Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Eu sou um homem, portanto um animal de hábitos

 

Eu sou um homem, portanto um animal de hábitos, pelo que sempre que ponho o pé no estrangeiro sinto-me compelido a observar determinados rituais, dos quais destaco os principais:

1.     Enviar diariamente um postal ilustrado para a minha filha mais velha, que mora em Los Angeles, e para o meu filho mais novo que vive comigo, e, por isso, oa quem os postais chegam por norma depois de nós e das prendas, mas é uma tradição que eu achei por bem estabelecer após de me fartar de o ouvir queixar-se que era o único lá em casa que não recebia correspondência, não percebendo, na sua doce inocência, que isso constitui uma enorme vantagem, porque a maior parte das coisas que aterram na caixa do correio são duas variantes de junk mail: lixo propriamente dito (cartas do Rui Rio no ano das autárquicas, catálogos da Moviflor, promoções do Lidl e da Telepizza, cartões de visitas de picheleiros e canalizadores, etc)  ou contas para pagar, multas ou missivas ameaçadoras de uma misteriosa Intrum Justitia, que calculo seja o braço português de uma multinacional de origem siciliana com fortes ramificações e implantação dos Estados Unidos, imortalizada no cinema pelo Coppola. É aliás por este motivo que não mando postais para o meu filho do meio. No magnífico andar junto à praia onde ele reside cultiva-se a atitude da avestruz face ás contrariedades pelo que se perdeu o hábito de ir ao correio;

 

2.     Comprar magnetos, que posteriormente enriquecem um já vasto memorial que decora o frigorífico do meu apartamento;

 

3.     Adquirir uma caneca decorada com um motivo local.

Vêm estas pequenas confissões a propósito da compra que fiz de uma caneca, com a reprodução da nota de 20 libras (onde consta uma foto da Isabel II que foi com toda a certeza tirada no ano em que o Hitler anexou a Áustria),  e de dois magnetos (com as notas de 20 e 5 libras) que fiz na loja do Museu do Banco de Inglaterra.

Fui à loja do Museu do Banco de Inglaterra ao cheiro de uns pisa papéis feitos a partir de notas de libra (presumo que reproduções), mas a simpática ex-cidadã da URSS (estive para escrever russa, mas tenho de admitir que a moça pode ter vindo a este mundo na Ingúchia, Ossétia, Uzbequistão ou até mesmo no Nagorno-Karabakh) explicou-me simpaticamente que não havia disso.

Já que lá estava, dei uma vista de olhos pela loja, comprei a caneca e os magnetos por 6, 90 libras  (uma pechincha pois trouxe reproduzidas notas no valor global de 45 libras), e ainda aproveitamos para dar um giro pelo museu, pois a entrada é gratuita. Valeu a pena.

Bank of England Museum, manhã de 2ª feira, 7 de Dezembro 2009

música: A well respected man, Kinks
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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6 comentários:
De Sun Iou Miou a 19 de Fevereiro de 2010 às 21:10
E para mais são poupanças garantidas, porque ninguém as vai aceitar numa loja. Nem os pobres!

Havia tempo que não me demorava a comentar na lavandaria. Mas já vi que o JF esteve ocupadíssimo e nem reparou na minha ausência. Fico contente. ^_
De João Sousa a 19 de Fevereiro de 2010 às 22:57
Picheleiro - eis uma daquelas palavras de cuja sonoridade sempre gostei e, infelizmente, já não ouço muito.
De Abobrinha a 20 de Fevereiro de 2010 às 00:38
Pois eu cada vez ando mais ecologista: evito deixar mais que pegadas e tirar mais que fotografias. Montes de fotografias!
De Eduarda Pinto Leite a 22 de Fevereiro de 2010 às 15:44
Cada um enfrenta as contrariedades como pode. Mas aproveito para actualizar o post, informando que neste magnífico andar junto á praia temos as contas em dia e não devemos nada ao Fisco. Manias de avestruz.
De Tibetana a 27 de Fevereiro de 2010 às 16:44
deve estar a faltar dinheiro para a volta!
De gatinhafofa a 14 de Junho de 2010 às 06:17
eu sou uma mulher e como tal tambem tenho alguns habitos mas acho que nao vale a pena referi-los aqui.... pois apenas gosto de me divertir e fazer com que a vida se torne cada dia que passa cada vez mais bela!!! beijinhos!!!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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