Sábado, 30 de Dezembro de 2006

O caso da vaca que fugiu do presépio e outras SMS

 

 

Como amanhã é o último dia do ano, anuncio hoje o Prémio Roupa para Lavar 2006 (que não sei se retomarei ou não, a beleza disto é que uma pessoa pode fazer praticamente tudo que lhe dá na gana) para a Melhor SMS de Boas Festas. A caixa de entrada de mensagens do meu telemóvel está atulhada com as 52 SMS natalícias que recebi e eu tenho de as apagar, de forma a estar preparado para o massacre das SMS de Ano Novo. Uma maçada. E antes de as apagar, achei por bem partilhar convosco aquelas a que reconheço algum valor acrescentado.

 

Desde já esclareço que acho esta história das SMS de Natal uma idiotice pegada, que só aproveita à conta de resultados da TMN, Vodafone e Optimus. 453 milhões de SMS só na véspera de Natal é um doideira completa! Mas como o o alfa e o ómega da minha vida tem sido «em Roma sê romano» - gosto de me camuflar na paisagem, uso fato e gravata se vou a um ambiente em que está toda a gente nesse preparo, e roupa casual se sei que esse é o «dress code» para um determinado evento -  lá respondi a todas elas.

 

O ano passado foi uma canseira. O pessoal meu amigo (ou tão só conhecido) disparava de rajada, em todas as direcções. Confeccionava uma SMS (ou escolhia a melhor que recebera) e depois chutava-a para a difusão para todos os números da sua lista telefónica. Zás. E eu, lorpa, arrisquei uma tendinite nos polegares respondendo a todas elas, uma a uma, com uma mensagem personalizada. No final senti-me um tanso diplomado e jurei não repetir a proeza.

 

Abordei as festas de 2006 com o nervosismo de quem não tem a certeza de se iria ou não conseguir manter a promessa feita no ano passado, quando a família já estava toda na mesa a afogar o bacalhau em azeite e eu ainda tinha uma dúzia de SMS para responder. O sentido judaico-cristão do dever ficou-me tatuado desde uma infância, que ainda não sei se foi feliz ou infeliz (mas isso também já não interessa para nada), passada nos arredores da Igreja de Santo Ildefonso (Porto). Não me sinto bem se deixar sem resposta um email, uma carta, uma SMS ou  um telefonema.

 

Chegada a hora (final de tarde de dia 23) vacilei e resolvi responder industrialmente, em homenagem à mais notável contribuição dos fenícios para a história da Humanidade: a produção em série. E produzi um texto que enviei para (quase) toda a gente, com duas variantes: uma para os que trato por tu outra para os que trato por você.

 

O texto, na versão intima, é o seguinte:

 

«E se a Maria tivesse decidido abortar? Estou espantado por a campanha do Não ter deixado escapar esta oportunidade. Que o Pai Natal seja generoso e ponha no teu sapatinho um 2007 fabuloso»

 

Reconheço que é uma SMS um bocado arriscada. Tão arriscada que não ousei enviá-la ao meu amigo Zé Ramalho Fontes, director da AESE, com medo de ferir a sua fé - mandei-lhe antes uma «taylor made». O texto tem a vantagem de tratar de um tema de actualidade (o referendo sobre o aborto) e um início «choque» para chamar a atenção. mas a primeira frase indicia que sou pelo Não, o tem é delicado, .. enfim. Tive dúvidas mas foi com ela que contra-ataquei a chuva de SMS alheias que desaguava no meu telemóvel. Respondi a todos, pelo que estive acima da média de 30 SMS de Boas Festas enviada pela generalidade dos meus compatriotas.

     

E agora estou novamente metido em trabalhos, por não resistir a eleger as melhores que recebi e comunicá-las aos meus amigos, que reconhecerão algumas das que receberam, talvez com algumas adaptações.

 

GRANDE PRÉMIO ROUPA PARA LAVAR PARA A MELHOR SMS DE BOAS FESTAS

 

O já reputado Grande Prémio Roupa para Lavar 2006 para a Melhor SMS de Boas Festas é atribuido ex-aequo às mensagens da Vaca em Fuga do Presépio, que me foram enviadas pelo Juca (aka Júlio Magalhães, aquele da TVI a quem o Marcelo oferecia leitões em directo) e pelo Jorge Sá (cientista de sondagens, entre outras coisas de que, para o bem de todos, mais vale não falar).

 

 

SMS da Vaca em Fuga do Presépio, versão Jorge Sá (19h22 de 24/12):

 

«Lamentamos informar que este ano não haverá presépio no Estádio do Dragão. A verdade é que a vaca fugiu e não volta, tendo até já sido vista a autografar livros. Também já de si este presépio tinha algo de estranho com um pinto a fazer de burro...»

 

SMS da Vaca em Fuga do Presépio, versão Juca (18h40 de 23/12):

 

«A todos os dragões informamos com as mais sinceras desculpas que este ano não haverá presépio no grandioso estádio do Dragão porque a nossa vaca virou escritora e foi-se embora» 

 

A versão do Jorge Sá (portista de Cortegaça que há longos anos pena no exílio, primeiro na Bélgica, depois em Lisboa, onde chegou a usar oportunisticamente uma cobertura belenense nos anos de chumbo em que o nosso clube não ganhava nada) é mais completa e acrescenta uma valiosa nota auto-critica (o pinto a fazer de burro).

 

A versão de Juca é mais sintética e encomiástica («o grandioso Estádio do Dragão») mas merece partilhar o invejado Grande Prémio Roupa para Lavar uma vez que tinha um complemento em anexo destinado aos benfiquistas (atenção que a TVI está enxameada deles, a começar pelo chefe Prata, o manganão que anda enrolado com a Ana Sofia Vinhas):

 

«A todos os benfiquistas: lamentamos, mas ainda não é desta que haverá um presépio no Estádio da Luz. Não pode haver só burros!»

 

Não tive qualquer dificuldade em escolher a SMS vencedora, mas dada a invulgar riqueza do lote estudado, resolvia atribuir .. menções honrosas.

 

MENÇÔES HONROSAS

 

SMS Este ano não levas prenda

 

«Neste Natal não penses no passado, porque não podes mudá-lo, não penses no futuro, porque não o podes prever, e não penses no presente porque não o comprei»

Manuel Tavares

Meu velho (Norte Desportivo 1979) e bom amigo, director de O Jogo e o melhor jornalista que a Carolina conheceu ao longo dos seus 29 aninhos de vida

 

SMS Simplex

 

«Bom Natal e Feliz 2007. Curto e grosso mas sincero»

Manuel Queiroz

Meu velho (Comércio do Porto 1981) e bom amigo, subdirector do Correio da Manhã e um dos portistas que Pinto da Costa já deixou dependurado com a mão no ar

 

SMS Nestum com Mel (ex-aequo)

 

«Muitas doçuras neste Natal! Bjs»

Cândida Pinto

Minha nova (Expresso, 2005) e boa amiga, directora adjunta do Expresso. Tenho de a tratar bem porque ela é a minha chefe máxima

 

«Merry Xmas com doçuras e um 2007 com travessuras (se calhar a frase não combina com a épocas mas a intenção é a melhor)»

Paula Barreiros

Minha velha (Expresso 1993) e boa amiga, companheira na edição da Revista do Expresso até ao seu funeral (o da revista, não o dela que está aí vivinha e fresquinha como sempre)

 

SMS Macro 

 

«Um Natal com inflação de felicidade e alegria e um Novo Ano com um enorme excedente de saúde, dinheiro e amor»

Nicolau Santos

Meu velho (algures em meados dos anos 80) e bom amigo, director adjunto do Expresso, autor de uma avaliação deste vosso criado que eu vou encaixilhar na parede, junto ao louvor da tropa

 

SMS Trocadilho

 

«Um Natal cheio de Graça e um novo ano com boas graças»

Coutinho Ribeiro

Meu velho (Comércio do Porto 1981) e bom amigo, advogado, enquanto jornalista foi o responsável pela revelação em 1986/87 do escândalo de corrupção na PJ do Porto, que ficou conhecido como Sãobentogate. À conta deste escândalo, ele viveu uma efémera paixão pela Maria  da Graça (a corruptora) e ambos (ele e eu) sentamo-nos uma largas dezenas de vezes no bancos dos réus. Fomos absolvidos em todos os casos (uma vénia de agradecimento a António Vilar, o nosso advogado)

 

SMS Boa para mandar para pessoas de outro sexo, mas duvidosa no caso do destinatário também ser homem e não ser rabeta

 

«Boas Festas...pelo corpo todo»

Paulo Ramalheira

Meu velho (Átrio do Porto Sheraton em 86, quando aplicou um autocolante Soares é fixe nas costas de Belmiro de Azevedo que entrou nessa figura numa reunião do PSD) e bom amigo - e benfeitor. Este ano a PT Inovação, onde ele trabalha, ofereceu-me um iPod 8 gigas (preto, se fosse cor de rosa então é que eu desconfiava que os ares de Macau...)

 

SMS Corações ao alto

 

«Este ano a minha prenda vai ser igual à tua: a amizade que temos um pelo outro»

Vítor Pinto Basto

Meu velho (Semanário 1985) e bom amigo que está emprateleirado no JN

 

SMS Minimal Repetitiva

 

«Bom natal bom natal bom natal»

Catarina Carvalho

A «Estrelinha» é um minha amiga de mais ou menos fresca data (Expresso 2000?), que com grande pena minha se mudou para a Sábado (que já vende mais em banca que a Visão...), onde é editora executiva

 

SMS Bexiga II

 

«Se o Pai Natal não se portar bem contigo, diz-me. Para o ano, a Carolina manda dar uma sova nas renas»

Rogério Gomes

Meu velho (Piolho 1972/73) e bom amigo. Durante um ano épico (O Porto foi campeão europeu, a bolsa desatou a disparar em direcção ao céu e o edificio da PJ do Porto esteve quase a ir abaixo)  partilhamos a chefia da Redacção do Comércio do Porto

 

SMS Não comas muito queijo...

 

«Boas Festas, tem muitos presentes e aparece na terça, são os votos deste que se assina»

Henrique Monteiro

Meu velho (Expresso 1989) e bom amigo, director do Expresso, aka Comendador Marques de Correia, a mais valiosa jóia da Única (e não é por ser a última página...) e muito provavelmente de todo o Expresso

 

SMS EDP

 

«E a estrela de Natal ilunine os corações de toda a familia e que 2007 seja próspero com tudo o que é bom»

António Santos

O mecânico que me vendeu em 2001 o meu Mini Clubman de 1974 e que o tem consertado de todos os males que às vezes o atacam e que já me fizeram ficar à espera do pronto-socorro no km 104 (sentido Sul/Norte) da A1

 

 SMS Estou-me a marimbar

 

«O Natal é quando o homem quiser. E eu este ano não quero. Mas para quem quiser, que seja feliz

Ricardo Jorge Pinto

Meu velho (Expresso 1989) e bom amigo, chefe do Expresso no Porto. A aproveitou este Natal para ir passear (presumo que com uma namorada nova e gira) para a Suiça italiana e alemã, hospedando-se em hotéis de cinco estrelas que cobravam diárias mais caras que o Salário Mínimo Nacional

 

 

SMS Reflexiva, virada para o futuro e energética

 

«O meu interesse está no futuro, pois é lá que vou passar o resto da minha vida»

Chalers Kettering

Feliz Natal 2007 POWER»

Miguel Monteiro

Meu amigo mais ou menso recente (2000), empresário da Chip 7 que teima em não vestir fato e gravata - nem mesmo quando casa

 

 

SMS Bla...,bla..bla...

 

«Pai  Natal....Bom Ano..bla..bla..bla...filhozes...o bacalhau... as prendas...bla...bla..a árvore...o presépio...e coisa e tal...Façam-me o favor de serem felizes e de terem muita saúde. Se sobrar tempo podem dar cabo da dieta»

Vitor Carvalho

Meu velho (Funchal 1981) e bom amigo que anda a vender automóveis (bem ela não anda aí pela ruas, é economista...). Acho que a empresa onde ela agora trabalha foi comprada pelo BES. Não sei se será bom para a carreira dele saberem lá no grupo que ele se corresponde comigo. Por isso deixei esta mensagem para o fim. è absolutamente impossível que um responsável do BES resistisse ao ponto de chegar aqui

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publicado por Jorge Fiel às 19:00
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

No mundo maravilhoso dos anões pela mão da grande Felícia

 

Não escondo que hesitei. Por razões que seria um insulto à vossa inteligência pormenorizar, pensei uma, duas, três vezes antes de decidir conceder à Tabu o valioso Prémio Roupa para Lavar destinado à melhor Revista 2006.

 

Como sabem, a Tabu é o magazine do novo semanário dirigido pelo meu preclaro amigo e ex-colega José António Saraiva, que acaba de entrar na sua fase Simone de Oliveira (Sol de Inverno) e luta para ocupar o lugar do Expresso com a mesma obstinação e ferocidade (..e presumivelmente com o mesmo resultado) do grão-vizir Iznogoud (na foto que encima este post), que quer ser califa no lugar do califa  Haraoun el Poussah, numa das mais divertidas séries criadas por Goscinny (esse mesmo do Astérix e do Lucky Luke).

 

Não é preciso ser um Einstein para perceber que atribuir à Tabu o já prestigiado Prémio Roupa para Lavar  não é nada bom para o meu futuro aqui no Expresso.

 

Mas, apesar de todos estes apesares,  decidi arriscar. As minhas últimas resistências foram vencidas pela leitura atenta da deslumbrante reportagem  sobre a  vida de sete anões, fotografados no Palácio de Seteais, que faz a capa da última edição da Tabu, assinada por Felícia Cabrita, uma pena de ouro!

 

«O Natal dos Anões/Histórias de Sete Anões que lutam num mundo de gente grande. O Sol juntou-os em vésperas de Natal» é uma notável peça, com entrada directa nos anais do grande jornalismo em Portugal, escrita com o fino recorte literário a que Felícia nos tem vindo a habituar. O Prémio Gazeta 2006, do Clube de Jornalistas, já tem dona. E se falhar o Pulitzer isso deve-se apenas a duas pequenas debilidades que a peça «Natal dos Anões» encerra (tivesse sido eu a editar a nada disso teria acontecido). A saber:

 

1. Não explicita onde está a Branca de Neve;

 

2. Omite a posição dos sete anões portugueses sobre a modalidade desportiva muito em voga na Europa Central e do Norte que consiste no arremesso de anões.

 

Custa-me ter de puxar pelos galões, mas para que não fiquem dúvidas sobre a minha capacidade de discernir neste particular, invoco o facto de ter sido o Editor da Revista do Expresso até José António Saraiva ter acabado com ela, substituindo-a pela Tabu, que usou o nome Única durante o tempo em que foi encartada no Expresso.

 

«Bate forte, fortemente, a chuva na Malveira. Não se vê vivalma nas ruas. Um Mercedes preto atravessa o espesso brocado de água. À medida que se aproxima, mais parece uma carro fantasma levado pelo temporal. Nem sombra de condutor. A máquina estaciona, a porta abre-se e nada. Parece movida por um impulso sobrenatural. à natureza não se devem pedir explicações. Afinal é gente, 98 centímetros de altura, 28 quilos de gente».

 

É com esta entrada majestosa que entramos no mundo maravilhoso dos anões (que sofrem por não chegarem ao multibanco e apenas poderem usar os elevadores nos trajectos descendentes) pela mão de Felícia. Seria coisa para Nobel se ela nos conseguisse explicar como é possivel que o anão não seja visto a conduzir o carro mas possa ver a estrada, de modo a evitar despistar-se ou atropelar os transeuntes que não sejam de crescimento reduzido.

 

Os sete anões de Felícia são todos iguais (minorcas) mas também todos diferentes.

 

José Manuel Merchante, 38 anos, 98 cm, é empresário, «movimenta-se com passinhos rápidos e gestos solenes, como se fosse um príncipe coberto de sedas e ouro num conto de bruxas e fadas», fixa a interlocutora «com os olhos semicerrados de sedutor profissional» (terá a autora resistido?), e tem a mania das grandezas: «Apesar de ser pequenino , vibo enter os grandes, gosto de carros grandes, mulheres grandes, tudo em grande».

 

 Mulheres grandes foram um fartote para David Almeida, 34 anos, 1m37, comediante, nos tempos aúreos do Frágil. «Foram tempos loucos, as mulheres queriam conhecer coisas novas na cama e eu era anão. Ia ficando tísico», confessa.

 

«Agora a chuva bate leve, levemente. mas quanto à natureza é-lhe indiferente o que possamos pensar dela». É com este final, a um tempo arrebatador, nostálgico e poético, que Felícia encerra a sua peça notável sobre o Natal dos sete anões (lamentavelmente órfãos da sua Branca de Neve). Foi esta comovente história que teve o condão de acabar com a minha indecisão, mas não foi só por causa dela que atribuí à Tabu o reputado Prémio Roupa para Lavar destinado a distinguir a Melhor Revista 2006.

 

A última edição (nº 15, 23 Dezembro 06) desta revista é toda ela uma preciosidade, uma prenda para ser guardada pelos coleccionadores. O meu exemplar, desde já vos garanto que não o empresto a minguém e já integra o meu rol de bens mais estimaveis, a par das minhas dez mil acções da Sonae SGPS, da colecção completa do Jacaré (encadernada a couro verde com ferros a ouro) e da fotografia autografada da Sharon Stone em biquini. 

 

Já não falando da imperdível nota de abertura assinada pelo meu prezado amigo e noctívago Vítor Rainho (Olá Vítor, para quando a reunião em livro das tuas crónicas?), lemos a última Tabu e damos um espreitadela ao  T2 da decoradora Cristina Jorge de Carvalho, que negligencia a vista porque «não tem tempo para estar à janela», ficamos na posse da valiosa informação de que «um dos personagens mais carismáticos da rua do Arsenal, João Ramalho, proprietário do Rei do Bacalhau, foi assassinado no ano 2000 (para reequilibrar a população mundial o meu filho João nasceu nesse ano) e somso apresentados à família numerosa Pinto Torres.

 

Américo e Cristina Pinto Torres queriam ter sete filhos, «já vão em dez, e o último nasceu na cozinha da casa da família. Uma experiência que querem repetir». Cristina e Américo, ouçam um bom conselho. Da próxima não basta tê-lo na cozinha. Produzam-nos também na cozinha. De preferência em cima da máquina de lavar (a funcionar). E expliquem-se só quando ela estiver no final da centrifugação. Vão ver que gostam!

 

Como é óbvio, sai da pena de José António Saraiva a cereja que coroa o bolo desta fabulosa edição para coleccionadores da Tabu. O arquitecto vangloria-se de lhe terem recusado o cartão de crédito do Citibank, uma proeza idêntica ao do estudante turco que tentou com sucesso ter zero no exame de Matemática. É que a Leonor, a minha empregada doméstica, que é analfabeta (mas não anã) e vive em S. Pedro da Cova, distraiu-se noutro dia a tomar café num corner do Shopping do Bom Sucesso, foi abordada por um promotor do Citibank e não conseguiu escapar a ficar com um cartão de crédito do maior banco do Mundo.

 

EXTRAS

 

1. Passatempo Decoradora

 

O que é esta sala?

 

a) A sala de entrada da York House

 

b) A sala de estar do T2 da Cristina Jorge Carvalho

 

c) O Lounge VIP da Lufthansa no novo aeroporto do Porto

 

 

2. Passatempo Familias Numerosas

 

O que é que pensou Cristina Pinto Torres após 14 meses de casamento sem engravidar?

 

a) O meu Américo não está a fazer as coisas como devem ser

 

b) Se calhar somos estéreis

 

c) Afinal sempre é verdade que os meninos vêm de Paris trazidos por uma cegonha e nós ainda não os encomendamos

 

 

ESPECIAL SARAIVA

 

1. Onde é que estava José António Saraiva (JAS) quando recebeu o primeiro telefonema da promotora do Citibank que lhe queria vender um cartão de crédito?

 

a) na casa de banho do seu novo andar em Algés

 

b) não se sabe

 

c) numa reunião com Teixeira Pinto, no edifício do Millennium bcp da rua do Ouro

 

 

2. Para onde marcou JAS o encontro com a promotora do Citibank?

 

a) Café In

 

b) casa dele

 

c) à porta do Jardim Colonial

 

 

3. Quantas vezes deixou JAS a promotora dependurada à porta de casa dele, sem ninguém lá dentro?

 

a) uma

 

b) duas

 

c) três

 

 

4. O promotor do Citibank que substituiu a infeliz colega que não conseguiu encontrar-se com JAS usava que tipo de calçado quando foi a casa do director do Sol?

 

a) ténis Nike

 

b) sapatos quadrados à frente

 

c) sandálias

 

 

5. Qual foi a primeira pergunta que JAS fez ao promotor?

 

a) Qual é o custo anual do cartão?

 

b) Sabe quem eu sou?

 

c) Qual vai ser o meu limite de crédito?

 

 

6. O que alegou o Citibank para não dar o cartão de crédito a JAS?

 

a) A sua assinatura na papelada não estava conforme à do Bilhete de Identidade

 

b) O facto de ele estar desempregado

 

c) A CIA achou suspeita a quantidade de vistos para o Paquistão existentes no passaporte de JAS pelo que o pôs numa lista negra que ircula entre todas as grandes companhias norte-americanas

 

 

7. O que fez JAS face a esta recusa?

 

a) Pediu a Paulo Teixeira Pinto um American Express de platina

 

b) Escreveu uma carta ao Citibank a dar-lhe conta do seu estado de espiírito

 

c) Aproveitou a hora do almoço para ir à Loja do Cidadão dos Restauradores pedir a emissão de um novo passaporte

 

Como já é habitual nos passatempos da Roupa para Lavar, a resposta certa é a b). No meio é que está a virtude (mas também o vício...)

publicado por Jorge Fiel às 18:12
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Uma reflexão sobre o emprego suscitada pela acrobata vaginal Sonia Baby

 

Neste interim entre o Natal e a Passagem de Ano a generalidade dos meios de Comunicação Social opta por contornar a ausência de notícias e de recursos humanos (2/3 dos jornalistas aproveitam esta altura para meterem dias de férias, que ninguém sabe conseguiram guardar, e folgas em atraso, na sua esmagadora maioria de origem duvidosa) socorrendo-se de todo o tipo de rankings dos melhores e piores do ano.

 

Eu não quero salientar-me, desalinhando-me deste movimento. Por isso, é com todo o prazer que hoje vos anuncio o Prémio Roupa para Lavar da Melhor Entrevista 2006.

 

E a vencedora é Sonia Baby, uma acrobata vaginal espanhola, que concedeu uma memorável entrevista à revista NS (Notícias Sábado), do grupo Global Notícias e que desde já elogio muito por ser um modelo de coerência, uma vez que é distribuída ao sábado, como o próprio nome indicia, ao contrário da Sábado do grupo Cofina, que mentirosamente teima em ir para as bancas à 5ª feira.

 

A entrevista premiada foi publicada em Julho, antecedendo o 2º Salão Erótico de Lisboa, estrelado por Sónia Baby, onde, e apesar da elevada assistência (cinco mil pessoas), ela logrou a concentração suficiente para se superar e bater o seu recorde pessoal ao extrair 20 metros de correntes de dentro da vagina (a foto documenta o momento).

 

Em beneficio dos leitores a quem essa notável peça passou despercebida, transcrevo um pequeno extracto (penso ser esta a palavra adequada) da entrevista:

 

« (...)

Pergunta - Que área é essa?

 

Resposta - Sou acrobata vaginal

 

P- Desculpe?!

 

R - É isso mesmo. Tiro 18 metros de correntes de dentro de mim. Também tiro bolas de pingue pongue e dou autógrafos com a vagina.

 

P - Está a brincar, certo?

 

R - Estou a falar a sério.

 

P - Ah. E isso treina-se?

 

R - Sim. tenho de treinar muito. É tal e qual como ir ao ginásio para nos mantermos em forma. Eu fiquei famosa graças a esta proeza. Sou a única mulher na Europa a exercer esta actividade. Os pedidos são tantos que nem tenho tempo para respirar... E agora a minha imagem está a começar a ser conhecida fora da Europa - em Miami e até mesmo na China.

(...)»

 

Sonia sabe que a sua profissão de acrobata vaginal é de desgaste rápido tal como a dos futebolistas profissionais. «Se te cuidares bem, podes fazer esta vida até aos 30, 31 anos..»,  prevê a acrobata, numa declaração que confirma a justeza da observação do mercado do emprego feita por António Guterrres durante a campanha eleitoral para as legislativas em que foi reeleito - acabando por não levar o mandato até ao fim - e que eu tive o privilégio de acompanhar em reportagem para o Expresso.

 

Dizia Guterres que na geração dos seus pais era possível ter o mesmo emprego durante toda a vida. Que na nossa geração (a dele e a minha) seria possível ter a mesma profissão durante toda a vida, mas em diferentes empregos. Mas que na geração dos nossos filhos já não seria possível ter a mesma profissão durante toda a vida.

 

Sonia Baby está aí a dar razão ao engenheiro. Ela não vai conseguir ser acrobata vaginal durante toda a vida. 

publicado por Jorge Fiel às 19:44
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Vá lá, passe o ano em Nova Iorque, que eu dou uma ajuda

  

No início deste mês, dois grandes amigos meus, ambos transmontanos  - o Abilio é de Bragança, o Tó Mané de Vila Real - coincidiram em passar uma semana de férias em Nova Iorque e em pedir-me que lhes desse algumas sugestões. Em beneficio deles, escrevi este texto que lhes enviei por email.

 

Como é Natal, achei por bem partilhá-lo com todos os frequentadores da Roupa para lavar. Seria para mim um imenso prazer que guardassem este pequeno guia - com seis sugestões de restaurantes, sete experiências e cinco museus -  e o usassem quando fossem a Manhattan. É, se quiserem, a minha prenda de Natal para todos vocês, meus amigos

 

SEIS COMES

 

McSorleys Ale House

15, 7th Street, entre a 1ª Ave e 2ª Avenida

É o bar mais antigo de Nova Iorque. Um pedaço do século XX que chegou intacto ao século XXI, com serradura no chão. Tem dois tipos de cerveja de produção própria. Eu gosto mais da escura (dark). Pede-se uma cerveja e eles trazem duas canecas. É mesmo assim. Para comer têm umas tijelas (bowl) de chili e queijo com cebola. É um óptimo meio ou fim de tarde

 

PJ Clark’s

915, 55th St, 3ª Ave (Metro E e V para 51th St)

O melhor hambúrguer do Mundo. É uma pequena casa no meio de arranha céus, o que dá um efeito curioso. Na sala da frente há um balcão que ao fim da tarde e à noite está cheio de gente. A sala de refeições fica atrás. O hambúrguer (em prato) é mesmo, mesmo muito bom

 

Carnegie Deli

854, 55th St, 7º Ave

As maiores e mais suculentas sandes do Mundo. O Frank Sinatra era cliente

 

Totonno’s

462, 26th St, 2ª Ave ou 1544, 80th, 2ª Ave

A melhor pizza branca (só queijos) do Mundo. O melhor é pedir uma branca e uma outra e depois partilhar.

 

Katz Delicatessen

205 East Houston, esquina com a Ludlow (Metro F e V para Lower East Side 2ª Ave)

À entrada dão um bilhete onde anotam tudo que encomendarem e pagam à saída. Tem um merchandising curioso (as T Shirts pretas com a reprodução do talão que dão à entrada são bem giras). O que eu recomendo é uma sandes de pastrami com pickles que se vai buscar ao balcão (o cortador pega na peça e dá um bocadinho de carne para experimentarmos se está boa). A cerveja pega-se noutro balcão, junto à entrada. Eu gosto da Brooklyn Lager. Foi no Katz que foi filmada a célebre cena de filme em que a Meg Ryan está a conversar com o Billy Cristal e simula um orgasmo. Vale a pena perder tempo a vre na parede as fotos do dono (um tipo gordo) com gente famosa que foi ao Katz.

Descendo a Ludlow, estamos no Lower East Side, a zona onde se pode comprar roupa muito barata nas lojas de judeus que tem o produto exposto na rua. A rua mais comercial é a Orchard St, mas recomendo também a Rivington, Delancey e Essex. Pode passear-se por aqui até à East Broadway-

Atravessando a Houston para o outro lado (com cuidado) e flectindo um pouco para a direita, encontramos a A Avenue, que se deve subir até Tompkins Square, o coração da East Village, que é uma das coisas que está a dar mais. Depois de apanhar pulgas no jardim de Tompkins Square (anda lá uma multidão de gente a passear cães e muitos gays – os cães e os donos), aconselho deambular em direcção à 2ª Ave. As minhas ruas favoritas neste bocado são a 3th St, a 6th St, a 7th St e St Mark Place. Daqui está-se perto do McSorleys.

 

Florent

69, Gansevoort, entre a Greenwich St e a Washington St

Está aberto 24 horas por dia. As batatas fritas são espectaculares. Está no coração do Meatpacking District, um pouco abaixo de Chelsea, onde os armazéns de carne se misturam com as discotecas da moda e as lojas de estilistas (a da Stella McCartney é lá). È para frequentar completamente fora de horas. O nascer do dia é engraçado porque se misturam os talhantes com o pessoal a sair das discotecas. Está a dar.

 

 

SETE EXPERIÊNCIAS

 

Gray Line

42th St com a 8ª Ave

Vendem passeios em autocarros vermelhos de dois andares. É uma boa forma de abordar a cidade. Fica-se com uma panorâmica geral. O melhor é um bilhete que dá para dois dias e incluiu o circuito uptown (vai até o Harlem) e downtown. Dão um folheto com o mapa das paragens e dá para entrar e sair. Nesses dois dias não é preciso andar de metro ou táxi. O que recomendo é fazer primeiro, logo de manhã, uma volta completa e depois ir usando como meio de transporte.

 

Staten Island Ferry

Metro: 1, 9, N e R para South Ferry

É um belíssimo passeio de barco até Staten Island. Passa junto à Estátua da Liberdade e é de borla (ou seja grátis, cum catano). Tem de se estar atento para ver em que lado do barco é que se deve ir para apreciar melhor a vista. No regresso é fabuloso ver a aproximação da skyline de Nova Iorque. Quando chega a Staten Island tem de se sair do barco e voltar a entrar (no mesmo barco).

 

Battery Park

Depois do passeio de barco é recomendável um passeio a pé pelo Battery Park, ao longo do rio Hudson (do outro lado é New Jersey), até ao World Financial Center – tem uma marina em frente. Aqui deve entrar-se e subir a escadaria (os chineses e coreanos quando casam vão lá tirar fotografias) que aparece no filme A Fogueira das Vaidades (as palmeiras interiores são impressionantes). Lá em cima desfruta-se da melhor vista sobre o Ground Zero  O Battery Park, uma urbanização moderna, está implantado numa zona resgatada ao rio. È um aterro feito com as terras provenientes da escavação para as fundações doa Torres do World Trade Center. Elas foram abaixo mas o Battery Park manteve-se.

 

Strand

828 Broadway (Metro: L, N, R, $, 5 e 6 para Union Square-14th St)

Fica perto de Union Square. È a maior livraria do Mundo. O número exacto de quilómetros de prateleiras está descrito nas T shirts de cores giríssimas que eles vendem. O merchandising deles é espectacular. As canecas, sacos e esferográficas são bestiais. E não há livro que se queira que não se encontre lá. È imperdível.

 

Ponte de Brooklyn

City Hall Metro: J, M e Z para Chambers Street ou 4, 5 e 6 para Brooklyn Bridge

Vale a pena ir a pé pelo menos até meio da ponte para beneficiar de uma vista de cortar a respiração. Há um tabuleiro para peões e bicicletas que anda por cima do trânsito automóvel, equipado com bancos onde se pode descansar. O acesso é através da zona de City Hall

 

Dean and Deluca

560 Broadway, na esquina com a Prince St

É o mais fino e rico supermercado do Mundo. Vale uma visita para apreciar os queijos, os peixes, os pães, as carnes. Pode comprar-se comida. Têm uma caneca preta  que diz Dean & Deluca muito bonita, com um desenho curioso – é mais larag em cima do que em baixo. Descendo a Broadway (virar à esquerda à saída do Dean & Deluca) passa-se pelas lojas que vendem jeans e sapatilhas mais baratas de Nova Iorque (lojas com bom aspecto) antes de chegar à esquina com a Canal Street onde vendem os relógios e outras coisas falsificadas.

 

Rockfeller Center

48th St a 51 St, entre a 5ª Ave e a 6ª Ave

O café esplanada que está no centro deste complexo imobiliário está nesta altura transformado no ringue de patinagem que aparece muito nos filmes. Desde este ano é possível subir ao topo do edifício Rockfeller, que é uma boa alternativa à subida ao Empire State Building. Há menos gente na bicha, a vista é idêntica mas o observatório é muito mais moderno (em vez de grades para o pessoal não se suicidar tem vidros transparentes) e há uma exposição cá em baixo que é interessante.

 

CINCO MUSEUS

 

Museu de História Natural

79th St, 8ª Ave, junto ao Central Park

É onde está o esqueleto de dinossauro gigante que aparece no inicio do Godzilla. Acrescentaram-lhe agora um ala em que tu andas ao ritmo da história da Humanidade. É o máximo. No final podes atravessar o Central Park até ao Metropolitan

 

Metropolitan

1000, 82th St com a 5ª Ave

È tão grande, tão grande que ou decides ir a uma sala em concreto que tenha coisas que aprecies ou perdes tempo e paciência. A loja é fabulosa para comprar presentes pelo que vale a pena reservar uma hora para andar por lá a passear

 

Guggenheim

1071, 89th St com a 5ª Ave

Vale a pena ir lá dentro nem que não seja para apreciar a arquitectura helicoidal do Frank Lloyd Wright. Não é muito grande. A loja tem coisas de design interessantes. Normalmente tem exposições temporárias e uma pequena mostra da colecção permanente.

 

Frick Collection

70th St com a 5ª Ave

Gosto muito porque permite ver como vivia um milionário americano (fez fortuna no cobre, creio) no início do século XX. É a casa onde ele habitava, com o mobiliário, os tapetes, a decoração e os quadros. Não aborrece. Detesto a sala Fragonard, mas é um estilo. Tem dois Vermeers!

 

MoMa

53th St, entre a 5ª Ave e a 6ª Ave

A entrar e gastar tempo num só museu esta seria a minha aposta. A dimensão não é esmagadora e tem expostas coisas magníficas e surpreendentes.

 

publicado por Jorge Fiel às 19:44
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

O saco azul do Ikea é mais útil que o colete retro-reflector verde

 

 

 

Ando sempre no meu carro com um saco do Ikea, arrumado junto ao colete rectro-reflector. Diz-me a experiência que o saco é bem mais útil que o colete, e ainda bem que assim é.

 

O colete retro-reflector (há por aí algum/a especialista na nova TLESB que me saiba explicar porque é que o colete é retro-reflector e não apenas e simplesmente reflector?) é obrigatório mas, por principio, só é usado quando ocorre algum tipo de sinistro e nós temos de sair para a estrada vestidos daquela forma ridícula, esperar pela polícia, telefonar para a Assistência em Viagem ou tentar perceber onde está o macaco e como é que se muda a porcaria do pneu. O meu colete é verde, como acontece na esmagadora maioria dos casos, mas há uns cor de laranja que também são regulamentares e muito mais «fashion».

 

Por norma, o uso do colete retro-reflector está associado a encrencas e problemas, mas há sempre excepções. Uma colega minha confidenciou-me que a mãe achava muito excitante fazer amor toda nuazinha, apenas com o colete retro-reflector vestido. Sempre pensei que esta fantasia teria como complemento que o parceiro usasse um preservativo fluorescente, o que facilitaria perseguições no escuro, mas não sei se isso será apenas imaginação minha, sem qualquer aderência à realidade...

 

O saco do Ikea não é obrigatório, de jure, mas está a tornar-se obrigatório, de facto. Primeiro foi o Lidl a cobrar-se pelos sacos de compras e agora chegou a vez do Pingo Doce imitar os alemães. Numa boa parte dos supermercados desta insignia do grupo Jerónimo Martins já temos de pagar à parte os sacos onde acondicionamos as compras.

 

A argumentação é boa, fundamentando-se na politicamente correcta protecção do ambiente - os sacos de plástico são uma praga que a Mãe Natureza detesta e por isso demora uns milhares de anos largos a engolir.

 

Neste contexto, é sempre uma benção ter no carro um daqueles sacos azuis, grandes, bonitos e resistentes do Ikea, onde podem conviver harmoniosamente os pacotes de leite, as Fantas, os iogurtes, os bifes de atum, as garrafas de vinho branco da Adega de Pegões, os cereais Chocapic Duo, a fruta (não nos podiamos esquecer da fruta!), enfim os mantimentos indispensáveis para manter a família alimentada e feliz. Cabe lá dentro quase tudo. E se estiver muito pesado basta repartir o peso por duas pessoas, cada uma pega do seu lado, compondo assim até um quadro terno, solidário, tipo «peace and love», muito anos 60.

 

A utilidade do saco do Ikea não se esgota na excursão às compras. É também óptimo para transportar a tralha para a praia - toalhas de banho, bronzeadores, livros, pazinhas e baldes. E agora, que estamos nas vésperas do Natal, não há melhor que o saco do Ikea para andar com as prendas de um lado para o outro?

 

Por todas estas razões, acho que o saco azul do Ieka, além de ser uma verdadeira pechincha (creio que custa 50 cêntimos), é um das mais inteligentes compras que se pode fazer. Por que não oferecer um como prenda de Natal? Estou convencido que a Deco aplaude esta minha recomendação.  

publicado por Jorge Fiel às 23:40
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Se eu fosse o Jerry Bruckheimer, adaptava o livro de Carolina ao cinema

 

A minha decisão não foi tomada de ânimo leve. Só comprei o «Eu, Carolina» depois de me terem garantido que não fazia parte dos planos de Eduardo Prado Coelho analisar com detalhe o livro referido no suplemento Mil Folhas.

 

Mal soube isto, meti as mãos à obra e passei pela vergonha de passar com o livro pela caixa da Fnac. Vá lá que não foi caro (9,80 euros).

 

Era indispensável que alguém fizesse uma abordagem séria ao maior sucesso editorial no panorama literário português desde o saudoso Código Da Vinci, de Don Brown.

 

Era fundamental que alguém mergulhasse com conta, peso e medida (ou seja, da maneira como devem ser tirados os centros no futebol) na obra que atirou Margarida Rebelo Pinto para a lista de clientes da 4Nails, visto ter começado a roer furiosamente as unhas.

 

Se o bom do Prado Coelho se escusava a desempenhar esta tarefa,  eu não tinha outro remédio se não assumi-la. Como mais tarde ou mais cedo perceberão (como é óbvio os mais espertos são os que perceberem mais cedo) não sou homem para fugir às minhas responsabilidades.

 

Lido o «Eu, Carolina» ontem à noite à noite, no Alfa, entre Santa Apolónia e Coimbra B, posso desde já garantir-vos que se fosse Jerry Bruckheimer (um velho sonho meu) não teria a menor das dúvidas. Há aqui material para um blockbuster, provavelmente com o titulo «In the heat of the night».

 

O resultado da minha leitura foi o post mais longos da história curta mas gloriosa da blogues do Expresso. Lamento. E para não maçar excessivamente os leitores, resolvi subdividi-lo em partes: 13 Prémios, 25 Perguntas, 16 Personagens e 1 Passatempo.

 

 

13 PRÉMIOS

 

Prémio Daaah...

O livro é dedicado ao Jorge Nuno: «Sem ele este livro não teria sido possível». 

 

Prémio Confissão Despropositada (já sabiamos)

«Apesar de não ter ainda trinta anos, a minha experiência de vida já é longa»

 

Prémio Amor Filial

«A falta que o meu pai me fazia era tanta que cheguei a esperar nas bombas de gasolina só para o ver afixar à porta do restaurante as ementas do dia».

 

Prémio Mulher de Bom Gosto

«A primeira vez que entrei no Calor da Noite foi durante o dia, a casa estava completamente vazia. Fiquei completamente fascinada com o espaço. A decoração era linda, envolvente. sofisticada»

 

Prémio Confissão do Ano

«Confesso que ganhei muito dinheiro trabalhando no Calor da Noite, um bar de alterne»

 

Prémio Voluntariado

«Eu sentia-me uma espécie de conselheira matrimonial, sentia que a minha presença ali  (no Calor da Noite), valia de alguma coisa, era útil»

 

Prémio Atracção Fatal

Quando viu pela primeira vez Pinto da Costa no Calor da Noite, o corpo de Carolina reagiu: «As minhas pernas começaram a tremer, senti um frio no estômago».

 

Prémio Carreira de Sucesso

«Do ponto de vista financeiro, a minha aposta estava a resultar em cheio. Numa semana, no bar, eu facturava tanto como num mês inteiro a trabalhar de hipermercado em hipermercado»

 

Prémio Noiva em Fuga

«Estava em pé (no Calor da Noite), à nossa espera, o senhor Pinto da Costa, que se preparava para me cumprimentar com um beijo na cara, mas eu estendi-lhe a mão, como fazia com os outros clientes. Senti-o constrangido com esta minha atitude e fiz questão de me retirar, no que fui impedida pelo senhor Reinaldo Teles»

 

Prémio Revelação

Pinto Costa começou-a a levar a casa todos os dias... até que «certa noite, ao despedir-se de mim, não me deu um beijo na cara, como era usual, mas um beijo na boca, que me deixou sem palavras, mas segura de que estava a fazer-me a corte».

 

Prémio Combate ao Colestorol

«Como o Jorge Nuno padece de diabetes, tinha imenso cuidado com a sua alimentação que queria saudável, sempre à base de carnes brancas e grelhados. Retirava até o miolo do pão, quando lhe preparava uma sanduiche, para impedir o aumento dos niveis de colestrerol»

 

Prémio Fada do Lar

«Eu cortava-lhe as unhas dos pés, aparava-lhe os pêlos das orelhas, e, qaundo chegava, ao queixar-se  de cansaço, tentava atenuar-lhe fazendo-lhe massagens nas pernas. Dava-me imenso prazer fazer.-lhe esfoliações, que ele achava 'serem coisas próprias de mulheres e de maricas'. E cortava-lhe o cabelo.

 

Prémio Momento Zen

«Quando o Papa me tocou e acariciou a face, parei no tempo, paralisei, perdi o sentido da audição, apenas sentia uma espécie de eo que soava longinquo na minha mente e, para meu desespero, não fui capaz de perceber claramente as palavras que me dirigia»

 

 

QUESTIONÁRIO

 

1. Qual é o segundo nome de Carolina?

 

a) Carolina Vanessa

b) Carolina Sofia

c) Carolina Cláudia

 

2. Qual é o único sítio que Carolina conhece em Lisboa?

 

a) Museu Nacional de Arte Antiga

b) Hotel Altis

c) Elefante Branco

 

3. Que animal Carolina levou para a aula de Geografia?

 

a) um porco espinho

b) um gato

c) uma pulga evadida de um circo de pulgas amestradas

 

4. O que é que a Carolina Salgado e a Luciana Abreu (a popular Floribella) têm em comum:

 

a) joelhos de futebolista, pois ambas jogaram futebol feminino no Coimbrões;

b) terem nascido em Gaia

c) ambas usam cuecas de fio dental roxo

 

5. Como se chama o restaurante do pai de Carolina?

 

a) No Calor da Noite

b) Davilina

c) O Paraíso das Francesinhas 

 

6. A canção que tocava no Calor da Noite no momento do encontro fatal entre Carolina e Jorge Nuno era:

 

a) Summer of 69, de Bryan Adams

b) Brand New Day, de Sting

c) Tengo La Camisa Negra, de Juanes

 

7. Qual é o nome do homem de 40 anos que desgraçou a vida da Carolina?

 

a) Jorge

b) ela não revela

c) Tino de Rãs

 

8. De acordo com Carolina, onde fica o Regalo do Boi?

 

a) na rua Costa Cabral, uns 100 metros adiante do Calor da Noite, para quem vai em direcção ao Marquês

b) no cu da vaca

c) no Cais da Gaia

 

9. Qual foi o primeiro carro de Carolina?

 

a) Ford Fiesta

b) Opel Corsa

c) Mini Clubman branco de 1974

 

10. Qual é o clube do coração do pai de Carolina?

 

a) FC Porto

b) Boavista

c) Candal

 

11. Que peça de roupa era proibida pelo sr Torres, o porteiro do Calor da Noite?

 

a) cuecas de algodão branco

b) calças de ganga

c) collants de rede

 

12. Onde é que a irmã gémea de Carolina pensava que ela estava quando na realidade alternava no Calor da Noite?

 

a) na Revisão do Jornal de Notícias

b) nas bilheteiras do cinema

c) a servir à mesa tripas no Paju, o restaurante da rua Faria Guimarães que está aberto até às quatro da manhã

 

13. Onde é que Carolina e Jorge Nuno dormiram pela primeira vez?

 

a) Ibis, junto à ponte da Arrábida

b) Hostal dos Reis Católicos, em Santiago de Compostela

c) Hotel Altis, em Lisboa

 

14. Que roupa usou Carolina na primeira noite?

 

a) Uma camisola número 99 do Vítor Baía

b) Um pijama azul coberto com pequenos elefanates comprado no Corte Inglês de Vigo

c) Um conjunto completo de lingerie preta, incluindo ligueiro, da Victoria Secret 

 

15 Qual é o prato preferido de Pinto da Costa?

 

a) almôndegas com o molho sueco comprado no Ikea

b) arroz de frango acompanhado de ovos estrelados

c) tripas à moda do Porto

 

16. O que queria dizer Jorge Nuno quando apertava três vezes seguidas a mão de Carolina?

 

a) Acende um cigarro depressa que eu estou quase a largar-me

b) Gosto muito de ti!

c) Cuidado com o que dizes pois pode haver microfones

 

17. Qual é o nome do cão preferido de Pinto da Costa?

 

a) Bobbie

b) Dragão

c) Ken

 

18. Qual o nome do gato preferida de Jorge Nuno?

 

a) Tareco

b) Tucha

c) Barbie

 

19. Qual é a única bebida alcoólica que o presidente portista aprecia?

 

a) champanhe

b) sangria

c) campari

 

20. O que é que lhe acontece depois de beber álcool?

 

a) sofre um ataque de priapismo

b) adormece quase de seguida

c) levanta-se e canta o Hino Nacional de punho erguido

 

21. Qual é o maior sonho de Jorge Nuno?

 

a) voltar a ganhar a Champions

b) ter 101 cockers

c) amantizar-se com Maria José Morgado

 

22. O que fez quando soube que Mourinho ia para o Chelsea?

 

a) ligou ao treinador a insultá-lo

b) tomou um calmante

c) refugiou-se na casa de banho com um ataque aguda de flatulência

 

23. O que é que a mulher de Reinaldo Teles deveria dizer à PJ para explicar a ausência do marido?

 

a) Ainda não voltou do trabalho

b) Não dormiu cá, de certeza que passou a noite com uma amante

c) Quem é o Reinaldo?

 

24. Que petiscos eram oferecidos aos árbitros que visitavam a casa de Carolina e Jorge?

 

a) um cesto de fruta

b) café e chocolatinhos

c) café com leite

 

25. O que é que disse Carolina aos agentes da PJ que lhe revistaram a casa?

 

a) Tenham cuidado que o Jorge pode ter um ataque cardíaco

b) Tenham cuidado porque o meu coelhinho pode ter uma ataque cardíaco e falecer de morte súbita

c) Não façam muito barulho para não incomodar os vizinhos

 

Para facilitar a vida aos leitores a resposta certa é sempre a b)

 

Quem acertou em 20 respostas e não leu o livro está dispensado de o comprar

 

 

PASSATEMPO FAÇA VOCÊ MESMO A LEGENDA

 

Viu a fotografia que encima este blogue?

Faça de conta que é jornalista e faça a legenda para esta foto, a constante da contra-capa do livro, uma feliz composição em que estão presentes uma cesta de fruta e os dois amantes, num ambiente aquático.

 

Recordo que nas vésperas do famoso jogo Estrela da Amadora-FC Porto, Pinto da Costa e António Araújo confirmaram ao telefone o envio de «fruta» ao quarto do árbitro  Jacinto Paixão  - ou, dito de outra maneira, já sinto paixão. Bebendo muita água, a bexiga aperta. E a acusação mais bichosa deste livro é a de foi Pinto da Costa que mandou Carolina Salgado (nada a ver com Ricardo Salgado, do BES) arranjar quem desse uma coça a Bexiga.

 

 

GALERIA DE PERSONAGENS

 

Afonso. O motorista e guarda costas de Pinto da Costa. Levou-a a Vilamoura quando ela entrou em estado de choque, bebeu o seu primeiro whisky e desmaiou, ao ler que Pinto da Costa estava casado com  Filomena. Mais tarde, em Abril do corrente ano, Afonso tê-la-á agredido (à Carolina)

 

Alexandre. Filho de Jorge Nuno e da doutora Manuela. Ficou contente ao saber do caso do pai com Maria Elisa, «visto não suportar a Filomena». Alexandre não gosta da irmã -  «ainda perco a cabeça se os enconto» - e está de relações cortadas com o pai

 

Carolininha. A filha de Carolina Salgado (nada a ver com os Salgados do BES) e do malfeitor anónimo que lhe desgraçou a vida.  «Comia sempre de faca e garfo, o que fascinava  o Jorge», que não raro «dormia com ela aconchegada» (mau...). «Ao ver que a minha filha era o centro das atenções do Jorge, o meu amor por ele crescia mais e mais, sentia que o meu coração estava prestes a rebentar»

 

Doutor Lourenço Pinto. O advogado de Pinto da Costa, tratava-a carinhosamente por «filha» (atendendo à diferença de idades entre ambos bem a podia tratar por neta...) . Não terá ficado satisfeito com o resultado de agressão ao vereador Bexiga: « Oh, minha querida, mas ele ficou a falar!» Carolina defendeu-se: «Mas eles partiram-no todo!». Mas o advogado terá insistido: «Sim, mas ficou a falar!»

 

Doutora Manuela. A primeira esposa de Jorge Nuno que a abandonou por que a Filomena, a sua secretária, se lhe apresentou grávida de Joana

 

Fernando Gomes. Economista, ex-basquetebolista e administrador da SAD do FCP. «Um homem muito reservado, de olhar inteligente»

 

Doutor Póvoas. Carolina considera-o um pombo correio de Maria Elisa. Não gosta dele, acusando-o mesmo de adultério «com uma cantora conhecida da nossa praça».  Acusa-o ainda de lhe ter induzido uma espécie de cura do sono, «que me prostrou até à inconsciência». «Com os remédios que o doutor Póvoas me prescreveu, passei a viver num estado de sonolência, sem vontade de reagir nem a nada nem a ninguém»

 

Fernando Santos. «Um homem bondoso»

 

Filomena. Mãe de Joana e esposa de Jorge Nuno. Segundo Carolina, o seu ex-amante acabou a relação com ela porque a achava «entediante». Segundo Carolina, Filomena enviava-lhe «mensagens horriveis para o telemóvel  e fazia dclarações para a revistas cor de rosa dizendo que ia transformar a minha vida um inferno»

 

Joana. Filha de Jorge Nuno e da sua ex-secretária Filomena. Começou por se dar mal com Carolina, que em 2003 teve um conversa séria com ela, garantindo-lhe que as suas intenções eram honestas, que não queria ocupar o lugar da mãe nem virar o pai contra ela. Mais tarde as coisas azedaram e Carolina deu-lhe dois estalos num restaurante

 

Joaquim Oliveira. Um mãos largas. «Proprietário de um grande império ao nível dos media». «Apresentou-se sempre perante mim como muito culto, humano, bem educado e de diálogo fácil. A sua presença no Calor da Noite era sempre sinónimo de festa de arromba. Como era sempre ele que pagava a despesa, os outros aproveitavam para beber champanhe à vontade sem se preocuparem com os custos» 

 

Maria Elisa. Jornalista da RTP com quem Jorge Nuno (cuja mãe se chamava Maria Elisa) namorou pelo por menos duas vezes. «Não precisando de me provar nada, o Jorge Nuno fez questão de me mostrar fotografias dos dois a passear de barquinho, julgo que em Veneza, e de me ler cartas que a jornalista lhe tinha escrito».

 

Manuel Tavares. Director do Jogo,  «um portista de gema, pessoa da grande categoria intelectual e que estava sempre disposto a 'aturar' as boas e más disposições do Jorge Nuno, visto que eam amigos de longa data.  De todos os jornalistas que conheci, considero o senhor Manuel Tavares  o melhor. Respeitou-me sempre, dizia que me gostava de ver de gravata e guardo também as melhores recordações da sua esposa, senhora de uma verdadeira simpatia e simplicidade, apesar de ter uma educação universitária».

 

Octávio. «Uma pessoa simpática, sociável e divertida, com a qual almocei e jantei variadissimas vezes»

 

Reinaldo Teles. O administrador da SAD do FC Porto era «um cliente habitual» do Calor da Noite e é, segundo Carolina, «uma pessoa muito influente da nossa sociedade»

 

Senhor Armando. O dono do Calor da Noite é, nas palavras da sua ex-empregada, «um homem muito caricato, bem disposto e com um sorriso maroto, que fazia lembrar o Quim Barreiros, se lhe tirarmos o bigode. Embora já não sendo muito jovem, trazia sempre o cabelo pintado de negro e a unhas impecavelmente arranjadas».

 

publicado por Jorge Fiel às 10:58
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

O capitão Haddock, a badalhoca que não se lava por baixo e o protozoário

 

 

 

A decisão da RTP de escolher o maior português de sempre, logo secundada pelo Inimigo Público que está a promover uma votação sobre o pior português de sempre, deu-me uma ideia. A de elegermos o melhor insulto de sempre em português.

 

O insulto mais espectacular que me foi dado a ouvir ocorreu já há uns bons 20 anos, durante uma zaragata de rua, protagonizada por duas mulheres da zona da Sé, em que uma delas foi acusada pela outra de ser badalhoca e não se lavar por baixo.

 

«Sua badalhoca! Não te lavas por baixo!» é pois o meu insulto favorito e o pontapé de saída para um debate que peço decorra com o máximo de decoro e dignidade, em atenção ao capitão Haddock ,esse velho marinheiro colérico que elevou o insulto à categoria de uma das Belas Artes.

 

A propósito, elenco aqui alguns dos meus insultos preferidos que sairam da boca do velho capitão (que nunca usou o calão no seu labor de criação daquela que é a mais fabulosa colecção de insultos de toda a História da Humanidade):

 

Troglodita (designação que os geógrafos antigos davam a um povo que habitava o sul do Egipto)

 

Bachi-bouzouk (o nome que davam aos soldados mercenários do exército otomano)

 

Analfabeto diplomado

 

Astronauta de água doce

 

Apache

 

Flibusteiro

 

Cataplasma

 

Na linha do Haddock, também gosto muito de insultar alguém chamando-lhe Protozoário, que como sabem, é um ser vivo que só tem uma célula.

 

Insinuar que outra pessoa não tem funções diferenciadas é um enorme insulto.

publicado por Jorge Fiel às 13:45
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Domingo, 17 de Dezembro de 2006

Os ovos estrelados na minha vida

Auto-retrato de Sarah Lucas com dois ovos estrelados 

 

Ontem comi dois ovos estrelados ao jantar, o que já não aconteci há muitos meses. Sempre gostei muito de ovos estrelados, mas evito-os por causa do colesterol.

 

Quando era pequeno consumia muitos, talvez à média de um por dia, em várias versões (a minha mãe tinha uma variante em que os estrelava no meio de um fatia de pão), até que um dia foi-me diagnosticada uma hepatite e o médico pôs os ovos no index da dieta curativa deste mal do fígado.

 

Além da dieta rigorosa, o bom do doutor prescreveu-me repouso absoluto - estive mais de um mês sem sair da cama. Acho que tinha doze/treze anos na altura e andava a meio do liceu, no Alexandre Herculano.

 

Passei largos meses sem sequer os tocar ovos estrelados. Após a hepatite a minha mãe racionou draconianamente a sua presença nas minhas refeições.

 

E quando eu barafustava muito a pedir ovos, ela condescendia e servia-me uma espécie de «avant la lettre» da comida light - ovos estrelados em água.

Sim é possível, comi-os com esta boca que a terra há-de comer. Estávamos no final dos gloriosos anos 60 e eu ouvia na rádio o Página Um e o Em Órbita.

 

Sempre gostei de ovos. Estrelados e não só. O meu prato preferido, a que tinha impreterivelmente direito no meu dia de anos, era salsichas (cortadas às rodelas) com ovos mexidos.

 

E confesso que tenho saudades de uma omoleta bem virada, tostada no ponto, recheada com salsa e cebola picada.

 

Já quando aos ovos cozidos, só bem mais tarde lhes vim a dar valor. Em pequeno gostava de os ver, nos restaurantes, com a casca de uma cor fantástica, ganha ao serem cozidos em água com cebola, segundo vim a saber e mesmo a praticar, mais recentemente.

 

Uso amiúde ovos cozidos picados na sala de atum (de lata) com feijão frade, regada abundantemente com azeite e polvilhada com pedacinhos de salsa e de cebola.

 

O tempo de cozedura não me preocupa muito - ao contrário do que sucede com o príncipe Carlos que exige que lhe sejam postos à frente, na mesa do pequeno almoço, no Palácio de Buckhingam, sete diferentes ovos, em fila, com diferentes tempos de cozedura, para ele escolher o que acha que está melhor.

 

Em resumo, gosto de ovos, estrelados e não só, mas tento viver sem eles porque são maus para o fígado e péssimos para o colesterol.

 

Esta vida é assim mesmo, tudo o que é mau engorda, mas neste particular, friso, não me estou a referir ao «Self-portrait with fried eggs» da Sarah Lucas, que ilustra este post.

 

publicado por Jorge Fiel às 08:22
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Comprei um Rolex falso por 25 euros sem saber bem porquê

 

Comprei um Rolex falso ontem no final do almoço de borrego no forno, no Licorista (rua dos Sapateiros), com o Xico e o Paulo. A ideia não era irmos ao «peep show» do Animatógrafo, que fica ali em frente, mas sim discutirmos se o nosso velho projecto de fazer um diário desportivo gratuito continua dentro do prazo de validade.

 

Agora que a Global Noticias (que tem O Jogo), de Joaquim Oliveira, e a Cofina (que tem o Record) de Paulo Fernandes ameaçam lançar os seus gratuitos desportivos, parece-me que já não há muito mais a fazer neste capítulo. A ideia era genial há dois anos, boa no ano passado, mas agora parece-me óbvio que agora está recessa.

 

Ainda não sei bem porque comprei o Rolex. Sou proprietário de uma boa meia dúzia de relógios, na sua maioria swatchs sem pilhas, e estou bastante satisfeito com o que usava na altura no pulso, o From Russia With Love, da série 007 da Swatch, com pulseira de couro, mostruário em azul e uma estrela vermelha de cinco pontas no lugar das 12 horas.

 

Acresce que hoje em dia ninguém precisa de relógio para nada. Há relógios espalhados por todo o lado e se por acaso não estiver nenhum ao alcance da nossa vista no preciso momento em que precisamos de saber as horas basta-nos olhar para o telemóvel. O relógio evitou entrar em vias de extinção ao transformar-se num acessório.

 

O camarada que andava a vender os relógios abordou a nossa mesa com um Breitling enorme, que não era feio mas não me entusiasmou. Ele insistiu. Cheirou-lhe (e bem) que podia fazer negócio. Foi tirando relógios da mochila mais dois ou três relógios até que surgiu o Rolex falso que me atraiu.

 

A negociação foi rápida. Ele começou por pedir 50 euros, eu ofereci 20 e estava disposto a não sair deste patamar mas cedi quando ele chegou aos 25.

 

Trata-se do meu segundo Rolex falso. O primeiro, que o meu amigo Kiki Eça de Queiroz me trouxe da Malásia desapareceu em combate depois de se ter portado bem durante uns bons pares de anos. Este é o segundo Rolex falso, mas o primeiro automático. É pesado, o aspecto é razoável (podem vê-lo na fotografia) e até agora tem funcionado bem.

 

Continuo sem perceber muito bem porque o comprei. Deve ter sido uma compra por impulso. Mas não é grave. Aqui há uns anos largos troquei impressões sobre o assunto com um tipo da Rolex que me disse que as falsificações não os incomodavam muito. «Se você compra um Rolex falso agora, mais tarde, quando tiver dinheiro, vai ver que compra um verdadeiro».

 

Nao sei ele tem razão. A teoria soa bem, mas será que o meu terceiro Rolex vai ser verdadeiro?

publicado por Jorge Fiel às 20:17
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Tudo o que eu penso sobre os táxis

 Um táxi de Barcelona

 

Nunca gostei de andar de táxi. Aflige-me o coração ver o taxímetro a trabalhar, sempre a somar, tunga, mais 15 cêntimos. A angústia é profundo e real já que também me atinge nos casos em que não sou eu a pagar a conta.

 

Uma vez em Paris, no tempo em que ainda havia francos e as ATM não estavam democratizadas, entrei em pânico absoluto quando a quantia assinalada no taxímetro ultrapassou o dinheiro que eu tinha na carteira.  Fiquei à beira de um ataque cardíaco.

 

Dito isto, esclareço que nada me move contra os táxis. Antes pelo contrário. Reconheço a sua extrema utilidade ao preencherem o segmento mais alto da oferta dos transportes públicos. E não me ensaio nada de chamar um táxi depois de esgotadas todas as outras possibilidades - pernas, metro, autocarro ou eléctrico.

 

Acresce que a sabedoria dos taxistas continua a dar preciosos e inestimáveis contributos para o humor no Mundo. Às vezes interrogo-me sobre o que seria dos Gatos Fedorentos se secasse esta sua valiosa fonte de matéria prima.

 

Os táxis têm uma terceira utilidade marginal: a de colorirem a paisagem urbana das cidades. Não consigo imaginar as espaçosas ruas e avenidas de Nova Iorque desertas da circulação de milhares de «yellow cabs».

Na ponte dos feriados estive em Barcelona, onde táxis pintados de preto com portas amarelas fazem um belo contraste com os autocarros vermelhos.

 

No nosso país, e muito infelizmente, um dos efeitos secundários negativos da nossa adesão à CEE foi a substituição do preto com tejadilho verde dos bons e velhos táxis pretos e verdes pelo maçador creme importado da Alemanha.

 

Sou absolutamente contra os táxis creme, que conjugados com o cinzento de 90% dos automóveis particulares entristecem as nossas ruas. Para ser pior só mesmo uma banda sonora de fado.

 

Ainda bem que foi aberta a possibilidade de escolha entre as cores novas e as antigas - e que uma minoria esclarecida de proprietários de táxi com bom gosto está a optar pelo verde e preto tradicional.

 

Mais esclareço que gosto muito do amarelo dos autocarros e dos eléctricos de Lisboa. E que tenho saudades do verde inglês que vestia os autocarros quando eu era pequeno, no Porto.

 

PS. Declaro hoje a 5ª feira zero da Quinta das Respostas. Prometo responder hoje à noite a todas (mas mesmo todas) as perguntas que os incautos que clicam neste blogue me coloquem façam e a todas as perguntas (mas mesmo todas) que me coloquem no espaço dos comentários

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publicado por Jorge Fiel às 15:55
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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