Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

A minha táctica para visitar a Amoeba Music

Quando uma pessoa como eu entra numa loja como a Amoeba Music tem de ir munido de uma táctica senão é certo e sabido que o caldo se vai entornar.

 

A culpa desta contingência é exclusivamente minha, não da loja, um fantástico e enorme armazém que ocupa todo um quarteirão de Los Angeles (com frente para a mítica, mastodôntica e camaleónica Sunset Boulevard) e disponibiliza, a preços abordáveis, tudo quanto alguma vez sonhámos possuir no capitulo da música e que, além de possuir estacionamento privativo, está organizado de uma maneira simples, ao estilo risca ao meio – de um lado os discos novos, do outro os usados.

 

Conhecendo-me como me conheço (e tenho o atrevimento de me considerar o maior especialista vivo na minha própria pessoa), sei que abandonar-me à Amoeba, desprovido de táctica, significaria correr dois sérios riscos que a todo o custo queria evitar:

 

1. Desgraçar-me, desatando a comprar todos os CD que me piscassem o olho, com prejuízo evidente não só para a minha anémica conta bancária mas também para o espaço disponível na minha Samsonite, adquirida por em 2003 em Seul, por 100 dólares, e que se tem  comportado à altura dos acontecimentos;

 

2. Paralisar, acabando por não comprar nada, numa típica reacção de medo (pavor ou pânico seriam talvez palavras mais adequadas) de me deixar levar arrastar pela voracidade de um cataclismo consumista;

 

A minha táctica foi simples, muito melhor que a variante losango do 4x4x2, preferida por Paulo Bento, e quase tão boa como a letal e cínica interpretação de Andrê Villas-Boas faz do tradicional 4x3x3 portista.

 

Decidi conceder duas horas e 20 USD à Amoeba e devo afirmar, com uma pontinha de orgulho denunciada pelos lábios, que cumpri quase religiosamente o plano – creio que me demorei quase três horas, mas a taxa de execução orçamental revelou-se susceptível de criar inveja ao Sócrates e de despertar ciúmes ao Teixeira dos Santos.

 

Comprei os seguintes quatro álbuns (em segunda mão):

 

The Concert in Central Park, Simon and Garfunkel … 6,99 USD

The Best of Emerson, Lake and Palmer … 4,99

Greatest Hits, Donovan … 4,99

Aimee Mann live at St Anns Warehouse … 7,99

 

Mais cêntimo menos cêntimo, investi 25 dólares em quatro preciosidades. O concerto em Central Park dos Simon and Garfunkel é uma presença incontornável em qualquer top ten que faça dos melhores álbuns de sempre. Sempre tive um fraquinho pelos ELP – na minha estreia (em 2007) na Amoeba comprei o Pictures at Exhibition (uma interpretação curiosa da obra homónima de Mussorgsky) e agora apeteci-me ouvir o Lucky Man aos berros e repetidamente. O Atlantis do Donovan é de ir às lágrimas. E a Aimee Mann, bem, não sei se sabem, mas eu tenho quase toda a sua discografia (a excepção é um disco de canções de Natal) e como sou absolutamente doido por ela fiquei cheio de vontade de ouvir Deathly ao vivo).

 

Para trás ficaram, com algum remorso o 4 Way Street, dos Crosby, Still, Nash and Young (estava caro, acima dos dois dígitos) e o Aqualung dos Jethro Tull (foi incapaz de decidir entre ele e o Thick as a Brick pelo que optei por não comprar nenhum).

música: The Moth, Aimee Mann
Tags:
publicado por Jorge Fiel às 16:03
link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De paulo ricca a 27 de Setembro de 2010 às 16:15
aqualung, claro e sem dúvida! nem que fosse apenas por aquele magnífico solo de flauta do Ian
De Zé Pedro a 29 de Setembro de 2010 às 14:38
Paulo, your word's but a whisper, your deafness a shout! Vou mais pelo 4 Way Street, vale bem os 2 dígitos seja em que circunstâncias fôr.
De Listener a 30 de Novembro de 2010 às 20:57
Excelentes ecolhas. Também eu iria pelo Aqualung.

Comentar post

Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
Ler mais

Pesquisar este blog

Entradas recentes

Lavandaria está agora a c...

Moscas anunciam chegada d...

Apaixonei-me pela Bona, a...

Uma folha A4 dobrada em 4...

O café do Europeijska não...

mais comentados

últ. comentários

Há uma boa forma de distinguir um do outro; é ir à...
Tive conhecimento deste vinho," monte ermes", tint...
Num passeio à Ribeira lembrei-me de recordar algum...
prática do sexo anal estaria aumentando?Embora no ...
O autor deste artigo de peixe não sabe nada, por i...

Arquivos

Abril 2012

Março 2012

Outubro 2011

Agosto 2011

Abril 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Maio 2006

Tags

todas as tags

blogs SAPO

Subscrever feeds