Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

O papel de outsider desempenhado pelo caracol no clássico dilema entre o queque e o bolo de arroz

Sou acérrimo defensor (e praticante) da teoria de que devemos ter predefinidos formatos para responder às previsíveis  alterações à nossa rotina diária.

Nos casos em que, por um motivo (falta de géneros em casa) ou outro (sair a correr de casa), me vejo na contingência de estar na rua em jejum, tenho pronto a accionar um dispositivo de encomenda de pequeno almoço no café.

A bebida será seguramente água com gás fresca, deixando ao sabor do momento (o improviso é um dos sais da vida) a opção entre a Água do Castello e a Água das Pedras.

Se estou numa de me tentar poupar à decisão, inclino-me para pedir Castello, por ser muito provável que o café não a tenha disponível. Nesses casos, quando me comunicam que não há, encolho os ombros, e digo: “Então traga Pedras”. A distribuição da Unicer (Pedras) é melhor do que a da Nestlé (Castello).

Se por acaso o café onde escolhi tomar o pequeno almoço é do tipo Magnólia, ou seja completamente alinhado com a Central de Cervejas, tenho de me resignar a beber Luso Fresh – apesar de muito contrariado.

A chaveta dos sólidos compreende três itens: queque, bolo de arroz e caracol. Já não me lembro da última vez em que encomendei uma torrada – vá-se lá saber porquê…

O clássico dilema queque/bolo de arroz é de muito difícil ultrapassagem. A massa é em tudo idêntica (penso eu de que…), e o melhor é a parte de cima, que está mais dura e, às vezes, até é deliciosamente crocante.

A parte do fundo, que fica agarrado ao papel, é de muitissimo pior qualidade, e na maior parte das vezes só a como para não desperdiçar comida, o que, todos sabemos, é pecado, pois há muitas criancinhas, adultos e velhos (a fome não escolhe idade, apenas classe social) a morrerem à fome um pouco por todo o Mundo.

O caracol traz-me recordações dos idos de 1975, quando estudei no ISPA e o meu pequeno almoço tipo, tomado num café da Flamenga (Santo António de Cavaleiros), era constituído por um copo de água da torneira, um caracol (enorme!) e um café. Comprava o Diário de Notícias ou o Século, dava uma moedinha de cinco coroas e ainda recebi de troco uma moeda de cinco tostões. A festa ficava muito em conta. Those were the days.

Eu gosto muito do caracol, mas, para ser realmente bom,  ele tem de ter a massa estaladiça e ser generosamente povoado por frutos secos. E, diz-me a experiência (a única coisa boa que vem com a idade), nos tempos que correm é muito difícil encontrar um caracol de qualidade, pelo que normalmente deixo-me ficar pelo dilema queque/bolo de arroz.

Obviamente, a refeição é sepultada por um café – normal e tomado sem açúcar.

música: Bird on the wire, Leonard Cohen
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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2 comentários:
De Turmalina a 18 de Setembro de 2009 às 22:25
Que bolinhos bonitinhos!!!!
Pena que ao acordar eu não consiga comer nada muito doce...mas os bolinhos da foto no final da tarde até que iam bem em companhia de um café.
O que vc chama de "formatos para responder às previsíveis alterações à nossa rotina diária", aqui eu chamo de plano B.
Um bom final de semana
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:08
Preclara Turmalina

Na verdade esta meia dúzia de bolos de arroz está com um aspecto delicioso.

Até parece que estão a falar connosco a dizerem-nos : "Comam-me!". Uns atrevidos :-)

A bem da Nação!

PS. Exactamente. Podia ter poupado nas palavras se usasse essa expressão Plano B, que até é bem gira

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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