Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Disfarcei-me de dr House e falhei redondamente

Aspecto actual da minha Fiat Marea, que comprei quando a administração do Expresso não aprovou a recomendação da direcção editorial de me oferecer a Renault Espace azul que me tinha sido atribuída por eu o responsável pelo escritório no Porto daquele semanário

Apesar de ter as suas patas dianteiras calçadas com dois novos pneus usados, adquiridos na Pneus Ramalhão por 44 euros (soma que considerei muito em conta), a minha carrinha Fiat Marea cinzenta, com matrícula do ano em que o Porto foi Capital Europeia da Cultura (e que foi a verdadeira e anunciada odisseia no espaço), descaía para a direita, o que me incomodava seriamente a mim que tenho o coração à esquerda, como aliás estou em crer sucede com a generalidade das pessoas.

Apesar da minha completa e absoluta ignorância em matéria de pneus, aventurei-me a fazer de dr House e diagnostiquei duas eventualidades:

a)    O novo pneu usado da frente do lado direito estava com pressão inferior ao seu homólogo do lado esquerdo;

 

b)    A minha direcção tinha ficado desalinhada durante a emboscada ocorrida no Passeio Alegre, quando, ao cair da noite, um buraco (que a preclara Miou Miou diligentemente baptizou de Buraco do Fiel) matou o meu pneu da frente do lado direito e feriu gravemente a respectiva jante.

Precipitei-me em direcção à Pneus Ramalhão, onde relatei objectivamente a tendência direitista evidenciada pelo meu carro e confiei as duas causas possíveis para esse lamentável comportamento.

A hipótese de pressão desigual foi logo despistada. Seguiu-se a operação computadorizada e algo demorada de verificação do alinhamento da direcção.

No final, o cavalheiro da oficina trazia na cara o ar intrigado de quem está a pensar hmmmmmmmmm. A direcção estava desalinhada apenas  três milímetros. Não tinha a certeza sobre se era a causa do descaimento para a direita do carro. Que eu experimentasse. No caso dele teimar nas tendências direitistas, que o trouxesse de novo à oficina e ele procederia à troca dos pneus da frente. Como eram usados, podia ser que o da esquerda estivesse habituado a andar na direita e vice-versa - e estivesse aqui a raiz  de todos os males.  

Fui ter com a Maria João, perguntando-lhe se lhe devia alguma coisa, alimentando secretamente a esperança de que o alinhamento fosse de borla. Vã esperança. Doce engano. Levou-me 15 euros e, ao ver a minha surpresa, acrescentou que era barato, e que se se eu tivesse de trocar os pneus não me levaria nada.

De volta ao Campo Alegre, a carrinha mantinha o maldito hábito de inclinar para a direita.  A conta do caso do pneu assassinado no Passeio Alegre já se elevava a 59 euros e o dossiê ainda não tinha sido encerrado. Safa, Safa, como diria o Cavaco.

(continua)

música: Leaving las Vegas, Ben & Sera Theme
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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14 comentários:
De Renato Oliveira a 5 de Novembro de 2009 às 23:37
Caro Jorge!

Parece-me que a conclusão, óbvia, seria a compra de um pneu novo, com calibragem e alinhamento da direcção!

Porque me parece que a despesa ainda não fez Stop!

Comprar pneus usados, ou recauchutados, é um pau de dois bicos. Como dizia LaPalisse , ou são bons (e baratos), ou não prestam!

A Bem da Região,

Renato
De Peça, com i a 6 de Novembro de 2009 às 10:11
Como diria o Jaime, é uma faca de dois legumes!!!
De Jorge Fiel a 8 de Novembro de 2009 às 08:50
Preclaro Peça, com i

Os como diria o outro, já não há pneus invencivels :-)

A bem da Nação!
De Pneus Baratos a 2 de Março de 2010 às 14:09
Concordo plenamente!!
De Jorge Fiel a 8 de Novembro de 2009 às 08:49
Preclaro Renato Oliveira

A solução óptima seria trocar de carro por um que não gastasse 10 litros de gasolina aos 100.

O problema é que a mim ninguém dá um Rolex no Natal - nem me pagam dez mil euros por telefonema.

A bem da Região!

A bem da Nação!
De Zé Pedro a 6 de Novembro de 2009 às 10:23
Más notícias Fiel. Não sendo eu perito na matéria, mas tendo já um caso semelhante no curriculum, vaticino torção da barra de direcção, consequência da pancada no buraco que leva para a posteridade o teu nome. A sangria no porta moedas ainda não estancou caro amigo.
Abraço.
De Jorge Fiel a 8 de Novembro de 2009 às 08:51
Preclaro Zé Pedro

Estou psicologicamente preparado para o pior.

A bem da Nação!

PS. Vi noutro dia o Chico no autocarro. Num domingo ao fim do dia. Vinha de Serralves. Está anoréctico
De Sun Iou Miou a 6 de Novembro de 2009 às 13:19
Na verdade, muita é a paciência do Fiel (Jorge) para com as desgraças que o têm assombrado, não sendo a menor de todas essa tendenciosa tendência de escorar o carro para as direitas, tentando um falso equilíbrio com o coração do seu dono.

Não pensou na possibilidade de mudar o nome para o de Job? Jorge, valoroso guerreiro matador de dragões e salvador de princesas, não parece muito idóneo. Enfim, sempre resulta a parte do martírio mais condizente com os seus sofrimentos imerecidos.
De Jorge Fiel a 8 de Novembro de 2009 às 08:53
Preclara Miou Miou

Pois é, isto é uma grande chatice. Preciso da paciência do Job, mas adorava salvar princesas... Um dilema! Uma grande porra!

A bem da Nação!
De Zé da Póvoa a 6 de Novembro de 2009 às 14:15
Permita-me que lhe dê um conselho, baseado em experiência acumulada durante mais de 20 anos e muitos milhares de Kms. na estrada. Pneus usados ou recauchutados: Jamais!
De Jorge Fiel a 8 de Novembro de 2009 às 08:55
Preclaro Zé da Póvoa

A do Jamais está muito bem metida. Mas adquirir coisas em segunda mão está muito na moda. É politicamente correcto do ponto de vista ambiental, já que contribui para a sustentabilidade do planeta.

A bem da Nação!
De Tibetana a 10 de Novembro de 2009 às 21:04
ó pá, continuas a do pneumático ou não?
De Abdul Abulaah a 11 de Novembro de 2009 às 15:21
Essa despesa toda já foi apresentada ao Município ? Eles pagam...
De Casa de Ferias a 29 de Novembro de 2010 às 21:17
Como sempre... o contribuinte paga.

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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