

 

Entretanto chegou outro voo, abriram mais postos de controlo, moveram para lá ordeiramente passageiros das filas maiores e, quando tal, dei por mim a ser o único passageiro à espera de entrar em território dos Estados Unidos, atrás das duas norueguesas com grandes seios que confraternizavam animadamente com o tipo do seu posto e o do posto ao lado, que me tinha impedido de ir para lá quando ficou livre (preferiu ir ajudar o colega do lado a desalfandegar as beldades nórdicas).

 

Depois disto, o que é que estavam à espera?! Que eu fosse para Las Vegas jogar poker? Na alfândega de Newark, Deus aconselhou-me, de forma clara e inequivoca, a manter-me longe do pano verde.

 

Como o prometido é devido, início hoje um breve diário da minha última viagem aos Estados Unidos. Para não eternizar o folhetim vou tentar um dois dias em um, todos os dias.

 

 

Domingo, 11 Fevereiro

Um passageiro nervoso com fato de treino cor de merda

 

Não tenho qualquer dúvida em eleger o lugar junto ao corredor como o melhor na turística de um avião. Sempre que faço o «check in» nunca me esqueço de pedir um «aisle seat».

 

As vantagens da coxia são inúmeras. Para começar, uma pessoa levanta-se sempre que lhe apetecer, sem ter de incomodar ninguém. E para continuar, pode usar (com algum cuidado, é certo, para não fazer nódoas negras nas pernas das hospedeiras) o espaço aéreo do corredor.

 

Não havendo corredores, peço um lugar à janela. Desfruta-se da paisagem, pelo menos na aterragem e descolagem.- durante o resto da viagem o mais certo é ser sempre a mesma monotonia, mar ou nuvens. O «window seat» tem sobre os outros a pequena vantagem de permitir encostar a cabeça ao avião, o que é útil se a opção for dormir e ainda confere algum poder descricionário e estratégico sobre a janela.

 

O pior de todos é o lugar do meio. Estar entalado entre dois desconhecidos (muitas das vezes excessivamente espaçosos) cujos cotovelos invadem, sem qualquer cerimónia, os braços do nosso assento é um inferno, um verdadeiro bingo negativo.

 

A Declaração Universal dos Direitos do Homem devia proibir as companhais aéreas de comercializarem os «middle seats». É um tortura viajar sentado no lugar do meio, que se for vago é bastante útil para os passageiros da coxia e janela acomodarem jornais, esferográficas, livros, camisolas, cadernos de apontamentos, enfim, o que lhes apetecer.

 

Há sempre uma excepção a todas as teorias e a minha teoria sobre as vantagens e desvantagens dos diferentes assentos no avião não é excepção. Tem, por isso, uma excepção.

 

A excepção dá pelo nome de «emergency row». Qualquer lugar, mesmo o do meio, numa fila de emergência é melhor que qualquer outra assento na classe turística. Porquê? Por causa do extraordinário espaço disponível para as pernas dos passageiros bafejados com esses lugares.

 

A vida está má para toda a gente e as companhias aéreas regulares, para fazerem face à concorrência feroz da «low cost», optaram por poupar no espaço (aumentando as filas, e consequentemente o número dos lugares, à custa do espaço vital consagrado a cada passageiro) e no serviço (a distribuição de jornais na turística já é uma saudade e as bebidas alcoólicas nos voos da Continental, mesmo nos intercontinentais, custam quatro euros ou cinco dólares cada uma). O resultado final é que os passageiros são encaixotados num espaço ainda mais reduzido que a solitária do Tarrafal e viajam com as pernas encolhidas tal qual como se estivessem sentados na sanita de um T0.

 

Passei as oito horas que durou o voo CO 65 de Lisboa para o Newark Liberty Airport confortavelmente instalado no 16A, o lugar de janela de uma «emergency row». Confesso que devo o facto de ter atravessado o Atlântico Norte com as pernas esticadas a uma cunha providencial e bem sucedida.

 

O braço do protector das minhas pernas não foi suficientemente longo para se estender ao voo C0 1468 entre Newark e Las Vegas, onde me foi atribuido um lugar de corredor (35C) na fila imediatamente atrás à de emergência. O avião ia cheio, sem um único lugar vago. Neste caso, funcionou a sorte.

 

No lugar exactamente à frente do meu estava sentado um passageiro trajado com um fato de treino castanho, obviamente caro e ululantemente feio, que estava nervoso. Nos preparativos para a partida, foi pelo menos três vezes buscar ou depositar coisas na bagagem de mão que tinha arrumado na bagageira. E no momento exacto antes de partir, após uma misteriosa chamada telefónica, mesmo antes daquele momento mágico em que a hospedeira anuncia que as portas estão «in armed», o nervoso passageiro do fato de treino cor de merda pegou na mala de computador e no trolley Samsonite (da mesma cor e material) e basou do avião, ainda estou para saber porquê.

 

Eu nem queria acreditar. Quando passou por mim a aeromoça (era parecida com qualquer uma das Supremes e a farda azul escura da Continental assentava-lhe bem), agarrei-lhe delicadamente o braço e perguntei-lhe se o assento da frente estava livre. Ela abençoou o pedido subjacente à minha pergunta com um rápdo e seco «move on». E assim as minhas pernas (não tenho aspecto de jogador da NBA mas ainda assim meço 1m82) estiveram em liberdade durante as quase seis horas que durou o voo até ao McCarran Airport, em Las Vegas, Nevada.

 

 

2ª feira 12 Fevereiro

A geografia da Strip e uma acertada política de transportes

 

A primeira coisa que faço quando desembarco numa cidade que não conheço é estudar o mapa e a rede de transportes públicos. Como não sou rico, nem ganhei a lotaria, nem tenho crédito a habitação no BES, não me posso dar ao luxo de fazer as deslocações de táxi. Além de que faz péssimo ao meu coração estar a obervar o trabalho do taxímetro.

 

A geografia de Las Vegas é muito fácil.  A coluna vertebral é uma extensa avenida, a Las Vegas Boulevard, que em parte importante da sua secção sul é bordada por hoteis-casinos de ambos os lados. A essa porção, delimitada a sul pelo Mandalay Bay e a norte pelo Stratosphere, chama-se a Strip, que tem uma extensão aproximada de oito quilómetros. A Las Vegas Blv segue para a norte até à Downtown, que tem um ar encatadoramente decadente, onde estão os primeiros casinos. A Fremont Street, uma rua coberta e que é animada diariamente à noite por espectáculos de luz e som, é o coração da baixa. Há portanto duas zonas de interesse em Vegas. A Strip e a baixa, também conhecida por Glitter Gulch.

 

Há três meios de transporte público (além do táxi):

 

a) O monorail, que circula num trajecto mais ou menos paralelo à Strip. A sua estação mais a sul é junto ao MGM Grand. A sul acaba o seu percurso numa estação a seguir ao Las Vegas Hilton, a uma «walking distance» do Stratosphere. Tem a vantagem de ser rápido e as desvantagens de ser caro (cinco dólares a viagem) e ter um percurso reduzido;

 

b) O Deuce, um autocarro de dois andares que percorre a toda a Los Angeles Boulevard nos dois sentidos, ligando a Baixa até ao hotel mais a sul (o Mandalay Bay). O autocarro funciona numa base 24/7 (ou seja 24 horas por dia nos sete dias da semana) e tem uma frequência óptima: passa com um intervalo entre sete a 12 minutos. Uma viagem custa dois dólares, mas um passe de 24 horas (contadas a partir da aquisição) custa cinco dólares;

 

d) O Strip Trolley, um simpático autocarro antigo, com bancos em madeira, que faz cinco percursos turísticos: o South Loop (ainda mais a sul do Mandalay, um trajecto apenas interessante se o objectivo for fazer compras nos «outlet»), o Strip Loop, o East Loop (que vai até ao um bocado periférico Hard Rock Café), o Strip Loop (Mandalay-Stratosphere) e o Downtown Loop. A viagem custa dois dólares, o passe diário fica por 6.50 USD. E o motorista tem poderes para negociar consigo passes com duraçao supeior. Eu comprei um de quatro dias por 12 dólares.

 

A minha opção inicial pelo Strip Trolley não foi a melhor. Os motoristas são divertidos, os trajectos são adequados mas muito demorados (os oito km da Strip demoram quase duas horas a ser vencidos devido às múltiplas paragens e às brincadeiras dos motoristas), as paragens ficam em locais um pouco laterais, e a frequência é desasatrosa - cheguei a estar mais de meia hora à espera de um.

 

A boa opção para conhecer Las Vegas é usar o Deuce.   

publicado por Jorge Fiel às 13:33
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Sim, eu fui a Las Vegas e não só não joguei como também não me casei

 

 

É extraordinário. Absolutamente extraordinário. Estive quatro dias inteirinhos instalado no Luxor (é aquele hotel-casino em forma de pirâmide que tem à frente uma réplica da Esfingie da altura de um prédio de cinco andares), em Las Vegas, a cidade do pecado, e não pequei (uma única vez que fosse), nem joguei, nem me casei. Acho que estou a um passo da beatificação. Temo que os meus amigos me passem a tratar como o beato Fiel.

 

 

Jogar podia. Casar não podia, porque já usufruo desse estatuto legal. Reincidir na contracção dos laços do matrimónio implicaria deslizar para as turvas águas da bigamia - que além de pecado é também crime. Ora eu posso ter muitos defeitos mas não sou um criminoso.

 

Podia jogar, mas não joguei. No thriller «O Peso da Prova», Scott Turow escreveu: «A libido é uma espécie de portão enferrujado. Uma vez aberto, é muito difícil fechá-lo». Dito por outras palavras, há demónios que mais vale deixar em sossego. Deixei de fumar há 15 anos e não ouso, nem por brincadeira, pegar num charuto. Adoro a emoção («thrill») de um jogo de poker mas tive medo de trocar cem dólares em fichas («chips») e sentar-me à mesa de pano verde. O jogo é como a libido...

 

As gigantescas salas dos casinos impressionam. Estão sempre a uma média luz, pontuada pelos irrequietos neons das «slot machines» que nada revela sobre a hora do dia. Tanto pode ser meio dia como meia noite.  Acresce que não há relógios nas paredes nem a mínima sinalização da saída. A única maneira segura de descobrir o caminho para a rua é seguir os letreiros que indicam Registration, pois o balcão do «check in» fica sempre junto à principal porta de entrada.

 

Las Vegas tem 1,8 milhões de habitantes (e uma fantástica taxa demográfica de crescimento de 5% ao ano!) que vivem essencialmente da mono-indústria da cidade - o entretenimento, em todas as suas vertentes. Em 2006, a Meca do jogo foi visitada por 38,9 milhões de turistas que asseguraram uma generosa ocupação dos 132.600 quartos de hotel da cidade.

 

Os casamentos são um dos subprodutos mais emblemáticos da oferta turística da cidade. Em 2005, realizaram-se 122.259 casamentos em Vegas. Este ano prevê-se uma verdadeira loucura de casamentos para o dia da sorte que só ocorre uma vez por século: 7.7.7 (7 de Julho de 2007).  Cada hotel-casino tem produtos estruturados de casamento. A oferta do Monte Carlo Resort & Casino começa com o Princess Package, que cobra 385 US dólares pelo casamento, que terá de se realizar de 2ª a 6ª (feriados e fins de semana estão excluidos), e acaba no Chateau Royale Package, que custa 1510 USD, que inclui um jantar para dois no restaurante Blackstone's, duas noites no «standard deluxe room», 20 fotos e um DVD para mais tarde recordar.

 

A cidade do vício e do pecado é um lugar estranho. É impossível andar na rua sem coleccionar pequenas cartas coloridas em que as Lily, Savanna, Misty, Nikki, Angel,  Kira, Sandy, Yvonne, April, Harmony, Belle, Bonnie, e por aí adiante, disponibilizam os seus serviços (o leque de preços da minha amostra oscila entre os 35 USD e os 65 USD, sendo que a Kissarah e a Krista cobram 79 USD mas são duas e garantem «free introduction) e fornecem uma amostra dos seus atributos fisicos - para chamar a atenção do pessoal e provocar alguma polémica, optei por abrir este «post» com uma composição feita a partir destes cartões. No entanto, a prostituição, legal na maior parte dos condados do Estado do Nevada, e proibida no Clark County, ou seja em todo o perimetro urbano de Las Vegas.

 

Outros aspectos draconianos da lei surpreendem. Nas noites de fim de semana ou de dias feriados, os menores de 18 anos estão proibidos de circularem na Strip (os cerca de seis quilómetros da Las Vegas Boulevard bordados por casinos dos dois lados) depois das 21 horas, a não ser que estejam acompanhados pelos pais. Fora da Strip, os sub 18 não podem circular sozinhos na rua depois das dez da noite, à semana, ou após a meia noite, aos fins de semana.

 

Para não dotar este «post» de uma dimensão pantuagruélica e de dificil digestão, optei pelo formato fascículos e ao longo dos próximos dias continuarei a socializar com todas as preclaras e preclaros as minhas mais fortes impressões desta estadia em Las Vegas. Usando o formato de diário.

 

publicado por Jorge Fiel às 11:30
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Pinho na China, mais um passatempo divertido e educativo

 

A viagem de Manuel Pinho à China foi muito mais que a frase infeliz sobre os nossos salários baixos, que ofuscou todo o brilho e fulgor da presença do ministro da Economia na pátria de Mao Tsé Tung.

 

Com o subido objectivo de conceber um passatempo, a um tempo divertido e educativo, sobre a viagem de Pinho à China, a Roupa para Lavar consultou atentamente vários jornais, com especial destaque para a genial reportagem assinada por Pedro S. Guerreiro, que ocupa quatro páginas da edição de 3ª feira dia 6, do Jornal de Negócios, profusamente ilustrada com desenhos inéditos do émulo do saudosso Oliveira da Figueira.

 

Como é já habitual nos nossos passatempos, a resposta certa é sempre a b).

 

1. A quem cravou Pinho um cigarro, a bordo do Boeing 767 que o trouxe de volta da China?

 

a) Macário Correia;

 

b) António Mota (Mota-Engil)

 

c) Noddy.

 

 

2. Para onde atirou a beata acesa quando acabou de fumar?

 

a) Enfiou-a na boca e engoliu-a;

 

b) Deitou-a no recipiente do lixo embutido na cozinha do avião, obrigando a uma intervenção imediata e de emergência da hospedeira para evitar que deflagrasse um incêndio;

 

c) Escondeu-a no bolso direito do casaco de Sócrates, que dormia na primeira fila do avião, com os olhos vendados.

 

 

3. O que disse o ministro a Pedro S. Guerreiro à saída da palácio do Povo (Pequim)?

 

a) «Sabe por que é que o Sócrates já não anda com a Fernanda Câncio? Quer que lhe faça um desenho?»

 

b) «Quer voltar a falar sobre a minha visão sobre politica económica? Tenho mais uns desenhos...»

 

c) «Sabia que a linha telefónica de apoio às lésbicas chinesas está congestionada? Já falei disso ao Granadeiro e ele concordou que é uma bela oportunidade de negócio para a PT...»

 

 

4. Quando foi a primeira vez que Pinho confiou a S. Guerreiro os seus esboços em desenho sobre o futuro da economia portuguesa?

 

a) Há sete meses, na Horta Seca, no final de um almoço de dourada grelhada (criada em cativeiro pela Pescanova), abundantemente regado com duas garrafas de Planalto (fresquinha)s;

 

b) Há seis meses, durante a viagem de José Sócrtes ao Brasil;

 

c) Em Janeiro, no primeiro intervalo da estreia da peça Hamlet no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, onde foi acompanhado por dois outros fãs de Shakespeare: Lili Caneças e Carlos Castro.

 

 

5. Com que frase enigmática o ministro deu por terminada a sessão de desenho com o jornalista?

 

a) «Quatro. O número mágico é quatro. São quatro os evangelhos canónicos, os pontos cardeais, os ventos e as bestas do Apocalipse»

 

b) «A Autoeuropa é do caraças»;

 

c) «Hasta da vista, baby».

 

 

6. Quais são para Pinho os cinco sectores-estrela da economia portuguesa?

 

a) Têxtil, calçado, agricultura, cerâmica e cortiça;

 

b) Madeira, petroquimica, turismo, energia e piscicultura;

 

c) Aeronáutica espacial, jogo, futebol e prostituição.

 

 

7. A que se referia o minìstro da Economia quando disse: «é assim, pequenina...»?

 

a)  À dimensão do seu órgão sexual;

 

b)  À economia portuguesa;

 

c) À distância que o separa do PSD.  

 

 

8. Qual foi a frase em inglês que usou para se caracterizar?

 

a) «I'm the special one»;

 

b) «I'm the one they love to hate»;

 

c) «I am a machine».

 

 

9. Depois de Pinho ter dito a frase fatal («Somos um país muito competitivo em termos de custos, nomeadamente custos salariais, que são mais baixos do que a média da UE») Sócrates falou com ele em altos berros. Qual foi o objectivo desta descompostura, de acordo com uma fonte oficial do gabinete do primeiro ministro?

 

a) «Exercer alguma violência psicológica sobre o ministro e ameaçá-lo com o esvaziamento de funções, e atribuição de tarefas mais condizentes com as suas qualificações, se ele não conseguir para de dizer disparates»;

 

b) «Levantar o ânimo do ministro, incentivá-lo e obrigá-lo a reagir, porque ele tinha ficado muito em baixo depois de conhecer as reacções em Portugal às suas declarações sobre os salários dos portugueses».

 

c) «Convencer o ministro a adoptar uma nova terapia comportamental que consiste em todos os dias, à noite, repetir dez vezes, em frente ao espelho da casa de banho, a seguinte frase: 'Eu sou muito bom, eu sou muito inteligente e as pessoas gostam todas muito de mim'».

 

 

10. O que disse Jorge Coelho a propósito da frase fatal de Pinho?

 

a) «Ele está lelé da cuca»;

 

b) «Convém dizer, em abono da inteligência de Manuel Pinho, que ele não pensa aquilo, como e óbvio»

 

c) «Ir para a China falar nos baixos salários portugueses é como vender gelados aos esquimós ou petróleo à Arábia Saudita» 

 

Pinho conversa com S. Guerreiro ao mesmo tempo que desenha e fuma. O nosso ministro da Economia é um barra
publicado por Jorge Fiel às 19:28
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Uma singela homenagem ao ministro da Economia e Oliveira da Figueira, seu líder espiritual

  

A melhor frase sobre a vedeta da semana foi dita aos microfones da Rádio Renascença por Francisco Sarsfield Cabral: «Ir para a China falar nos baixos salários dos portugueses é como vender gelado aos esquimós ou petróleo à Arábia Saudita».

Esta bela frase teve o condão de fazer luz no meu espírito. Manuel Pinho é um português genuíno, legítimo herdeiro de Oliveira da Figueira, o memorável personagem português da saga Tintin.

Em homenagem ao bom Oliveira da Figueira e ao seu fiel seguidor Manuel Pinho reproduzo algumas vinhetas de Hergé bem como uma crónica sobre o nosso ministro da Economia que publiquei na primeira semana de Outubro, no diário económico Oje.

 

 

Borat Sagdiyev e Manuel Pinho

 

Manuel Pinho é como o herpes labial. Pode parecer que desapareceu, mas acaba sempre por voltar. Na 4ª feira de manhã, eu estava acondicionado num lugar de corredor de um Airbus da Lufthansa com destino a Berlim, a ler o International Herald Tribune, quando tropecei numa fotografia a quatro colunas do nosso ministro da Economia, com aquela cara, pessoal e intransmissível, de sósia involuntário de Mário Moreno, o célebre Cantinflas.. 

 

A estúpida inutilidade da publireportagem que ocupava duas páginas sobremesadas por uma página de publicidade da Galp, paralisou-me a boa disposição que ganhara com a leitura de dois magníficos artigos sobre a revolta dos chefs japoneses contra o açambarcamento pelos novos milionários chineses do atum «bluefin» e os sucessos do esforço da produção de esturjão em cativeiro que está a conseguir manter o caviar nas mesas apesar do brutal aumento da procura. Virei rapidamente as páginas da publireportagem, como o fizeram todos os leitores sensatos do «Trib».

 

Chegado a esta altura, devo dizer que simpatizo muito com Manuel Pinho, que teve a bondade de emendar um primeiro contacto telefónico hostil (da parte dele) com um convite para um almoço de peixe, onde se revelou uma pessoa culta, divertida e com excelente conversa. É encantador e impecável, mas tem tanta capacidade para o lugar como eu para colmatar a falta de uma ponta de lança eficaz no plantel do FC Porto.

 

Quinta feira, o Tribune incluía uma publireportagem de quatro páginas sobre o Cazaquistão. Não precisei de espremer muito as meninges para perceber o porquê. Nazarbayev, o presidente cazaque, ia recebido por Bush e os seus assessores pensaram que era uma boa ideia fazer uma publicidade que amaciasse os danos à imagem do pais causados por Borat Sagdyev.

 

Borat, um (falso) jornalista de televisão cazaque, é uma personagem do cómico inglês Sacha Cohen, que se estreou em 2005, apresentando em Lisboa os MTV Europe Music Awards, com uma exibição portentosa que desencadeou protestos oficiais do Governo de Astana.

 

Sacha/Borat não desarmou, e tem vindo a garantir que apesar da bebida oficial do pais ser feita a partir da fermentação de urina de cavalo, o Cazaquistão é uma pais tão civilizado como qualquer outro – as mulheres foram autorizadas a viajar nos autocarros, os homossexuais foram dispensados do uso obrigatório de chapéus azuis e a idade do consentimento foi elevada para os oito anos.

 

Nos jornais de ontem, vi Pinho a corrigir. Que não, que os 3%  previstos para 2007de que falou na semana passada não se referem ao crescimento do PIB mas antes à redução do défice. E que o PIB ia este ano crescer 1,5%. Cada cavadela sua minhoca.

 

As previsões do Governo são 1,2% de crescimento do PIB este ano e, para o próximo, reduzir o défice para 3,7%. Li também relatos de um encontro conspirativo de Pinho com a Repsol (no entretanto desmentido) para prepararem em segredo (ah,ah,ah!) a fusão da EDP com a Gas Natural.

 

Os cazaques têm Borat para os ridiculizar. Nós não precisamos.

publicado por Jorge Fiel às 18:20
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

Triunfo da Starbucks assinala decadência gaulesa

A Place des Vosges é provavelmente a praça mais bonita de Paris

Há um Starbucks no Louvre e outro na Madeleine. Só para citar dois exemplos. Os Starbucks estão a invadir Paris e isso é muito bem feito. É a prova dos nove da decadência gaulesa. Os franceses inventaram os cafés, mas acabaram por os musealizar.

 

O café de que gosto e quero frequentar é um café onde posso rapar do baralho de cartas e jogar, abrir o portátil e responder aos mails, onde passo a tarde a ler um livro do Simenon  ou a anotar ideias com a caneta roxa da Muji nas folhas quadriculadas do caderno Clairefontaine.

 

 

POESIA

O Nicolau deu-me a bela ideia de falar da Adília

 

A chegada do meu distinto amigo Nicolau a esta página de blogues deu-me a ideia de falar um pouco de poesia aqui na Roupa para Lavar: Acho que é uma bela ideia. Fiquei logo apaixonado por ela (a ideia) Só lhe descubro vantagens. Para começar, eleva um pouco o nível cultural deste blogue, cuja futilidade já começa a ser criticada em voz alta por parte da freguesia -e com razão. Veja-se, a título de exemplo a certeira crítica produzida no domingo passado pela inestimável Buzian.

 

Bom, como sabem, não tenho segredos para vocês, por isso devo confessar que não sou um grande entusiasta de poesia. Consumo alguma coisa, mas pouco, muito provavelmente devido à minha enorme falta de sensibilidade. Às vezes dou mesmo por mim a pensar porque é que na esmagadora maioria das vezes os poetas não aproveitam as linhas todas e desperdiçam tanto papel. E convenço-me que mais dia menos dia esse desperdício vai ser proibido, ou pelo menos declarado politicamente incorrecto. Estão a ver as implicações ambientais dessa mania, a quantidade de árvores abatidas, o aquecimento global e outras coisas assim parecidas...

 

Consumo pouco poesia, mas ainda assim vou lendo alguma. Sou, por exemplo um fanático admirador da Adília Lopes, a quem cheguei pela porta da prosa (guardo religiosamnete as crónicas que ela escreveu para a Pública). E por isso apetece-me reproduzir aqui um poema dela, apesar dela não ter morrido (os poetas por norma são apenas lembrados na hora da morte ou do Prémio Pessoa). Pelo menos que eu saiba, ela estava viva - pode estar com uma gripe mas creio que está viva.

 

Por isso aí vai um naco de poesia da Adília, extraído o livro Sete Rios Entre Campos e cuja reprodução não tem impoacto ambiental negativo (eu não sou assim tão distraído e estou a par da campanha pró ambiental que o Expresso tem em curso):

 

É preciso agir

é preciso foder

isto é etimologicamente

cavar na cidade

é por vezes

tão difícil foder

como cavar

mas mando quinze tampas

de iougurte Longa Vida

natural

para o Apartado 4450

e plantam-me

uma alfarrobeira

na Arrábida 

 

 

LINGUA

O «então vá» não passa de um porco galicismo

 

Detesto o «então vá» que é cada vez mais usado a sul da Serra dos Candeeiros para pôr um ponto final a um conversa telefónica (ou até mesmo presencial). Aborrece-me que o pessoal da corda linguística tivesse andado ocupado com a TLEBS e não se tenha pronunciado sobre o terrivel hábito do «então vá», ainda mais irritante que o «pá» (falecido ou pelo menos em vias de extinção) ou o recorrente «tasse bem».

 

Penso que achei a sua origem na semana passada, em Paris. Estou convencido que o «então vá» é uma miserávele porca tradução livre do francês «vas y».

 

 

MÚSICA

Como Cristina Branco mudou a vida de Da Silva

 

O Emmanuel Da Silva, não é um cantor grande (acho que só com boa vontade chegará ao metro e meio, a Felícia iria adorar conhecê-lo) mas é, sem dúvida  um grande cantor. Recomendo a todos as preclaras e preclaros o seu disco de estreia «Decembre en Eté», que apesar dos tempos sombrios em que vive a indústria discográfica vendeu 80 mil exemplares em França.

 

Da Silva, filho de um emigrante português de Braga, tem 30 anos, todos os anos passa um mês na casa que os pais fizeram na Ericeira. Começou com uma banda punk e mudou de ideia depois de ouvir discos de Cristina Branco e Amália Rodrigeus. «Compreendi que transmitir mais poder e emoção só com uma voz e uma guitarra do que com todo o barulho de uma banda punk».

 

Madredeus, Mísia e Johnny Cash são algumas preferências musicais deste cantor autor, que não aprecia muito Mariza. Tenho pena de não poder incluir (por razões técnicas) neste blogue uma amostra das palavras e músicas de Da Silva. mas estou na disposição de mandar  uma canção por mail a quem o solicitar.

 

 

SOCIAL

Merche morena, Elsa vota Não, Cinha animadora e Sócrates está só

 

A Merche copiou a Cameron Diaz e apareceu de cabelo escuro e apareceu em público com o antigo namorado.

 

A Elsa Raposo mudou de visual no terceiro mês de gravidez e tem em curso uma cruzada contra a quebra da taxa de natalidade. Diz que não sabe qual é o sexo do bebé que está a crescer na sua barriga (há mesmo quem diga que ele desconhece mais coisas fundamentais, tais como, por exemplo, quem é o pai. Mas garante não desanimar: «Ainda quero ter outro bebé depois deste». Boa. Acho que vai votar Não no referendo.

 

A Cinha Jardim desmente romance com o professor de surf, mas aparenta não se importar com o boato: «Com um país tão cinzento, cá estou eu para o animar». Apesar do desmentido, Elsa Raposo declara condenar a aproximação enter Cinha e o o seu ex Mário Esteves, que acumula a profissão de professor de surf com a de realizador de cinema. 

 

Sócrates e Câncio ter-se-ão separado. Ambos estiveram no concerto de Cura contra a leucemia, mas não se falaram. Se quiserem confirmar, liguem ao António José Teixeira, ao Luís Paixão Martins ou deixem um comentário com essa pergunta no blogue da Fernanda Cãncio.    

 

 

ECONOMIA

O Manel Pinho é um tipo porreiro mas aproveitou-se do Ludgero

 

Estou convencido que o Manuel Pinho é um tipo porreiro, mas ele acha que eu o persigo. Como é óbvio, está enganado. Ele não precisa de ser perseguido, porque se persegue a ele próprio.

 

A ideia de tentar atrair investimento chinês argumentando com os nossos baixos salários não é exactamente nova.  Foi copiada de Ludgero Marques, o presidente da AEP, que em entrevista ao imperdível  Porto Canal afirmou que Portugal é a China da Europa e preconizou um aumento generalizado de 20% dos salários, acompanhdo pela flexiblização da legislação laboral.

 

 

A LIÇÃO DA SEMANA

Aprender Cultura do Futebol Para Fazer Benefício Do Glorioso Expresso

 

O Custódio, do Sporting, falha apenas 8% dos passes. A percentagem de falhanços de Raul Meireles, do FC Porto, ronda os 30%.

 

Quem é melhor? Se responder Custódio, vai perder. O sportinguista falha poucos passes mas não adianta nem atrasa, porque passa sempre a bola para o lado, para um colega que está a um metro de distância. Raul Meireles falha mais porque opta quase sempre por passes longos, chamados de ruptura. Quando acerta, cria um desiquilbrio que pode acabar em golo.

 

No Expresso, temos Custódios a mais e Raul Meireles a menos.

 

 

 

 

publicado por Jorge Fiel às 15:19
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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