Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Como um porco a assar aqueceu a minha alma portuguesa numa manhã fria em Portobello Road

Os espanhóis têm a paelha e as tapas. Os italianos têm as pizzas e as pastas. Os alemães têm as salsichas, as chucrutes e a cerveja. Os franceses têm os queijos, os vinhos, os patés  - e a marca registada do bom gosto. Os belgas têm as moules e as frites. Os americanos têm os hamburgers. Os mexicanos têm os tacos e nachos. OS chineses têm o pato à Pequim, o chao min e o chop suey. Os gregos têm as mussakas, os souvlakis e os iogurtes.  Os brasileiros têm o churrasco, a feijoada e os bobós (sim, nunca esquecer esses, que se bem feitos, podem-nos transportar até ao céu).

E nós, portugueses, temos um série de coisas deliciosas, como a febra de porco, o bolinho de bacalhau  e o pastel de nata  (só para citar três exemplos) e nunca tirámos o devido partido disso para estabelecer elevadas  credenciais, a nível internacional, para a cozinha portuguesa.

Com excepção do Nando – que seja ele quem for já mereceu mil  vezes mais do que a Leonor Pinhão (só para citar um exemplo entre milhares de idiotas que poluem a lista de agraciados com as nossas ordens honoríficas), receber uma condecoração no 10 de Junho, pelos serviços prestados ao frango no churrasco, com  muito piri piri -  não conheço nenhum cadeia de restauração com visibilidade internacional que divulgue  e torne acessível aos palatos estrangeiros os mais valorosos produtos da nossa gastronomia.

Vem este lamento a propósito do calorzinho que aqueceu a minha alma quando, a meio do nosso passeio de sábado de manhã por Portobello, deparamos com o imenso sucesso que dois nossos compatriotas estavam a fazer, alimentando condignamente os turistas esfomeados.

No back office, mas à vista de toda a gente, o pai (tirando obviamente partido de não haver ASAE em Inglaterra) desmontava alegremente um porco que rodava a assar, cortando fêveras que a filha, no front office, acondicionava dentro de um pão, com salada (alface e tomate), e vendia, acompanhadas de suculentos side dishes já preparados - como rissóis, bolinhos de bacalhau e o incontornável pastel de nata.

Portobello, manhã de 5 Dezembro 2009

música: If not for you, Bob Dylan
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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