Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

O instinto levou-me a optar pela Stella Artois

 

Todas as coisas más têm um lado bom, se bem que muitas vezes seja indispensável escavar fundo, recorrer à imaginação e usar uma lupa para o descobrir.

Está a lembrar-se dos terríveis temporais que profeticamente assinalaram a mudança de ano? Pois, a chuva, o vento e frio que nos fustigaram tiveram um lado bom. Na última semana de 2009, 75% das nossas necessidades energéticas foram satisfeitas por fontes renováveis –  a água e o vento, as barragens e as eólicas.

Sinto uma enorme responsabilidade quando encosto a barriga ao balcão do primeiro pub em que entro durante uma estadia em Londres. Como sou um homem, e um homem é um animal de hábitos, a marca de cerveja que escolher naquele momento irá acompanhar-me inexoravelmente durante o resto da visita. Um passo em falso poderá por isso revelar-se fatal. O instinto levou-me a optar pela Stella Artois. Não me arrependi. 

Sentamo-nos numa mesa grande -  suficientemente espaçosa para espalhar jornais, guias de viagens, óculos de leitura, canetas Muji, postais ilustrados e restante tralha – e apetrechada com a quantidade de cadeiras necessária acomodar-nos não só a nós, mas também os casacos, cachecóis e sacos de plástico que fomos acumulando ao longo do primeiro dia em Londres.

A mesa era boa, a iluminação também -  ao ponto de praticamente dispensar óculos na leitura das aventuras sexuais do Tiger Woods -, mas como nesta vida não se pode ter tudo a localização geoestratégica era péssima, pois estávamos exactamente debaixo de um aparelho de ar condicionado que deve ter sido novo quando o Churchill pronunciou o célebre discurso do blood sweat and tears e expelia regularmente, de uma forma muito sonora, baforadas tropicais de ar quente.

Da mesma maneira que todas as coisas más têm um lado bom, as coisas boas também um lado mau. É a vida, como diria o Guterres.

 

Greenwich, início de noite de 4 Dezembro 2009

música: Acima & abaixo. Pedro Abrunhosa
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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