Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Aprender Cultura do Futebol Para Fazer Benefício Do Glorioso Expresso

O mais importante acontecimento da semana deu-se à hora de almoço de quarta-feira, quando eu decidi ir ver o «Scoop» ao Shopping Cidade do Porto.

 

Se «Match Point» me reconciliou com Woody Allen (zanguei-me com ele há muitos anos, quando vi o «Stardust Memories»), «Scoop» obrigou-me a ir a correr voltar a inscrever-me no clube de fãs dele.

 

Se «Match Point» era fabuloso, «Scoop» é ainda mais magnífico e espectacular. Ambos têm Londres e Scarllett Johansson, com Woody Allen atrás da câmara, o que é uma mistura explosiva. E «Scoop» ainda tem o  bónus de ter Woody Allen, em duas versões, a masculina (interpretada por ele próprio, no papel de Sidney Waterman, um velho mágico norte-americano) e a feminina, Scarlett no papel de Sondra Pronsky,  uma estudante de jornalismo que faz de Woody Allen de saias.

 

Em beneficio das preclaras e preclaros que ainda não foram ver «Scoop» chamo a atenção para as três frases que mais me divertiam:

 

«I love you really with all due respect, you're a beautiful person, you're a credit por your race» - elogio de abertura com Sidney brinda praticamente toda a gente que conhece

 

«16 ponies, 21 airplanes, 12 spinning midgets» - mnemónica usada por Sidney para decorar a chave (162112) que abre o cofre de Peter Lyman, o assassino do tarot (já cá faltava os anões, não acham?!)

 

«I was born of the Hebrew persusion but I converted to narcisim», fala de Sidney   

 

Mas, para além deste evento relevante, há que reconhecer que em diversas áreas, como o desporto, a televisão, a sociedade, a economia, o cinema, a literatura e o trabalho, se passaram coisas importantes que um semanário de referência como é o Sunday Post (com a devida vénia ao Expresso, o seu irmão mais velho) não podia deixar de abordar.

 

Na busca incessante do perfeccionismo e da satisfação plena dos leitores, este número um do Sunday Post inclui um passatempo (um momento de descontracção), e uma nova secção (que dá o título a este post: Aprender Cultura do Futebol Para Farer Benefício Do Glorioso Expresso), onde domingo a domingo se extrairão do desporto rei  lições que poderão ajudar o Expresso a tornar-se ainda melhor do que já é. 

 

DESPORTO

Contrafacção, visibilidade e crescimento para os lados

 

«O verdadeiro Miccoli nunca se viu»

Fernando Santos

 

À primeira leitura, fiquei desconfiado e cheio de dúvidas. Será que o meu bom amigo Fernando Santos fez a fantástica descoberta que o Miccoli, que episodicamente joga no Benfica, não é o original, mas antes  uma contrafacção, uma imitação barata? Teria o maior clube do Mundo sido miseravelmente enganado por empresários sem escrúpulos? Quem terá sido o burlão? Há mão do genial Vale e Azevedo neste  embuste? Será que em Itália existem tantos jogadores de futebol chamados Miccoli como no Brasil há Carecas, Ronaldos ou Juninhos?

 

Depois sosseguei e pus-me a pensar - método que recomendo vivamente a todos os meus colegas do Expresso; eu tenho-me dado muito bem com ele. Após breve reflexão finalmente compreendi que o que

Santos queria dizer é que a diminuta silhueta de Fabrizio (o mais pequeno jogador da Superliga), quase um anão (nem sei como logrou escapar à  obsessão que se apoderou de Felícia relativamente às pessoas de crescimento reduzido), o torna invisível à vista cansada dos adeptos do terceiro anel.

 

Devo dizer que acho este critica muito injusta, tanto mais que na véspera, o pequeno italiano tinha-se fartado de levar na cabeça do treinador que o acusou de estar gordo. Santos diz que ele tem oito quilos a mais (e há que descartar a hipotese de estar grávido).

 

Ele responde que se trata tão só de um quilo e meio a mais, e mostra-se quase (digo caso porque a diferença não é de quilo e meio mas sim de um quilo e seiscentas gramas, basta fazer as contas) um perito em aritmética:  «Há quatro anos na Juve pesava 69,5 quilos. Hoje pesei-me e tenho 71,1. É apenas um quilo e meio a mais...».

 

O Miccoli está a ser preso por ter cão e por não o ter. Ao engordar, o ponta de lança só está a fazer um esforço sério e honesto para aumentar a sua visibilidade. É certo que se trata de crescimento para os lados, mas, de que é que estavam à espera?, na idade dele a Natureza veda qualquer hipótese de crescimento em altura. Os ossos da cabeça de Fabrizio há largos anos que deixaram de mexer!

Uma enorme ingenuidade dos dirigentes benfiquistas transpira deste dossier. Os clubes italianos, em geral, e a Juventus em particular, ficaram vacinados relativamente a jogadores a quem a bola dá pelos joelhos desde que o saudoso Luciano d'Onofrio cometeu a proeza de vender, em 1988, por um milhão de contos, o nosso Rui Barros à Juventus.

 

Lembro-me perfeitamente que o senhor Agnelli se queixava amargamente e em voz alta de que tinha de usar binóculos para se certificar se a Juve estava a alinhar com os onze jogadores regulamentares ou apenas dez unidades. Não sei de que é que Luís Filipe Vieira (aka Orelhas) estava à espera quando os italianos lhe despacharam o Miccoli.

 

 

TELEVISÃO

Os gatos podem ser fedorentos e terem bom coração mas também são mitras

 

O Gato Fedorento resolveu pagar a primeira prestação da diívida de gratidão que têm com Marco, aquele que foi expulso do primeiro Big Brother (BB) por desatar aos pontapés a uma pobre sonsa com o cabelo da cor da gema de ovo de que já ninguém se lembra do nome  - provavelmente nem mesmo ela própria.

 

Marco, 30 anos, volta a emergir do anonimato (que se querem a minha opinião é onde ele está bem) ao fazer um sketch para o «talk show» do Gato Fedorento, que vai para o ar hoje na RTP 1. Tudo leva a crer que a interpretação de Marco seja boa, porque o que lhe foi pedido que fizesse dele próprio, o que no meu entender está perfeitamente ao seu alcance.

 

A expressão «eles falam, falam, mas não os vejo a fazerem nada», que foi o último carimbo para a fama do Gato Fedorento (fartou-se de passar na televisão e rádio à boleia de um anúncio do Montepio Geral), foi tomada emprestada a um desabafo sentido proferido por Marco no BB e que tinha como destinatários outras duas luminárias:  o Zé Maria e o Telmo.

 

Os Gatos não se alargaram muito no montante desta primeira prestação. Deram visibilidade ao rapaz (se o Ricardo Araújo Pereira fosse tão benfiquista apregoa o que ele devia fazer era dar visibilidade ao Miccoli para acalmar o Mister!) mas forma um bocado mitras. Não lhe deram cachet - limitaram-se a pagar-lhes o jantar. 

 

 

SOCIEDADE

Eles falam, falam, nas afinal a Inês não está grávida e a Merche não namora o Abel Xavier

 

 

Isto é uma pândega. Uma pessoa gasta dinheiro a comprar uma revista, gasta tempo a informa-se, e depois, quando se prepara para recolher os dividendos de todo este esforço ao tentar impressionar uma colega contando-lhe  - «Já sabias que a Merche agora anda com o Abel Xavier? Se calhar o que ela quer mesmo com este namoro com futebolistas a jogarem em Inglaterra é não ser obrigada a andar na Ryan Air sempre que quer ir a Londres» - acaba a fazer figura de parvo, ouvindo como resposta: «Isso é mentira. A Merche já vem hoje no 24 Horas a desmentir isso. Diz que é uma piada de mau gosto!».

 

Ainda perguntei se o Abel Xavier (o Miccoli que ponha os olhos nele, se há futebolista senhor de grande visibilidade é este defesa que passou ao lado de uma carreira muito mais promissora no andebol) dizia alguma coisa em sua defesa. Não. O grande e louro Abel respondeu com ainda mais circunspecção do que o ministro dos Negócios Estrangeiros quando questionado a propósito dos voos da CIA: «Não tenho qualquer comentário a fazer».

 

A medo, mudei de conversa e parti para outra novidade: «Já sabias que a Inês Castel-Branco está grávida?». Nova cavadela, nova minhoca. A minha amiga esfregou-me novamente na cara a edição de 4ª feira do  24 Horas em que Luísa Castel-Branco, a promitente vovó, desmente terminantemente a ocorrência: «A Inês não está grávida. Não inventem gravidezes à minha filha» e desmonta meticulosamente todos os  sinais que confirmavam o rumor.

 

A Inês engordou cinco quilos porque deixou de fumar (será que o Miccoli também deixou de fumar?) e tem enjoos porque se tornou alérgico ao fumo do tabaco. O único calcanhar de Aquiles da peça do 24 Horas é o facto do putatitvo pai, Filipe Pinto Soares, não ter sido achado a propósito.    

 

 

ECONOMIA

Morte aos morcegos e a quem os apoiar!

 

O descontentamento grassa no Pombal. Motivo: o Instituto do Ambiente (IA) limitou drasticamente a área de implantação de um investimento eólico na Serra de Sicó, alegando que os aerogeradores  prejudicam a comunidade dos morcegos que nidificam no topo da montanha. Narciso Mota, o presidente da Câmara, considera esta medida um «atentado económico», o que se compreende sabendo que que a retribuição paga aos cofres autárquicos pela operadora do aproveitamento eólico cai de 721 mil euros/ano para 242 mil euros.

 

Mas Narciso vai mais longe, acusa o IA de falta de visão estratégica (uma piada subtil, estou em crer, pois, como são noctívagos os morcegos têm a visão pouco desenvolvida, são praticamente cegos) e pergunta se os morcegos são uma mais valia para o desenvolvimento do nosso país.

 

Não posso deixar de apoiar Narciso na sua cruzada contra o Instituto do Ambiente, que inexplicavelmente se transformou no santo protector dos morcegos. Os bichos são tão feios (como se vê pelo exemplar da foto), que a única explicação que encontro para este afã do IA é ele estra infiltrado por fãs do Batman.

 

Após uma pequena investigação, conclui que Não é a resposta certa à pergunta formulada por Narciso: «Será que os morcegos contribuem para o desenvolvimento português?»

 

Os morcegos não estão em vias de extinção. Pelo contrário, são uma espécie populosa que vive em plena expansão demográfica. Um quarto dos mamíferos existentes à face da Terra são morcegos.

 

O facto de serem os únicos mamíferos que voam não transforma este bicho horrível numa espécie útil ou até mesmo simpática (as preguiças, por exemplo, são completamente inuteis mas ao menos são queridinhas).

 

Nós precisamos de atenuar a extrema dependência energética face ao petróleo. No ano de 2010, o petróleo representará 54%  da procura de energia em Portugal, de acordo com um estudo da Agência Internacional de Energia.

 

O nosso país apresenta a mais elevada dependência face ao petróleo do universo de 24 países da OCDE. E no ano passado, apenas 6% da energia eléctrica total consumida entre nós foi de origem eólica. Não pode ser um bando de morcegos a impedir que esta percentagem suba.

 

 

TRABALHO

Carolina tosse e recebe 400 euros de subsídio de desemprego

 

Este ano de 2007 tem sido um enorme canseira para Carolina Salgado (nada a ver com o banqueiro Ricardo Salgado do BES). A ex de Jorge Nuno passou dias a fio fechada numa sala a satisfazer a curiosidade de Maria José Morgado e, como se isso não fosse castigo suficiente, foi acometida por um forte dor toráxica, tosse, expectoração forte e mal estar generalizado, sintomas óbvios de uma infecção pulmonar.

 

A única boa notícia é que vai receber no final do mês o primeiro cheque de 400 euros do Fundo de Desemprego. Apesar de ser a autora do maior «best seller» desde o Código Da Vinci, Carolina ganhou o direito ao subsidio do desemprego por ter provado em Setembro que foi despedida da Imobiliária de Cedofeita (empresa cuja propriedade é atribuida ao seu antigo amante), onde auferia o vencimento mensal de 540 euros.  

 

 

LITERATURA

Como é que os morcegos evacuam?

 

Os morcegos têm umas garras traseiras muito fortes que lhes permitem agarrarem-se facilmente a galhos e saliências. Por isso dormem de cabeça para baixo. Também podem mover-se no chão mas de uma forma muito atabalhoada.

 

Foi com base nesta observação que um investigador do prestigiado Centro de Ciências Cognitivas da Universidade de Gloucester (UK), dirigida por Ralph Messenger, resolveu encontrar uma resposta para a pergunta: «Se passam a vida de cabeça para baixo, como é que os morcegos conseguem satisfazer as suas necessidades fisiológicas de carácter sólido?».

 

Está-se mesmo a ver que se borram todos, por causa da boa e velha força da gravidade que se deu a conhecer há uns séculos atrás, fazendo cair uma maçã (creio que reineta) madura em cima da cabeça de Isaac Newton.

 

O investigador do modo de evacuação dos morcegos é uma personagem secundária do enredo de «Pensamentos Secretos», um dos muitos e magníficos livros de David Lodge. Acho que o que o escritor britânico, que já não é novo, tem a obrigação de responder na sua próxima obra a esta questão que deixou em aberto em «Pensamentos Secretos».

 

 

CINEMA

Mário Esteves prepara novo filme com Cinha no protagonista

 

A Flash registou os preparativos secretos do novo filme de Mário Esteves, o professor de surf que irrompeu intempestivamente no mundo do cinema coma  realização de um video caseiro de uma hora, co-produzido com Elsa Raposo, e que é mais procurado que o Babel.

 

Mário foi surpreendido com Cinha Jardim pela reportagem da Flash à entrada da sua casa em Paço de Arcos, onde se demoraram cerca de duas horas, provavelmente ensaiando cenas do seu próximo filme.

 

Cinha deve substituir Elsa como actriz fétiche do professor de surf.

 

Contactada pela Roupa para Lavar, fonte do ICAM não quis confirmar nem desmentir a entrada de um pedido de subsídio por parte do nóvel cineasta.

 

Mas, segundo conseguimos apurar, a jornalista Felícia Cabrita irá publicar na próxima edição do Sol uma entrevista em que o realizador Sá Leão acusa Mário Esteves de concorrência desleal e falta de ética, recorrendo a uma linguagem bastante musculada.

 

 

PASSATEMPO

Quem é o pai do filho da Elsa?

 

O professor de surf e cienasta Mário Esteves não tem a menor dúvida em usar o famoso método de Guterres («É fazer as contas"!) para reinvidicar a paternidade do filho que cresce dentro da barriga de Elsa Raposo: «Basta fazer as contas. Sei que ela está grávida de 15 semanas e nesssa altura ainda era eu que estava com ela».

 

 

LIÇÃO DA SEMANA

Para marcar golos é preciso rematar à baliza

 

Para ganhar um jogo de futebol é preciso marcar golos. E para marcar golos é preciso rematar à baliza. Podemos passar os 90 minutos regulamentares sem cometer nenhum erro, nem falhar nenhum passe, passando a bola para o colega do lado sempre que um adversário se aproxima. mas não é passando a bola para o lado que se marcam golos e se ganham jogos.

 

O Maniche marca golos espectaculares em remates fora da área. Estou a lembrar-me, por exemplo, daquele que marcou à Holanda nas meias finais do Euro 2004.

 

Mas por cada golo espectacular que marca, Maniche falha dez - e às vezes o remate é tão torto que sai pela linha lateral e não pela de fundo. Mas continua a marcar golos porque não tem medo de rematar à baliza.. Quem tem medo de falhar deve comprar um cão e ficar em casa - não deve entrar em jogo.  

publicado por Jorge Fiel às 12:11
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Do sabão macaco ao Magno, com escala no Lux, o sabonete usado por nove em cada dez estrelas

 

Comecei com sabão azul. Traí o Lux com o Musgo Real e o Rexina. Apaixonei-me pelo Lifebuoy, que de um momento para o outro desapareceu da minha vida. Agora vivo feliz com o Magno, a que já fui infiel, por questões logísticas

 

Na casa dos meus pais, a substituição do sabão azul pelo sabonete foi a mais séria consequência da tímida modernização desencadeada pela Primavera marcelista e os seus sonhos falhados de abertura e Reconversão Industrial.

 

A introdução do sabonete foi o sinal doméstico mais forte do afrouxar do nó da gravata salazarista. O sabão azul. aka sabão macaco, era comprado em cubos habilmente cortados da barra com um enorme facalhão pelo dono da drogaria que usava um longa bata cinzenta , para proteger as suas roupas do dos pós e pingas que fatalmente as atingiriam no decorrer das operações de manuseamento das matérias primas. À época, Portugal vivia ainda na Pré-História dos produtos pré-embalados.

 

Eu sempre me dei bem com o sabão macaco. Apenas me desagradava a rude aspereza inicial, que desaparecia ao fim das primeiras lavagens. Com o uso, as arestas iam-se arredondando e o sabão azul tornava-se tão amigavel e maneirinho para as mãos como o sabonete.

 

Sim. foi o Lux, o sabonete preferido por nove em cada dez das estrelas de cinema, que destronou o sabão macaco na casa dos meus pais.

 

O Lux atacou o nosso mercado com um intenso «blitz» de marketing e publicidade. Quem poderia resistir à tentação de usar o mesmo sabonete que percorria o corpo da fabulosa Elisabeth Taylor, que nos tinha posto todos a babar com a sua entrada na piscina, em Cleópatra? A respostas certa é ninguém (não confundir com o romeiro homónimo da peça Frei Luís de Sousa, de Garrett).

 

Convertido ao sabonete desde a adolescência, fui ao longo da vida traindo o Lux, o meu primeiro amor, com a marca mais barata ou que se apresentava numa embalagem mais gira, até que no virar dos meus 30 anos fui assaltado por uma arrebatadora, embora fugaz, paixão pelo Lifebuoy. Meus Deus!. Aquele cheiro intenso.. Era mesmo assim que eu queria cheirar!.

 

O Lifebuoy era aquele tipo de sabonete a que ninguém fica indiferente. Ou o amavam (era o meu caso) ou o odiavam.. Eu ainda estava apaixonado por ele quando a nossa relação foi interrompida abruptamente, com grande mágoa minha, pelo seu inexplicável desaparecimento das prateleiras dos supermercados. Estou em crer que a a sua produção foi descontinuada (sinónimo em economês para a expressão deixou de ser fabricado).

 

Ao longo dos anos que se seguiram a este súbito perda, fui mantendo relações ocasionais, sem grande compromisso, com diversas marcas, tão fortuitas que não tenho vergonha de confessar que já esqueci a maior parte dos nomes. Recordo-me do Feno de Portugal, do Musgo Real, do Rexina - para me lembrar de mais teria de fazer um tão enorme como desnecessário esforço de memória.

 

Até que, há uns dez anos, fui apresentado ao sabonete Magno pelo meu preclaro amigo e jornalista Carlos Magno, que foi educado no catolicismo mas desde muito novo se converteu ao narcisismo. (1)

 

Não foi um «coup de foudre». Longe disso. Nos nossos primeiros encontros, estranhei as suas formas robustas, enormes bem como a cor preta. Depois, bem, depois, aconteceu o mesmo que acontece com a Coca Cola.  Entranhou-se em mim. (2)

 

Nos primeiros tempos nem sempre lhe consegui ser fiel. Por uma questão logística, bem entendido. Longe da vista, longe do coração, diz o povo na sua imensa sabedoria. Para comprar Magno tinha de ir à Galiza, ou encomendar a quem lá fosse. Até que o posterior desembarque em força  no nosso país das cadeias Froiz (supermercados) e El Corte Ingles resolveu esta delicada questão do abastecimento.

 

A felicidade em que vivo com o sabonete Magno é apenas turvada por um ligeiro mal estar derivado do facto de ele não ser «made in Portugal» e de eu ser um fervoroso militante do Compre Português. Tento atenuar esse leve sentimento de culpa repetindo a mim mesmo que como é galego o Magno não é bem um produto espanhol. É, pelo menos, meio português.

 

(1) Piada nova, inventada pelo Woody Allen. Aprendi-a no Scoop.

 

(2) Piada velha, inventada pelo Fernando Pessoa.

 

publicado por Jorge Fiel às 20:06
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Fui almoçar ao Luca com a Ana Marques e ela ofereceu-me uns óculos escuros Ana Salazar dentro de uma

 

Não tenho segredos para vocês. Ontem, 2º feira, fui almoçar ao Luca com a Ana Marques. Mas, se calhar, para toda a gente perceber de que é que eu estou a falar, o melhor é fazer um resumo do episódio anterior.

 

No passado dia 10 editei aqui na Roupa para Lavar um artigo em que defendi a tese de que deixou de haver mulheres feias desde que os óculos escuros XXL entraram na moda. E ilustrei post e teoria com a reprodução da capa e um fotogarfia do interior da última edição da GQ, onde a vedeta da Sic Notícias se mostra ao Mundo em todo o seu esplendor.

 

O «post» dos óculos escuros XXL foi um estrondoso sucesso. O recorde absoluto de visitas da curta mas já gloriosa história da Roupa para Lavar.

 

Mas eu não sou cego ao ponto de não perceber que a esta afluência não são estranhas as fotos da Ana Marques que documentam a firmeza e claro recorte de todas as planícies e colinas, rectas e curvas, do seu corpinho, cuja idada acaba de a habilitar a candidatar-se à presidência da República - na esteira de Hillary e Segolene.

 

A Ana leu o «post»  e agiu com a elevada classe a que nos tem vindo a habituar. Enviou-me um mail, convidando-me a almoçar ou jantar. Tema da refeição: a sua colecção de óculos escuros.

 

Fiquei sem saber onde meter as mãos. Não estava à espera que ela lesse o «post» - e muito menos que reagisse com tanta serenidade e «fair play». Para quem não o leu, sinto-me na obrigação de informar ter escrito que a minha primeira impressão foi de que ela era uma espécie de Catarina Furtado dos pobres. E atrevi-me a questionar a beleza do seu rosto.

 

Claro que aceitei a sugestão de almoçar com a Ana. Pus apenas a condição de que fosse eu a convidar. Ao fim e ao cabo fui eu quem desencadeou o episódio que originava o encontro. E disse-lhe que levaria os meus óculos escuros azuis que ganhei numa fantástica promoção de Verão da Fanta - três garrafas pelo preço de duas mais os óculos, de borla.

 

O almoço ficou aprazado para 2ª feira, dia 22, às 12h30, no Luca, na rua de Santa Marta (Lisboa), por sugestão minha. Na véspera, a Ana confirmou, por SMS, a sua presença, «fizesse chuva ou fizesse sol» (cito).

 

Esta frase constitui o primeiro de dois sinais, que ainda não sei se deverei interpretar como divinos. Nos cinco minutos anteriores às 12h30 de ontem, choveu e fez sol, o que me fez recordar  que o primeiro trabalho da Ana na Sic foi como apresentadora do Boletim Metereológico. Desses tempos, pensei, deve ter ficado com um bom relacionamento com o S. Pedro.

 

O segundo sinal ocorreu às 12h30 em ponto, quando abriu o Luca (eu cheguei antes da hora) e a primeira cliente a entrar foi um alegada beldade com uns óculos escuros XXXL.

 

A Ana chegou com o ligeiro e chique atraso de quatro minutos, envergando uns discretos óculos castanhos Ray Ban, à aviador. E fez logo o primeiro trocadilho. Que usava sempre óculos escuros, mesmo no Inverno, porque sofria de fotofobia, acrescentando que isso não significava alergia a que lhe tirassem fotos, como tinha ficado demonstrado na memorável produção fotográfica da GQ. 

 

Ainda mal nos tinhamos sentado e ela continuou a surpreender-me tirando, sabe-se lá de onde, uma garrafa de Fanta vazia com os óculos de escuro metidos lá dentro. Um presente para mim!

 

Como fiquei sem palavras (e as pessoas que me conhecem sabem perfeitamente quão raro é isso), a Ana foi ocupando o espaço aéreo com legendas.

 

Que a inspiração tinham sido os barcos dentro das garrafas (só quando ele me disse isso é que eu dimensionei que os óculos não podiam ter sido introduzidos pelo fino gargalo).

 

Que os óculos eram Ana Salazar.

 

Que ela não bebe Fanta pelo que tinha comprado a garrafa de propósito e despejou o conteudo pela pia abaixo.

 

Que o método usado para meter os óculos lá dentro tinha sido simples: descolou o rótulo cuidadosamente, fez um corte horizontal na garrafa, meteu os óculos lá dentro e voltou a colar o rótulo, de forma a prender as duas partes em que a garrafa tinha ficado separada.

 

Quando o silêncio foi restabelecido por um instante, a melhor saída que arranjei foi: «E que tal se escolhessemos?!». Eu ainda estava abrir a lista e a Ana já se tinha decidido pelo Franguinho no Forno com Ervas Aromáticas. Decidi aderir à escolha dela, optando por marcar a diferença nas bebidas. Ela pediu água do Luso, natural. Eu fui para a água do Castelo, fresca - e aceitei a sugestão da empregada de adicionar ao copo uma rodela de limão.

 

Nessa altura desembarcou um prato de Franguinho na mesa ao lado. Bem, chegados a este ponto temos de dizer que o Luca é um restaurante magnífico, bela comida, serviço eficiente, ambiente extraordinário, mas não o escolheria para pedir alguém em casamento, para não correr o risco de o pessoal da mesa ao lado se por a dar opiniões sobre o assunto.

 

Conheço dezenas de restaurantes onde os amigos sentados ao meu lado ficam mais longe de mim do que o pessoal da mesa ao lado no Luca..

 

Chamei a atenção da Ana para o porte do franguinho. Ficou horrorizada. Chamou a empregada e alterou o pedido (tomem nota do pormenor!) sem consultar a lista.

 

Mudou para o Spaghettini Treviso, com tomate cherry, radicchio, alho, salsa, piri-piri, bacon e azeite virgem. Pediu para não abusarem do azeite (ela adora azeite, mas problemas de estomago obrigam-na a consumi-lo com parcimónia) e que fossem generosos na cobertura com parmesão ralado.   

 

Esmagado por tanta desenvoltura, e na vã tentativa de ganhar algum ânimo para o resto da refeição (eu olhava para a Ana e só me lembrava daquele anúncio do BES sobre o Rei dos Matrecos e sentia-me goleado por 10-0) encomendei um copo de tinto (Dão Cabriz).

 

Gostei muito de me encontrar com a Ana Marques.

 

Achei soberba a ideia de me dar uns óculos escuros Ana Salazar dentro de uma garrafa de Fanta vazia (assunto a que estou em crer voltarei em breve). Só tive pena de não ter arranjado coragem para lhe pedir que autografasse, com uma dedicatória para os leitores da Roupa para Lavar, uma fotografia da história produção da GQ.

 

PS. Como este «post» é pantagruelicamente longo, achei por bem tentar aligeirá-lo ao incluir novas imagens da monumental produção da GQ com a Ana Marques.

publicado por Jorge Fiel às 21:01
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Domingo, 21 de Janeiro de 2007

Pingo escuro, adultério, gases, Beethoven, Elsa Raposo, porcos, onanismo e outras histórias

 

É uma estreia. O «Sunday Post» (SP) é igual ao Expresso, no sentido em que é um semanário.

 

É igual ao Destak, no sentido em que é gratuito.

 

É igual a um blogue porque fala da vida como ela é.

 

Este é o número zero.

 

A sua manutenção regular (ou seja a sua publicação dominical, daqui em diante) está apenas dependente de apenas três bondades: 

 

1. A vossa em visitá-lo;

 

2. A da administração do Expresso em pagar as despesas de comunicações. Já deixaram de me pagar a conta do telemóvel e vão-me descontar o que gastei desde Junho no salário deste mês. Se não me pagarem o que fica para lá dos 29,90 euros (o custo mensal do uso placa 3G da Vofafone que sou eu a pagar!)  quando estou fora do país deixo de brincar com isto;

 

3. A de Deus (vamos lá ser religiosos uma vez, sem exemplo), em manter-me vivo.

 

Tabasco, sempre!

 

A comitiva  portuguesa na India deu-se mal com o picante. O presidente emagreceu entre três a cinco quilos (não precisava...) segundo as diferentes versões, porque passou a semana a comer apenas arroz - dieta que também foi observado pela Primeira Dama. Boa parte dos que experimentaram o picante foram acometidos por problemas instestinais e de tensão arterial, sendo obrigados a recorrer aos bons ofícios de Daniel de Mattos (assim mesmo, com dois tt, não é gralha), o médico particular de Cavaco Silva. Eu dou-me muito bem com o picante. Não hesito em encomendar Chicken Jalfrezi sempre que vou ao Real Indiana, do Cais de Gaia. E sou viciado em Tabasco, qua administro sem parcimónia em pratos tão variados como rosbife, lombo de porco assado no forno e arroz de marisco ou de polvo.

 

 

Saia um pingo escuro para a Procuradora!

 

A chegada, ao campo do Desportivo das Aves, de Pinto da Costa, acompanhado pelo empresário Araújo e por duas brasileiras bem apessoadas, foi saudada com entusiasmo pela rapaziada que estava nas bancadas.

 

«Olha o presidente com o Araújo e a fruta!» foi a saudação que sublinhou a entrada de Jorge Nuno no recinto onde o FC Porto carimbou segunda feira o final da primeira volta da Liga, que concluiu com sete pontos de vantagem sobre o Sporting e oito sobre o Benfica. 

 

A propósito, não posso deixar de endereçar os meus mais sinceros parabéns a Maria José Morgado, que já começa a apresentar trabalho. Sem recorrer ao Houaiss, já desvendou um enigma que estava fora do alcance menos brilhantes. descodificando o verdadeiro significado das expressões «fruta», e «café com leite» nas conversas telefónicas escutadas no âmbito do Apito Dourado. Uma cabeça! Saia um pingo escuro para a Procuradora!

 

 

O adultério, segundo Monica Ali

 

«O adultério do olho é o olhar, o adultério dos ouvidos é escutar conversas voluptuosas, o adultério da lingua é o discurso licencioso, o adultério da mão é bater diariamente nos outros, e o adultério dos pés é caminhar para o lugar onde se pretende cometer pecados»

Sete Mares e Treze Rios, Monica Ali, pag 268

 

Um dos dez melhores livros que li em 2006 foi «Brick Lane», a obra de estreia de Monica Ali, que ganhou o mais descritivo titulo «Sete Mares e Treze Rios» na sua versão portuguesa.

 

Não só li o «Brick Lane» como também me demorei em Brick Lane, nos primeiros dias de Junho, quando fiz um «stop over» em Londres no regresso de uma viagem de trabalho à Escóciia. Brick Lane e Commercial Street são as principais ruas do East End, a zona de Londres que mais está a mexer, onde convivem harmoniosamente (pelo menos aparentemente) os recém chegados «yuppies» da City e os já há estabelecidos emigrantes do Bangla Desh.

 

O dinheiro que Monica, que tem sangue britânico e bengali, ganhou com «Brick Lane» permitiu-lhe comprar um monte no Alentejo, que lhe inspirou a segundo livro, Alentejo Blue, inspirado na aldeia de São Luís, em Odemira, que vai ser lançado proximamente no nosso mercado. A última edição da Visão (18 Janeiro 07) dedica-lhe seis páginas (págs 94-100).

 

 

Não, não sou o único!

 

«O Estado é como os gases. Quanto mais espaço se lhe dá, mais espaço ele ocupa»

João César das Neves

 

Ganhei a fama de ser amigo da «miúda da bilha» porque publiquei duas notícias sobre o assunto, ambas em primeira mão, no caderno de Economia do Expresso.

 

Mais recentemente, um «post» neste blogue sobre a necessidade de educação do flato, a que se seguiu uma reflexão sobre a (boa) iniciativa da Renova de lançar papel higiénico preto, acrescentou-me a fama de ter uma especial queda por temas escatológicos.

 

 Afinal não estou sozinho. César das Neves, católico fundamentalista, figura de proa do Não, também ousa falar dos gases.

 

 

Quem manda a ti sapateiro tocar rabecão ?

 

O 24 Horas foi a última coisa nova e diferente que surgiu na imprensa portuguesa nos últimos 15 anos.

 

Equipado com uma agenda própria e uma Redacção pequena mas aguerrida e bem dirigida, tornou-se um belo caso de sucesso, com as vendas a subirem em flecha, ultrapassando as do Público e Diário de Notícias.

 

Subitamente, no ano passado, as vendas emperraram, acusando até uma queda, e os resultados passaram a ser escritos a vermelho. A pior performance do grupo Global Noticias (ex-Lusomundo, dirigido por Joaquim Oliveira, de que fazem parte dos dários DN, JN, 24 Horas e Jogo, os canais de televisão SporTv e a estação de rádio (TSF) em 2006 foi da sua jovem vedeta, o 24 Horas, que perdeu quatro milhões de euros no último exercício, mais do dobro dos 1,8 milhões de euros de prejuízo registado pelo DN, a outra ovelha negra do grupo (os demais títulos, divisão de imprensa regional incluida, deram dinheiro, compondo os quase dez milhões de euros de lucro do grupo.

 

O porquê do prejuízo? O engordar excessivo da Redacção do  24 Horas na vã e romântica tentativa de combater o Correio da Manhã, provavelmente o mais bem dirigido titulo da Imprensa portuguesa.

 

 

Beethoven para porcos

 

Por falar em temas escatológicos, Nguyen Chi Cong, um criador vietnamita de porcos, acaba de fazer a fantástica descoberta de que os porcos engordam mais depressa quando ouvem música clássica.

 

Cong submete o seu efectivo de três mil porcos a audições intensivas de sonatas e sinfonias de Mozart, Schubert e Beethoven (das 7h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00) e está satisfeitíssimo com os resultados. «Os porcos começaram a comer mais e a ganhar peso mais depressa do que era habitual», conta Cong.

 

Entre nós, há também novidades no campo da suinicultura, mas mais a jusante, na área ambiental, os ministérios do Ambiente e da Agricultura ameaçam apresentar no próximo mês de Fevereiro uma estratégia nacional para o tratamentos dos «efluentes da agro-pecuária e da agro-indústria» - dito por outras palavras, para tratar os esgotos das suiniculturas e das vacarias 

 

 

Perez Metelo influencia Elsa Raposo

 

Elsa Raposo está grávida. A boa nova é confirmada na capa da Caras desta semana. Presumo que a ex-apresentadora foi muito influenciada pelo artigo publicado no DN pelo António Perez Metelo, em que

este incontornável analista económico garante que sem mais 50 mil nascimentos por ano o nosso país está condenado ao declínio. Elsa partilha connosco a felicidade de sentir vida  a crescer dentro dela. Nós já desconfiávamos disso. Que ela gostava de sentir coisas a crescer dentro dela.

 

 

As irmãs carrilhonistas e o humor na Sic

 

Enquanto escrevo este Sunday Post, tenho a televisão sintonizada na Sic. São 21h10 de sábado, dia 20. O Jornal da Noite começou às 20h00. Está a passar uma brilhante e looooooooooooooooooooonga peça sobre duas  irmãs carrilhonistas, que já está a fazer corar de inveja os rapazes do Gato Fedorento. Vendo e ouvindo este trabalho percebe-se perfeitamente porque é que Ricardo Araújo Pereira & Cia foram dispensados de Carnaxide. Não eram precisos. No capítulo do humor, há lá melhor -  muito melhor.

 

 

Pinto da Costa abandona onanismo

 

A Nova Gente dá-nos uma boa noticia. O presidente do FC Porto já não precisa de recorrer ao onanismo. A composição do titulo é magistral: «Carolina tem substituta!  Pinto da Costa já vive com uma brasileira/conheceu-a noutro bar apaixonou-se por ele e foi buscá-la a Forteleza».

 

No interior ficamos a saber que o irrequieto Jorge Nuno conheceu a substituta de Carolina na Taberna do Infante, o bar da turística e atractiva zona Ribeira do seu colega na administração da SAD do FC Porto, Reinaldo Teles, que tem muito melhor reputação que o Calor da Noite, situado na degradada rua de Costa Cabral.

 

Mas a nova namorada do presidente do FC Porto, que aos 69 anos está a estabelecer uma fama de ser ainda mais tarado sexual que o Cristiano Ronaldo e a Elsa Raposo, não é uma alternadeira, ao contrário do que o local onde se conheceram possa sugerir.

 

Não, a nova namorada de Pinto da Costa é uma mulher de negócios e tem bom coração. «Ela é empresária, possui negócios em Fortaleza», diz uma fonte da Nova Gente, acrescentando que com a publicação do «Eu, Carolina», «o Jorge ficou fragilizado e foi ela quem o ajudou a dar a volta por cima.

 

Talvez por isso a tenha convidado a ir viver com ele no início do ano». Os pombinhos vão viver para Miramar, para uma vivenda geminada com a que que vai ser ocupada pelo meu preclaro amigo Juca Magalhães.

 

Fico feliz por o presidente do meu clube andar sexualmente satisfeito. Só há um pequeno problema. Os meus amigos temem que a nova namorada brasileira seja um «pé frio» o primeiro jogo do FC Porto a que ela assistiu na tribuna de honra do Dragão foi ao FC Porto-Atlético...

 

 

Não tenham medo das palavras

 

Os meus amigos e colegas que tão superiormente dirigem o Expresso têm medo das palavras.

 

Senão olhem para a primeira página da última edição. A Operação Furacão (que está em risco de ruir e também faz a manchete do Público de ontem, que prefere chamar a atenção para o facto de já haver 100 arguidos) aparece timidamente envolta entre duas aspas solitárias.

 

E logo ali ao lado, o uso do verbo tramar, no caso da acção de Carolina em relação ao seu ex-amante, envergonhou-os de tal modo, que optaram por o disfarçar com aspas. Está mal.

Vamos ao douto Houaiss e lá está o verbo tramar, é legal, não é clandestino nem um palavrão. Abaixo as aspas! Não devemos ter medo das palavras. É mau. Começa-se por aí, e depois, é um arzinho que se lhe dá, e ficamos com medo das frases, dos parágrafos, das notícias...

 

 

Exposições: eu faço parte do «mainstream»

 

Fui um dos 100.117 visitantes da exposição do Amadeo na Fundação Calouste Gulbenkian, a quarta exposição mais visitada de sempre no nosso país.

 

O pódio é exclusivo do Museu de Serralves: Paula Rego ( 157.087 visitantes em 2004), In the Rough: Imagens da Natureza Através dos Tempos na Colecção Bojmans (138 mil, 2001) e Francis Bacon  (101 mil, 2003).

 

Andy Warhol (75 mil, 2000)  foi ultrapassado e passou para o quinto lugar ocupado. Eu via-as todas, dondo concluo, satisfeiro, que faço parte do «mainstream», pelo menos neste particular das exposições.

 

 

Vale e Azevedo premiado por penhorar-se a si próprio e lagaros totós

 

O já prestigiado Prémio Excelência Roupa para Lavar desta semana (que dá direito a um fim de semana para um casal numa das Pousadas de Portugal, contanto que seja gozado fora da época alta e nas pousadas mais baratas - nas caras vão sempre dizer-lhe que este fim-de-semana não pode ser porque estão completamente cheios) vai para Vale e Azevedo pela genial ideia de conseguir penhorar-se a si próprio, pondo assim os seus bens ao fresco - a  salvo da cobiça dos credores.

 

A totalidade dos adeptos do Sporting é nomeada para Prémio Totós Roupa para Lavar 2006/7 por não terem comido e calado quando souberam que afinal o João Pinto não foi contratado a custo zero e que o clube mais sério e honesto deste país alinhou numa sórdida manobra de fuga ao fisco, mancomunado com José Veiga e o «menino de oiro».

publicado por Jorge Fiel às 20:46
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Contribuições para a compreensão da minha politica de compra de fatos

 

A Roupa para Lavar não cessa de surpreender os leitores. Depois das fotos eróticas de Ana Marques hoje é a vez do autor tentar aumentar as audiências publicando uma fotografia sua em nu integral!

 

O meu primeiro fato, feito por medida na Gentleman (loja da zona do Bolhão, no Porto), foi um Principe de Gales, de três peças, castanho e de risca vermelha. Eu tinha 14 anos e estreei-o no casamento da minha prima Milice.

 

Fiquei freguês de ambos - da Gentleman e do Principe de Gales- e fiel à risca vermelha. Sempre recusei as opções verde, azul ou a ausência de risca. O mais longe que fui na inovação consistiu em experimentar por uma única vez, sem exemplo, o padrão preto. Mas não gostei e logo regressei ao bom e velho castanho.

 

Os Principe de Gales, usados quase exclusivamente em casamentos, baptizados e funerais, acompanharam-me até que, por volta dos meus 35 anos, se me afigurou necessário passar a usar, no dia a dia, fato e  gravata, como farda de trabalho.

 

Foi um momento de grande mudança na minha vida. Troquei a Gentleman  (onde o puro por medida tinha no entretanto sido substituidos por uma espécie de pronto-a-vestir retocado) pelos saldos da MacModa. E os fatos cinzentos e azuis escuros, de meia estação (dão para o ano todo!), ocuparam o lugar do Principe de Gales.

 

A moda masculina é muito mais viscosa que a feminina. O surgimento de lustro, nas mangas ou ombros, é o principal  indicador de que o prazo de validade de um fato se aproxima drasticamente do seu fim. Ou seja é o material a ceder - não o feitio.

 

Um fato escuro, cinzento antracite ou azul ultramarino, de corte razoavelmente conservador, dura lagos anos até ficar fora de moda. O segredo é não embarcar em modas passageiras, evitar exageros na largura das abas do casaco, ser prudente face às riscas, e nunca enverar pelos invios caminhos dos casacos de trespasse (também designados por assertoados, palavra que detesto).

 

Se olharmos para trás, vemos que, nos últimos 20 anos a última grande revolução que se verificou no fato de homem foi a generosa invenção do terceiro botão, que dá uma preciosa ajuda no disfarce da barriga.

 

Chegado (a) a este ponto, estará certamente a interrogar-se sobre a razão pela qual este artigo sobre fatos é ilustrado pela fotografia de um bebé em nu integral- no caso concreto eu próprio, com aquele ar feliz e despreocupado que apenas temos nos primeiros meses das nossas vidas.

 

A pergunta é pertinente. Eu explico. O último artigo deste blogue, onde expus a minha doutrina sobre o casamento entre vinhos e comida, recolheu um número indigentemente baixo de visitas. Ao invés do que sucedeu com o anterior, em que me debrucei sobre a relação entre a beleza feminina e a moda dos óculos escuros XXL, que foi um verdadeiro sucesso de audiências - o que os meus colegas explicam pelo facto de ele ter sido ilustrado com duas fotos da Ana Marques em poses eróticas e usando pouca roupa.

 

Confesso-vos, portanto, que o recurso à minha fotografia em nu integral mais não é do que um baixo truque para obter mais audiências para este artigo. Espero que resulte - apesar da minha pose estar longe de ser erótica. E remato com uma outra fotografia minha, com o meu primeiro Principe de Gales, que teria encimado este artigo se eu não estivesse a lutar desesperadamente chamar a atenção dos frequentadores da home page do Expresso de modo a aumentar o número de visitantes da Roupa para Lavar.

 

PS. Quero lembrar às preclaras e preclaros que amanhã é quinta feira. E que quem diz quinta feira diz Roupa para Lavar. E quem diz quinta feira e Roupa para Lavar diz também a Quinta das Respostas. Nenhuma das perguntas que me for formulada amanhã ficará sem resposta!

publicado por Jorge Fiel às 09:44
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Fundamentos e enunciado da doutrina Fiel sobre tintos e brancos

 

 

A desregulamentação no protocolo da escolha do vinho foi-me revelada em três actos, ocorridos sequencialmente numa semana do Inverno de 1998.

 

Domingo, em San Sebastian, fui jantar com as minhas colegas Madalena Fragoso e Fátima Júdice, à época directoras das revistas Máxima e Elle. Estávamos no País Basco a convite da Swatch, que no dia seguinte apresentaria a sua nova colecção de relógios no Guggenheim de Bilbau.

 

Depois de elas coincidirem no tamboril grelhado e de eu optar pelas ameijoas, chegou o momento delicado da escolha do vinho. Absoluto desconhecedor das marcas espanholas, refugiei-me nas castas, para evitar o recurso ao empirismo pragmático de pedir o segundo ou terceiro vinho mais barato da lista – o acto de encomendar o mais barato dá um tal ar de pelintrice que só é justificável em caso de conhecimento profundo da inequívoca qualidade da marca em causa.

 

«Se não se importa, Jorge, prefiro tinto - mesmo a acompanhar peixe», respondeu prontamente Madalena, quando lhes perguntei: «Querem um chardonnay?». Encomendei um «cabernet sauvignon» (os «syrah» ainda não tinham entrado na moda) e atribui a opção da minha colega à chuva de notícias sobre as vantagens para a saúde do consumo regular, mas moderado, de tinto.

 

Na quarta feira ao almoço, no Aquário Marisqueira , em Espinho, tinha uma entrevista marcada com o Manuel José, que, acusado de ser incompetente, tinha acabado de ser despedido do Benfica, 

 

Almoçámos rodovalho, frito (eu teria preferido grelhado, mas o convidado era ele), um dos peixes que mais aprecio, a par do cherne e do robalo. E para beber? «Quer verde ou maduro, Manuel José?». «Tinto. Quero tinto!». Acho que a curiosa expressão «ficar com a pulga atrás da orelha» é a mais adequada para retratar a como encarei esta resposta…

 

Sexta feira, almocei na Fundação Cupertino de Miranda, à avenida da Boavista, no Porto, com o então eurodeputado Carlos Lage. Concordamos no prato do dia – filetes de pescada com salada russa. Quanto ao vinho, já não sugeri nada. Deixei o actual presidente da CCDR Norte escolher e (eu já adivinhava…), e ele perguntou-me se eu não me importava que ele pedisse um tinto.

 

À terceira foi de mais. Mal cheguei ao jornal, liguei ao José Quitério, a quem fiz um rápido relatório deste estranho alinhamento conjuntural ocorrido em menos de uma semana,, ao ritmo de dia sim, dia não, em três diferentes pontos da Península Ibérica, entre uma lisboeta directora de uma revista feminina, um algarvio treinador de futebol e um eurodeputado socialista do Porto.

 

Quando me calei, Quitério declarou, com uma voz segura e algo grave, que eles os três tinham razão.

 

Que a escolha de vinhos se tinha libertado do opressivo espartilho dos tradicionais branco para os peixes, tinto para as carnes e licor para os doces.

 

Que o 25 de Abril chegara finalmente aos vinhos. Que estava na moda decidir em total liberdade o tipo de vinho com que se quer acompanhar um determinado prato.

 

Que se eu pensasse um pouco concluiria que já havia vários peixes – como o bacalhau e as sardinhas assadas – habitualmente comidos com tinto. Que ele achava muito bem a deregulamentação em curso, entre outras coisas porque, como os vinhos licorosos não são muito a seu gosto, nos jantares de maior cerimónia ele prolongava clandestinamente o tinto até aos doces.

 

Na posse destas informações, desfrutei da liberdade que nos foi concedida para, com base na experimentação, formular a minha doutrina pessoal sobre o particular da escolha de tinto ou branco para casar com peixes, em que obviamente discordo da teoria do meu amigo Costa Lima, que sempre que vamos jantar invariavelmente me pergunta: «Então Jorge! O que é que bebemos? Branco ou vinho?».

 

A doutrina Fiel tem quatro mandamentos:

 

1) Branco com peixes grelhados – não só os de carne branca mas também os mais gordurosos, como o atum e o salmão:

 

2) Branco com amêijoas, ostras e toda a família dos mariscos (a cerveja neste caso é uma altenativa válida a ter em conta) ;

 

3) Tinto com bacalhaus, caldeiradas, peixes assados no forno ou caldeiradas;

 

4) Branco ou tinto, a escolher casuisticamente, com peixe frito.

 

 

publicado por Jorge Fiel às 19:39
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Nótulas sobre o uso e desuso do guarda-chuva

 

 

O Mundo divide-se em duas partes: os fãs do guarda-chuva e os seus detractores, que não o utilizam porque acham completamente obsoleto este «objecto portátil que consiste numa armação flexível de hastes metálicas coberta por pano ou outro material que se estica ao abrir-se a armação, protegendo do sol ou da chuva o seu portador» (socorro-me da definição do douto Houaiss na vã tentativa de emprestar alguma densidade teórica a estas nótulas).

 

A minha observação aponta no sentido do guarda-chuva estar claramente em vias de extinção, tal como o Lince da Malcata e o jogo da malha, uma vez que as novas gerações se recusam terminantemente usá-lo, nem mesmo quando está a chover a cântaros (cães e gatos, como diriam os ingleses).

 

Será muito fácil ao grande ayatollah Sistani e ao primeiro ministro Nouri al Maliki convencerem o lider religioso xiita Moqtada al-Sadr a desmobilizar a milicia Exército de Mahdi, do que eu conseguir que os meus filhos (Mariana, 22 anos, Pedro, 18, e João, seis) usem um guarda-chuva.

 

E o ódio ao guarda-chuva não se circunscreve aos mais novos. Jesualdo Ferreira, cujo prazo de validade está próximo de expirar, mudou-se para o partido dos detractores deste objecto portátil  no já longínquo ano de 1984, quando, após ano e meio a treinar o Atlético (esse mesmo Atlético Clube de Portugal que domingo foi ao Dragão ganhar ao FCP!), foi despedido pelo presidente, que assim aplacou a ira dos adeptos que não gostaram nada de ver o professor a orientar um treino na Tapadinha com o chapéu de chuva aberto!

 

Longe vão os tempos em que o meu bisavô Planta, que foi subido na tropa e era um homem do Reviralho, andava sempre de guarda chuva, chovesse ou fizesse sol, que manuseava como se tratasse da Mauser regulamentar.

 

As gerações vindouras necessitarão de consultar uma enciclopédia online (ou a avó) para compreender a indirecta que Miguel Cadilhe lançou a Cavaco - «A lealdade é como o guarda-chuva. Só se dá pela falta dele quando chove» -  quando abandonou o ministério das Finanças.

 

Agora que a Guerra Fria acabou, os famosos guarda chuvas búlgaros (preparados com um veneno mortal na ponta para serem usadas como arma para assassinar na rua, sem despertar a atenção dos passeantes, traidores e agentes secretos capitalistas na rua) também já passaram à História.

 

Eu, que sei perfeitamente (e por experiência própria) que quem anda à chuva molha-se, também estou cada vez mais renitente em usar guarda-chuva. Transporto um no carro, mas é raro abri-lo. Prefiro em alternativa a combinação gabardina e chapéu impermeável - dois a três euros, se optar pela imitação barata dos chineses, ou 20 vezes mais se preferir um belo Barbour igual ao que a Helen Mirren usa no filme em que faz de Isabel II (uma fita imperdível, aproveito para dizer).

 

Com o fim anunciado do guarda-chuva tocará também a finados para uma das mais extraordinárias demonstrações públicas de vitalidade do mercado e do sistema capitalista - 47 segundos após terem começado a cair as primeiras pingas aparecem logo vendedores ambulantes de guarda-chuvas nas esquinas mais movimentadas e junto às estações de metro.

 

 

Os dois quadros de Dominguez Alvarez que reproduzimos, pintados à volta de 1930,  ilustram as duas atitudes face à chuva.

Em cima, À Chuva, 1930, óleo sobre tela, 43,4 x 54,2 cm.

Em baixo, Homem a correr à chuva, óleo sobre tela, 14 x 15,1 cm.

 

publicado por Jorge Fiel às 22:51
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

A moda dos óculos escuros XXL acabou com as mulheres feias

 

Tenho uma nova teoria. Já não há mulheres feias desde que os óculos escuros XXL entraram na moda.

 

O momento zero da minha teoria deu-se às 11h05 do passado dia 13 de Dezembro, no oitavo andar do edficio das Amoreiras ocupado pela McCann Ericson.

 

Eu estava lá a recolher elementos para um trablho publicado na última edição do ano da Única quando uma mulher alta, atraente e vistosa, estaciona à minha frente.

 

Como eu fiquei mudo e paralisado, ela virou-se para mim e disse: «Então?! Já não me conheces?!». E, acto continuo, para me poupar mais embaraços, tirou os óculos escuros enormes desnudando uma cara que claro que eu conhecia. Era a Lúcia Carvalho, que foi directora de Marketing no Expresso!

 

(Não façam, por favor, confusão! O facto da Lúcia ter sido o ponto de partida para a formulação da teoria de que já não há mulheres feias desde que os óculos escuros XXL entraram na moda não quer de alguma maneira dizer que ela seja feia. Não garanto que a Lúcia ganhasse o concurso de Miss Portugal, mas tem uma palmo de cara bem giro).

 

A partir do episódio Lúcia iniciei um período de observação atenta das mulheres com que em cruzava na rua e centros comerciais. Este trabalho de campo confirmou a minha suspeita inicial. Ao cobrir quase por completo a cara, os óculos de sol enormes escondem quase todos os traços de fealdade que possam existir no rosto de uma mulher. 

 

A moda dos óculos escuros XXL tornou a paisagem urbana mais bonita, pois reduziu drasticamente o número das mulheres feias às pobres e ignorantes que ainda não repararam que têm tudo a ganhar em precipitarem-se para uma loja, ou até mesmo uma banca de rua, e comprarem os óculos de sol ruas maiores que encontrarem.

 

Antes de publicar esta minha nova tese, testei-a por duas vezes. Primeiro com o Manuel Serrão que acumula o facto de ser meu amigo com o de se o meu guru para as coisas da Moda. Mal lhe expus a teoria, ele não hesitou um minuto em concorda. Eu disse mata. Ele respondeu esfola.

 

Acrescentou que na neve todas as mulheres são lindas porque os escassos milímetros quadrados da cara que os óculos deixam a descoberto estão bronzeados. E, garante, além de lindas todas as mulheres serem feitas dentro de um fato de esqui. O problema começa quando elas se começam a desnudar,  primeiro tirando os óculos - e o fato, depois.

 

Esta situação de desencanto na neve tem uma equivalência à noite, se bem que por motivos diferentes (a que a falta de luz não será alheia...). À medida que a noite avança e a quantidade de álcool no sangue sobe, os nossos padrões de beleza e elegância não cessam de se tornarem mais generosos e abrangentes, ao ponto de poderem originar ataques cardíacos quando acordamos e à severa e impiedosa luz do dia olhamos para a pessoa que está deitada ao nosso lado na cama.

 

A capa da última edição da GQ constituiu a segunda e definitiva validação científica da minha teoria de que desde que os óculos escuros enormes entraram na moda deixou de haver mulheres feias.

 

Penso que todos conhecem a Ana Marques, uma cara conhecida da televisão, actual apresentadora de programas em canais de cabo da Sic.

 

Pois bem, se não sabem, passam a saber, a Ana Marques é a capa da última GQ. Não está mal, mas mesmo assim ainda prefiro a Dita von Teese na capa da edição de Novembro da Esquire. E ninguém me tira a ideia que o doutor Balsemão não deve ter achado piada nenhuma a que ela tenha sido fotografada em poses eróticas para a GQ e não para a FHM, do grupo Impresa.

 

A minha primeira impressão da Ana Marques não lhe era muito favorável. Achei que ela era uma espécie de Catarina Furtado dos pobres, que estava para a Furtado, como a Inês Pedrosa está para a Clara Ferreira Alves. É claro que se esforça mas muito provavelmente nunca chegará lá .

 

Ora sucede que esta minha amarga caracterização da Ana Marques tem sido sucessivamente adoçada por vários testemunhos. A minha amiga Isabel Jorge Carvalho jura-me que a Ana é uma pessoa interessantíssima e uma boa profissional. A minha Isabel afirma que ela tem humor e uma boa presença perante as câmaras. A produção da última GQ garante-me que ela não é só boa só por dentro.

 

Posto isto, estou pronto a admitir que fui injusto na minha primeira avaliação da Ana Marques. Já estou arrependido de lhe ter chamado a Catarina Furtado dos pobres. Mas nenhuma Isabel, (nem pessoa com outro nome, acrsecento) me conseguirá convencer que a Ana Marques é bonita. No entanto, olha-se para ela na GQ, com os óculos escuros postos, e até parece bonita.

 

A GQ foi a prova dos nove da minha teoria de que com a moda dos óculos escuros XXL deixou de haver mulheres feias.

publicado por Jorge Fiel às 14:03
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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

Algumas verdades sobre o onanismo

 

Inventariar algumas das vantagens competitivas do onanismo sobre a relação sexual tradicional e fornecer enquadramento histórico ao acto da masturbação são os dois objectivos perseguidos por este pequeno e despretencioso texto, que surge como resposta a uma questão lateral abordada no debate sobre a magna a candente questão das regras mínimas de boa educação a observar quando se procede à limpeza do salão.

 

Como prolegómeno ao tema, acho imprescindível lançar alguma luz no domínio dos conceitos.

 

A Nova Enciclopédia Larousse é taxativa ao afirmar que onanismo e masturbação são sinónimos absolutos - e define o verbo transitivo «masturbar» como o acto de «conseguir o prazer sexual através da excitação manual das partes genitais».

 

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa alarga, de forma considerável, o âmbito do fenómeno masturbatório ou, se preferirem, onanista.

 

«Masturbar», no sábio entender do Houaiss,  é «estimular os próprios órgãos genitais ou os de alguém para (se) dar prazer, para alcançar ou fazer alcançar o orgasmo».

 

Dito por outras palavras, o douto Houaiss acha redutora a definição da masturbação como um prazer solitário. A masturbação não se esgota na auto-estimulação e compreende também o acto de estimular manualmente as partes genitais de outra pessoa.

 

No entanto, acho que toda a gente está de acordo comigo se eu disser que ninguém melhor do que nós próprios sabe calcular o ritmo a imprimir à estimulação dos nossos genitais por forma a obter um orgasmo mais rápido e melhor.

 

Apesar de ninguém ser mais competente que nós no acto da masturbação, deve admitir-se que encerra em cima uma grande simbologia e um enorme potencial erótico a masturbação em simultâneo - o homem masturba a mulher, que por sua vez está a masturbar o homem (os exemplos dados são, propositadamente, de relações hetero e não homo).

 

Chegados a este ponto, acho importante sabermos que o vocábulo onanismo deriva de Onan, personagem bíblica, um hebreu que não queria ter filhos e, por isso, praticava o coito interrompido com a sua mulher, espalhando o seu sémen pelo chão - além de ser um exemplo de desperdício (estão cienificamente comprovados os efeitos benéficos na pele do esperma), estes truque não deixa de ser curioso e estar prenhe de actualidade neste momento em que as consciências do nosso país se estão a dividir entre partidários do Sim e do Não no próximo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.

 

A propósito, é fundamental esclarecer que, ao contrário do que muita gente pensa, a masturbação não é uma invenção recente.

 

As investigações levadas a cabo pelo reputado arqueólogo britânico Timothy Taylor garantem-nos que o sexo na Pré-História era uma actividade tão divertida  quanto nos dias de hoje.

 

Timothy estudou vários objectos com figuras de mulheres que supostamente estavam a dar à luz e concluiu, do alto da sua sabedoria de professor da Universidade de Bradford, que não era nada disso.

 

O que as mulheres estavam a fazer era a masturbar-se, o que vem contrariar a ideia preconcebida de que o sexo na Pré-História cumpria unicamente uma função reprodutora.

 

Em resumo, e para concluir sinteticamente, enuncio as quatro maiores vantagens comparativas da masturbação a solo sobre o sexo a dois:

 

1. É garantido que não se apanha qualquer doença sexualmente transmissível, como a terrível praga da Sida ou os mais populares e históricos esquentamentos;

 

2. Pode fantasiar que está  fazer amor com quem lhe apetecer  (Gong Li, Scarlett Johansson e a vizinha do andar de baixo incluidas, fazendo recurso às modalidades, situações e posições que melhor lhe aprouverem:

 

3. No final não tem de estar a fazer paleio de circunstância - se quiser pode virar-se logo para o outro lado e começar a ressonar, que no dia a seguir não ouvirá queixas ou recriminações de qualquer espécie;

 

4. Usufruirá de uma encantadora descontracção durante a caminhada para o orgasmo, pois ninguém o vai acusar de ser um ejaculador precoce ou sussurrar-lhe ao ouvido: »Querido, está-se a passar alguma coisa?.. É que nunca mais acabas...»

 

 

(a imagem que ilustra este post é uma fotografia de DNA Zygotic, uma escultura de raparigas mutantes, criaturas com um ar angélico mas que podem ter quatro pernas, várias cabeças ou órgãos sexuais masculinos no lugar do nariz,, da autoria de Jake e Dinos Chapman. Escultura em fibra de vidro. 1m50x2mx1m50)
publicado por Jorge Fiel às 20:36
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

Regras mínimas a observar na limpeza do salão

 
Mask, de Ron Mueck, 1997, é uma escultura de grandes dimensões (1m58x1m5x1m24), feita em resina de poliester. Imagine a enorme superficie de fossas nasais que há para limpar neste caso! Um trabalhão

 

Ninguém está imune ao fenómeno da acumulação de catotas no interior do nariz. Por isso, a questão das regras mínimas a observar no capítulo da chamada limpeza do salão é um assunto que toca a todos, mulheres e homens, velhos e novos, de todas as extracções sociais.

 

Ressalvo, no entanto e desde já, que este breve conjunto de regras não se aplica aos bebés de colo. Nestes casos, compete ao pai ou à mãe o uso de cotonetes para desentupir as narinas dos pobres infelizes.

 

Um velho ditado popular condena a extracção de burriés antes da meia-noite. O conselho é sábio, mas não deve ser levado à letra. O que o legislador popular pretendia dizer era que as pessoas se deveriam abster de proceder à limpeza das fossas nasais, com o indicador direito (o esquerdo no caso dos canhotos), à vista dos colegas, da amiga, do filho - ou seja de segundos e terceiros, em geral (animais domésticos excluídos).

 

Dito por outras palavras, não há qualquer problema em remover as catotas do nariz antes da meia noite se a operação decorrer na mais absoluta das intimidades, no resguardo da sua casa de banho, por exemplo,

 

Nunca será demais sublinhar a necessidade de rodear a limpeza do salão de uma privacidade maior que aquela que a Elsa Raposo dispensou às suas relações sexuais com o professor de surf Mário Esteves. Câmaras de vídeo estão, pois, absolutamente proibidas.

 

Também nunca será demais realçar o carácter íntimo da extracção de burriés. Ninguém está interessado em vê-lo a limpar o salão, o Cavaco a comer bolo rei, ou a sua prima a limpar o rabo.

 

No entanto, já haveria freguesia se se tratasse de ver a Elsa Raposo a falar com a boca cheia durante a sua maratona sexual com o professor de surf, numa alcova concorrida, em Carcavelos.

 

Há uma situação particularmente perigosa, uma verdadeira armadilha, que a todo o custo deve evitar. Você está sozinho no carro, as janelas fechadas, o ar condicionado ligado, a Mega FM aos berros a debitar o «Drops of Jupiter», o trânsito está completamente parado, a mão direita está ocupada a bater no volante ao som da música dos Train – e a mão direita parece que tem vida própria, dirige-se ao nariz, e inicia uma limpeza metódica e sistemática das fossas nasais.

 

Entretanto, olha para o lado e uma sósia da Scarlett Johansson está a olhar para si com um ar misto de censura e espanto!

 

Neste tipo de situações de crise, o essencial é evitar entrar em pânico. Se foi surpreendido em pleno transporte da matéria do delito, mantenha a calma e evite desembaraçar-se da catota  atirando-a pela janela. Não se esqueça que a janela está fechada e por isso vai fazer um pobre «remake» do célebre e rocambolesco episódio de Sousa Cintra com a garrafa de Água das Pedras (a vantagem é que as catotas, por muito idosas que sejam, são muitíssimo mais leves que uma garrafa e por isso não partiriam o vidro).

 

O que tem a fazer é usar a outra mão para tirar o lenço do bolso, desdobrá-lo, acondicionar lá os burriés, voltar a guardar o lenço,, fingir que nada aconteceu, manter o olhar fixo em frente, ocupar as mãos a desligar o ar condicionado e a mudar de estação, sintonizar a Antena 2, diminuir ligeiramente o volume de som, abrir um pouco a janela, procurar o olhar da sósia da Scarlett e assim que o contacto visual estiver estabelecido cubra a cara com as mãos, em sinal de vergonha. Pode ser que resulte…

 

As catotas são amigas do ambiente. A Natureza tem enormes dificuldades em digerir pilhas e sacos de plástico, mas devora burriés enquanto o diabo esfrega um olho. Mas isso não quer dizer que deva atirar para o chão, descuidadamente, os dejectos provenientes da limpeza das suas fossas nasais.

 

O aconselhável é extrair os burriés manualmente, no recato da sua casa de banho e depois deixá-las escoar pelo ralo do lavatório, sem preocupações. As catotas são solúveis na água.

 

Em toda e qualquer situação é terminantemente proibido – repito, completa e absolutamente proibido! – organizar um arquivo morto de catotas debaixo do tampo da sua secretária.

 

Se fizer isso, a prazo a sua reputação vai ser destruída para todo o sempre. Vai ver que se esquece do arquivo e um dia, no âmbito de uma reestruturação lá no escritório, o novo dono da sua secretária não resistirá em divulgar a toda a gente a sua javardice e falta de higiene.

 

publicado por Jorge Fiel às 20:37
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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