Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Cheios de adrenalina na viagem até Charing Cross

Fachada da estação de Charing Cross numa gravura  do século XIX

Apesar de ter chegado a uma idade em que é possível existir, algures no globo, um tipo que sente legitimidade para me chamar sogro (in law), ainda possuo uma reserva de prazer na transgressão e disponibilidade para cometer infracções à lei (breaking the law) .

Como devem estar recordados, entrei pela noite dentro confortavelmente instalado num pub de Greenwich, com uma pint de Stella Artois à frente, enquanto por cima de mim um vetusto aparelho de ar condicionado (que deve ter sido adquirido em segunda mão pelo proprietário do pub no ano em que o Churchill pronunciou o célebre discurso da Cortina de Ferro) vomitava pegajosas baforadas tropicais de ar quente e o televisor transmitia em directo o sorteio do Mundial da África do Sul (Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte - o comentário adequado é sempre o mesmo: “podia ter sido pior”) .

Após um par de horas neste doce remanso, chegou o momento de retornar e nos aventurarmos na primeira transgressão do dia. No caminho chuvoso de regresso à segunda estação do DLR em Greenwich apareceu-nos pela frente, tentadora, a estação do caminho de ferro, a cinco minutos de distância da chegada de um comboio que, em coisa de um quarto de hora, nos deixaria em Charing Cross,  com apenas duas escalas London Bridge e Waterloo.

Cedemos logo à tentação, mesmo sabendo que o mais certo era que estivéssemos a transgredir, pois não era provável que a Ostra adquirida pela manhã em Liverpool Street Station garantisse cobertura também para o serviço da British Rail.

Fizemos a viagem naquela pequena excitação provocada pelo receio de que o pica aparecesse e após uma rápida vista de olhos pelas nossas Ostras nos comunicasse que aquilo não servia para nada a bordo de um comboio da British Rail e começasse a falar em penaltis.

Ora aqui temos uma história com um fim feliz. Não só não apareceu nenhum pica como, na estação de Charing Cross, as nossas Ostras abriram à primeira as barreiras electrónicas que controlam a validade do título de transportes dos passageiros. Ou seja, viajamos na observação da mais estrita legalidade britânica. Tratou-se, por isso, de uma emissão gratuita de adrenalina.

Viagem Greenwich-Charing Cross, noite de 4 Dezembro 2009

música: Dá-me tudo que tens para me dar, Pedro Abrunhosa
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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1 comentário:
De Tibetana a 15 de Janeiro de 2010 às 21:53
esta do "sogro"foi ótima!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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