Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

A cobradora tipo é idosa, baixa e corpulenta

 

Há já longos anos que o conceito do agente único extinguiu a figura de cobrador (vulgo pica) nos transportes públicos de Porto e Lisboa, mas essa figura continua vivíssima da Silva nas carreiras de trólei, eléctrico e autocarros de S. Petersburgo.

Nos últimos quatro dias, tenho dedicado parte não negligenciável do meu tempo e atenção a esta matéria, o que me deixa habilitado a traçar um perfil do cobrador russo.

Para começar, na esmagadora dos casos o cobrador é efectivamente uma cobradora, que já não é nova (em Portugal, há montes de tempo que já teriam sido mandadas para casa, ao abrigo daqueles simpáticos programas de reformas antecipadas que liquidam qualquer projecto de conferir sustentabilidade à nossa Segurança Social) e é identificada pelo uso de colete retroreflector laranja  - a propósito, por muitos anos que viva, nunca esquecerei o momento em que uma colega minha do Expresso me confidenciou que a mãe tinha o fetiche de fazer sexo com a nudez apenas quebrada por um colete dessa cor (parece que se fosse verde alface a excitação murchava).

A cobradora tipo é idosa, baixa e corpulenta, ou seja tem as características necessárias para desempenhar o seu trabalho, pois o centro de gravidade baixo facilita-lhe a mobilidade no interior de um trólei apinhado de gente acomodada como as sardinhas no interior de uma lata de conserva.

Finalmente, a dureza do ofício da cobradora é amenizada pelo facto de dispor de um lugar privativo e individual, estrategicamente localizado a meio do veículo, sendo que em nove em cada dez casos do trabalho de campo em que assenta esta tese, esse assento está kitado – uma almofada é o acessório mais usado neste esforço de personalização (no caso da foto todo o assento de plástico forrado com carinho).

publicado por Jorge Fiel às 22:30
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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