Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

As saudades que eu vou ter das livrarias habitáveis

A Barnes & Noble fechou as contas do quadrimestre Abril-Julho com um prejuízo de 62,5 milhões de dólares, cerca de cinco vezes maior que o registado em idêntico período de 2009, o que é uma péssima notícia (a juntar à falência da operação europeia da Borders) não só para os seus accionistas, mas também para as pessoas como eu que adoram as livrarias ao estilo americano, ou seja habitáveis.

A Fnac também é permissiva, mas já há algum tempo deixou de ser uma livraria/discoteca, para se aproximar perigosamente do formato Vobis/Worten/Media Market/Rádio Popular, com os smartphones, iPods, máquinas fotográficas e computadores (ou seja,m a electrónica em geral) a ganharem terreno a livros, CDs e DVDs.

Na Fnac um tipo pode passar o tempo que quiser sentado no chão a ler BD, mas as prateleiras de banda desenhada minguam todos os meses e começam a estar infestada de manga, o que me deixa incomodado por pensar tão mal desta invasão amarela, como os neocon americanos da ideia de ser construído um centro islâmico nos arredores do Ground Zero.

No centro comercial Grove, em LA, enquanto fazia horas para a abertura do LACMA (o Los Angeles County Musuem tem o estranho horário de só existir a partir do meio dia), passei uma boa hora refastelado na Barnes & Noble a folhear a National Geographic Travel e outras revistas de viagem.

E durante a minha estadia em Nova Iorque, montei frequentemente quartel general no Dean and Deluca da Borders de Columbus Circle (na foto), na 59th Street, preparando, com um café Americano venti à frente, os nossos passeios com o apoio gratuito de guias de viagem pedidos emprestados às estantes.

As livrarias ainda não acabaram, mas eu já sinto que vou ter muitas, mas (mesmos muitas!) saudades delas.

música: Paperback writer, Beatles
publicado por Jorge Fiel às 20:37
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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