Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

Porque é que eu não vi o pôr do sol em Santa Mónica

 

Um mega-estacionamento no meio da praia e um cais com uma Feira Popular acoplada destruíram por completo a bela imagem que eu tinha de Santa Mónica Beach

 

Quer mesmo saber porque é que eu não vi o pôr do sol (nem a Pamela Andersen) em Santa Monica Beach?

 

Eu não vi o pôr do sol sentado num banco de jardim de Palisades Park (aquele belo correr de palmeiras altas que se vê muitos nos filmes), em Santa Mónica Beach pela simples e poderosa razão de que no sábado que dediquei à costa de Los Angeles, o Sol resolveu meter folga  - nicles, nada, niente, DNS (Did Not Show), perdeu por falta de comparência.

 

Posto isto, aí vai o relato do meu primeiro e último (esperemos que não derradeiro) fim de semana em Los Angeles, em que a seguir a um sábado hiperactivo resolvi aceitar o conselho dos Moody Blues («Lazy day/sunday afternoon») e passar  um domingo preguiçoso.

 

O dia do Senhor teve dois pontos altos:

 

1.     A compra de uma pequena máquina de filmar Flip ($150), um pequeno passo para a Humanidade mas um grande salto tecnológico para mim;

 

2.     O visionamento do imperdível e impagável Napoleon Dynamite, de Jared Hess. Tenho a mais absoluta das certezas em como a minha vida nunca mais será a mesma depois de ter visto este filme. «Vote for Pedro»! Se quer perceber o porquê deste dramático  apelo ao voto terá de ver Napoleon Dynamite. Sei que, no fim, ficar-me-à eternamente grato(a). 

 

 

7 Julho 2007 Sábado

LAX-Venice-Santa Mónica-Malibu (LA) 

 

Um dos canais de Venice. Não me importava nada de viver numa destas casas

 

Depois de madrugar (o telemóvel tocou a despertar às seis da manhã) para cumprir um serviço informal de motorista de táxi, transportando até ao aeroporto LAX (é essa a alcunha do Aeroporto Internacional de Los Angeles) uma das convidadas para o casamento da minha filha (a mãe dela), passei o santo dia de sábado numa missão de inspecção às mais relevantes praias de Los Angeles, em Santa Monica Bay, de Venice a Malibu.

 

No final do dia estava habilitado a garantir-vos que, ao contrário do que muita e boa gente pensa, a globalização não é um fenómeno recente, despontado no virar do século.

 

Não. A globalização é literalmente mais antiga que a Sé de Braga e as praias de Los Angeles estão aí para o provar. Eu explico. Quando Deus, ou o Big Bang, criaram o Mundo em geral e a Terra em particular dotaram o nosso distinto planeta de praias.

 

Dito por outras palavras, há praias na China, Brasil, Tailândia, Moçambique, Bora Bora, Estados Unidos, Espanha, Vietnam, e no nosso pequeno e maravilhoso país. Umas são melhores e outras são piores. Mas há praias boas um pouco por todo o lado – até mesmo na Gronelândia se não formos capazes de parar o aquecimento global. E pelo que me foi dado a ver, ao vivo, as praias do sul da Califórnia não são melhores do que as nossas.

 

Vejamos o exemplo de Venice, uma versão americana da Sereníssima, a cidade em que se inspirou, no inicio do século XX, o magnata do tabaco Abbot Kinney quando resolveu promover aqui um gigantesco empreendimento imobiliário dotado com onze quilómetros de canais.

 

A ideia até era curiosa, mas o bom do Mr Abbot não fez as contas às marés que provocaram sérios problemas de esgotos e obrigaram a tapar a maioria dos canais – apenas uma pequena parte sobreviveu.

 

Venice é uma localidade simpática, servida por uma praia que compara com a de Carcavelos, com um pier (cais) de madeira que entra pelo mar dentro, povoado por pescadores (algumas dezenas) e moscas (muitas centenas).

 

A praia tem apontamentos curiosos, como a secção com aparelhos de musculação onde o Terminator se exercitava antes de ter sido eleito Governador da Califórnia, mas no meu rating pessoal está ligeiramente abaixo da de Espinho. A grande vantagem comparativa de Venice é conservar, em especial nas lojas, cafés e restaurantes da praça Windward, o ambiente e cheiros do tempo dos beatnicks.

 

Santa Mónica foi uma enorme desilusão. Cheguei lá com as imagens do Baywatch (Marés Vivas)  na cabeça e deparei com um filme de terror. Um enorme estacionamento automóvel no meio da praia. Uma Feira Popular com montanha russa, roda gigante, carrosséis, algodão doce e lojas de «souvenirs» instalada no célebre Santa Mónica Pier.

E a praia, cheia de gente vestida, tinha um aspecto ainda mais aterrador que a da Póvoa nos fins-de-semana de Agosto.

 

O Palisades Park, tantas vezes revisto em filmes e na televisão, é muito mais estreito e pequeno do que se imagina. E como as nuvens impediram o aparecimento do sol, tive de abortar o meu projecto de ver o pôr do sol sentado num banco deste jardim.

 

Todo o «glamour» de Santa Mónica concentrou-se na Third Srreet Promenade, uma rua comercial fechada ao trânsito automóvel, animada por todo o tipo de artistas de rua, povoada por «beautiful» people (o ambiente desta rua é mesmo como o dos filmes, com sósias da Paris Hilton e da Nicole Ritchie a surgirem de estibordo e bombordo)  e com lojas bestiais.

 

A propósito, informo as preclaras e preclaros que na Third Street Promenade estive numa loja Crocs que estava a aborrotar de gente. Neste momento há óculos Crocs, T-Shirt Crocs, relógios Crocs, todo o tipo de calçado Crocs. È uma cultura. Os Crocs são trendy. Mais nada!

 

Malibu, a terceira e última escala desta minha inspecção às praias de LA, já é outra loiça completamente diferente. Aqui respira-se classe por todo o lado, nas casas, nas praias, nos veraneantes. Olha-se para isto é revisitamos as imagens que se formavam na minha cabeça quando ouvia os Beach Boys.

 

Se me dessem a escolher entre viver em Venice, Santa Mónica ou Malibu não hesitaria um segundo antes de dar a resposta.

 

Depois de um jantar sem história num indiano vegetariano em North Hollywood (a que atribui 12 numa escala de zero a 20), o Tom levou-nos a dar uma passeio de carro que teve com destino Mulholland Drive (que inspirou o filme de David Lynch e a pintura de David Hockney, onde descobri que aquele famosa vista nocturna panorâmica de  LA iluminada como uma árvore de natal não é uma vista – mas sim dus. Há uma vista do Valley (de onde se vêm os estudiso da Universal) e outra de Hollywood.

 

Ambas as vistas são de cortar a respiração. São, sem dúvida, um local adequado para uma declaração de amor.

 

No regresso, o Tom mostrou-nos a antiga casa do Roman Polanski, em Beverley Hills, onde, em 1969, o Charles Mason chacinou a Sharon Tate (que estava grávida) e quatro amigos dela. Uma casa bem agradável num sitio simpático, mas acho que não apreciaria lá viver.

 

É a praia da Póvoa numa tarde de sábado, no Verão? Não, é a praia de Mónica Beach numa tarde de sábado, no Verão

 

 

8 Julho 2007 domingo

Los Angeles 

 

 

Aspecto (bom!) da Third Street Promenade, em Santa Monica

  

Foi um dia preguiçoso. Passei a manhã no hotel a descarregar fotografias no computador, tratá-las no photoshop e a escrever a última entrada destes diários californianos. Seguiu-se um «brunch» (assim é que é pois tratou-se de uma refeição que serviu simultaneamente de pequeno almoço e almoço) no Cha Cha Cha, uma colorida cantina mexicana que em tempos foi muito frequentada pela Madonna.

 

No Cha Cha Cha comi uma espécie de prego em pão, acompanhado por cubos de meloa, melancia e pêra abacate, e empurrado por uma Red Stripe (uma cerveja da Jamaica).

 

À tarde dei um passeio de carro com o Tom e a Mariana. Fizemos duas escalas. Uma no Trader’s Joe, onde adquiri um boneco do Sponge Bob para o João e podia ter comprado uma grande enciclopédia ilustrada sobre mamas.

 

A segunda foi no Best Buy onde procedi a um fantástico «upgrade» tecnológico da minha pessoa ao dar $150 dólares por uma pequena máquina de filmar de bolso chamada Flip que está muito em voga. Vou abrir conta no You Tube e começar a descarregar para lá vídeos como se não houvesse amanhã!

 

Esgotados por este passeio, deitamos abaixo bebemos umas lager no pátio do Red Lion, uma cervejaria completamente alemã (apesar de ter nome de pub inglês) que fica em Glendale, em frente a casa da Mariana e do Tom.

 

Depois recolhi ao hotel onde cumpri mais uma obrigação (escrever e enviar a crónica para o Oje) ao mesmo tempo que satisfazia uma devoção.

 

No trajecto entre o Red Lion e o Best Western Eagle Rock Inn (um nome bastante sofisticado para um típico motel norte-americano) parei no Ralph’s onde comprei um «meatlof» e um par de cervejas Bud Lite, que jantei enquanto escrevia. Porque domingo é dia de assado - «Sunday roast is something good to eat», declaram os Moody Blues em «Sunday Afternoon».

 

Depois do jantar, fui até casa da Mariana e do Tom onde desfrutei de um serão familiar, a ver no DVD (instalação sonora poderosa a do Tom) o Napoleon Dynamite, um estrondoso filme que recomendo vivamente. Viva o Uncle Rico! Viva a Grandma! Abaixo a Summer! Vote for Pedro!

 

«This is how your life goes by

Umtil the day you die»

 

(versos finais de «Sunday Afternoon», dos Moody Blues)

 

Uma praia de Malibu ao fim da tarde

 

publicado por Jorge Fiel às 16:49
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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