Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

De como o aloquete serve um tradição em contraciclo

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Assim a olhómetro, S. Petersburgo é uma cidade habitada por gente muito jovem. Olhando para quem passa nas ruas diria que metade do pessoal é já pós-Gorbachov, ou seja pode ter nascido na URSS mas cresceu na Rússia.

Apesar do frio, são muitos os sinais de que o amor está no ar, desde a enorme quantidade de carrinhos de bebés até à quantidade de mães que vigiam os filhos nos parques de diversão dos jardins, passando pelos casamentos em que tropeçamos ao andar pela rua.

As traseiras da igreja do Sangue Derramado é um dos sítios onde se vê mais noivos fardados e atrelados aos convidados da boda e respectivo fotógrafo. Não foi à primeira que descobri a origem desta estranha concentração. Há uma tradição.

Não sei o que reza a tradição, mas sei como ela se manifesta. Os noivos vão à ponte sobre o canal que fica atrás do local onde foi assassinado o czar Alexandre II e deixam lá preso às grades um aloquete (artefacto designado por cadeado pelos portugueses nados e criados a sul do Mondego), com os nomes deles gravados e juras de amor eterno.

É uma tradição engraçada, mas nitidamente em contraciclo, pois cá (na Rússia) como lá (no resto da Europa) os casamentos duram cada vez menos  - e não há aloquete que os salve.

 

publicado por Jorge Fiel às 13:49
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2 comentários:
De Abobrinha a 20 de Outubro de 2011 às 14:32
Isso é porque os aloquetes são fracos. Ou seja, são parecidos com os casamentos!

Em Florença vi disso em cima da Ponte Vecchio (nunca sei como se escreve) e achei de uma parolice incrível! Mas também, eu nasci desprovida de romantismo (e pouco tolerante a parolices).
De Jorge Fiel a 21 de Outubro de 2011 às 19:11
Chérie Abobrinha

De acordo com uma fonte fidedigna (que nem que me torturem direi que é o meu amigo João Seabra que estudou em Kiev e além de fluente em russo é esopcialista nesta matéria), esssa parolada dos aloquetes não é uma tradição russa - começou em Paris e agora espelha-se como uma praga (ou seja, como se diz agora, é viral).

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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