Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Há dor de cotovelo no deflagrar no Facebook da campanha contra o anúncio do Pingo Doce do Duda

Antes de começar a escrever este post, resolvi fazer um intervalo.

Primeiro troquei na aparelhagem o Best of Jefferson Airplane (a banda sonora escolhida para a redacção do perfil da Tita Mota Neves que, se Deus quiser, sai no DN na próxima 6ª) pela Sinfonia Fantástica do Berlioz, que, pelo seu carácter arrebatador, me parece mais adequada (em particular o seu primeiro andamento, intitulado Devaneios e Paixões) a um texto destinado a esta Lavandaria.

Depois fui sentar-me um bocado no trono, uma operação concluída com o recurso ao papel higiénico de folha dupla marca Pingo Doce que, como é costume, se comportou à altura dos acontecimentos.

Apesar de não partilhar de uma boa parte dos pontos de vista que o Alexandre Soares dos Santos acha oportuno ventilar com alguma regularidade na imprensa económica, sou freguês do Pingo Doce (antes era da loja da Pasteleira, agora passei a frequentar o da avenida da Boavista, que é maior, oferecendo por isso uma maior variedade de produtos) e declaro-me satisfeito.

As compras do mês faço-as no Continente -  fui fidelizado pelo efeito conjugado das vantagens do cartão, os cheques do Visa Universo e os descontos cruzados com a Galp -, mas retoco-as, pontualmente, entre o Pingo Doce e o Lidl.

Tenho uma excelente opinião dos produtos de marca branca Pingo Doce e não escondo uma enorme admiração pela maneira eficaz como o grupo Jerónimo Martins conseguiu trazer a sua cadeia de supermercados para o hard discount, reduzindo preços e diversidade de oferta, sem que isso beliscasse a imagem das lojas – que até ficaram mais bonitas.

Vem isto a propósito da inusitada campanha que deflagrou no Facebook, de milhares de cidadãos que se organizaram no auto-intitulado “Gente que não gosta do anúncio do Pingo Doce do Duda”.

Não me inscrevi nesse grupo, apesar de nada me mover contra estes movimentos informais nascidos entre o Twitter e o FB. Em minha defesa, invoco o facto de ter sido um dos apoiantes da primeira hora da campanha pela libertação da empregada da Carolina Patrocínio.

A coisa cheira-me mal por várias razões.

Em primeiro lugar, por mais que visione o anúncio não vejo nada que me ponha os pelos em pé (nem o resto, diga-se)- ao contrário do que acontecia inevitavelmente com os anúncios da Caixa que usavam a imagem e aquela voz de méeeméeeeeh do Scolari, só para citar um exemplo.

Em segundo lugar, interroguei-me. O Duda? Quem é o Duda?

Não é o meu amigo e ex-colega Eduardo Corte Real.

Não é o avançado brasileiro que nos anos 70/80 brilhou na equipa do FC Porto, tendo até apontado de cabeça o tento com que vencemos gloriosamente  o AC Milan em S. Siro.

Não é o extremo direito português do Málaga adaptado pelo Carlos Queiroz a lateral esquerdo.

Então quem é o Duda. Informei-me e apurei que o Duda é um publicitário brasileiro, que se celebrizou fazendo a campanha do Lula e que agora atravessou o Atlântico para ganhar uns euros e começou esta sua tarefa conquistando a conta do Pingo Doce e estreando-se om o polémico anúncio.

Concluo que a efervescência no FB deve ter epicentro em publicitários com dor de cotovelo.

Declaro, por isso, a minha total indisponibilidade para apoiar a campanha anti-anúncio do Pingo Doce, apesar de classificar como  muito interessante a ideia dos contestatários se reunirem num piquenique animado pelo José Cid (que vi a actuar, em grande forma, nas comemorações do meio século de vida do meu amigo Manuel Serrão).

E despeço-me recomendando a todos, contestatários ou não, o uso e abuso do papel higiénico folha dupla da marca branca Pingo Doce.

música: Sinfonia Fantástica, Berlioz
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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4 comentários:
De eppursimuove a 14 de Outubro de 2009 às 19:24
De facto não tem ponto por onde se lhe pegue esta contestação ao anúncio. Não sei o que está na base de tal atitude, mas certamente que os promotores da acção devem explicar o que esteve na base da criação do grupo no FB. Eu vi o anúncio e não consigo descortinar outra razão que não a xenofobia (?).

Quanto ao José Cid, bah... Esse indivíduo é "levado ao colo" por alguma elite e por certa imprensa. Veja o caso do Fausto Bordalo Dias. Bem sei que é um músico diferente, mas é um excelente músico português que canta e compõe Portugal como poucos e vive no esquecimento. Fausto é um grande músico esquecido. Cid é um músico medícre cuja qualidade da obra é empolada. Um pouco como os pimbas, tonys carreiras e etc. Pode ser só a minha opinião, mas quando o Cid escrever um único álbum que seja com metade da qualidade de qualquer um do Fausto, então aí eu posso mudá-la um pouco.
De Jorge Fiel a 15 de Outubro de 2009 às 12:37
Preclaro Eppursimuove

Sobre o anúncio, estamos de acordo. Para além de xenofobia e dor de cotovelo não descortino outras razões para a campanha deflagrada no FB.

Sobre o José Cid, presumo que também estamos de acordo. Nos tempos do Quarteto 1111, o Cid ainda compõs músicas de qualidade, como a Lenda d'El Rei D. Sebastião, que foi a primeira canção portuguesa passar no mitico programa Em Órbita.

Posteriormente enveredou pelos caminhos do nacional-cançonetismo, do pop oco, tipo Bomboka.

O Fausto é um fantástico compositor. O "Por este rio acima" está de certeza no Top 20 do que melhor até agora se fez na música em Portugal.

O Fausto é bom para consumir num concerto, com os sentidos consagrados, em regime de exclusividade, à música.

O José Cid é muito eficaz como animador de festas - o que é outra coisa, louvável, e a que eu em referia quando o elogiei.

A bem da Nação!
De eppursimuove a 15 de Outubro de 2009 às 17:25
Concordo que a Lenda d'El Rei D. Sebastião e a obra do Quarteto 1111 não devem ser negligenciadas. Tenho de admitir a sua qualidade.

Já agora, um soundbite seu está em destaque na zona de Economia do Publico online, creio que retirado da sua crónica do DN de hoje.

"Desde 2000 já gastámos 2,4 mil milhões com a RTP. O país só teria ganho se tivéssemos investido este dinheiro no TGV."

Até aceito, mas desde que guardem algum dinheiro para manter as pernas da Catarina Furtado em primetime ao sábado à noite. Mas pensando bem, se não for na RTP será noutra estação qualquer...

Também gostei daquela de abrirmos caminho para a regionalização com os cotovelos ou a tiro.(portocanal) Veja lá no que se mete, tenha cuidado que ainda o processam por incitar à violência ou atentar contra a unidade nacional ;)
De Jorge Fiel a 23 de Outubro de 2009 às 10:27
Preclaro Eppursimuove

Tenciono defender um dia destes, na minha crónica no DN, o uso da violência para a conquista da Regionalização. A coisa não vai lá de outra maneira.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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