Domingo, 30 de Dezembro de 2007

O método infalível de evitar a fila mais demorada

 

 

Fixem bem esta cara. É a minha. Se por acaso me virem numa fila (preferi esta designação à de bicha, no intuito de evitar equívocos e graçolas de gosto duvidoso) não hesitem um segundo antes de procurar uma outra. Aquela em que eu estou será a mais demorada. É infalível!

 

Ao fim da manhã de ontem, levei o meu filho João ao Oceanário de Lisboa. Havia uma fila única de razoáveis proporções que um pouco antes de chegar às caixas se dividia em duas.

 

Eu optei pela fila da esquerda. Demorei mais 25 minutos até conseguir comprar os bilhetes que as três jovens espanholas que estavam atrás de mim e escolheram a fila da direita.

 

Para começar, foi o longo diálogo de uma senhora de idade com óculos de escuros graduados que esteve quase dez minutos na conversa com a menina da caixa. 

 

Fartei-me de espremer as meninges e não consigo descortinar a enorme quantidade de perguntas que alimentaram aquela irritante converseta. Mais de uma vez tive acalmar o impulso de abandonar o meu lugar na bicha (digo, fila) para ir para o pé da senhora de óculos escuros graduados ouvir as perguntas.

 

Depois, a minha fila já de si, sem chatas a empatar a rapariga da caixa, andava muitíssimo mais devagar que a da direita. Percebi o porquê quando chegou a minha vez. Do lado direito havia duas caixas abertas. Do lado esquerdo, só havia uma.

 

Ao fim da tarde, após uma vista de olhos na Byblos (a recém inaugurada maior livraria do paÍs com uma área de vendas de 3.300 metros quadrados), fui ao Pão de Açúcar das Amoreiras comprar pão (prokorn fatiado), limões (para temperar os calamares) e uma garrafa de espumante (Aliança Danúbio Bruto).  

 

Na hora de pagar, elegia a que parecia ser a mais promissora das filas, reservada para compradores de menos de 15 unidades. Tudo correu bem demais até que a senhora que estava antes de mim contestou o facto da caixa ter processado as três embalagens de lombos de pescada congelados, alegando que o produto em causa estava ao abrigo de uma promoção «leve três pague dois».

 

Exasperado com a demora (ninguém atendia o telefonema da menina da caixa que procurava passar para uma superior hierárquica a decisão final do caso dos lombos de pescada congelados), transferi-me para a fila do lado, na ignorância do desfecho desta apaixonante querela.

 

Na fila do lado, o primeiro cliente despachou-se sem peripécias. O problema foi com o casal de idosos que estava a seguir. O pomo da discórdia foi o preço de dois pacotes de Ceralac (é bom para o avô e é bom para o bebé) que apresentavam o atractivo de conterem, gratuitamente, mais 15% de farinha do habitual.

 

Os idosos alegavam que a leitura do código de barras fornecia um preço superior ao que estava marcado na prateleira.

 

Presumo que a mesma superior dos caixas que não atendia o telefonema da caixeira do lado também não atendia o telefonema do caixa da minha segunda fila.

 

Pela segunda vez, mudei de fila, uma decisão que se revelou sábia, porque depois de pagar dei uma olhadela e reparei que os meus dois caixas anteriores continuavam a desesperar ao telefone.

 

Estes dois episódios não são uma excepção á regra. Uma andorinha que não faz a Primavera. Lamentavelmente, são reveladores de uma tendência.

 

No início deste ano, quando desembarquei no aeroporto de Newark em trânsito para Las Vegas, escolhi uma fila surpreendentemente pequena (só tinha cinco pessoas à frente) para a sempre morosa tarefa de atravessar os serviços de emigração norte-americanos.

 

Poupo-vos aos pormenores e salto directamente para o final. Só duas horas depois consegui atravessar a fronteira. È a vida, como diria o Guterres.

 

 

música: Take a chance on me, Abba
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publicado por Jorge Fiel às 19:51
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28 comentários:
De Pedro Barbosa Pinto a 30 de Dezembro de 2007 às 21:44
Ilustre Jorge Fiel,

Se no discurso de fim de ano o Ministro Correia de Campos vier dizer que acabaram as filas de espera para as cirurgias, fico sem dúvida alguma que é o ilustre que dá mesmo azar.

Se isso não acontecer, será melhor certificar-se de que foi realmente a vesícula que lhe extraíram.

Certificação feita e confirmada, aconselho-o vivamente a fazer como o António Silva no “Pátio das Cantigas” e retirar-se a águas no Cartaxo até limpar a figadeira que já devia estar também num estado miserável.

Abraço e saúde,
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:28
Preclaro PBP

Será que fui desagradável para o meu amigo sem ter reparado?

Porque será que me quer ver mal do fígado?

A Bem da Nação!
De Pedro Barbosa Pinto a 2 de Janeiro de 2008 às 15:01
Ilustre Jorge Fiel,

Terei sido mal interpretado. O que eu lhe desejo é não só um fígado, mas todos os órgãos muito sadios.

O António Silva, que no "Pátio das Cantigas" começava por representar com uma carangona semelhante à da fotografia com que nos brinda, quando chegou do retiro a águas no Cartaxo, vinha um homem novo e já nem a pipa do seu "Palheto" esvaziada lhe conseguia retirar a boa disposição.

O comentador Sun Tsu diz-lhe que só desespera quem se esquece do significado de fila. Considerando eu a sabedoria milenar chinesa incontestável, dir-lhe-ei então que um fígado em mau estado pode ser muito prejudicial para a memória.

Abraço e saúde,
De Jorge Fiel a 3 de Janeiro de 2008 às 15:52
Preclaro PBP

Pois fico feliz pelo facto de me ter enganado ao depreender que o meu preclaro amigo tinha insinuado que eu era uma pessoa de maus fígados 

A Bem da Nação!
De Capelli a 30 de Dezembro de 2007 às 23:17
Meu caro Jorge Fiel

Você é aquilo a que os nossos "irmãos"
brasileiros chamam de "Pé - frio".
Na Sorte,ou melhor na falta dela,
somos 'compagnons de route'.
Há boa maneira maneira portuguesa,
prefiro dizer que não nasci com o cú virado
para a Lua.
Sinto alguma amargura e até uma
pontinha de revolta no modo como nos descreve
(muito bem) uma situação banal que a qualquer
pessoa pode acontecer.
Se estiver a ler mal as entrelinhas, -
peço perdão - resta-me dizer-lhe, que está
muito impaciente, para quem esteve 17 anos
numa fila quase estática.
Em Newark,deve ter sido tratado como
hispânico, e aí acredito, que tenha 'sentido' o
tratamento dado a alguns dos realmente
azarados desta vida.
Feliz Ano para si e todos os seus

P.S.- Era bem vinda a presença, na sua fila desportiva, de uma senhora de idade de óculos escuros graduados...ou de Sul,perdão,Sol,digo eu.
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:30
Preclaro Capelli

Estar 17 anos estacionado numa fila estática acaba por ser um pouco pior que as desgraças ocorridas com a minha própria pessoa no Pão de Açúcar das Amoreiras e no Oceanário de Lisboa.

Bom ano, caro colega pé frio!

A Bem da Nação!

De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:32
Preclaro Capelli

Estar 17 anos estacionado numa fila é um pouco pior do que me aconteceu. Tem razão.

Espero desencalhe em 2008.

A Bem da Nação!
De ccor a 31 de Dezembro de 2007 às 19:42
Caro JF,


Para lhe desejar um bom ano de 2008, para si e para os seus.

Um abraço
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:33
Preclaro CcoR

Igualmente para si e para o resto do pessoal aí de casa.

Um 2008 luminoso para todos vós!

A Bem da Nação!
De Sun Tsu a 1 de Janeiro de 2008 às 17:46
Caro Jorge Fiel,

Permita-me um conselho de um globetrotter com mais carimbos no passaporte, do que uma reclamação (ganha) aos Serviços das Finanças da Nação.

Ande sempre com um livro, um iPod ou qualquer outra coisa que o ajude a passar o tempo. Evite contar anedotas pois pode ser mal interpretado... Especialmente se houver benfiquistas por perto...

As filas foram feitas para uma pessoa esperar. Só desespera quem se esqueçe do significado da fila. Sendo um mal necessário e do qual não se pode fugir, escolher uma fila é como escolher os números do EuroMilhões. Nunca se acerta...

Se alguma coisa aprendi é que quando se está de boa disposição, ou entretido, as filas andam mais depressa...

Abraço e bom ano.

SunTsu

PS - Actividade mental para passar o tempo nas filas da imigração dos USA: avaliar o nivel de (falta de) segurança da que se diz a fronteira com mais vigilancia do mundo... Ao fim de algumas entradas pode-se identificar padrões de comportamento de quem diz controlar o maior país do mundo... Dá vontade de rir...
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:35
Preclaro Sun Tsu

A sua sabedoria transcende-me (não, não estou a brincar!)

E obrigadinho pelos conselhos!

A Bem da Nação!
De dalhenamona a 2 de Janeiro de 2008 às 00:03
Olhe que na fila dos comentadores às personalidades do Norte - Porto Canal - você até que não teve muito azar: comentar nada mais nada menos que a personalidade vencedora...viva, e que à sua frente só teve o fundador da Nacionalidade, o Engº. Belmiro de Azevedo.

Abraços e um ano 2008 cheio de actividade e saúde!
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:38
Preclaro Dalhenamona

Não se pode ter azar em tudo... :-)

Tive pena que não me convidassem para comentar a eleição do D. Afonso Henriques pois seria uma boa oportunidade para explanar a minha teoria de que ele está na origem do essencial dos nossos males.

Em vez de ter rumado a sul, deveria antes ter ido para Norte :-)

Um 2008 formidável também para s!

A bem da Nação!
De FMS a 2 de Janeiro de 2008 às 00:30
Eh,eh,eh,eh.

Pensava que era só a mim que isto acontecia, ehehehehe.
Sobretudo na FNAC do Norteshopping!!!
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:40
Precalro FMS

Colega!!!!!!!!!!!!

A Bem da Nação!

PS. As Fnacs estão, no meu entender, a abandalhar um pouco. Na do Gaishopping normalmente só há uma caixa aberta e a funcionar.

De Abobrinha a 2 de Janeiro de 2008 às 11:02
Guru

Porra, com aquela cara de poucos amigos não admira como é que as filas atrasam!

Homem, sorria!!!! Muito!!!!

Bom ano novo! Eu sei que é perfeitamente arbitrário, mas é sempre um marco tão bom como outro qualquer! E isso agora não interessa nada!

Voltarei a postar com mais calma e mais horas de sono. Cheer up!
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:42
Chérie Abobrinha

Eu sei que tenho cara de poucos amigos.

A minha dúvida é só cara - ou se na realidade tenho poucos amigos :-)

Um ano porreiro também pa si!

A Bem da Nação!
De Jorge Fiel a 2 de Janeiro de 2008 às 12:43
Chérie Abobrinha

Eu sei que tenho cara de poucos amigos.

A minha dúvida é se é só cara - ou se também tenho mesmo poucos amigos...

Um 2008 porreiro também pa si!

A Bem da Nação!
De pintelho_rapado a 4 de Janeiro de 2008 às 10:40
Aquela cara é mas é de um infeliz... que não keka há mais de um ano.
De Jorge Fiel a 4 de Janeiro de 2008 às 12:43
Preclaro Pintelho Rapado

A minha cara é a de um infeliz mas a infelicidade não se prende com o motivo que aduziu. Falhou o remate!

A Bem de Nação
De farfalho, o maltês a 2 de Janeiro de 2008 às 13:09
oh fiel, vai ver como o jorzinho fica bem no retrato.
Põe-te na fila.

www.montidubotas.blogspot.com
De Bicudinha a 2 de Janeiro de 2008 às 13:12
Interrogo-me porque motivo o meu comentário se terá eclipsado na blogosfera do sapo?!
será por ter vindo recambiada de um outro planeta, que é como quem diz, do expresso?!
ou será por (apesar d ter ficado contente com o regresso!)nao lhe ter passado a mao plo pêlo?!

hummm...
De Jorge Fiel a 3 de Janeiro de 2008 às 15:57
Preclaro Bicudinha

A vida não é simples, como diria o Guterres.

Volta e meia as minhas respostas a comentários também se eclipsam no espaço sideral.

Mas não levo a mal ao Sapo que tão gentilmente me acolheu.

Mais lhe confesso que ma das canções que mais me entusiasma ouvir no momento é o «Drops of Júpiter» dos Train.

A Bem da Nação
De pintelho_rapado a 2 de Janeiro de 2008 às 13:41
Muito janota, este Fiel.

Quanto tempo estiveste na maquilhage?
É o novo tacho que exige. Tadinho o Expresso não deu o bago... foi?
Abandonado, mas sempre fiel... ao pintelho da bosta.
Tadinho.

De Jorge Fiel a 3 de Janeiro de 2008 às 15:59
Preclaro Pintelho Rapado

Fico comovido, com uma lágrima a assomar ao canto do olho, com a preocupação que o meu estado de desempregado inspira ao meu preclaro amigo.

A Bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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