Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Matar saudades dos tróleis estupidamente abandonados

 

O 10 foi o trólei que mais usei em S. Petersburgo. Mas também me desloquei a bordo dos tróleis de linha 1, 5 e 7, de autocarros - apreciei muito o trajecto do 22, que me levou até ao Teatro Mariinsky (ainda muito conhecido como teatro Kirov), o ponto de partida para uma passeata a pé pela popular e efervescente área de Sennaya Ploschad, o cenário  escolhido por Dostoievski para a intriga do romance Crime e Castigo.

Foi bestial matar as saudades do trólei, um veículo outrora muito usado no Porto e estupidamente abandonado, tal como o eléctrico, que apenas sobrevive em percursos reduzidos e com uma frequência tão escassa e religiosa que reduz a sua serventia à clientela de turistas que a Ryanair nos faz o favor de fornecer, não fazendo efectivamente parte da oferta de transportes públicos da cidade - ao contrário do que acontece em Lisboa que tem muito mais quilómetros de linha e onde, mesmo no famoso 18, a carreira turística por excelência, os camones convivem com os carteiristas e os alfacinhas da terceira idade que ainda vivem ao longo do itinerário.

Pintados de grenat, a cor da camisola da Selecção Nacional nos anos 60, os tróleis do Porto eram muito bonitos e distintos, qualificando por isso a paisagem urbana. O mesmo não se pode dizer do aspecto rude dos tróleis de S.Petersburgo. Mas, mais vale ter tróleis e eléctricos (recomendo vivamente as linhas 2 e 17) um bocadinho a puxar para o feio do que não os ter – penso eu de que….

O melhor elogio que posso fazer à eficiência da oferta articulada de tróleis, eléctricos (a circularem em via dedicada, não conflituando por isso com o resto do trânsito, o que aumenta a sua velocidade média e possibilita o cumprimento de horários) e autocarros de S. Petersburgo é que me desloquei a todos os locais onde quis sem nunca ter de recorrer ao metro, onde o bilhete de uma viagem era quatro rublos mais caro.

Antes de colocar um ponto final nesse post, quero que fique bem claro que estética não é o único nem o principal motivo desta minha nostalgia do trólei e eléctrico, mas sim a poupança de energia e do ambiente. Tenho dito!

publicado por Jorge Fiel às 18:56
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1 comentário:
De Anónimo a 24 de Outubro de 2011 às 11:42
Belas crónicas. Foi como se lá tivesse estado. AFS

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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