Domingo, 16 de Outubro de 2011

Papei uma missinha bem catita na Catedral de Kazan

 

Papei com muito gosto a missinha das sete na Catedral da Nossa Senhora de Kazan, uma coisa enorme a imitar a Basílica de S. Pedro, em Roma, onde está sepultado o marechal de campo Michael Kutuzov, que ainda é idolatrado pelos russos por ter derrotado Napoleão, recorrendo à inovadora táctica da terra queimada.

A liturgia ortodoxa é muito diferente da católica, na esmagadora maioria das coisas para melhor (ou muito melhor) sendo uma excepção a esta regra a discriminação sexista que obriga as mulheres a cobrirem a cabeça - e os homens a descobrirem-na.

Acho bem que o pessoal esteja sempre de pé! Não me parece educado que uma pessoa permaneça confortavelmente sentada quando se vai encontrar com o seu Deus. Um pouco de respeitinho não faz mal a ninguém.

Depois a Igreja Ortodoxa não poupa na mão de obra. Entre o batushka, que comanda as operações, e pessoal auxiliar, contei pelos menos oito concelebrantes. Ou seja, eles não brincam em serviço.

Os fieis ortodoxos são muito mais activos que os nossos durante a missa. Muito frequentemente executam um versão muito mais sofisticada que a católica do sinal da cruz e depois vergam a espinha, curvando-se quase até porem o corpo a fazer um ângulo recto com os membros inferiores, o que só lhes pode ser proveitoso – um pouco de exercício nunca fez mal a ninguém.

Apreciei também o facto de os sacerdotes estarem no meio dos fieis, e ao mesmo nível, e não a falarem-lhes de alto, ex catedra. E delirei com o coro que acompanhou a missa. Realmente bonito.

Também gostei que antes dd começar a missa propriamente dita, o batushka tenha dado uma volta pelo templo, a espelhar incenso, o que deixou o ambiente agradavelmente perfumado.

Mais estranhos são os rituais finais. Primeiro, o pessoal fez uma fila para beijar o anel do batushka e receber dele o sinal da cruz na testa – até fiquei a pensar se seria útil em aproveitar o ensejo para me submeter a esta espécie de comunhão ortodoxa, na esperança de que esse movimento apague o O de otário que tenho tatuado na testa e que cada vez há mais gente que o vê e tira partido disso.

Em segundo lugar, as pessoas formaram uma nova bicha, desta vez para beijarem, com alguma detenção (ou seja sem pressas), as mãos ou face de um ícone.

Resumindo e baralhando. Se alguma vez tiver puder assistir uma missa ortodoxa faça a si próprio o favor de não desperdiçar essa oportunidade.

publicado por Jorge Fiel às 20:42
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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