Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Uma divagação sobre o abrir e fechar de portas

Nos últimos tempos tenho-me entregue a alguma reflexão sobre portas.

Para que não haja confusão, esclareço desde já que não vos vou maçar a escrever sobre o Portas que comprou os submarinos (o Sócrates brilhava a grande altura se os mandasse pintar de amarelo) ou o Portas skinhead do Bloco.

Nem tão pouco da mana Catarina (que agora anda metida na meritória aventura de recuperar quiosques antigos e para cuja felicidade eu contribuo comprando queijadas de Sintra para o meu filho João sempre que passo pelo do Largo de Camões) ou do pai arquitecto, que presumo continua afiambrado com a Manuela de Melo, que, in illo tempore, era o que se vulgarmente designava por um borracho (ou. se preferirem, uma lasca, não de bacalhau mas empregue como sinónimo de gaja boa).

Para evitar mal entendidos e não me perder, mais esclareço que não estou a referir-me às portas no sentido físico – isso é da competência da Vicaima e longe de mim a intenção de me imiscuir no negócio dos Costa Leite – mas antes figurado.

O falecido João Macedo Silva, que era senhor de sentido de humor tão desconcertante quanto improvável (não condizia em nada com aquele cara dele) costumava dizer que o Belmiro de Azevedo não abre portas – antes as deita abaixo. Uma imagem que assenta como um luva ao tempestuoso feitio do engenheiro, que só podia ter sido jogador de andebol, a modalidade mais desportiva que mais se adequa ao seu carácter abrasivo e muito físico.

Américo Amorim, por seu lado, não só não deita as portas abaixo (como ficou magistralmente demonstrado ao fazer em sossego e pela pora de trás, assim como quem não quer a coisa, o belíssimo negócio da Galp, enquanto o Belmiro tentava sem sucesso arrombar o portão da frente da PT) como delega noutros essa função – no dia a dia essa tarefa está cometida a um cavalheiro muito simpático, de Espinho, chamado Bacelo e que desempenha com notável eficiência um conjunto notável de tarefas, como rodar maçanetas, sublinhar jornais, fazer chamadas, conduzir automóveis e fazer as vezes de guarda costas (entre outras coisas).

Claro que o Belmiro é assim pela mesma razão porque os cães lambem os tomates  - porque podem. Amorim é mais astúcia  e diplomacia atrás da cortina porque a vida (e os negócios que fez na sua juventude, por de trás da Cortina de Ferro) lhe ensinou que nem sempre uma linha recta é a distância mais curta para aproximar as duas partes de um negócio.

Para pessoas do contingente geral, como eu e presumo uma boa parte das preclaras e dos preclaros, o melhor mesmo é ter cuidados com o manuseamento das portas, porque é sempre mais fácil fechar uma porta do que abri-la.

música: Overcome, Live
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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2 comentários:
De Laranjada Ovarense a 12 de Outubro de 2009 às 20:26
OK!
Último comentário sobre a Elisa: GRANDE DERROTA, Fiel!
Prometo que não falo mais do assunto.
O que não sabia era que o pai Portas andava a compensar a falta de "apetite" dos dois filhos!!!
Fosgasse!
De Jorge Fiel a 15 de Outubro de 2009 às 12:45
Peclaro Laranjada Ovarense

Ainda não consegui perceber se na origem desse seu entusiasmo está um ódio particular à Elisa e à cidade do Porto ou uma paixão pelo Rio, que não sei se é incompreendida (ou até mesmo correspondida) mas seguramente é incompreensível.

Mas adiante, que se faz tarde. O pai Portas sempre teve fama (e presumo que proveito) de grande predador de representantes do belo sexo. E acho que neste particular o Miguel tem um curriculum irreprenssível - ao contrário do rimão que apesar de jogar no outro time tem lata para dar entrevistas a dzier que gostava de ter filhos...

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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