Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Abrir um armário cheio de esqueletos é uma iniciativa meritória mas não isenta de perigos

 

O Evening Standard passou a gratuito mas continua com um ar próspero, gordo de páginas, carregado de publicidade e recheado de notícias sobre os dois escândalos em curso: as aventuras sexuais de Tiger Woods e as desventuras sexuais do casal Sercow.

John Sercow é o speaker da Câmara dos Comuns e a mulher, Sally, que fez carreira  na publicidade mas está ao alto, resolveu que o meio mais eficaz para arranjar emprego nesta dramática conjuntura não era responder a anuncios do Financial Times mas sim candidatar-se a preencher um assento vago no parlamento.

Não nego que até era bom o plano de Sally, uma loura acabadinha de chegar aos entas que usa um belo e longo par de pernas para se locomover e que não se coíbe de usar saltos altos, apesar do maridão ter crescido muito menos do que ela.

O primeiro passo da sua estratégia para arranjar emprego consistiu em escancarar as portas de um armário que estava a abarrotar de esqueletos. A ideia até era boa. Achou que era preferível ser ela mesma a tomar a iniciativa de arejar o armário do que esperar que os sempre diligentes Media lhe fizessem rebentar os escândalos na cara em plena campanha eleitoral.

A ideia, repito, até era boa, mas a sua concretização foi desastrosa  - e como todos estamos carecas de saber o cemitério está cheio de ideias boas.

Numa entrevista ao Evening Standard, Sally confessou que num passado não muito longínquo se enfrascava numa base diária e era militante fervorosa dos one night stand (quecas não planeadas e sem agendamento de follow up – a não ser uma DST ou gravidez, ambos involuntários e indesejados), adorando sair à noite sem saber ao lado de quem e em que cama iria acordar no dia seguinte.

A reacção da oposição conservadora e do aparelho trabalhista à revelação do passado libertino da pré-candidata deitou por terra as ambições eleitorais do Sally, que percebeu que terá de se mexer por outro lado para arranjar emprego.

Como se isto não bastasse para atazanar o juízo do bom do John Sercow,  um outro gratuito, o magro Metro, descobriu que ele, no ardor da sua juventude, redigiu e fez publicar um guia para lidar com mulheres, em que dava preciosos conselhos práticos sobre como engatar virgens, levar para a cama gajas bêbadas ou ver-se livre de uma miúda com quem partilhamos os fluidos mas não estamos de modo algum interessados em ver novamente pela frente (ou até mesmo por trás!) no resto da nossa vida.

Algo de sombrio se perfila no horizonte da indústria dos jornais, quando um turista de visita a Londres se inteira deste e doutros pormenores saborosos e escabrosos da vida de gente célebre sem ter de gastar um único penny – basta aceitar os jornais que gentilmente nos oferecem nas esquinas e nas entradas para as estações de metro.

 Londres, 4 Dezembro 2009

música: Try (just a little bit harder), Janis Joplin
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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4 comentários:
De Sun Iou Miou a 4 de Janeiro de 2010 às 19:16
Até que enfim li tudo, com grande decepção pela minha parte: nem rasto do fim da história do óbito do pneu no Burato Fiel.

Relativamente à sinceridade, talvez é melhor não fazer comentário nenhum.
De Jorge Fiel a 12 de Janeiro de 2010 às 18:21
Preclara Miou Miou

Tem toda a razão. Eu já devia ter prestado contas do que aconteceu. Só não o fiz porque, no capitulo dos pneus, não aconteceu mais nada. No pasa nada.

Deixei passar tanto tempo que agora estou com vergonha de aparecer na Pneus Ramalhão a pedir para trocarem de lado os meus pneus da frente.

Hoje, quando reparei que a panela do escape se tinha divorciado do tubo, ainda pensei em ir lá para me soldarem o assunto - e aproveitar a ocasião para procedere à troca dos pneus.

Mas acabei por decidir ir ao Fernando Marques, em frente ao cemitério de Agramonte, que tem uma casa especializada em escapes, e onde me levaram dez euros pela soldadura.

Moral da história. A minha carrinha Fiat Marea continua a ostentar um irritante desvio direitista.

A bem da Nação!
De Abobrinha a 4 de Janeiro de 2010 às 22:30
Bem, engatar virgens pelos vistos não foi carreira de sucesso. Já com bêbadas, aparentemente a coisa foi diferente!

... com a verdade m'enganas!
De Jorge Fiel a 12 de Janeiro de 2010 às 18:22
Chérie Abobrinha

Pelas fotografias que via da Sally a moça ainda rompe meias solas. Tudo leva a crer que o John ficou bem servido.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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