Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Desde a adolescência que sou fanático por livros de bolso

 

Há coisa de três semanas, tinha acabado de fazer uma entrevista (ao Miguel Mascarenhas do standvirtual e leilões.net) na avenida Marquês de Tomar, em Lisboa, entrei na livraria da Europa-América e depois de flanar por lá um bocado, decidi-me a comprar, por 6,95 euros, As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, em edição da colecção Grandes Obras dos Livros de Bolso da editora fundada no final da II Guerra Mundial pelos irmãos Adelino e Francisco Lyon de Castro.

Foi um enorme prazer poder reler, nas viagens de metro entre o Cais de Sodré e Cabo Ruivo, e no comboio da linha de Cascais para S. João do Estoril,  as aventuras do Tom Sawyer e do seu fiel companheiro, o homeless Huckleberry Finn.

Sou fanático por livros de bolso, que, como o próprio nome, indica foram pensados para serem transportados para todo o lado no bolso do casaco, o que é mesmo muito conveniente.

No início da minha adolescência, investia a totalidade da mesada que o meu pai,  Alfredo da Costa Fiel (senhor de uma bela caligrafia, perícia importante para a sua profissão de escriturário do STCP até à revolução tecnológica que foi a massificação das máquinas de escrever) me dava, comprando semanalmente as revista Tintin, bem como os livros de bolso da colecção RTP (um iniciativa da Verbo, editora conotada com o Estado Novo) e da Europa-América (de orientação claramente oposicionista, logo declarada no volume inaugural: Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes), numa tabacaria de uma senhora cujo nome lamentavelmente esqueci, que ficava junto à esquina da avenida Rodrigues de Freitas (onde eu morava, ali ao lado, no 304) com o beco do Pedregulho.

A colecção da RTP acabou aos 100, enquanto que, muito felizmente, a da Europa-América sobreviveu ao 25 de Abril e ao 25 de Novembro, à adesão à CEE, ao euro – e espero se mantenha viva por muitos e longos anos, apesar da ameaça dos e.books e da nova cultura digital.

Tenho um dívida de gratidão para com a revista Tintin (cuja colecção completa ainda tenho, encadernada) e a estas duas colecções de bolso, que foram a base da minha cultura, que teve como levedura as oito a nove horas que passava por dia, durante as férias grandes, na Biblioteca Municipal do Porto, ao jardim de S. Lázaro, a devorar volumes encadernados do Mundo de Aventuras, Falcão, Ciclone e de outras publicações, à época distribuídas pela Agência Portuguesa de Revistas.

 

música: Paperback writer, Beatles
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publicado por Jorge Fiel às 08:00
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6 comentários:
De Barba azul a 29 de Novembro de 2010 às 10:19
Portanto, caro Jorge, a sua palidez vem já desses verões enterrado na BM do Porto?
De Jorge Fiel a 3 de Dezembro de 2010 às 22:33
Preclaro Barba Azul

As olheiras são fundas, a escassez de cabelo é afliitiva, a cara mais redonda do que o devia, a barba uma porcaria. Mas não creio que seja um rosto pálido :-)

um abraço

Sempre a considerá-lo (e a Bem da Nação!)
De Barba azul a 6 de Dezembro de 2010 às 11:26
Bocage não se descreveria com mais assertividade! Portanto, também se acha com um carão moreno?
E de pés, está bem servido?
De Jorge Fiel a 7 de Dezembro de 2010 às 17:01
Preclaro Barba Azul

Dos pés menos mal, obrigado. Chatos mas nunca me incomodaram, nem mesmo nas marchas forçadas de Mafra à Ericeira (e volta), durante a recruta.

Sempre a considerá-lo (e a bem da Nação!)
De Sun Iou Miou a 29 de Novembro de 2010 às 11:43
Eu até queria mudar para um emprego que me obrigasse a tomar o comboio todos os dias só pelo prazer de ir e vir lendo, em livro de bolso... ou de mochila.
De Jorge Fiel a 3 de Dezembro de 2010 às 22:37
Preclara Miou Miou

As cosas vistas à distância são bem mais atraentes do que quando vividas.
Pegar no comboio das 23h00 horas, no Cais do Sodré, que chega às 23h38 a S. João do Estoril, quando se tem de acordar às 6h30 é pouco sexy.

beijos

Sempre a considerá-la (e a Bem da Nação!)

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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